sexta-feira, 16 de janeiro de 2026

ELEIÇÕES | JÁ QUE TEMOS DIA DE REFLEXÃO ... | tomando o decretado como lembrete talvez insistir no significado politico da «primeira volta» ousando lembrar-se que o «voto» pode mostrar que estamos atentos ao papel da cultura e das artes nas nossas vidas | QUIÇÁ A «AMINA» DA COMPANHIA DE DANÇA DO SEIXAL E O «CERROMAIOR» DE MANUEL DA FONSECA POSSAM INSPIRAR PARA A DECISÃO NO DIA 18 | VOTEMOS!

 

SINOPSE - «Cerromaior é o nome da (pequena) cidade onde decorre a acção do romance. Se bem que sendo uma cidade imaginária são notórias as semelhanças com a terra natal de Manuel da Fonseca, Santiago do Cacém. Aliás, o facto é referido pelo próprio logo no prefácio da obra «Cercado de cerros, que vão de roda em anfiteatro com o lugar do palco largamente aberto sobre a planície e o mar, o cerro de Santiago é de todos o mais alto. Daí o título: Cerromaior. Vila que me propus tratar...»
À sua Santiago, Manuel da Fonseca apenas retirou a proximidade do mar. Assim, Cerromaior retrata-nos uma cidade cercada pelo campo e a realidade alentejana dos anos trinta e quarenta. São focadas todas as classes sociais: a família de latifundiários que cidade; o proletariado rural, objecto da exploração económica; a GNR, aliada dos poderosos.
Este romance foi adaptado ao cinema por Luís Filipe Rocha em 1980». Saiba mais.

 © Alípio Padilha
 
«AMINA é a segunda peça do ciclo "A Coleção do Meu Pai" (2023–2033). É produzida pela Sete Anos sob a égide da Companhia de Dança do Seixal.
Parte do livro Cerromaior de Manuel da Fonseca para olhar para um território em particular, a Margem Sul, um território na periferia dos centros de poder, habitado por pessoas cada vez mais diversas entre si, mas unidas por um fator comum: a opressão do capitalismo no seu longo estertor. Deixámo-nos contaminar por outras referências, como a peça Mesa Verde de Kurt Jooss, o livro Dias Úteis de Patrícia Portela, e as vozes e as palavras do Grupo de Ação Cultural - Vozes na Luta.
É uma peça composta por vários jogos onde a palavra, o beat, o corpo e a manipulação de objetos dão a ver uma veracidade possível deste território e o seu respetivo pulsar». Saiba mais.

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No jornal Público entrevista 
à Diretora Artística Cláudia Dias 
 
 
Se puder não perca o trabalho 
na integra, de seguida algumas passagens: 
 
«(...) “A ideia não é fazer uma reprodução sobre a narrativa de cada livro em palco”, explica Cláudia Dias ao Ípsilon. “Não estou interessada nisso. O que interessa é ir buscar alguns elementos ao livro e, a partir deles, criar, em colectivo, um novo trabalho artístico.” Desta vez, ao pegar em Cerromaior, quis sobretudo replicar o gesto do escritor e, tal como Manuel da Fonseca “olhou para a sua terra natal, Santiago do Cacém, e o Alentejo dos anos 40, para falar sobre a desigualdade”, a artista quis focar-se no território concreto onde tanto ela como Xullaji (um dos seus cúmplices nesta criação, a par de Beatriz Rodrigues, Mayara Pessanha e Roge Costa) cresceram e ainda hoje vivem — a Margem Sul.

A par do olhar para o território sugerido pelo livro, à literatura o grupo foi ainda buscar o movimento circular da narrativa, a ideia do canto e da música, e a recolha de frases de Manuel da Fonseca que Xullaji usou para compor uma canção que interpretam em palco. Diz o músico: “Fui recolhendo algumas frases deste livro, que é lindo, e que nos foram servindo para perceber o que é este Alentejo de agora — porque na Margem Sul também vemos Alentejo, de onde muitas pessoas vieram. Esse Alentejo que, para mim, hoje pode vir de Campo Maior, do Bangladesh, da Praia, de Dakar, do Mindelo, de Bissau. São estas pessoas que chegam para trabalhar, para servir, e que são encurraladas neste sítio, as pessoas que têm de fazer o movimento pendular todos os dias e depois, assim que se metem no barco para cá, são olhadas com desdém profundo. Isso tem um paralelo muito grande com o livro.”
Xullaji recupera uma frase de um dos primos Runa, administradores das terras em Cerromaior, quando este diz que “só existem dois tipos de pessoas: os que mandam e os que obedecem”. Ao aplicarem essa máxima à Margem Sul de hoje, diz o músico que pensaram este espaço como “a cidade dos que obedecem”, enquanto do outro lado do Tejo se ergue “a cidade dos que mandam, com várias escalas de poder”. Se os paralelos estabelecidos entre o universo romanesco de Manuel da Fonseca e a realidade que rodeia este colectivo de artistas hoje lhes são evidentes, Cláudia Dias não deixa de notar que, embora reconhecendo “enormes diferenças” entre o presente e o país de 1943, quando o livro foi escrito, a proximidade não deixa de existir, uma vez que “a desigualdade persiste, tem uma nova roupagem, mas continua cá”. “Tivemos uma janela bonita com o 25 de Abril, mas essa janela está de novo a fechar-se e a desigualdade está a atingir outra vez níveis muito gritantes.”
A criadora faz ainda questão de notar que este não é um espectáculo feito por “artistas dentro de uma bolha a olhar de cima para a Margem Sul”, como se fossem “cientistas a pôr celulazinhas no microscópio” para estudarem fenómenos que os ultrapassam. “Nós também somos as pessoas que vivem essas dificuldades, a questão do capitalismo, do racismo, da violência, do preconceito. (...)».

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bom, este post não é «inocente», é comprometido.
Temos presente,
 em linha com o que temos dito:
 
«António Filipe é o candidato 
do artigo 78.º, do direito à fruição
 e criação cultural. (...)». 
 
e mostrá-lo na 1.ª volta
tem repercussões políticas
 de que precisamos - o «voto» fala!
 ao mesmo tempo sobre 
muitas e variadas
 preocupações ...
 
 
 
 



quinta-feira, 15 de janeiro de 2026

TALVEZ LHE INTERESSE | ANTÓNIO FILIPE O CANDIDATO PRESIDENCIAL CONHECEDOR E SERENO FAZ AMANHÃ (SEXTA-FEIRA) UM DESFILE QUE COMEÇA NO CHIADO ÀS 17: 30 | com gosto divulgamos o que recebemos em particular pelo respeito que nos merece a maneira como na campanha deu centralidade à «cultura»

 

 
Razões para se estar com ANTÓNIO FILIPE não faltam. Ao que somos particularmente sensíveis: às amplas finalidades de «um  voto» que não se esgotam no objetivo imediato do dia da eleição. Mobiliza-nos  pensar que a nossa escolha também reconhece que aquela PESSOA nos ajuda a CUIDAR O FUTURO (adotando aqui expressão de uma candidata do passado, Maria de Lurdes Pintasilgo). O esforço verificável, consistente, ao longo dos anos, do Candidato  António Filipe auxilia-nos a equacionar problemas e soluções.   Com sabedoria, com competência prática, aliás reconhecidas no espaço público.   Pelo exemplo. Ora, num desfile, nas urnas com o nosso voto, num post de um blogue, a nosso ver,  também se diz isso. Diz-se que precisamos daquele concidadão para construimos ALTERNATIVAS ao que temos,  fazermos  as RUTURAS exigidas no sec. XXI,  que precisamos da sua DIFERENÇA. Na PRESIDÊNCIA e EM TODO O LADO: CONNOSCO TODOS OS DIAS. No belo comício havido no Casal Vistoso, Paulo Raimundo enumerou múltiplas razões para escolher António Filipe - numa estimulante intervenção a que deram  titulo excelente: 

«Cumpra-se a Constituição – eleja-se António Filipe!».

 
De lá este excerto: «(...)  Obrigado António Filipe, por dares a possibilidade a tanta gente e a gente tão diferente de ter em quem confiar, de ter, com alegria e confiança, quem apoiar e votar, obrigado por dares voz e rosto aos interesses dos trabalhadores, das populações e da juventude, obrigado pela candidatura da esperança e da mudança que se impõe, a candidatura da Constituição da República e dos direitos consagrados.
 (...)», e o que tanto toca gente do Elitário Para Todos: 
 
 «António Filipe é o candidato 
do artigo 78.º, do direito à fruição
 e criação cultural. (...)». 
 
no Comício do Casal Vistoso

 
 

«Arroios Blues Week»

 

 
A propósito:
  no AbrilAbril.
 
 

quarta-feira, 14 de janeiro de 2026

ESTEVE NA COLUNA AO LADO | o livro «LISBOA, HORIZONTES DE TRANSFORMAÇÃO - UMA CIDADE PARA TODOS» |referencial para olhar o que vai acontecendo na Capital _ por exemplo sobre «Hotéis» de que estamos a receber alertas a propósito do Hotel Benfica

 
 

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A imagem acima esteve na Coluna ao Lado. Não queremos esquecer isso, mas para dar lugar a outras que também merecem destaque  e para que a Coluna não fique demasiado extensa,  já não está lá,  e por isso esta explicação ... Alimente-se a «memória» do Elitário Para Todos.
 


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É verdade, nos mais recentes «alertas» chegámos a esta notícia na plataforma SAPO:
 

Benfica inaugura hotel na baixa de Lisboa: «Não é um hotel, é o hotel do Benfica»

Diga-se que no Elitário Para Todos se gosta de «bola», e por cá há benfiquistas, e até como a Beatriz Costa quem gostasse de viver em hotel. Dito isto, aquela intervenção do Presidente da CML não pode ser ignorada (até chega a ser «divertida»). Paremos de perorar, avalie por si as palavras do Senhor Autarca, reparemos no que lhe  provoca EMOÇÃO e nela, estamos em crer aparentemente, se deixa envolver, esquecendo que deve aos Munícipes «racionalidade»: 
 
« Após a chegada à antiga sala de troféus, Carlos Moedas revelou-se emocionado e evocou Eusébio. «É uma emoção estar aqui. É sempre uma emoção estar na inauguração dum hotel, mas é um hotel que é inaugurado com emoção, com vivência e com história. Hoje é um dia especial para o Benfica, fez ontem 12 anos que Eusébio nos deixou. Ainda me lembro de o ver, nos últimos tempos, a almoçar na Tia Matilde, sempre com aquela sua simplicidade, com aquela sua maneira que, de certa forma, é tão benfiquista: ser aquilo que é, ser terra a terra, nunca ter mudado o que é a sua vida. Estarmos aqui hoje, dia 6 — ele faleceu no dia 5 — é realmente muito bonito e uma homenagem a um homem que é a marca do nosso país: o Benfica e o Eusébio», começou por dizer o autarca.
 O hotel é, segundo Moedas, um espaço do Benfica, mas também de Lisboa. O Presidente da Câmara também deixou uma mensagem de agradecimento aos empresários e lamentou que haja quem diga, no mundo político, «mal do turismo». «Aqui, no Jardim do Regedor, reabilita-se um quarteirão histórico para a cidade. É a reabilitação da cidade, da imagem da cidade. É também a valorização da economia e de agradecimento aos empresários. Quando subimos aquelas escadas e vemos as fotografias daqueles homens que aqui trabalharam, essa foi talvez uma das partes emocionantes da nossa visita. Hoje, infelizmente, vemos no mundo político pessoas que dizem mal do turismo, que dizem mal dos empresários. Mas são eles que criam emprego. Aquilo que vemos no hotel é exatamente essa criação de emprego, daqueles que aqui trabalharam, daqueles que vêm trabalhar e daqueles que cá vêm trazer para a nossa cidade. Isso é importantíssimo», reforçou.
 «Lisboa é e quer ser a Capital do Desporto. O Benfica é parte do nosso projeto e é esse projeto que queremos para a nossa cidade. Esse projeto que trazem é para os lisboetas mas também para aqueles que cá vêm, porque querem visitar o Benfica, porque querem saber que estão neste clube histórico, que deu tanto ao país e à cidade. Eles querem sentir um bocadinho disso. Querem entrar no Quarto José Augusto e sentir os momentos que vivemos. Querem olhar para o Cosme Damião, para o Eusébio, para o nosso presidente Rui Costa e sentir essa história. Como Presidente da Câmara de Lisboa, quero agradecer em nome dos lisboetas. Lisboa é a Capital do Desporto muito graças àquilo que fazem, à vossa imagem no país, à vossa imagem no mundo. O Benfica é um clube do mundo, internacionalmente conhecido por estar nesta cidade. Sport Lisboa e Benfica. Viva Lisboa e viva o Benfica», concluiu Carlos Moedas.(...)».
E foi por aqui que nos lembrámos da publicação da imagem acima, na fila para sair da coluna ao lado,  mas não de deixar de ser uma ferramenta que nos ajuda a observar a vida do Município de Lisboa. E foi também por estes meandros que quisemos saber mais e fomos em busca de outros que tenham reparado no «acontecimento». E nessa caminhada encontramos o seguinte:
 
 

terça-feira, 13 de janeiro de 2026

ONDE ESTÁ A GESTÃO PÚBLICA PROFISSIONAL POR CONSEGUINTE TRANSPARENTE? | mostrar como as decisões são tomadas faz parte ... | VEM A PROPÓSITO DO «PASSO EM FRENTE» DA COLEÇÃO DE ARTE CONTEMPORÂNEA DO ESTADO

 


 
 
 

 

Neste post a que se refere a imagem inicial mostramos que havia dúvidas quanto ao que nos estava a ser anunciado. E até pedíamos aos «especialistas» que nos ensinassem nomeadamente através de artigos de opinião como aliás era expectável. Está a acontecer, assim o ilustra também os recortes acima. Dadas as possibilidades de articulação entre as matérias, no caso no Jornal Público, basta entrar num deles para chegar aos demais - esperemos que tenha acesso  (são exclusivos) mas há «gratuitos» que podem ser explorados (se tiver tempo)... Apenas algumas passagens que naturalmente respigamos em reforço do que se defende. Intui.
 
Raquel Henriques da Silva (o destaque é nosso)
 
 «(...)Muito mais surpreendentes são as decisões divulgadas pelo PÚBLICO de 27 de Dezembro, embora entre o que disseram a ministra, o presidente da MMP e a curadora da CACE haja alguns desacertos. Tentando fazer a síntese das várias declarações, conclui-se que, ao instalar-se na ex-Ellipse Foundation, a CACE recebe não só as instalações mas também a própria colecção com cerca de 800 peças, entre elas algumas de referência como as de Richard Prince, Cindy Sherman, Thomas Schütte, Louise Bourgeois, John Baldessari, Gabriel Orozco, David Hammons, Glenn Ligon, adquiridas entre 2004 e 2007 (ver artigo de opinião no PÚBLICO de 21 de Junho de 2022, de que fui co-autora). Para Sandra Vieira Jürgens, esta decisão “é um passo de gigante”, considerando que “a Ellipse é a coluna vertebral do que será a internacionalização da CACE”. Desta bombástica afirmação, pode concluir-se duas coisas: que a CACE, nascida para promover “uma política de aquisições que privilegia a criação nacional e a respectiva fruição em todo o território”, vai integrar, gerir e expor um acervo predominantemente internacional; e que, assim fazendo, vai ela mesma internacionalizar-se, não se percebendo se através dos programas expositivos, se por aquisição de obras estrangeiras.
 A propósito do anunciado “passo em frente” da Colecção de Arte Contemporânea do Estado
Quanto à ministra e ao presidente da MMP, terão sido um pouco mais ponderados, considerando que há protocolos firmados com o MAC/CCB e com o Museu de Serralves que podem chocar com o proclamado “passo de gigante”. Mas privilegiam claramente a ambição da CACE, até porque, disse o presidente do MMP, “consegue dar sentido a esta colecção”, acrescentando que o MAC/CCB “está muito fechado sobre si próprio”. Esta frase é particularmente infeliz e conduz-me a algumas questões.
(...)
Previno que o anunciado CACE Centro com “horário de funcionamento” para visitas e “serviço educativo” sobre a existência de uma colecção (com ou sem o acervo da ex-Ellipse), instalações próprias, uma equipa de trabalho, um orçamento atribuído e programas expositivos é na verdade um museu, preenchendo todos os requisitos do Conselho Internacional dos Museus. Aliás, assim o entendeu euforicamente o recente vereador da Câmara Municipal de Cascais, ao anunciar, num evento público, que Cascais irá ter um novo museu de arte contemporânea. Compreendo a sua euforia: novo museu para o concelho sem quaisquer custos para a autarquia, ao contrário do que esteve antes delineado com um anterior presidente da câmara de Cascais e um ministro da Cultura.(...)»
 
Pedro Lapa

«(...) A criação bem-intencionada da CACE, em 2019, foi outro erro, ultrapassando o princípio de que o Estado adquire obras para as coleções dos seus museus, as únicas entidades que têm os meios necessários para a conservação, apresentação e divulgação. Sobretudo quando existe o Museu Nacional de Arte Contemporânea – Museu do Chiado, que desde 1911 tem essa missão. Que o espaço seja insuficiente é um problema continuamente adiado. Todavia, a constituição da CACE não ofereceu inicialmente um quadro de pessoal, nem um espaço para o armazenamento das obras de artistas nacionais que foram sendo compradas com orçamentos cumpridores da promessa bem-intencionada, mas paradoxalmente esvaziou o MNAC-MC da sua função, votando-o à situação penosa em que se encontra.

As coleções da CACE estiveram durante este período em armazéns alugados e em condições de conservação dúbias. A afetação do armazém da Ellipse como reserva para estas coleções é uma boa notícia do ponto de vista da conservação e da economia de meios. O erro cometido com a constituição da CACE, em vez de se ter dotado o MNAC-MC com esses meios para o exercício da sua função, poderia ser resolvido com a integração desta no centenário MNAC-MC, um dos primeiros museus de arte contemporânea do mundo que a República sonhou, mas não concretizou por mais de um século. (...) 
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O que dizer? Apenas isto: A Gestão Pública anda pelas ruas da amargura.  Não é apenas na SAÚDE que compreensivelmente nos mobiliza prioritariamente ... Não deve impedir que em cada área se faça o que deve ser feito. Com qualidade.
 
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Entretanto, beneficiemos do que é de todos - Visitemos o site da COLEÇÃO. De lá o sugestivo titulo de Exposição a decorrer:  
«Inquietação. Liberdade e Democracia»

Vista da exposição. Cortesia: Maru Serrano_La Casa Encendida, 2025
 
 
 

REVISTA «VISÃO» | «Precisamos de dinheiro para comprar o título e manter a sua publicação» | OS JORNALISTAS LANÇARAM UMA CAMPANHA DE DONATIVOS (CROWDFUNDING)

 


 e no jornal AbrilAbril

 
«Somos a redacção actual da Visão e queremos continuar a fazer a revista. Precisamos de dinheiro para comprar o título e manter a sua publicação». O apelo em jeito de notícia foi divulgado esta quinta-feira no site da Visão, acompanhado da garantia de que assim «continuará a ser respeitado o jornalismo livre, independente, de qualidade e atento ao que é importante, sem se deixar manietar pela espuma dos dias e pela ditadura de algoritmos, com agendas ou propósitos escondidos».
Este grupo de 12 jornalistas tem estado a produzir a revista 100% em teletrabalho, desde 1 de Agosto de 2025, mediante requerimento apresentado em tribunal, após liquidação da empresa detentora do título, e tem vários salários em atraso. Resistiram «por respeito à história da Visão e por acreditar no seu futuro, assente num jornalismo independente de agendas, comprometido com os valores éticos da profissão, com a democracia e com os Direitos Humanos», refere o documento. 
A campanha de donativos (crowdfunding) surge, esclarece a redacção, para poder apresentar, em leilão, uma proposta «sólida e vencedora – que resista às investidas de um qualquer aventureiro ou de alguma entidade de origem desconhecida». Por outro lado, será necessário investimento para o arranque da nova fase da revista, «gerida por uma empresa de jornalistas, criada do zero, ainda sem receitas, mas já com custos nos primeiros meses: de impressão, de produção, de equipamentos, de licenças de software, de armazenamento de dados, de telecomunicações e, naturalmente, de salários». (...)
Paralelamente à campanha de donativos, os jornalistas alertam para a importância de «continuar a comprar a revista em banca» e assiná-la, logo que volte a estar activo o sistema de assinaturas. O propósito, reforçam, «é que a revista viva graças aos seus leitores e anunciantes». 
 
 

segunda-feira, 12 de janeiro de 2026

«A NOITE DOS VISITANTES» DE PETER WEISS | coprodução do Teatro da Rainha e do Teatro das Beiras _ «Trata-se de um espectáculo para todas as idades. Uma peça popular escrita em verso, traduzida nos anos 70 do século passado por Mário Barradas, uma parábola divertida, mas séria, da guerra entre impérios» | TAMBÉM «É UMA HOMENAGEM AO HOMEM DE TEATRO MÁRIO BARRADAS» E A ISSO NOS QUEREMOS ASSOCIAR

 

 

«Trata-se de um espectáculo para todas as idades. Uma peça popular escrita em verso, traduzida nos anos 70 do século passado por Mário Barradas, uma parábola divertida, mas séria, da guerra entre impérios. A história passa-se entre dois «visitantes» (dois homens armados, dois exércitos) que entram numa casa camponesa (um país), ocupando-a e fazendo da família (mãe e dois filhos) reféns, enquanto o pai, que ao elencar tudo aquilo que tinham para lhes dar, falou de ouro escondido num cofre, sai e vai supostamente desenterrá-lo no canavial. Uma reprodução de fenómenos semelhantes a que se tem assistido, com forças ocupantes e povos massacrados, seja por razões geoestratégicas ou apenas materiais. 

A Noite dos Visitantes, do alemão Peter Weiss, uma peça encenada por Fernando Mora Ramos, conta com as interpretações de Fábio Costa, Hâmbar de Sousa e Tiago Moreira (Teatro da Rainha), Benedita Mendes, Miguel Brás e Sónia Botelho (Teatro das Beiras).
O Grande Auditório do Centro Cultural e de Congressos das Caldas da Rainha vai ter sessões para as escolas de 20 a 23 de Janeiro, às 15h. Nos dias 23 e 24 deste mês, o público em geral poderá assistir ao espectáculo, às 21h30».No AbrilAbril. 

 E no site do Teatro das Beiras: 

 «A Noite dos Visitantes, de Peter Weiss, é uma reflexão em verso popular e rimado, referida ao teatro Kabuki e ao Grand Guignol, projeto radicalmente antinaturalista que se debruça sobre como as populações civis são as vítimas eternas dos imperialismos. Autor de um teatro politizado e documental, Weiss realiza nesta peça uma parábola que, sendo referida ao final da Segunda Guerra Mundial, mostra como o esbulho e o saque dos recursos naturais acaba por manchar de forma infame a justa vitória dos “libertadores” da Europa, Russos e Americanos. Sendo uma parábola, a sua lição está muito para além dessa limitação referencial histórica.

   A Noite dos Visitantes cuja moral final será “não tens mais do que as tuas mãos e umas batatas para semear” para construir o futuro, tem tradução de Mário Barradas e é encenada por Fernando Mora Ramos. No ano em que o Teatro da Rainha assinala 40 anos, esta coprodução com o cinquentenário Teatro das Beiras  ̶  uma das mais destacadas companhias do desertificado interior do país  ̶  é uma homenagem ao homem de teatro Mário Barradas, que em 1978 a encenou no Centro Cultural de Évora com estreia Teatro Garcia de Resende. Fernando Mora Ramo integrava, então, o elenco».

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E como nos associarmos à «homenagem»?, recordando do que se escreveu aquando da sua morte e mais do que uma vez lembrado aqui no Elitário Para Todos 
 
 DE RUI VIEIRA NERY

 

«AS ÁRVORES MORREM DE PÉ

  Morreu o meu Amigo Mário Barradas. Segundo me contam, morreu de “morte santa”, como se costuma dizer, daquela morte súbita que desejamos àqueles que amamos e que pedimos para nós próprios. E ainda bem que foi assim, sem aquelas agonias lentas que corroem o corpo e parecem degradar a alma, mas antes como se fosse “de um tiro ou de uma faca de ponta”, como na canção de Lopes-Graça e como esperamos que possam morrer sempre os nossos heróis.

A imagem não é uma mera metáfora, porque o Mário foi realmente na sua vida um verdadeiro herói, daqueles que acreditam numa causa, que lutam por um sonho e que na sua entrega a essa luta se esquecem de si próprios e não perdem muito tempo a pensar no jogo das conveniências pessoais. Neste caso o sonho e a causa eram um ideal de fraternidade e de justiça cujo modelo concreto se pode contestar mas com uma sinceridade e uma dedicação que está acima de qualquer dúvida. E desse ideal constava também um princípio que para ele era evidente – o de que a Cultura e, em particular, o Teatro eram um bem comum, ao mesmo tempo uma fonte de felicidade e uma escola de reflexão cívica, uma presença que deveria ser constante no quotidiano dos cidadãos e que por isso mesmo o Estado democrático tinha o dever moral de garantir de forma estável e sustentada.
Conheci o Mário muito antes de ele me conhecer. Cruzámo-nos primeiro no Conservatório Nacional, onde foi um dos pilares da renovação da Escola de Teatro e onde, chegado de França, onde tinha trabalhado e estudado no Teatro Nacional de Estrasburgo, procurava trazer para Portugal um novo modelo de formação de actores e uma nova estética teatral, lúcida, empenhada, criativa, consciente do património clássico mas atenta à modernidade artística e aos desafios da cidadania. E depois reencontrei-o naquela que foi uma das minhas primeiras grandes experiências de espectador de Teatro, tinha eu dezasseis anos, pouco antes do 25 de Abril, num espectáculo extraordinário que me marcou para sempre: era A Grande Imprecação Diante da Muralha da Cidade, de Tankred Dorst, com encenação deles e com a Fernanda Alves, o Mário Jacques e o Vidente Galfo, numa produção dos Bonecreiros, um dos mais importantes grupos independentes que no início da década de 70 estavam a marcar a renovação radical da vida teatral portuguesa. (...)». Continue a ler.
DE JOSÉ PEIXOTO 
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De certa forma nos dias que passam queremos valorizar uma vez mais o esforço do Candidato Presidencial ANTÓNIO FILIPE ao empenhar-se em dar VISIBILIDADE À CULTURA. Como se vê não devíamos poder viver sem um SERVIÇO PÚBLICO DE CULTURA - pelo prazer e saber que só por aí podemos ter ...