«(...)São as gerações formadas nesta educação alienante e brutal que, postas frente aos ecrãs, estão a ser espoliadas do seu direito ao pensamento, às emoções salutares. A educação feita para servir um mercado de trabalho que rouba direitos aos pobres e, ao mesmo tempo, subverte, através do digital, a lógica do humanismo em educação, eis o que está em processo. E é por saber que tudo isto é verdade que Fernando Alexandre e Homem Cristo não podem enfrentar o país. Não estão, ainda assim, sozinhos quanto a culpa formada e comprovada.
A esquerda política – nomeadamente o PS – é responsável, de largos anos, pelo estado a que o ensino chegou. A digitalização da escola não pode dissociar-se das mistificações educativas: desde o “aprender a aprender” passando pela concepção do aluno como centro de tudo quanto é a escola e a universidade (o estatuto do aluno foi a porta aberta para a legitimação da indisciplina em Portugal), com a gravíssima concepção do professor como mero “facilitador de aprendizagens”. Tudo isto conduziu-nos até aqui: à precarização da profissão docente, ao esfacelamento da estabilidade da carreira, e, de forma maquiavélica, à desunião entre a classe e, de forma gravíssima, à alienação de gerações de alunos que, saídos de 12 anos de escolaridade obrigatória, nada leram, escrevem mal, são vítimas de um sistema que os quer amestrados, desvitalizados, sem imaginário e sem qualquer sonho e utopia de futuro.
Tudo isto se preparou ao longo do tempo: começou com o fim da PGA, prova exigente, consolidou-se com o consulado de Maria de Lourdes Rodrigues, inventando a figura do professor-titular, e atinge, com a pandemia, o seu clímax. A pandemia COVID-19, serviu apenas para, no campo do trabalho e da educação, diluir serviços, transformar professores e alunos em cobaias de experiências online que jamais os donos das Big Techs defendem para os seus próprios filhos.
Senhor ministro da Educação, caro colega Fernando Alexandre, reconheça o erro. Não é ao Grupo Vinci que deve servir, nem será com empresas privadas do digital que solucionará esta calamidade nacional. Gastou 7 milhões de euros neste processo caótico. Há professores a corrigir mais de 300 itens de exames! Se o seu projecto é – com a desculpa do rigor e da excelência – fazer com que paulatinamente os professores trabalhem também em agosto, saiba que tudo isto está já muito para além das férias (merecidas). A questão central, Fernando Alexandre, é que as sucessivas tutelas degradaram de tal maneira a escola pública que os estudantes portugueses nada sabem. Confirmam-no o PIRLS (Progress in International Reading Literacy Study) e outras estatísticas. Confirmam-no os índices de violência escolar e, senhor ministro, estes exames no digital são (como bem sabe) outra estratégia de embrutecimento dos que ensinam e dos que aprendem.(...)».
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É conhecido o provérbio que «em tempo de guerra não se limpam armas». E muitas serão as pessoas para quem isto que se está a passar com as «Avaliações Digitais» possa ser agravado com «o ruído» que o caos gerado legitimamente provoca. E ficam caladas, até que a «guerra» passe. Uma interrogação que não nos larga: até que ponto todo este alvoroço não perturba os Classificadores? Não agrava o seu cansaço. Participando dessa postura de não aumentar a «guerra», pensamos que já será tempo de retomar observações que não temos visto nos dias que correm por parte dos que se vão expressando: o que se passa não pode ser desligado da GOVERNANÇA nesse sentido de GESTÃO PÚBLICA de ALTO NÍVEL que não existindo se reflete na GESTÃO OPERACIONAL. O Governo objetivamente pratica uma ADMINISTRAÇÃO LEGALISTA - através do Diário da República. Onde está a TECNOCRACIA COMPETENTE? Onde está o DOCUMENTO DO PROGRAMA elaborado por Técnicos habilitados e com experiência relativo ÀS PROVAS EM NOVOS MOLDES? Pelo que se sabe, não existe. Dizem-nos que foram os Técnicos dos Gabinetes Governamentais a irem ao «ARMAZÉM» ONDE SE ENCONTRAM AS PROVAS EM PAPEL. Acabamos de ouvir o Senhor Primeiro Ministro a proclamar que temos de «Arriscar», «Ousar», «Inovar», mesmo que se cometam erros. Excelência, estamos nessa, mas ASSENTE NO CONHECIMENTO TEÓRICO E PRÁTICO ao nosso dispor. De maneira PROFISSIONAL. E no BOM SENSO. Com o devido respeito, tudo isto nos parece ausente. E até se pode dizer que a coisa já se anunciava com a maneira como foi lançada a «REFORMA DO ESTADO» NA ESFERA DA EDUCAÇÃO...
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