No livro, descreve como países outrora liberais estão a deslizar para o autoritarismo. Qual é a maior ameaça atual à democracia?
E porque é que a perda de confiança se tornou tão transversal?
As sociedades democráticas tornaram-se complacentes. As pessoas habituaram‑se às liberdades civis e ao ato de votar, mas desligaram‑se do esforço necessário para sustentar uma democracia: envolvimento, informação e participação ativa. Em simultâneo, a democracia é lenta e ruidosa — e isso tem custos. Nos últimos 50 anos, a influência do dinheiro reduziu a capacidade do Estado de financiar educação, habitação, saúde e proteção social. Parte significativa da população ficou para trás, sentindo-se ignorada e ressentida. Esse ressentimento é explorado pelos populistas, que oferecem respostas simples e culpados convenientes — imigração, elites, conspirações — para problemas complexos.
Apesar do diagnóstico sombrio, o livro aponta soluções. Quais são as reformas mais importantes para proteger a democracia?
Há duas frentes essenciais. A primeira é cívica: os cidadãos têm de estar informados, envolvidos e dispostos a resistir a ataques às liberdades civis. Cada dia de indiferença é um dia ganho pelos autoritários. A segunda é institucional. Os sistemas eleitorais devem ser genuinamente representativos. Muitos países operam ainda segundo modelos — como o de Westminster — que distorcem a representação e excluem vozes relevantes. E a governação não pode ser uma continuação permanente da campanha. Instituições bem desenhadas, com responsabilidades claras e fiscalização contínua, reduzem o risco de abuso. Como defendeu Frederick Douglass, a chave é criar instituições que impeçam mesmo as más pessoas de causar danos graves quando chegam ao poder».
Nos últimos vinte anos, o mundo enfrentou uma sucessão de crises - na finança global, migrações, a pandemia de covid-19 e uma guerra de agressão em grande escala no continente europeu -, com consequências sociais, económicas e políticas graves, que resultaram em frustração, medo e ira.
Ao apoiar-se no descontentamento social, o extremismo propõe soluções simplistas e estereotipadas em resposta às ansiedades e incertezas que afetam as nossas sociedades. E a consequência é que, por todo o mundo, os alicerces da democracia estão a ser corroídos.
Neste livro, analisam-se as razões e o modo como isto está a acontecer e propõem-se soluções - ou, pelo menos, melhoramentos. Porque o que as democracias oferecem aos seus povos em matéria de liberdades civis, direitos humanos e Estado de direito é demasiado precioso para se perder. Ainda vamos a tempo de resistir. Saiba mais.











