quinta-feira, 26 de janeiro de 2017

FRANÇA | para emprego perene nas artes

Veja aqui

ALEXANDRE DE MELO | «Arte e Poder na Era Global»




«Sistema das artes é a expressão que adoptamos para designar o conjunto de relações entre as práticas criativas e as dimensões económicas e institucionais da sua inserção no âmbito das práticas culturais (em sentido lato) e das práticas sociais em geral. Chamamos práticas criativas ao conjunto das artes consagradas pela tradição da história das artes, sem excluir (mas também sem ignorar as especificidades de) outras actividades criativas que assumiram uma recente tendencial inclusão no — ou candidatura ao — estatuto artístico (é o caso da fotografia, arquitectura ou design, em sentido lato). […] Olhando para os sistemas das artes de um modo que nos permita descrever, de forma genérica, as suas configurações, neste início do século XXI, detectamos um conjunto de características que julgamos poder tomar como ponto de partida e para as quais escolhemos as designações que a seguir enunciamos. Globalização, em termos de tendência histórica. Segmentação e hierarquização, em termos de estruturas de produção. Pluralismo e relativismo, em termos de discursos de legitimação. Experimentação, eclecticismo e transdisciplinaridade, em termos de processos de trabalho. Mediação generalizada, em termos de modo de inserção social. Explicaremos o que entendemos por cada uma destas noções, dando também, de modo não exaustivo, alguns exemplos da forma como se manifestam em diferentes áreas da produção artística, designadamente, cinema, música, artes do espectáculo, artes plásticas ou literatura». Alexandre Melo. Saiba mais.



segunda-feira, 23 de janeiro de 2017

INE|ESTATÍSTICAS|«As Pessoas 2015»

Disponível aqui


«Resumo 
Brochura bilingue (Português e Inglês) contendo informação estatística de síntese relativa aos temas: População, Educação, Cultura, Saúde, Mercado de Trabalho, Proteção Social e Rendimento e Condições de Vida».




sexta-feira, 20 de janeiro de 2017

TALVEZ LHE INTERESSE | «Os contribuintes podem agora destinar a uma pessoa colectiva de utilidade pública que desenvolva actividades culturais uma quota equivalente a 0,5% do imposto que pagam sobre os seus rendimentos»


No DRE aqui













































Para ler o que está na lei, vá aqui onde, nomeadamente:   «1 - Uma quota equivalente a 0,5 % do imposto sobre o rendimento das pessoas singulares, liquidado com base nas declarações anuais, pode ser destinada pelo contribuinte a uma  pessoa coletiva de utilidade pública que desenvolva atividades de natureza e interesse  cultural, por indicação na declaração de rendimentos».
Por outro lado, no princípio de tudo, temos a obtenção do estatuto de PESSOA COLECTIVA DE UTILIDADE PÚBLICA -  para se saber sobre isso: o site da Secretaria Geral da Presidência do Conselho de Ministros.
Olhando para os procedimentos/processos em que assenta a medida: Ó SIMPLEX +, a coisa não poderia ser SIMPLIFICADA? Assim, de repente: podiaaaaa... deviaaaa... E associar a coisa a outros estatutos como, por exemplo, o de utilidade cultural para efeitos de mecenato. Ter o todo presente, para uma visão de conjunto, dá sempre jeito... Verdade de Laplace ...
Para fechar, sobre o assunto, esta matéria no jornal Público.



quinta-feira, 19 de janeiro de 2017

LUÍS RAPOSO | «Os museus, o Orçamento do Estado... e o resto»

Jornal Publico | 2017.01.19

Um excerto:

«(...)Com efeito, os dados do INE sobre estatísticas culturais relativas a 2015, somados aos da DGPC [Direcção Geral do Património Cultural], relativos a 2016, acabados de divulgar, sublinham os efeitos muito perniciosos das políticas recentes sobre os museus. No caso do INE, em cujo universo se incluem todos os museus, ou seja, a grande maioria dos que se relacionam com comunidades locais e por isso resistem melhor à “crise”, as percentagens de visitantes nacionais têm vindo a decrescer, com o contraponto do aumento dos estrangeiros. No caso da DGPC, pela primeira vez desde que existem estatísticas, os museus nacionais foram mais visitados por estrangeiros do que por portugueses – situação que deveria fazer tocar todas as campainhas de alarme e não ser quase que ignorada, em ambiente de “sempre em festa”. A isto acresce a situação verdadeiramente catastrófica ocorrida com os públicos escolares: segundo os dados do INE (infelizmente a DGPC deixou se sentir-se obrigada a fornecer estatísticas detalhadas e por isso este valor não é conhecido), uma queda percentual a pique, apenas com ligeira recuperação em valores absolutos nos dois últimos anos. (...)». Leia na integra.


segunda-feira, 16 de janeiro de 2017

INTERMEDIÁRIOS






Intermediar. Quando a reforma agrária aconteceu nós, os que estávamos a dar uma mão fazendo outras actividades, teatro por exemplo, pichagens letradas nas paredes caiadas para o Sindicato Agrícola, a TERRA A QUEM A TRABALHA, pensámos as relações entre produtores e consumidores. Era, na altura, imediato, pensar que consumidor e cidadão eram a mesma pessoa. E quando os mercados de produtos à venda pelos produtores aconteciam, por exemplo, no Rossio de São Brás em Évora - quem se lembra? - quem comprava eram os cidadãos que como consumidores estavam conscientes de que assim, comprando directamente, davam cabo das intermediações, dos famosos intermediários. Dizer INTERMEDIÁRIOS ERA COMO QUASE DIZER FASCISTAS - tinham, estes tipos, margens de lucro que faziam da intermediação o negócio dos negócios e da produção-criação uma actividade subalterna - isto é, quem produzia ganhava menos do que quem distribuía e expunha, vendia por ter adquirido para vender ganhando com isso uma margem pelo acto da exposição e venda, comércio absoluto erguido sobre o gesto do parto. Talvez fosse um excesso chamar fascistas aos intermediários, mas alguns eram-no mesmo, fruto da sua posição no encadeamento da sobrevivência para uns e do negócio para outros. Era um excesso, convenhamos. A distribuição é uma necessidade estrutural. O que não pode é fazer-se contra a criação, contra a semeação, acompanhamento, tratamentos faseados - podas, desparramentos, limpezas - e colheita das produções.
Se pensarmos em literatura a questão é semelhante. Que direito têm as editoras monopolistas e os distribuidores, as cadeias de livrarias de cobrar sobre o livro criado percentagens de lucro à cabeça que impedem que o autor e a pequena editora sobrevivam? 35%? 40%? Em cima dos custos de edição, grafismos, maquetas página a página, arrumações textuais, montagens de texto e tipografia? Qualidade das capas e tipos de letra? Gramagens e qualidade do papel? Etc., e tal? E direitos de autor, claro, pois o escriba de serviço, que ganharia? E o autor das ilustrações, havendo? Viver disso nesta engrenagem em que se é o elo pobre e fraco só mesmo para bestas sellers, uns talentosos e inventivos, alcandorados a nobel ou o que seja, outros palha bem sucedida, isto é, contando com ruminantes dedicados, militantes da causa dos sucessos, consumidores pavlovizados, inteiriços de mente como o bacalhau à peça, engrenados.
No mundo dos chamados programadores é a mesma coisa: uns criam e outros são donos, distribuidores compradores das criações. E compram ao pacote, que é mais em conta. Como o fazem outros, idêntico tipo de capatazes, com outros tipos de mercadorias. Comprar um menu de standard's de jazz em pacote, mais ou menos nice, um bocado de música pimba, um stand-up cómico saído da última graçola com estatística de quantidade de riso garantido em volume sonoro autenticado, mais um complemento de cozinha gourmet em show de preferência em francês legendado em inglês legendado em culinês, mais um ciclo de cinema clássico rápido e em resumos estilizados, em preto e branco melhorado, para um minoria garantida, mais um circo chinês internacional e um lago dos cisnes russo em versão checa requentada, com sabor ainda cheirando aos restos do Lenine embalsamado, é, de facto, atingir o cume da excelência como programador, olheiro escrutinador selectivo de menus de xcelência garantida na diversidade da oferta cadastrada, na tal relação preço/qualidade - Oh Zeus!! face ao mercado possível. Claro, o que há em Nova Iorque, e na Broadway, não é possível, só indo lá - o mesmo relativamente a Londres e a Berlim, a Paris e a Pequim - isto, que aqui há, é o que que há cá e pode ser cá, depois de ter sido lá, onde for na origem, há trinta anos ou nem tanto, vinte, ou dez. O exemplo da Orquestra de Gleen Miller brada aos céus, mas o bafio concorrencial dos cemitérios em actividade está, entre nós, no seu esplendor.
E tudo em resultado de fundos europeus aplicados em edifícios que só não são elefantes brancos porque estão disfarçados de elefantes verdadeiros, com capatazes à frente, domadores, verdadeiras criaturas do comando, comandos. E que dirigem equipas de maneira totalitária, autoritária, como o o Senhor Chin da Boa Alma os seus carregadores. Voltámos a uma espécie de escravatura, light, já quase temos salário uns euros menos mínimo e horas de compensação, estamos no paraíso.
Isto não é um país, é um isto, um aquilo. Uma coisa. Nem assunto, um quisto talvez, uma tristeza, um dente cariado. É mesmo difícil, no meio de tanta desistência, empurrados para a orla, alertar com a chama crítica ao meio e realizar a resistência...
Fernando Mora Ramos


sábado, 14 de janeiro de 2017

Vale o que vale, mas ...


Do jornal Expresso desta semana


Alerta feito por leitor do Elitario Para Todos.

PROLONGAMENTO DA AGONIA

do JL de 4 a 17 de janeiro 2017


A leitura da entrevista a que se refere a imagem levou-nos a post anterior:DOS PROBLEMAS DA CULTURA.  Porquê? A entrevista aumenta a DESILUSÃO  que já parece sem retorno.
Confirma que o atual governo na cultura  apenas se limita, no essencial, a prolongar a agonia que disse ir combater. Há momentos na entrevista que, de tão decepcionantes e  por pudor, inibem qualquer comentário. O que dizer, por exemplo, ao ler-se isto: «Conhecemos os problemas de todos os grupos, mas nenhum deles nos manifestou a intenção de fechar».Será que o Governo está em estado de negação quanto à cultura e às artes!
Não o vamos fazer, pelas razões anteriormente adiantadas, ainda assim: o que é dito na entrevista é facilmente rebatido pelos factos,  face ao programa do governo, tendo em conta a formulação das politicas públicas, e as politicas públicas em curso noutros setores. Onde tudo aconteceu de forma diferente do que o responsável da cultura resignadamente aceita como única possibilidade. Não será por acaso que «Possibilista» é termo seu. Bem, não desistamos, lembremos que  «o nosso sucesso depende da nossa participação» - diz Obama na hora da despedida -,  e   que a esperança é necessária.