terça-feira, 23 de junho de 2026

QUEREMOS O SITE DA CORNUCÓPIA DE VOLTA | e não nos venham com explicações ... | AH ! TALVEZ PENSAR COMO ARQUIVAR A WEB NA ESFERA DA CULTURA NOMEADAMENTE DAS «ARTES DA DGARTES» ...

 


É verdade o site da CORNUCÓPIA era uma das nossas fontes de informação. E uma referência para o que devemos ter sobre a memória dos nossos AGENTES CULTURAIS. A ele recorríamos para tudo: desde logo, para nos deleitarmos com a depuração da «imagem», pela síntese do que nos contava o que só estará ao alcance de alguns. Para vermos os belos CARTAZES da Cristina Reis. Do que nos proporcionaram ao longo dos anos - este verdadeiro TEATRO NACIONAL - partíamos para a historia da nossa VIDA TEATRAL ... E lá nos era dito sem rodriguinhos porque tinham fechado ... Fazendo o que nos era habitual em linha com o que recomendávamos (ver imagem acima) e  impulsionados pelo lema do Festival de Teatro de Almada 2026 lá fomos em busca da «A GAIVOTA». Choque: deparamos com o «NOT FOUND» da imagem inicial.
Não temos dúvidas que haverá múltiplas justificações (nomeadamente ao jeito da Governante da Cultura em part time na sua sanha  Administração Legalista), mas poupem-nos: o que está em causa é a questão da MEMÓRIA DAS ARTES DA DGARTES e como arquivar a sua WEB. E como transformar SITES COMO OS DA CORNUCÓPIA EM PATRIMÓNIO IMATERIAL (eventualmente em tempos de IA até teremos de encontrar outra designação) DE DOMÍNIO PÚBLICO. Não nos resignemos deem-nos de volta o SITE DA CORNUCÓPIA - «um luxo» para todos ... Elitário Para Todos.
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Neste momento não temos tempo (talvez seja mais verdadeiro dizer não nos apetece) relacionar, mais ou menos esmiuçando, (não faltará ocasião), o que aconteceu ao Legado da Cornucópia com o que  recentemente temos escrito  e lido sobre matérias afins, como o seguinte:
 

 
 
 
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Não resistimos, porque isto anda tudo ligado - e já 
que estamos em tempo delas, 
é como as cerejas - reparemos nesta notícia:

 

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 «do fim da Cornucópia»




Excerto «O anunciado encerramento do Teatro da Cornucópia é, do ponto de vista artístico, um acontecimento negativo de proporções gigantescas, sendo as causas de tal facto um escândalo que envergonha o país e quem o governa. O poder, qualquer que ele seja, inscreve sempre, como tem sido dito e repetido, a cultura no final da lista das suas prioridades. (...)».

 

domingo, 21 de junho de 2026

CLARO QUE CORRESPONDEMOS AO PEDIDO DE DIVULGAÇÃO DA MARCHA «LUTA, CAMINHO DA VITÓRIA» | AMANHÃ - 22 JUN 2026 _ 18:30 _ PRAÇA DA FIGUEIRA | LISBOA | porque não festejar o que lhe está subjacente seria «pecado» e porque em especial no «novo rumo para Portugal» queremos que não se esqueçam a cultura e as artes que nos move ...

 


MAIS UM ARTIGO DE LUÍS RAPOSO A NÃO PERDER | «Museus nacionais, conceitos e práticas» | NÃO SÓ PELOS MUSEUS COMO PELO QUE SE PODE APRENDER SOBRE «NACIONAIS» (ACOMPANHADOS POR OUTRAS ESTRUTURAs) QUE CLAMAMOS PARA AS «ARTES DA DGARTES»

 

Excertos:«(...)  O desamor do Estado Novo pelos museus encontra-se expresso no facto de não ter criado nenhum museu nacional de raiz. Recebeu três dos regimes anteriores (Museu Nacional de Arte Antiga, criado em 1884; Museu Nacional de Arte Contemporânea, criado em 1911; e Museu Nacional dos Coches, criado em 1905), classificou como nacionais outros tantos também já preexistentes quando, em 1965, já na aproximação ao marcelismo, procurou densificar o conceito, fazendo-o numa óptica centralista, como era próprio do regime (Museu Nacional de Arqueologia e Etnologia, anterior Museu Etnológico do Dr. Leite de Vasconcelos, criado em 1893; Museu Nacional de Soares dos Reis, criado em 1833; e Museu Nacional de Machado de Castro, criado em 1911). E ficou-se por aqui.
Com a democracia de 1974, tudo mudou. Logo em 1976, depois da tomada de posse do primeiro Presidente eleito (Ramalho Eanes) bem como do primeiro Governo Constitucional (chefiado por Mário Soares), o aniversário do 5 de Outubro foi celebrado com a criação do Museu da República e da Resistência. Um decreto-lei detalhado e tecnicamente exigente situava-o no Forte/Cadeia de Peniche. Mas não saiu do papel e foram precisas mais do que quatro décadas e um Governo “atípico”, dito “da geringonça”, para que realmente nascesse, chamando-se Museu Nacional da Resistência e Liberdade — delonga que por si só evidencia o que tem sido o regime democrático em seus impasses e suas “involuções”.

A singularidade deste museu é tal que nem sequer costuma ser lembrado quando se referem os “museus nacionais” criados pelo regime democrático. São estes os seguintes: a) os dos anos de 1970 e 1980, criados de raiz (Museu Nacional do Traje, 1977; e Museu Nacional do Teatro, 1982, depois Museu Nacional do Teatro e da Dança, desde 2015) ou preexistentes (Museu Nacional do Azulejo, 1980; Museu Nacional de Etnologia, 1990); b) os reclassificados como nacionais em 2015, nos termos da lei-quadro dos museus portugueses, adoptada por unanimidade na Assembleia da República, em 2004 (Museu Nacional da Música; e Museu Nacional Grão Vasco); c) e os que atingiram essa designação de “nacional” em 2017, somente para “dar consistência” à reorganização administrativa da tutela no Ministério da Cultura (Évora, passou a designar-se Museu Nacional Frei Manuel do Cenáculo; e Conímbriga, foi feito Museu Monográfico de Conímbriga – Museu Nacional ou simplesmente Museu Nacional de Conímbriga). Soma-se o que se poderiam designar por “casos exóticos”, que ainda hoje carecem de adequada base legal: o Museu (dito) Nacional Ferroviário, criado em 1991, através de Lei da Assembleia da República, ao arrepio de qualquer enquadramento governativo; e o Museu (dito) Nacional do Desporto, formulado in cursu, aquando da criação do Instituto do Desporto de Portugal, em 2003.
Como se vê, o actual regime democrático criou ou reclassificou como “museus nacionais” mais do que os preexistentes até 1974 (e pelo menos um novo, muito pertinente, está no horizonte: o Museu Nacional de Arqueologia Náutica e Subaquática, reclamado pela Assembleia Regional dos Açores). É certo que o mesmo regime tem crescentemente desprezado estes museus (a última reforma, a promessa de maior autonomia, por exemplo, parece ter sido um logro; e sabemos agora de casos-limite como o do Traje, encaixotado sem se saber ainda para onde vai). Falta-lhes também o “sopro democrático” que sucedeu a nível local. Mas, ainda assim, um tal acréscimo recoloca a questão de saber o que devem ser museus nacionais.
Num extremo, poderia existir apenas um “Museu Nacional” grandioso, holístico algo que em Portugal nunca aconteceu, nem na ditadura, porque dele não precisamos para (re)criar a Nação. Noutro extremo, favorecido nos últimos anos, “museus nacionais” parecem ser todos os que dependem do Governo na área da Cultura uma espécie de “grau zero” das políticas de museus, que nos apouca, sendo em tudo contrário ao que estabelece a lei-quadro no âmbito da organização da Rede Portuguesa de Museus.
No meio, encontra-se a procura de critérios políticos racionais para atribuição da classificação museu nacional: colecções únicas, de especial importância para o património cultural português (azulejos, coches…)? Domínios científicos longamente sedimentados e produtores de colecções de museus (arte, arqueologia, antropologia…)? Áreas artísticas ou da vida social que a contemporaneidade entenda dever privilegiar (música, teatro, traje…)? Com que funções e com que estatuto administrativo? De tutela da cultura, apenas? Públicos, em geral? E porque não também associativos, fundacionais ou privados?
Complexo e controverso, sem dúvida. Mas desistir deste debate e da correspondente decisão política representa um falhanço do acumulado geracional que vem desde 1974 e do próprio regime democrático».
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Quando em cursos de Gestão se estuda «Benchmarking» nomeadamente nos de GESTÃO PÚBLICA  por lá encontraremos «Benchmarking Interno» que ensina a olharmos para os melhores, digamos, que nos estão perto. Ora, na esfera dos museus as «ARTES DA DGARTES» poderão encontrar o que tecnicamente se designa « benchmarks». Alimentando o que defendemos - veja-se o post recente - entre outras categorias adiantamos a criação de mais «TEATROS NACIONAIS». E para espevitar a conversa bastaria esta pergunta: se há mais do que um MUSEU NACIONAL porque diabo não há mais «nacionais» no âmbito do Teatro, da Dança, da Música, do Circo, do ... Sim, sim, claro que temos de considerar «Regionais», por exemplo, multidisciplinares, de iniciativa do Poder Central... Onde estão os que existiram e/ou foram lançados no passado?  Roubemos as palavras de Luís Raposo e apliquemo-las aqui: «(...) desistir deste debate e da correspondente decisão política representa um falhanço do acumulado geracional que vem desde 1974 e do próprio regime democrático».
 
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Ainda não encontrámos a Revista a que se refere a imagem e mencionada no artigo de Luís Raposo,  mas iremos em busca. Desde já, com «inveja boa» queríamos equivalente para as ARTES DA DGARTES». Sobre a revista também no Público este trabalho:
 

quarta-feira, 17 de junho de 2026

VERGONHA !

 


 
 
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 Excertos da crónica de Ana Cristina Leonardo: «(...) Não faltam casos bem piores. Modigliani morreu tuberculoso e na miséria, Rembrandt foi enterrado numa vala comum, assim como Mozart. Oscar Wilde morreu acima das suas possibilidades, Paul Verlaine na pobreza. Ângelo de Lima morreu em Rilhafoles, mais tarde baptizado Hospital Miguel Bombarda. António Gancho passou pelo Júlio de Matos (por onde também pernoitou Luiz Pacheco) e pelo Miguel Bombarda, para morrer esquecido na Casa de Saúde do Telhal. Camilo Pessanha foi-se em condições deploráveis, consumido pelo ópio. Bocage morreu doente e na miséria, o funeral custeado por amigos. E faltando-nos decerto muitos, falta-nos sobretudo Camões — celebrou-se ainda há pouco o seu dia — que apesar de ter produzido 8816 versos — só para Os Lusíadas — morreu na penúria, enterrado em campa rasa, a tença incerta e aleatoriamente protelada, pensão real que Sophia de Mello Breyner imortalizou no poema de 1972 Camões e a Tença: “Irás ao Paço. Irás pedir que a tença/ Seja paga na data combinada/ Este país te mata lentamente/ País que tu chamaste e não responde/ País que tu nomeias e não nasce (…)”.
Camões sempre lembrado pela palavra inveja, a última de Os Lusíadas. Bordão de recurso sempre à mão quando alguém grita “o rei vai nu” face a arrebatamentos inexplicáveis sobre frases tão pueris como “A literatura lava com lágrimas ardentes os olhos frios da História”. Adiante. 
 Falávamos de inveja. No caso, à palavra inveja prefiro acrescentar a palavra miserabilismo (porventura selectivo). Explico-me.
O Subsídio de Mérito Cultural é criação antiga. Recua a 1982. Reconhece o mérito cultural e visa impedir situações de carência em profissionais da cultura. Nomes (re)conhecidos como Mário Cesariny, Armando Cortez ou Luiz Pacheco constam como tendo beneficiado dessa “tença”, embora a maioria, como se percebe, opte pelo anonimato. O número de beneficiários situa-se em média em 100 pessoas e tem o valor exacto de 222,50 euros. Nunca foi atribuído a “artistas milionários” — ponha-se a inveja de lado —, estando sempre dependente do valor dos rendimentos de cada um.
Eis que novas regras do Ministério da Cultura, sob pretexto da uniformização administrativa, vêm impor outros métodos de atribuição. À avaliação humana e flexível que imperava até agora e que ponderava situações “de, por vezes, pungente carência económica”, negando “qualquer forma de ingerência no âmbito da Previdência Social, porquanto não se pretende colidir com as atribuições que, neste campo, estão legalmente cometidas a outros órgãos e serviços dependentes de outros ministérios” (segundo o espírito e a letra do Decreto-Lei n.º 415/82 de 7 de Outubro), veio agora o Estado contrapor a aritmética da Segurança Social, face à qual quaisquer cêntimos extra ao tecto mínimo de rendimentos significam que já não existe carência e muito menos mérito, contabilizando para mais não só os rendimentos do artista, mas do seu agregado familiar — o mérito cultural já não é do próprio, será da família? — cortando os exorbitantes 222,50 euros, que passam a ser considerados indevidos. Quem sabe, um roubo ao erário público. É o mérito cultural a ir pelo ralo do assistencialismo miserabilista, com os velhos artistas e agentes culturais — como se compreenderá, o mérito cultural não se atinge aos 20 anos — a verem ser-lhes sonegado um subsídio que deixou de ser de mérito para estar dependente da decisão burocrática e informática de uma folha de cálculo.
E até parece que estamos de novo a ver Camões a pedir a tença ou, na linguagem vigente, o Rendimento Social de Inserção. (...)».

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Começa assim o trabalho de Joana Amaral Cardoso: «Cortes recentes no Subsídio de Mérito Cultural (SMC), uma medida de apoio a artistas de carreira reconhecida que, pela natural intermitência do seu trabalho, vivem situações de carência económica, deixaram vários beneficiários, sobretudo idosos, sem um contributo essencial para a sua subsistência que recebiam há décadas. À luz das novas regras implementadas pelo Ministério da Cultura, da Juventude e do Desporto, muitos perderam-no, outros viram-no cortado. Em causa estão montantes entre os 128 e os 600 euros por mês, que passaram de 85 beneficiários em 2025 para apenas 65 à data de hoje.
Um dos beneficiários afectados pela medida tentou o suicídio, outros recorrem a programas de ajuda alimentar ou deixaram de poder pagar cuidados de saúde. Uma acção judicial e uma providência cautelar estão a tentar travar o que a tutela considera ser a aplicação de “critérios iguais para todos”.
Após meses de silêncio por parte do Ministério da Cultura e do Fundo de Fomento Cultural (FFC), que medeia a atribuição do SMC, estes beneficiários de um subsídio do qual no passado usufruíram nomes como Mário Cesariny ou Herberto Helder souberam por email que as regras tinham mudado. Já desde Novembro tentavam saber o que se passava.
No dia 2 de Junho, o fotógrafo Guilherme Silva, após ter tido conhecimento de que o seu SMC, que já não recebia desde Janeiro por motivos que desconhecia, passara de 470 para 128 euros, tentou o suicídio. Aos 78 anos, com despesas de habitação e saúde a seu cargo, e dadas as consequências a longo prazo da precariedade que caracteriza o trabalho na Cultura, considerou que o seu acto serviria “para quem vem a seguir”: um manifesto de indignação por parte de quem se sente privado de uma caução de dignidade. Fotografou o 25 de Abril, foi bolseiro da Fundação Calouste Gulbenkian, dedicou a vida à fotografia. (...)».
 
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A nosso ver, VERGONHA é o que todos nós devíamos sentir  face ao que está a acontecer com os nossos concidadãos na esfera do MÉRITO CULTURAL que os trabalhos acima nos dão a conhecer. De imediato há que reverter as medidas tomadas pela SENHORA GOVERNANTE, Ministra da Cultura (em part time). Todavia, depois de ter permitido o que ficamos a saber não nos parece ter condições para isso. Uma vez mais, SENHOR PRIMEIRO MINISTRO venha  a terreno. Mais, pensamos que o SENHOR PRESIDENTE DA REPÚBLICA não poderá ignorar esta «náusea». 
Neste blogue temos por diversas ocasiões alertado para a situação desta intervenção do Estado, sublinhando a grandeza que lhe esteve na origem, e diagnosticando que há que TOMAR MEDIDAS IMEDIATAS para fazer face às situações de hoje que só serão travadas no futuro com um PLANO DE DESENVOLVIMENTO PARA A CULTURA.
E uma «perguntinha»: não há Recomendações nos Serviços sobre tudo isto? Ou a Senhora Governante apenas obedece à Inspeção das Finanças? Se assim é, Ministra da Cultura (mesmo que em part time)  para quê?