terça-feira, 12 de fevereiro de 2019

«Em vez de estimular e ajudar, o Ministério da Cultura controla, ‘burrocratiza’, complica e estrangula»



Semanário Expresso |Revista | 9FEV 2019

EXCERTOS:


«A minha paixão pela ópera é por via do teatro. Creio que podia viver sem ópera; não saberia pensar sem ver teatro. Ao longo dos anos assisti a milhares de concertos e espetáculos de teatro e ópera, mas só uma vez saí no intervalo, exausto com tanta beleza sublime. (Voltaria uma semana depois, para então ver tudo do princípio ao fim.) Foi num espetáculo do National Theatre de Londres, ainda no vetusto Old Vic. Nos idos de 1967, as aspirações e ilusões da vida tratadas por Tchekov e postas no palco por Laurence Olivier (que encenava) com a simplicidade luminosa dos cenários de Josef Svoboda: “As Três Irmãs”, com a Masha inesquecível de Joan Plowright e o gauche Andrey de Anthony Hopkins, sem esquecer o Tusenbach de Derek Jacobi. (...)
 Encontrei há semanas o maior dos Antonies, Ralph Fiennes! Sim, no Royal National Theatre de Londres, numa espetacular produção de Simon Godwin, com Sophie Okonedo a fazer a Cleopatra. Palco rotatório, com os cenários (Hildegard Bechtler) a diferenciar bem o Egito de Roma: opulência geométrica entrecortada por canais aquáticos, para um lado, gabinete de guerra com as últimas novidades da tecnologia por satélite, por outro. Sensacional a cena da batalha naval de Actium! Fiennes é um daqueles monstros sagrados do cinema (de “A Lista de Schindler” a “Grand Budapest Hotel”) que recarga as baterias no teatro. Antony é um papel ainda mais difícil do que o da carismática Cleopatra — um eloquente e bem-humorado homem de ação, com tentações hedonistas, destinado a falhar. (Okonedo deu-lhe excelente réplica.) Por cá, há muito que o teatro português perdeu o pé. Por falta de meios e de talento não pôde acompanhar a revolução técnica operada já neste século XXI por encenadores como Ivo van Hove. Em vez de estimular e ajudar, o Ministério da Cultura controla, ‘burrocratiza’, complica e estrangula. A ópera é o que sabe ou não sabe. Quando começam as obras? Os gestores vão continuar? No Museu de Arte Antiga, levantado do chão pela equipa do quase ex-diretor, é a debandada. O último disparate é a transferência do Museu Nacional da Música para Mafra. Estudaram o caso, perguntaram aos interessados, estimaram as consequências? Não. É sim, porque sim. Já deu para perceber que esta é o pior ministro da Cultura de sempre (e havia vasta competição para o troféu). Como dizia a minha avó, há gente que quando abre a boca, ou entra mosca ou sai asneira. Pensar é difícil, mas ajuda ver teatro».
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Como prolongamento do artigo, sugestão do Elitário Para Todos:uma incursão ao site do National Theatre. E apetece gritar, «Também queremos!».   


sábado, 9 de fevereiro de 2019

DGARTES | O senhor que se segue ...

Leia aqui
E cá temos a DGARTES a ser novamente notícia: mais um protagonista na saga entrada- saida de Diretores/as - Gerais. Neste momento é entrada. A de Américo Rodrigues. Em regime de substituição, particularidade que já não levanta qualquer constrangimento. Entrou na rotina, aborda-se como se fosse para a eternidade e não modalidade transitória com os dias que deviam ser «contados». Bem sabemos que os mecanismos procedimentais podem levar a que o processo se arraste. Se arraste ...E deixem-nos adivinhar, o atual protagonista vai a concurso a abrir brevemente, ( a Senhora Ministra prometeu), e vai ficar entre os três escolhidos. Quem quer apostar? - (bom, mas se a história se repetir vai haver mais um qualquer incidente pelo caminho e tudo pode acontecer, como habitualmente, ou seja daqui a uns dias ou meses mais uma qualquer confusão  ... ). Lembremos, os problemas da DGARTES não tem apenas a ver com os Dirigentes, a Direção-Geral tem de ser refundada!  Mas não sejamos agoirentos, continuemos, quando for à entrevista na CRESAP - se chegar lá - já estará mais familiarizado com a Administração Pública (Central). Para lá dos «dossiês» o que é que isso seja ... E também estamos em crer que nos quesitos dos concursos vai haver qualquer coisita que, por mero acaso, se lhe vai adequar em especial. Se chegar lá! Porque entretanto também pode acontecer que pelo caminho mais um que venha a não se sentir «talhado» para o lugar. De facto, olhando para o seu curriculo e para o que está fixado na lei questionamo-nos se vai haver tempo para adquirir as competências previstas na lei. Veja aqui.
Mas o futuro candidato não se apoquente porque isso não parece ser valorizado no concurso, até porque a lei apenas exige que só depois de ser Diretor se terá, isso sim,  de frequentar cursos (no INA)  para adquirir os conhecimentos que estão definidos para os Dirigentes. De qualquer forma, não aplicar o SIADAP (um pesadelo na DGARTES) tem consequências graves, antes ou depois da formação  - mais tarde não digam que não avisámos ... Em algum momento o problema tem de ser encarado de frente. Senhor futuro Diretor-Geral ponha a matéria na sua agenda a pedido de vários interessados que nos chegou.  E para no futuro não lhe pegarem por isso e poder dizer: fiz o que pude, mas encontrei o caos ... Dizem-nos que já houve quem tenha saido por causa do SIADAP ( para quem não se recorde tem a ver com a avaliação de desempenho - dos dirigentes, dos serviços, dos demaIs trabalhadores...).
Mas após saber-se o nome do indigitado (Ah, o que poderá acontecer até ao dia 13 ...) outro pedido que veio de muitos lados: quem era a pessoa? Verdade, no setor há quem não conheça Américo Rodrigues. Dizem-nos que nem a Diretora que vai sair! Mas aí nós, fizemos um brilharete, remetemos para posts deste Blogue:


Entretanto, já há declarações  e estamos um bocado aperreados. Bastava aquela de «simplificar processos». É  que nos cheira a meter umas buchas no que existe, quando como se tem defendido neste blogue, expressando leituras de muitos, o que é preciso é criar coisa verdadeiramente nova! E depois temos isto (leia no Público):

«Leva para o cargo o conhecimento empírico do meio e a experiência num "terreno difícil", o interior do país.
 (..) Consciente do momento delicado que atravessa a DGArtes, e ressalvando que só após a tomada de posse, na próxima quarta-feira, é que se inteirará verdadeiramente, "dos dossiers" que terá em mãos e do "modo de funcionamento" do organismo, Américo Rodrigues diz ao PÚBLICO que o seu grande desafio passa por "uma coisa óbvia": "A DGArtes tem de cumprir a sua função e vou tentar que o faça." Envolver todos os agentes é, para o novo director-geral, uma condição prévia: "Para mim, nunca fez sentido que de um lado estivesse a DGArte"Cumprir a sua função" significa, para Américo Rodrigues, pôr em marcha "uma simplificação de processos" para assegurar "que os prazos são cumpridos, que as decisões são tomadas na altura certa, que os concursos são abertos na altura definida". Ou seja, garantir "que tudo correrá num ambiente de normalidade" que permita à comunidade artística "sentir outro tipo de segurança". Mas também, assinala, conseguir passar a ideia "de que a DGArtes não é apenas uma entidade que distribui subsídios": "É uma entidade que tem por missão apoiar a criação e a programação, e isso é um serviço público de primeira grandeza que não passa apenas pelo apoio [financeiro]. Esse é um dos desafios. Melhorar a ideia que a comunidade, nomeadamente a artística, tem da DGArtes". s e do outro a comunidade artística", afirma. (...)».
Não percebemos muito bem o que se acaba de transcrever, mas uma coisa será certa: o futuro Diretor-Geral está de acordo com o NOVO MODELO DE FINANCIMENTO ÀS ARTES (aquele que por aqui  dizemos que já NASCEU VELHO), parece que apenas aponta falhas ao seu funcionamento ...
De qualquer maneira para o próximo Diretor-Geral, BOA SORTE na mudança da Guarda para Lisboa, territórrio tão País real como o de onde vem. Acredite!  




terça-feira, 5 de fevereiro de 2019

MINISTÉRIO DA CULTURA ATRIBUI MEDALHA DE MÉRITO CULTURAL A MANUEL GUSMÃO

Para assinalarmos este dia em que é atribuída Medalha de Mérito Cultural a Manuel Gusmão, uma chamada  para o texto da imagem acima e a nossa escolha:

Quem pode ser no mundo tão quieto
Que o não movem nem o clamor do dia
Nem a cólera dos homens desabitados
Nem o diamante da noite que se estilhaça e voa
Nem a ira, o grito ininterrupto e suspenso
Que golpeia aqueles a quem a voz cegaram
Quem pode ser no mundo tão quieto
que o não mova o próprio mundo nele

Manuel Gusmão | em“Contra todas as evidências”

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2019

DOS OUTROS | FRANÇA | O Passe Cultural



Leia aqui

«(...) uma carta para contestar a ausência de uma política pública de cultura num território de 52 concelhos - que abrange o Ribatejo, Oeste e a Grande Lisboa -, o único do país onde não existe uma Direcção Regional de Cultura»



Tirado daqui

Como se pode ler na noticia:«O Círculo Cultural Scalabitano (CCS), de Santarém, vai remeter aos decisores políticos uma carta para contestar a ausência de uma política pública de cultura num território de 52 concelhos - que abrange o Ribatejo, Oeste e a Grande Lisboa -, o único do país onde não existe uma Direcção Regional de Cultura.(...)».Pois é,  decisores, o NOVO MODELO DE FINACIAMENTO DAS ARTES na esfera do SERVIÇO PÚBLICO que por aqui tanto se reclama   tem de resolver  problemas como os que decorrem do que acima se lê. Exemplos destes  ajudam a entender que não há NOVO ciclo nenhum. Aquilo que dizem ser NOVO já nasceu VELHO! E enquanto não perceberem isso não se vai longe. Nem com as redes «voluntárias» de «teatros e cine-teatros» (onde é que nós já ouvimos estas designações ...) que andam por aí ...