quarta-feira, 11 de janeiro de 2017

INDÚSTRIA MUSICAL | «Eurosonic»


«Entre hoje e sábado Groningen viverá uma agitação já familiar naquela cidade do nordeste da Holanda. Desde 1986 que ali se organiza o Eurosonic. É um festival para o público, obviamente, mas os seus objectivos vão além da fruição musical por parte da assistência. Durante quatro dias, Groningen atrai agentes, managers, promotores e representantes de festivais de todo o mundo, mas maioritariamente europeus, em busca de talentos que possam acrescentar aos seus catálogos ou festivais. Este ano, as atenções estarão centradas em Portugal, país escolhido pela organização como destaque do festival. Estarão na Holanda 23 bandas portuguesas e os mais diversos agentes da indústria portuguesa. Ainda o Eurosonic não começara e Nuno Saraiva, da Why Portugal?, plataforma para a internacionalização da música portuguesa, e vice-presidente da Associação de Músicos, Artistas e Editoras Independentes (AMAEI), dizia ao PÚBLICO: “missão cumprida”. Para aferirmos o impacto que pode ter a passagem pelo Eurosonic e a actuação perante os olhos atentos de agentes de todo o mundo, basta citar alguns nomes que, passando ali relativamente incógnitos, se tornaram pouco depois destaque no cenário musical. Aconteceu a James Blake, Benjamin Clementine, The xx, Anna Calvi e Stromae. Ou aos Buraka Som Sistema, que deram ali um passo decisivo para a internacionalização, e a Batida, a criação de Pedro Coquenão que, na sequência da passagem pelo Eurosonic, entrou directamente no roteiro de festivais europeus. (...)». Continue a ler.

  




No Elitário Para Todos, somos pelo serviço público na cultura e nas artes e, ao mesmo tempo, pelo mercado, e na circunstância pela indústria musical, por isso: Viva o Eurosonic ! Parabéns aos profissionais portugueses que garantiram o destaque que é dado a PORTUGAL no Eurosonic 2017. 
E neste quadro, uma chamada de atenção para este trabalho, também no Público:

“Sinto que há neste Governo consciência do valor das indústrias criativas”


De lá:«(...) Quando a AMAEI se formou, houve um evento no Canadá, o Canadian Music Week, que tinha Portugal e Espanha como países em destaque. Isto aconteceu depois de o Governo de Passos Coelho acabar com o Ministério da Cultura. Portugal tinha sete artistas, Espanha seis. Espanha tinha dois organismos estatais a apoiar com 100 mil euros cada, nós não tínhamos nada. Os artistas pagaram do seu próprio bolso. Isso permitiu-nos uma aprendizagem do caminho que tínhamos pela frente.
 Algo mudou daí para cá?
Neste momento uma instituição como a Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal (AICEP) surge pela primeira vez no apoio à música moderna portuguesa. Para além de conseguirmos mostrar a música portuguesa aos programadores europeus, conseguimos esse efeito interno de ter o AICEP a custear o Portugal Lounge [no Eurosonic]. E conseguimos uma candidatura à DGArtes para custear as viagens dos primeiros dez artistas. (...)». Leia na integra.Ora,  aqui está um problema a resolver, relacionado com o «delimitar de águas» e com o que compete a quem. Em síntese e  ligando com outras problemáticas:

  • Serviço público/Mercado
  • Profissional/Amador
  • DGARTES/AICEP/CAMÕES/ ...
  • Central/Local
  • Atividade global/internacionalização 
  • Atividade global/Festivais / ...
  •  
Ou seja, muito por fazer. E dado onde estamos, temos de começar por fixar o ponto de partida. Como se vê, muito para lá de uma emenda aqui, e outra ali, nos regulamentos de apoio às artes através da DGARTES. Mas quem nos ouve?, quem leu o Programa do Governo e os Programas Eleitorais dos Partidos que apoiam a solução governativa? Quem estará a olhar à volta, e para dentro da Administração? ...  


sábado, 7 de janeiro de 2017

MÁRIO SOARES | «a esperança é necessária»

 
SINOPSE
«A crise vai-se agravando. Sem remédio? Creio que não. Porque a esperança deve ser a última a perder-se. Sempre pensei assim e não me arrependo.» «Quem tem estado no poder são os partidários dos mercados usurários, das troikas e do dinheiro acima de todos os valores. Têm o sentido de que o que conta é a austeridade e a pobreza das pessoas. As próprias pessoas que se lixem, para usar o termo que hoje alguns usam. Os valores não contam. A ética e o humanismo, que permaneceram depois da Segunda Guerra Mun­dial, hoje são motivo de riso dos tecnocratas, que en­chem os bolsos e nada mais. Pois bem, isso vai ter de mudar ou a Europa cai no abismo e nada nos vale. Não creio que sejamos tão estúpidos que caiamos nesse abismo. Por isso, tenhamos esperança. E acreditemos nos nossos valores». +.

 

Porquê ?



Na integra aqui

Na integra aqui
Primeiro objetivo deste post face aos Avisos das imagens:funcionar como um alerta para alguém que já seja funcionário público e que queira mudar. Todavia, pense duas vezes, informe-se sobre a DGARTES - dê uma vista de olhos pelo Elitário Para Todos, certamente que encontrará «dicas» que lhe dão indicações sobre como as coisas se passam por lá ... As pessoas continuam a sair, e a tentar sair. Assente em informação direta de protagonistas: já houve quem tenha chegado e, passado alguns dias, ido embora. No minimo, sinais a não menosprezar. Mas se ainda assim quiser «mudar de ares», boa sorte. Aliás, o número detrabalhadores é tão baixo que a quantidade, na circunstância, conta - contudo, o número de dirigentes, no modelo seguido, é desproporcional, elevado, e, desde logo, é útil que entrem pessoas, para «fazer número»,  para ajudar a justificar a sua existência. 
Mas este post tem outro propósito: chamar a atenção para os quesitos  fixados nos Avisos. E tudo vai dar ao mesmo: a DGARTES precisa de ser refundada. Ser dirigida por pessoas que tenham visões globais, que saibam das Administrações Públicas no seu conjunto, que consigam cruzar Politicas Públicas, que  percebam que as suas decisões tem de ser fundamentadas. Que respeitem a nossa inteligência. Mas não será ousado dizer: estamos perante avisos «Pós-Verdade». Estamos perante avisos sem passado, não explicados, distantes de realidades. Sem futuro. Digamos, em que as realidades  institucionais, praticadas, técnicas e científicas se transformam em «opiniões». Porquê aquelas coordenadas?
Ilustremos com o que se sublinhou nas imagens acima e detenhamo-nos, por exemplo, nesta passagem:

«1.3 — Ser detentor/a de licenciatura ou grau académico superior em Artes Plásticas, Arquitetura, Dança, Fotografia ou História da Arte, não sendo admitida a possibilidade de substituição do nível habilitacional por formação ou experiência profissional».

Para além do «tom autoritário e definitivo», uma pergunta muito simples: qual o potencial universo a que se destina? Atenção, estamos a visar pessoas que já estão vinculados à função pública. Ainda haverá gerações em atividade, ao serviço das Administrações Públicas,  que quando foram admitidas não havia sequer alguns dos cursos listados nem  graus fixados nos Avisos. E foram essas gerações  que criaram o que o existe. Em particular, foram pessoas dessas gerações que fizeram a DGARTES. Se conseguirmos encontrar algumas delas é de admitir que seriam de grande valor para os serviços. Terão um capital fabuloso. Um dos grandes problemas que as Administrações vivem neste momento decorre da sangria que se verificou nos últimos anos com a saída dos «mais velhos», de forma desregrada, sem terem «passado memória». Mais, alguns dos atuais trabalhadores da DGARTES não passariam no crivo dos Avisos. E uma coisa é certa:  pelos vistos na DGARTES não se precisa de quem saiba de gestão, de planeamento, de sistemas de informação, de sociologia, de ordenamento do território, de documentalistas, de politicas públicas, geografia, relações internacionais,  ... Na Dgartes não entra quem, embora já seja funcionário público, tenha o grau naquelas áreas, a que podiamos juntar direito, economia, matemática, engenharia, história, literatura, informática ..., embora possam saber como ninguém do que a DGARTES precisa.
Lamentamos contrariar os Avisos, mas no século XXI, tão ou mais importante do que a habilitação de partida é a capacidade de aprendizagem ao longo da vida. Ou seja, «a formação ou experiência profissional» contam. Em particular se nos dirigimos a quem ja está nas Administrações Públicas. Mais, o lema possivelmente deveria ser: tenham o grau superior que tiverem, se sabem do que a DGARTES precisa, venham até nós !
Como já alguém disse ao Elitário Para Todos, a DGARTES está a transformar-se num minusculo espaço académico, com as lógicas inerentes aos seminários dos mestrados e doutoramentos. Esquecem-se que esses mecanismos académicos são uma coisa e os dos serviços outra ...
 Por outro lado, num dos avisos fica-se pela licenciatura em área relevante ... quais serão elas? Mas o que se disse atrás, pode estender-se a tudo ...
 Ah!, e aquele «grau académico superior» ..., com ou sem licenciatura ?

segunda-feira, 2 de janeiro de 2017

DOS PROBLEMAS DA CULTURA

 Recorte de
 «Luís Filipe Castro Mendes. 
A mesa da Cultura, as boas maneiras»
Jornal i de 2 JAN 2017        

COM FOTOGRAFIA ?



Leia aqui


Nas referências para o concurso aberto para Diretor/a da DGARTES a que nos referimos no post anterior - o da imagem acima -  merece atenção particular o seguinte:



«2.6 – Nos termos do entendimento da DGAEP: “O candidato que seja titular de comprovado mestrado/doutoramento concluído, à data da abertura do concurso, há pelo menos 10 ou 8 anos, consoante o caso, esta habilitação literária, não sendo equivalente (até porque é superior) nem substituindo a posse de licenciatura (porque é grau diferente), poderá ser considerada como habilitação adequada ao exercício de cargos de direção superior”, devendo o candidato clicar como detendo a licenciatura e anexar toda a documentação necessária para análise e deliberação do júri». Leia aqui.

POUPEM-NOS ! Mas já que não nos poupam, dê uma olhadela por alguns posts anteriores que têm a ver com a saga Dirigentes da DGARTES, e diga-nos se o titulo deste não é mesmo adequado:

Em particular detenhamo-nos aqui: «Para mim a dra. Paula Varanda cumpre todos os requisitos legais para o cargo. Reúne todas as condições, que não têm a ver só com o seu currículo académico, têm também a ver com a sua experiência enquanto profissional da área. Agora vai-se seguir um concurso a que a dra. Paula Varanda irá concorrer, a par de outros candidatos, e será a CRESAP a escolher o melhor candidato».  Voltando a pensar sobre esta declaração: como é que alguém pode «apadrinhar» um candidato desta maneira! Primeiro dá-se-lhe o lugar em regime de substituição, e depois isto! E o pior: acreditamos que os envolvidos julgam ser comportamento inatacável.
Mas contrariando o que o governante afirmou,  recordemos também:«João Bilhim garante que atual diretora-geral das artes  não pode sequer candidatar-se ao cargo».
Mas o assunto vai ficar «nas mãos do júri», como se pode concluir do que se lê acima:«toda a documentação necessária para análise e deliberação do júri». Pelos vistos há sempre caminhos para encontrar uma legalidade, mesmo que a questão esteja também para além dela.

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Deuses,  como é isto possível! Por estas e por outras, já há pessoas que se candidataram em concursos anteriores e que agora não o vão fazer. O caminho fica mais livre para alguns,  a democracia mais pobre, para todos. Mas é claro que ainda esperamos que alguém olhe para isto. Antes do júri, depois do júri, sempre.  E uma vez mais atenção à sua composição. Nesta atmosfera, contrariar o «Chefe» não deve ser empreendimento fácil ...