Foto: João Miguel Rodrigues
(destaques nossos) - «(...) "Nós todos estávamos comovidos com a hipótese de o
teatro acabar, embora estivéssemos já a trabalhar com eles no sentido de criar
condições para uma preservação do acervo e na questão do edifício. Como sabe, o
edifício é alugado, mas estamos em conversações com os proprietários e está
tudo a correr muito bem", disse Castro Mendes.
A Cornucópia fechou em dezembro do ano passado e
Luís Miguel Cintra vai estrear a primeira peça depois do encerramento da
histórica companhia, no dia 29 de abril, no Montijo, intitulada "Um D.
João Português".
"Como não gosto, nem consigo estar parado
muito tempo, foi esta a forma que encontrei de voltar ao teatro após o fecho da
Cornucópia e decidi regressar com esta adaptação que fiz do 'D. João', de
Molière, por esta ser uma peça que me ficou 'entalada' e que não consegui fazer
ao longo de uma vida de teatro", disse à Lusa o
ator e encenador, durante a primeira leitura do primeiro bloco da peça -
"Na Estrada (Da Vida) -, realizada na passada semana, no polo cultural da
Junta de Freguesia do Afonsoeiro, no Montijo.
Em dezembro do ano passado, Tânia Trigueiros, da
produção do Teatro da Cornucópia, disse à agência Lusa que
a companhia ia proceder à inventariação do seu património.
"Temos um património de guarda-roupa,
adereços e cenários reunidos ao longo destas décadas que é preciso inventariar
e decidir para onde vão", indicou a produtora do teatro fundado por Luís
Miguel Cintra em 1973, em conjunto com Jorge Silva Melo.
Para marcar o encerramento, a companhia realizou
um espetáculo de despedida do público com um Recital de Apollinaire e foi
visitada pelo Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, e pelo ministro
da Cultura que conversaram com a direção da companhia sobre as possibilidades
de evitar o encerramento.
Mesmo com a intervenção do Presidente da
República, a direção da companhia - Luís Miguel Cintra e Cristina Reis - emitiu
um comunicado a anunciar que a decisão do encerramento era
"incontornável" face ao quadro de financiamento insuficiente para
levar a cabo os seus projetos.
Luís
Miguel Cintra, figura emblemática da companhia, falou por várias vezes, nos
últimos anos, nas dificuldades financeiras da Cornucópia para continuar o seu
trabalho dentro da filosofia do projeto».LEIA NA INTEGRA.