sábado, 23 de dezembro de 2017
quinta-feira, 21 de dezembro de 2017
CULTURA E ARTES | Discute-se Teatro e Teatros com epicentro em Lisboa | E COMO SE FOSSE UM «CASO» O QUE JÁ É UM CLÁSSICO
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| Leia aqui |
No
início temos a entrevista da Vereadora da Cultura da Câmara
Municipal de Lisboa a que se refere a imagem acima. Depois há réplicas ou
reações, por exemplo, a que se referem as imagens abaixo. E isto já é
um padrão: no País, no que à Cultura e às Artes diz respeito, para se
divulgar ou pedir informação e se discutirem assuntos de fundo tem de
haver «CASO». Na circunstância, parece que a etiqueta do caso será Rede dos Teatros Municipais do Concelho de Lisboa. E se
bem se percebeu, o assunto foi antecipadamente descrito ao jornal
Público sem que Orgãos Municipais o tivessem apreciado. Por outro
lado, duvidamos que os Munícipes de Lisboa se lembrem de ouvir falar de
tal matéria durante a Campanha Eleitoral das Eleições Autárquicas
embora recentes.E ainda que o problema seja apresentado como de carácter
municipal, e assim é, não deixa de se cruzar com a questão dos Teatros e do Teatro a
nível nacional. Então, neste quadro, e partindo-se do principio que o
processo só agora começou, para já alguns comentários que a entrevista
nos suscitou sendo que problemas que identificamos vêm de
longe e têm sido abordados aqui no Elitário Para Todos. Assim, sem
esgotar o que haveria a dizer, vamos a isso, a duas ou poucas mais
coisas.
- Esta passagem: «A saída de Mark Deputter do Teatro Maria Matos para a Culturgest e o encerramento do Teatro da Cornucópia – que habitava o Teatro do Bairro Alto – levaram a autarquia a repensar a rede e a avançar com concursos públicos para a gestão e direcção das duas salas». Primeiro aspecto positivo, o reconhecimento do papel dos agentes culturais. Mas onde esteve a Câmara Municipal de Lisboa na resolução do «Dossiê Cornucópia»? E talvez de lembrar que icónico era o PROJECTO CORNUCÓPIA ... E não deixa de ser inquietante que a saída de uma pessoa do Teatro Maria Matos seja apontada como a base para uma mudança de politica municipal. Não acreditamos que não haja substitutos à altura de Mark Deputter ..., e por aqui admiramos e aplaudimos o seu trabalho. Ah, obrigado Deputter por ter saído e assim ter posto a Autarquia a (re)pensar!
- Depois isto: «A direcção do Teatro Luís de Camões vai ser escolhida por concurso público? Não, vai ter gestão directa da Câmara através da EGEAC, mas aqui achámos que poderíamos não fazer concurso público para dar oportunidade à equipa que tem vindo a desenvolver o projecto no Maria Matos de o fazer crescer. Em relação ao Maria Matos, que tem tido várias vidas desde que foi construído, vamos começar um novo ciclo de programação e vocacioná-lo para teatro de qualidade para grande público –comédia, drama ou teatro musical. Aí haverá concurso público para selecção de um projecto artístico». Qualquer munícipe ficará banzado com esta argumentação. (E mais ainda se se lembrar do que tem acontecido com a Direção do Teatro São Luís, concursos para a frente, concursos para trás, e no fim ... sem efeito, funciona o «convite» ). Estas coisas não podem ser «por achismos». Há que se discutir os Teatros (equipamento) e o Projeto Artístico que o justifica e definir o Modelo para se recrutarem as suas direções... Que salvo melhor opinião não pode fugir da transparência, igualdade de oportunidades, etc. etc. ...que todos desejamos e que, em particular, enchem a boca dos políticos...
- Por agora, ainda: «As novas companhias, ao contrário do que acontecia com o teatro independente a seguir ao 25 de Abril, já não têm os seus espaços, circulam pelas várias programações – às vezes com insuficiente visibilidade face ao que é o trabalho de preparação porque as carreiras são muito curtas». Apenas: se não têm, deviam ter? Esta será uma pergunta a que a CML tem de responder. Por aqui, a resposta é SIM.Num colóquio recente os mais novos, e que talentos se vislumbram por ali, (será a esses que designam emergentes?) diziam que já seria um grande avanço se tivessem onde ensaiar ... Com tantos espaços, é esta a realidade, e não havia necessidade ... Dizemos nós.
- Mesmo para terminar, agora: por exemplo, quando se menciona Teatro Aberto (João Lourenço) e Cinearte (Maria do Céu Guerra), os equipamentos até serão de propriedade municipal - contudo, a Administração Central também investiu neles ao longo dos tempos - mas o que neste momento queriamos sublinhar é que o projeto deles é PROJECTO NACIONAL. Certo? Então como é que essa articulação é feita em termos estruturantes, por isso duradouros? Em particular, como é que isso está refletido no NOVO (a nosso ver VELHO) sistema de apoios às artes através da DGARTES? Que disse a CML àquele «novo sistema de apoios»? Informem-nos.
- E por último mesmo, em termos gerais, têm que nos dizer qual é a matriz em vista para a CONCESSÃO ... E como estão a ler dentro e fora da Cultura e das Artes os casos «problemáticos» do passado e do presente, e que se provou que não funcionaram e certamente não irão funcionar. É que quando é o SERVIÇO PÚBLICO NA CULTURA E NAS ARTES que está em causa não há muito por onde «variar» ... Vem nos livros e a vida mostra-o todos os dias, e é só ver onde existe e como funciona o que gostaríamos de ter ...
Rematando, pois é, não vamos lá se não se equacionar o TODO NACIONAL ..., se não se estabelecer a REDE DAS REDES, ou seja, uma REDE NACIONAL DE ARTES, em
que cada patamar do Poder Democrático cumpra as suas atribuições e
competências legalmente estabelecidas, a um tempo, de forma autónoma e
em parceria.
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terça-feira, 19 de dezembro de 2017
EM 19 DE DEZEMBRO DE 1961 | «A Morte saiu à rua»
«Eram oito horas da noite, de 19 de Dezembro de 1961. José Dias Coelho, funcionário clandestino do PCP, seguia pela Rua dos Lusíadas. Cinco agentes da PIDE saltaram de um automóvel, perseguiram-no, cercaram-no e dispararam dois tiros. Um tiro à queima-roupa, em pleno peito, deitou-o por terra; o outro foi disparado com ele já no chão. Os assassinos meteram-no num carro e partiram a toda a velocidade. Só duas horas depois, quando estava a expirar, o entregaram no Hospital da CUF. «De todas as sementes deitadas à terra, é o sangue derramado pelos mártires que faz levantar as mais copiosas searas»: eis a legenda que José Dias Coelho dera à sua última gravura, criada um mês antes de ser assassinado, e representando o assassínio do operário Cândido Martins Capilé à frente de uma manifestação popular». Saiba mais. «A Morte Saiu à Rua», de Zeca Afonso, é sobre Dias Coelho. Hoje é 19 de dezembro, quisemos assinalar a data,
segunda-feira, 18 de dezembro de 2017
«"farto" do Ministério da Cultura | Como ministro, não sei se está a fazer bem ou mal, nem ando à procura de saber. No nosso caso, não era propriamente ele que tinha a pasta, era o Miguel Honrado»
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| Leia aqui, no Observador |
«(...)
Um ano após o encerramento do Teatro da Cornucópia, companhia lisboeta que fundou em 1973 juntamente com Jorge Silva Melo, Luís Miguel Cintra continua a fazer teatro – e mantém um olhar crítico sobre as políticas públicas para as artes. “Quando olho para trás só tenho desgosto, por isso, olho para a frente como se estivesse a começar”, afirma, em entrevista ao Observador.
A gente passa 40 e tal anos na nossa terra a tentar provar que é possível, previne que não consegue aguentar e que acha que não há razão para reduzir o projeto às dimensões de um subsídio cortado para metade. Queriam que a gente continuasse? Não era possível. Há aqui algo viciado. É como se o Estado não acreditasse no que as pessoas dizem”, desabafa.
Refere-se aos motivos pelos quais a Cornucópia fechou portas a 18 de dezembro do ano passado – com um recital de Guillaume Apollinaire, perante centenas de pessoas. Cortes nos subsídios atribuídos pelo Ministério da Cultura não permitiram ao grupo continuar a atividade em moldes considerados adequados. Para o período 2013-2016 a subvenção foi de cerca de 300 mil euros.
Luís Miguel Cintra reafirma hoje que o Ministério da Cultura “nunca pôs a hipótese” de aumentar o montante do subsídio.
Disseram que isso iria criar um caso excecional. Mas um caso excecional é o que se deseja que exista, e não que tudo seja normal. Mas o caso excecional escandaliza, porque não se trata todos da mesma maneira, segundo parece. Não podendo haver caso excecional, o Ministério perguntou o que era possível fazer. Não era possível fazer nada.” (...)
Questionado sobre que avaliação faz ao trabalho de Castro Mendes, o fundador da Cornucópia não se alonga em comentários e diz-se “farto de burocracias”.
Escuso de dizer o que penso do ministro. Conheci-o bem antes de ele estar no Governo. Como ministro, não sei se está a fazer bem ou mal, nem ando à procura de saber. No nosso caso, não era propriamente ele que tinha a pasta, era o Miguel Honrado. Estou desinteressadíssimo desses assuntos, estou farto. Não estou muito bem de saúde, não tenho paciência para assuntos de administração, que só nos fazem perder tempo.” (...)». Leia na integra.
ESTATÍSTICAS CULTURA 2016
Só temos que louvar a existência de trabalhos estatísticos na esfera da cultura e das artes, mas certamente que ao lermos o Relatório não será difícil concluir que se precisa de mais.E há a questão de fundo: sabermos o que incluir na «CULTURA».E só pelo excerto seguinte se mostrará que sem prejuízo de se ter o «grande caldeirão», onde se mete tudo, há necessidade de criarem subsetores, por exemplo, no que diz respeito ao SERVIÇO PÚBLICO EM CULTURA E ARTES.E a transcrição:
«(...)Das profissões culturais e criativas destacaram-se as seguintes: Arquitetos, urbanistas, agrimensores e designers (32,9%), Técnicos de nível intermédio das atividades culturais, artísticas e culinárias (18,6%), Trabalhadores qualificados do fabrico de instrumentos de precisão, joalheiros, artesãos e similares (13,5%) e os Artistas criativos e das artes do espetáculo (11,1%). Os Autores, jornalistas e linguistas representavam 9,8%, da população empregada em profissões culturais e criativas. (...)».
E uma notícia a propósito da Publicação do INE:
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sexta-feira, 15 de dezembro de 2017
LUÍS RAPOSO | «Luzes e sombras em vésperas do Ano Europeu do Património Cultural»
Um excerto: «(...) Ou seja, estamos na vanguarda no plano do discurso e da reivindicação
para que outros façam; e estamos na retaguarda quando se trata de
efectivamente fazer. Quem tem culpa de tal estado de coisas? A quem
atribuir a vergonha de sermos o povo que menos visita museus ou o que
menos considera os bens patrimoniais no planeamento de férias? Às
políticas governativas ou autárquicas das últimas décadas, as quais,
passado o impulso dado pelo “dia inicial inteiro e limpo” do qual
nasceram cerca de 200 Associações de Defesa do Património, se rendem
cada vez mais ao mercantilismo (“quem quer cultura, paga”)? Sim, elas
pouco ou nada têm ajudado a corrigir este terceiro mundismo quase
endémico. Mas não nos iludamos: a culpa mora principalmente em nós, seja
este nós “o povo”, sejam os que dele nos consideramos intelectuais e
nos encapsulamos prazerosamente nos poucos bares onde todos nos
conhecemos, todos (mal)dizemos e pouco fazemos. Poderá a coisa mudar um
dia? Diríamos que sim, com o optimismo que a militância associativa e
cívica nos manda ter. E talvez a gazua esteja na introdução do ensino
para o Património Cultural nas escolas, ambição de 93% dos respondentes
portugueses, que neste particular dão cartas. (...)».
quinta-feira, 14 de dezembro de 2017
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