«Há quem aproveite o mês da liberdade para mostrar ressentimento. Como tem chovido pouco por esta altura nos últimos anos, o provérbio passou a ser "Abril, mágoas mil". O Centro Interpretativo do 25 de Abril está bloqueado porque o governo não cedeu o espaço que estava previsto para a instalação do museu, no Terreiro do Paço. Faz sentido. Não é exactamente um museu, é um centro interpretativo; portanto, não é essencial que abra mesmo, basta que se interprete que existe. É um museu que não se visita, imagina-se.
O governo já sugeriu alternativas à localização, como a lindíssima, central e muito visitada freguesia da Pontinha. Não é que isto signifique necessariamente que o governo da AD esteja contra o centro interpretativo, mas, colocando tantos entraves à sua abertura, correm o risco de serem mal interpretados.
O que não dá para grande espaço para interpretações é a atitude do Presidente da Câmara de Lisboa, Carlos Moedas, face ao 25 de abril. Depois de acabar com o concerto de 24 para 25 de abril, a Câmara de Lisboa quis agora renomear as Festas de Abril para Festas da Primavera. São decisões que agradam ao tipo de pessoa que considera que a liberdade não se deve ao 25 de abril, mas ao primeiro carro, oferecido aos 18 anos pelos pais.
Já só falta transformar o 25 de abril num festival de cerveja artesanal chamado Li-beer-dade. Não seria melhor cancelar as comemorações populares do 25 de abril e fechar antes da Avenida da Liberdade para uma parada de celebração do Dia Mundial do Pinguim, que se celebra no mesmo dia? Estou certo que o Guaraná Antártida patrocinaria essa mudança.
Qual é a ideia? Tornar o 25 de abril num 15 de agosto: uma daquelas datas em que as pessoas agradecem não ter de trabalhar, apesar de não conseguirem precisar o motivo do feriado? Antigamente, uma certa esquerda reclamava para si o 25 de abril. Hoje, há uma certa direita que faz questão de rejeitá-lo abertamente».
Do que lá se pode ler:
«O convite partiu do lendário músico e ex-deputado da Assembleia Nacional do Poder Popular de Cuba Sílvio Rodriguez, uma das mais conhecidas e marcantes vozes latino-americanas. Trinta e quatro anos depois da última visita, Chico Buarque de Hollanda voltou a desembarcar em Cuba, num momento em que as sanções fora-da-lei contra a ilha agravam a crise económica e energética, numa «demonstração de solidariedade ao povo do país».
Para além da «doação de medicamentos essenciais ao Ministério da Saúde cubano», Chico Buarque anunciou nas suas redes sociais a gravação de uma nova versão do tema Sueño con Serpientes, de Sílvio Rodriguez, com o cantautor cubano, num estúdio em Havana. Não é a primeira vez que a canção ganha expressão brasileira – em 1980, Milton Nascimento incluiu-a no seu disco Sentinela, com a participação da cantora argentina Mercedes Sosa.
A escolha de Sueño con Serpientes não é aleatória. Prefaciada pelo poema de Bertold Brecht Os que Lutam, sobre as mulheres e homens «imprescindíveis» que não abdicam da luta pela construção de uma vida melhor, a canção foi censurada pelo fascismo espanhol e chileno. A nova versão, com a participação de Buarque, vai ser divulgada em todas as plataformas de música. (...)».
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Sobre o livro no jornal Avante!
A Cultura Integral do Indivíduo
continua a ser problema central
do nosso tempo
Manuel Rodrigues
«Faz agora 90 anos que Bento de Jesus Caraça proferiu a conferência «Cultura integral do indivíduo – problema central do nosso tempo». Uma Conferência inserida em todo um processo de luta pelo acesso do povo ao ensino, à cultura, à liberdade, de que Bento de Jesus Caraça foi incansável impulsionador como intelectual, cientista, pedagogo, promotor da educação e instrução populares, lutador antifascista, militante comunista.
De facto, Bento de Jesus Caraça despontou como jovem académico em plena época de ascensão do regime fascista português, terrível tempo de culto e promoção de um obscurantismo incompatível com a postura de um intelectual de novo tipo.
Foi neste contexto político que se manifestou a sua grande preocupação com a cultura, que identificava como a verdadeira liberdade, na sua ânsia de contribuir para a formação de um proletariado educado e culto, tendo plena consciência dos seus direitos e deveres, em suma, com consciência de classe.
A sua concepção de cultura, alheia a todo o elitismo e radicalmente democrática, viria Bento de Jesus Caraça a explicitá-la desta forma nesta Conferência, quando se interroga «o que é o homem culto?» e responde que este:
«1.º – Tem consciência da sua posição no cosmos e, em particular, na sociedade a que pertence;
«2.º – Tem consciência da sua personalidade e da dignidade que é inerente à existência como ser humano;
«3.º – Faz do aperfeiçoamento do seu ser interior preocupação máxima e fim último da vida.»
Sublinha, no entanto que, para que o homem possa trilhar a senda da cultura, é indispensável que ele seja economicamente independente. O problema económico – insistia – é, de todos os problemas sociais, aquele que tem de ser resolvido em primeiro lugar. (...)».