
«Ao ser escolhido para substituir o
duque de Viena durante a ausência deste da cidade, Ângelo aproveita-se do cargo
para extravasar a sua maldade: condena Cláudio à morte, por este não ter
cumprido os trâmites legais no casamento com Julieta, que já casou grávida. A
irmã de Cláudio, Isabela, tenta interceder, mas Ângelo chantageia-a e exige a
sua virgindade em troca da vida do irmão. Ao tomar conhecimento desta
chantagem, o duque intervém, orquestrando um plano com Mariana, a antiga noiva
de Ângelo, de modo a expor a sua hipocrisia.
MEDIDA POR MEDIDA é uma peça de William Shakespeare escrita em 1603 ou
1604 e publicada em 1623, originalmente definida como uma comédia, embora a sua
complexa trama torne difícil classificá-la, avisa o encenador Ignacio Garcia,
que identifica os temas, recorrentes em Shakespeare, que aqui encontramos: “A
bondade ou a perversão do poder, a usurpação da identidade, a justiça ou a
injustiça exercidas pelos governos, o amor e a luxúria que se emaranham e se
enredam até se confundirem, a lealdade e a traição como a cara e a coroa da
própria condição humana”. A atmosfera em que as personagens se movem é de
intriga, mentira, traição e imoralidade. “Medir e ser medido, sempre e
incessantemente, julgar e ser julgado sem descanso, viver a infelicidade de uma
supervisão constante e permanente, impiedosa, com a esperança como único
remédio, porque, como diz o próprio texto: os infelizes não têm outro remédio
senão a esperança”.
O encenador IGNACIO GARCÍA é bem conhecido do público do TMJB: em 2017 dirigiu História do cerco de Lisboa,
de José Saramago; em 2019 voltou a trabalhar com a CTA em Reinar depois de morrer, de Luis de Guevara; e em 2021
dirigiu Nem come nem deixa comer, de Lope de Vega. Saiba mais.
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Dossier informativo
de lá:
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E nova Produção da CTA sem CONVERSAS COM O PÚBLICO seria estranho. Por isso com MEDIDA POR MEDIDA continuidade ao que vem de longe. Só nos «irrita» o tempo contado. Gostávamos que fossem conversas sem fim, até que apetecesse ... Não deve haver muita gente que nos acompanhe, mas também é uma forma de dizermos o quanto valorizamos esta prática de sempre da Companhia de Teatro de Almada. O que temos aprendido com esses encontros!
Aproveitando a atmosfera: QUAL A SERÁ O PODER DAS CONVERSAS? As do Teatro Municipal Joaquim Benite, e as de outros - e cada cada vez mais acontecem.
Ligando ao momento, às REVOLTAS EM TORNO DA HABITAÇÃO, OS PODERES OFICIAIS, alguns com manifesto atraso, querem e pedem para conversar. Pelo histórico, a muitos deles faltará saber e sabedoria para ouvir, ver, e ler ...
Contudo, mais vale tarde que nunca. E alguns governantes, homens e mulheres, são tão jovens! Ah, e que tal irem ver «MEDIDA POR MEDIDA»? Acreditemos na FORÇA DA CULTURA E DA ARTE, nomeadamente para se exercer a AUTORIDADE - «apenas» uma forma de Poder. E talvez para quem não o tenha na AGENDA comece a ponderar e a trabalhar o SERVIÇO PÚBLICO DE CULTURA. Nem sabem o bem que fará a todos nós ... E é um DIREITO que vem na CONSTITUIÇÃO, como o de ter uma CASA DIGNA PARA VIVER ... Potenciam-se mutuamente. Como diz José Tolentino de Mendonça, A Cultura não é um luxo. Como a CASA não é um luxo. São Direitos.
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e apetece-nos ir ao passado,
TAS e com este gesto
homenagear a maravilhosa
CLARA JOANA que nos deixou ...
«É com profundo pesar e consternação que a Direção e a equipa do TAS – Teatro Animação de Setúbal tomam conhecimento do falecimento da atriz Clara Joana, figura maior das artes cénicas e do cinema em Portugal.
Nascida em Lisboa a 4 de agosto de 1941, Clara Joana construiu ao longo de décadas um percurso exemplar de entrega ao teatro, marcado pela sensibilidade, rigor técnico e paixão pela representação.
Destaca-se, entre o seu valioso contributo, a sua memorável participação na emblemática coprodução de Medida por Medida, de William Shakespeare, com encenação de Mário Barradas em 1977 — um marco estruturante da atividade profissional da nossa Companhia.
Com uma carreira admirável que cruzou o palco, o cinema e a formação artística, Clara Joana deixa-nos um legado de dedicação à cultura e ao serviço da arte dramática.
Neste momento de dor, a Direção do Teatro Animação de Setúbal endereça à família, aos amigos e a todos os seus colegas de profissão as mais sentidas e fraternas condolências». (O destaque é nosso)