quarta-feira, 27 de maio de 2026

«O ESSENCIAL SOBRE POLÍTICA CULTURAL»

 

 

Novidade Editorial | «O Essencial da Política Cultural» de Carlos Vargas

«A cultura faz parte do nosso dia a dia, mas raramente pensamos como é criada, apoiada ou protegida. Este livro explica, de forma acessível e próxima, o que é a política cultural e porque é importante para todos nós. Entre artes, património, media digitais e participação cidadã, o leitor é convidado a perceber quem decide, com que objetivos e com que consequências. De forma sintética, mas rigorosa, este Essencial mostra como a cultura se cruza com a democracia, a igualdade e o quotidiano, oferecendo uma leitura clara, atual e apelativa sobre um tema que influencia diretamente o modo como vivemos em sociedade.

Vivemos num tempo em que a cultura ocupa, em simultâneo, o centro e a periferia das nossas vidas. Está em todo o lado (…). A cultura parece existir de um modo espontâneo, mas, na verdade, depende de um complexo conjunto de decisões, de políticas, de meios financeiros, mas também de visões criativas e de oportunidades de mercado que determinam o que se valoriza, o que se apoia e o que se torna acessível a todos. É exatamente neste contexto que surge a política cultural.

Falar de política cultural é perceber de que modo uma sociedade escolhe cuidar da sua vida simbólica, criativa e identitária. É compreender como o poder público — o Estado, as autarquias, as instituições e até as organizações da sociedade civil — define prioridades e cria condições para que a cultura se desenvolva e cresça. É também refletir sobre a liberdade de criação, sobre a igual­dade de acesso e de participação, e sobre o papel que a cultura desempenha no fortalecimento da democracia». Saiba mais.

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Sobre o livro
esta entrevista com o autor 
 
De lá:
 

«Olhando para a nossa história democrática, desde o 25 de abril de 1974, é possível identificarmos diferentes períodos da política cultural?

Sim, é possível identificar diferentes períodos na política cultural portuguesa desde o 25 de Abril de 1974. Embora estas periodizações sejam sempre relativas, ajudam-nos a compreender a evolução da relação entre cultura, democracia e intervenção do Estado.

Num primeiro momento, após a Revolução de Abril, a cultura surge profundamente associada ao processo de democratização. Tratava-se de romper com a censura e com os mecanismos culturais do Estado Novo, promovendo o acesso à criação, à fruição e à participação cultural. A cultura era entendida como instrumento de emancipação democrática e de transformação social.

Numa segunda fase, sobretudo a partir da consolidação democrática e da integração europeia, desenvolveu-se um processo de institucionalização das políticas culturais. Nascem novas organizações culturais, outras desaparecem ou fundem-se, surgem as primeiras redes de equipamentos culturais e experimentam-se novos mecanismos de financiamento, num processo acompanhado por uma progressiva profissionalização do sector. A adesão à Comunidade Económica Europeia acelerou igualmente processos de modernização administrativa e de descentralização cultural.

A partir dos anos 1990, a cultura começa também a adquirir uma dimensão mais estratégica e instrumental no contexto das políticas urbanas e económicas. Intensificou-se a relação entre cultura, cidades, turismo, regeneração urbana e indústrias culturais e criativas. Grandes eventos culturais e equipamentos emblemáticos passaram a funcionar, com maior ou menor sucesso, como instrumentos de projeção territorial e internacional. Em paralelo, a municipalização da cultura revelou-se um dos processos mais consistentes de democratização do acesso cultural em Portugal.

Entretanto, têm-se tornado mais evidentes diversas fragilidades estruturais do sector, entre as quais a insuficiente articulação entre educação e cultura, a precariedade laboral, o financiamento instável e a ausência de uma estratégia sustentada de internacionalização da cultura portuguesa. Simultaneamente, questões como participação cidadã, diversidade cultural, sustentabilidade e ação climática passaram a desafiar a própria definição contemporânea de política cultural. (...)».


Ora, aqui temos  um bom ponto de partida para se discutir o SETOR CULTURA e organizar MEMÓRIA CULTURAL nomeadamente na esfera de SERVIÇO PÚBLICO. E a nosso ver a IMPRENSA NACIONAL até poderia ter  um papel decisivo na organização INSTITUCIONAL disso mesmo não pertencesse ela ao universo onde está o DIÁRIO DA REPÚBLICA. Mas o legislado não nos diz tudo. Falta o PRATICADO e o que EMERGE em cada ocasião. E o que vai sendo TEORIZADO. Claro, os MODELOS DE DESENVOLVIMENTO onde progride a CULTURA. Hoje - neste mundo complexo, turbulento e em mudança  - para o pensamento e para a ação, uma vez mais lembremos:
 
e este maravilhoso ENSAIO:

Ou seja, como nos parece mostrar «O Essencial Sobre Política Cultural»,  a POLÍTICA CULTURAL é interdependente das demais Políticas Públicas, influencia e é influenciada,  e é determinada pelo seu MACROSISTEMA ... Nacional, Europeu, Mundial ... A este nível poder-se-à dizer que será aconselhável REFUNDAR A ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA: retomar o GESTIONÁRIO que veio com o 25 DE ABRIL e deixar  a ADMINISTRAÇÃO LEGALISTA, nomeadamente nas ditas REFORMAS em curso, sem deixar de se cumprir «a Lei». Se competentes lá encontraremos a CULTURA E A ARTE com toda a sua FORÇA!  Começar por CRIAR UM MINISTÉRIO DA CULTURA digno desse nome e organizar a sua atividade em «ORÇAMENTOS - PROGRAMA» (quiçá reviver o passado do Ministério da Cultura/Secretaria de Estado da Cultura nesses domínios) é capaz de não ser má ideia ...

 
 

«Encontra-se a decorrer, até ao dia 30 de junho de 2026, o prazo para apresentação de candidaturas à 10.ª Edição do Prémio Luso-Espanhol de Arte e Cultura»

 

 
 
Sabia deste PRÉMIO? Nós chegámos a ele pelos «ALERTAS» ... Reparamos, uma vez mais, na polivalência do GEPAC:  «As candidaturas devem ser instruídas com todos os elementos necessários à sua apreciação, nos termos previstos no Regulamento do Prémio, disponível para consulta Aqui». «As candidaturas devem ser enviadas por via eletrónica para dsri@gepac.gov.pt ou, quando tal não seja possível, entregues presencialmente no Gabinete de Estratégia, Planeamento e Avaliação Culturais, através dos seguintes contactos:

Gabinete de Estratégia, Planeamento e Avaliação Culturais
Direção de Serviços de Relações Internacionais
Palácio Nacional da Ajuda, Ala Norte
1300-018 Lisboa, Portugal
Telefone: 21 384 84 00»

 
 

terça-feira, 26 de maio de 2026

«Silvio Rodríguez e Chico Buarque regravam 'Sonho com Serpentes' para hospital cubano»



 
 
  
«Os míticos Silvio Rodríguez e Chico Buarque se uniram para gravar uma nova versão de "Sonho com Serpentes". Os recursos arrecadados com a música serão doados a um hospital pediátrico em Cuba. Jovens cubanos nos contam o que a figura de Silvio significa em suas vidas e como sua música continua conectando gerações».
 
 
 

domingo, 24 de maio de 2026

«conceito de repertório» e precariedade

 

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Acabamos de receber  e-mail com a informação acima que é o pretexto para este post com dois propósitos: divulgar a iniciativa; voltar a mostrar a nossa surpresa sobre o conceito de «repertório» que lhe está adjacente. Bem, essa quase «perplexidade» já tinha surgido noutras ocasiões mas outras prioridades devem ter acontecido que há muito a tínhamos esquecido. Nós que como tanta gente ponderamos o lado bom e os perigos da Inteligência Artificial neste momento recorremos ao que nos diz sobre «o conceito». Aqui está:«O Teatro de Repertório é um modelo de produção e apresentação em que uma companhia mantém um conjunto de peças ativas e prontas a serem representadas. Os espetáculos alternam em cartaz, permitindo que o elenco represente uma peça diferente a cada dia ou semana». Para isso acrescenta o IA:
 
 
Nesta narrativa há uma certa dimensão «naif» mas pode testemunhar-se que contempla o essencial do que institucionalmente é (já foi?) considerado TEATRO (COMPANHIA) DE REPERTÓRIO (naturalmente assente no conhecimento teórico disponível e nas práticas de referência por esse mundo fora). Ousamos acrescentar: sem «ELENCO RESIDENTE» será abusivo falar de «repertório». Assumidamente no primeiro GOVERNO GUTERRES o diploma orgânico do TNSJ fixa que não vai ter COMPANHIA RESIDENTE . Contrariamente ao que se decidiu relativamente ao TNDMII. Naturalmente que não é cada TEATRO NACIONAL que decide isso. Confirma-se uma vez mais, precisamos de MEMÓRIA organizada sobre a GLOBALIDADE DO SETOR CULTURA nomeadamente em torno  do INSTITUCIONAL, do PRATICADO, e do que EMERGE em cada momento ... Sobre o TODO e de cada ORGANIZAÇÃO. Por acaso fomos ao site do TNSJ - à HISTÓRIA - ver o que por ali poderia existir sobre o assunto: nada! Talvez depois do  ciclo de conferências DEDICADO ao conceito de REPERTÓRIO se possa rever  aquela apresentação. Já agora, aqui pelo ELITÁRIO PARA TODOS defende-se que haja TEATROS nomeadamente NACIONAIS com COMPANHIAS RESIDENTES e demais ESTRUTURAS REGIONAIS (do Setor Público, do Terceiro Setor, do Privado). Mais, só com ORGANIZAÇÕES SÓLIDAS se acabará com a PRECARIEDADE DOS PROFISSIONAIS NA CULTURA E NAS ARTES.