quarta-feira, 3 de janeiro de 2018

TAMBÉM QUEREMOS DAR PARA O «PEDITÓRIO REINVENTAR» | Até porque por aqui há quem se lembre que a «palavra» fez furor em 1992

Diário de Notícias de 2 jan 2018



Como se pode concluir pelo trabalho do DN o «reinventar» no Discurso de Ano Novo do Senhor Presidente da República não terá interpretações coincidentes. E íamos jurar que para um grande número de pessoas a «palavra» os remeterá  para o movimento que assenta precisamente no termo REINVENTAR e que povoou o pensamento e a ação de  interessados e das Administrações que pelos anos 90 do século passado se ocuparam da teorização e da prática da gestão das Administrações Públicas.  O «nosso SIMPLEX», o primeiro, terá bebido ali, via Reforma Clinton/Al Gore. Abaixo «provas» do que dizemos. Ou seja, durante largo tempo, e ainda hoje, «reinventar» fez e continua parte das REFORMAS DAS ADMINISTRAÇÕES PÚBLICAS. Mas como o tempo é feito de mudança, de vez em quando tem de haver «chicotadas» e (re)inventam-se  «palavras». Talvez hoje a expressão «substituta» seja TRANSFORMAR - Transformação Digital. Traduzindo: transformação das organizações, também das públicas,  à luz do digital e do desenvolvimento sustentável.     




(Versão final de José Magalhães com a colaboração de Jefferson T. Brown e Ivone Cunha | Contribuição para o texto-base em português: Miguel Castro Caldas, Jorge Lemos) 
Guião de uma Unidade Curricular sobre Gestão Pública

Quem tem memória destas coisas certamente se recordará das muitas e variadas interpretações  dadas ao que emanava  da obra de Ted Gaebler e David Osborne, em particular, que se devia gerir os Organismos Públicos como empresas ... E chamar CLIENTES aos destinatários dos serviços públicos. Geralmente quem o dizia não tinha lido o livro todo e nem tinha assistido às intervenções dos autores quando estiveram em Portugal. Em síntese,  é verdade, as Organizações (conceito que foi aprimorado por esses tempos do século XX) - que podem ser do mundo dos negócios e sem fins lucrativos -  são todas iguais mas todas diferentes. E a isso nos conduz, nomeadamente, a abordagem científica com base na Teoria dos Sistemas e na Teoria Contingencial que os autores, necessariamente, davam como adquiridas por todos. 
Ah, se por acaso são professores destas matérias, é melhor antecipar  perguntas dos estudantes. Pode ser que tenham ouvido a mensagem do Presidente ..., pode ser.
Já agora um titulo (da Comunicações) sobre o Congresso que teve lugar em setembro de 2017:

Excertos do artigo da imagem:

 «(...)

 SURFAR A ONDA DA MUDANÇA

 A transformação digital esta aí, em maior ou menor grau, e em todas as organizações. Por isso, não vale a pena tentar parar a onda com a mão. O melhor mesmo é surfá-la. (...)

Mas há que olhar em frente. A revolução digital está a acontecer e vai acelerar, pelo que é preciso trabalhar e em rede. Experimentação, estratégia digital, reforço das capacidades, portfolio e liderança pelo valor terão que ser apostas. Até porque o nosso futuro será cada vez mais "dataism". Impressão 3D ao alcance de todos, software defined architecture, computação cognitiva, mais e mais analítica, inteligência artificial, design thinking, gamificação... vão surgir novas capacidades, mais disrupção, mais desafios. O mundo está em profunda mudança.(...)

  É que há que manter Portugal numa posição de destaque. Não apenas nas infraestruturas, mas agora, e sobretudo, no capital humano. A superação do défice de competências é a reforma mais importante a que devemos responder, como foi reafirmado no final deste 27° Congresso. Afinal, há que pensar atempadamente o futuro e investir nos recursos escassos. Esperemos que o Congresso tenha ajudado Empresas e Cidadãos a prepararem-se para os desafios».

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.   .
Bom, mas, pensando bem, não era isto que nós queriamos focar - mas já que o fizemos aqui fica -, o que nós queriamos, e queremos, sublinhar é o papel da cultura e das artes em qualquer (re)invenção. Mas disto estamos sempre a escrever aqui no Elitário Para Todos. E muito temos utilizado a «palavra» reinventar e inventar. E refundar. E repensar... Em particular para o Ministério da Cultura no seu todo e para muitos dos seus organismos. Com a  DGARTES à cabeça. E pode ser que agora à boleia da mensagem do Senhor Presidente da República já não «gozem» - (tanto quanto sabemos até deviamos tirar as aspas, mas por uma questão de dignidade  da coisa pública, deixemos ficar) - com estes conceitos ...
Aproveitando a ocasião, a nosso ver, como se sabe, o Sistema de Apoios às Artes tem de ser reinventado. 




terça-feira, 2 de janeiro de 2018

«Para acabar de vez om o cinema, parte II: tudo mudar para que tudo fique na mesma»


Leia aqui
 
Começa assim:

«Em Janeiro fará um ano desde que o secretário de Estado da Cultura enviou aos intervenientes no sector do Cinema uma proposta de alteração do Decreto-lei 124/2013, revendo o sistema de apoios públicos em concurso pelo Instituto do Cinema e Audiovisual. Nessa altura iniciou-se uma luta no sector, que se mostrou tão pertinente quanto eficaz no dia em que o primeiro-ministro compreendeu o que o SEC se recusava a compreender: aquela proposta de Decreto-lei estava morta à partida; assentava num pressuposto de colaboração do sector, quando uma parte fundamental do mesmo se opunha, e contava ainda com a oposição dos dois partidos que sustentam a maioria parlamentar. Impunha-se novo período de negociações, de reflexão e elaboração de um decreto mais sólido, mais realista, conforme os objectivos da política pública para o cinema.
Mudou a direcção do ICA, nova versão de decreto surgiu agora, apresentada como não negociável, e tão próxima da anterior que nos perguntamos para que serviram estes meses de silencioso trabalho.(...)». Continue a ler.

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 A PARTE I:

Leia aqui

segunda-feira, 1 de janeiro de 2018

«TATE | Your Year of Art 2018»



Paula Rego, Bride 1994. Tate. © Paula Rego 

FERNANDO MORA RAMOS | «da inteligência intuída do mundo - ao beco de sentido sem saída»



Leia aqui

Uma passagem:

(...)

10 - É Damásio que fala de sentimentos como consciência e portanto de um adquirido via genética que tem expressão comportamental através dos sentimentos - diferentes de sensações e emoções, mas permanentes, modo permanente de um juízo positivo ou negativo.
Diz ele:

[…]

E a literatura tem sido um grande contributo. Quando me perguntam qual é o maior cientista de sempre respondo: na minha área, é Shakespeare.Está lá tudo?
Praticamente tudo. Pelo menos esboçado. O que se tem é de desenvolver. Quer sejam as peças históricas, as tragédias ou as comédias, a própria poesia. Praticamente tudo aquilo que interessa, todos os grandes temas, estão lá. Entre as milhares de coisas que gostaria de escrever – se calhar não terei tempo –, seria fazer qualquer coisa com a neurociência ou a neurobiologia cognitiva vistas através do Hamlet e do Otelo. O Hamlet é praticamente suficiente. É tão rico e está tão cheio daquilo que conta... E talvez meter o Falstaff pelo meio para ficar mais completo (...)».