domingo, 23 de agosto de 2026

«Até 18 de outubro, o Pavilhão Julião Sarmento acolhe duas exposições que se cruzam no novelo da memória: Era uma Vez na América, com obras de diversos artistas, e Conversa de Corvos, da artista nascida no Irão Fariba Hajamadi. Ambas são forjadas a partir da coleção de Sarmento e têm curadoria de Isabel Carlos, sendo a primeira, Era Uma Vez Na América, feita em parceria com a artista norte-americana Rita McBride, que também empresta obras suas ao espaço»

 

Vista da exposição Conversa de Corvos, de Fariba Hajamadi, 
Pavilhão Julião Sarmento, 2026. © Fábio Cunha
 

 
Vista da exposição Era uma Vez na América, Pavilhão Julião Sarmento, 2026. © Fábio Cunha
 
 
a nosso ver, a não perder
trabalho de Mariana Varela donde
excertos abaixo 
 
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«(...) Retrato da importância da Democracia em um contexto em que ela parece ser carcomida por dentro, Arena foi replicada ao longo dos anos em diferentes espaços, figurada e reconfigurada graças ao seu regime de acesso aberto. Gesto expressivo do seu posicionamento e interesse artístico, McBride traz à exposição um lastro do projeto democrático do país que hoje passa por um revirar de tripas, um aprofundamento nas tubulações da sua psique — uma tragi-comédia que nos dispõe a todos, enquanto sociedade globalizada, como espectadores e envolvidos.

A América que Sarmento colecionou nas décadas de 1980 e 1990 já não é a América de hoje: esse será talvez o ponto fraco da exposição, mas também aquilo que poderá fazer vingar o seu potencial: com uma série de conversas que o Pavilhão engendra com o crítico de arte norte-americano Joshua Decter em articulação com a AIR 351, Isabel Carlos e Rita McBride questionam, entre outras coisas – O que a Arte Quer de Nós — e o Que Queremos da Arte?

Dada a coleção relevante de obras na exposição, sublinho as fotografias de Nan Goldin que, além de registarem a cena alternativa, queer e boémia norte-americana, é uma figura incontornável do ativismo político: com uma vasta luta contra a indústria farmacêutica por meio da fundação do grupo P.A.I.N, Goldin lutou por décadas para responsabilizar a Purdue Pharme e a Família Sackler pela crise de sobredose de opióides, tendo influenciado um número considerável de museus a rejeitar donativos e remover o nome Sackler.

A sua presença na exposição é um dos pontos de conexão possíveis para pensar os Estados Unidos de ontem e hoje, cruzando pontes entre a política, a autonomia artística e as engrenagens financeiras dos museus e galerias. No contexto atual, qual o papel que museus e galerias devem desempenhar em um contexto em que o conflito armado, a violência, a opressão, a religião e a ignorância caricatural ganham protagonismo no continente americano? (...)».

 

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«(...) No piso superior, Fariba Hajamadi: artista nascida no Irão e radicada nos Estados Unidos que, também ela, atravessou a vida de Sarmento. Deixou nesse encontro uma obra sua — Inverted Order: one of three sets of 5 elements (1989-1994) – que foi, no contexto atual, revisitada. Adicionam-se a essa obra mais duas, que formam uma tríade expressiva do seu trabalho com fotografia e metalinguagem, onde a representação e a representação da representação aparecem como forma de revelar a fabulação institucional de identidades e histórias, aproximando-se da arte conceptual e da crítica institucional.
Com uma fantasmagoria implícita nesse diálogo — uma vez que a relação entre Estados Unidos e Irão é uma das tensões bélicas mais relevantes do contexto geopolítico — a canção de ninar que Hajamadi nos deixa na parede do piso superior é emblemática da violência que atravessa a história do país.
Nos seus trabalhos de fotografia, a artista trabalha com sobreposições de perspectivas, como um jogo de espelhos e reflexos, bastidores e passagens, que apresentam a identidade e a memória dentro do labiríntico caminho da migração, da memória e da construção e reconstrução da identidade.
Se evoca, por um lado, a visualidade labiríntica que caracteriza a cultura islâmica, por outro, atenta para a questão da eventual impossibilidade de representação. Quando o olho que vê, a técnica que captura e a narrativa histórica passam a desempenhar protagonismo consciente na confecção da obra, qual o espaço que fica para a possibilidade de representação?(...)».
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Conferências Pavilhão Julião Sarmento & Air 351
Joshua Decter - Era Uma vez na América

08/07/2026 - 18h - A Arte e as Nossas Contradições: Financeirização, Protesto, Metapolítica, Fragmentação.

30/09/2026 - 18h - Pode a Arte ser Transgressiva?

14/10/2026 - 18h - A História da Arte nas Redes Sociais (A Obra de Arte na Era da Mediação Social)




sábado, 22 de agosto de 2026

NOTÍCIAS QUE NOS FAZEM BEM | «Jovem Orquestra conquista público alemão»



 
 
«A Jovem Orquestra Portuguesa (JOP) regressou de Berlim depois de uma atuação marcada por sala esgotada e uma ovação de pé no festival Young Euro Classic, um dos principais encontros internacionais dedicados a orquestras juvenis.
O concerto realizou-se a 7 de agosto, na emblemática Konzerthaus Berlin, e marcou a sexta participação da formação portuguesa no festival. Sob a direção artística do maestro Pedro Carneiro, cerca de 65 jovens músicos portugueses, com idades entre os 14 e os 28 anos, subiram ao palco perante o público alemão. (...)». Continue.

NA CIDADE DE LISBOA | «(...) distinguir entre a existência de fenómenos concretos de criminalidade - que devem ser combatidos - e a construção de uma narrativa política que pretende apresentar Lisboa como uma cidade em situação de emergência»

 

 

 



sábado, 15 de agosto de 2026

DOS OUTROS |«La sobriété énergétique : vadémécum à destination des acteurs culturels»

 


 
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La sobriété énergétique : vadémécum à destination des acteurs culturels

L’ensemble des acteurs culturels doit chercher à atteindre les cibles de consommation énergétique fixées par les textes législatifs et réglementaires. Pour réaliser ces économies d’énergie, plusieurs leviers d’action existent, du geste quotidien aux travaux de grande ampleur, et s’adaptent selon les spécificités des disciplines concernées. Ce vadémécum recense les actions devant être mises en œuvre pour tendre vers la sobriété énergétique et des exemples de leur application.
Parution le 

sexta-feira, 14 de agosto de 2026

MAS SERÁ QUE OS DIFERENTES INTERVENIENTES NA CRIAÇÃO DA «REDE DE TEATROS E CINETEATROS» NÃO SABIAM O QUE O ESTUDO AGORA DISPONIBLIZADO DIZ? | pela nossa parte estamos cansados de denunciar a situação que para ser ultrapassada exige nomeadamente um Ministério da Cultura digno desse nome ... , e em especial a refundação da DGARTES como em tempos (em especial depois da TROIKA) prometido pelo PS mas «ficou no tinteiro» ...

 

  
 
De lá:
«(...) Entre outros aspetos, é feito um alerta sobre as condições de trabalho nos equipamentos culturais credenciados: “A robustez da RTCP depende de técnicos, produtores, programadores, comunicadores, artistas e mediadores com condições adequadas de trabalho”.
 “Equipas subdimensionadas, vínculos instáveis, acumulação de funções, remunerações insuficientes, excesso de horas e desgaste profissional podem limitar a capacidade de cooperação, a qualidade da programação e a continuidade institucional da Rede”, lê-se no documento.
 Os investigadores sugerem que passe a haver mais informações sobre a dimensão das equipas, os vínculos contratuais, as remunerações, a “acumulação de funções, cargas horárias, descanso, formação, comunicação, produção, mediação e saúde mental”.
 “Esta informação deve permitir identificar riscos de precariedade, subdimensionamento e desgaste profissional”, lembram.
 Segundo o estudo de impacto, o modelo de governação da RTCP é feito a vários níveis, envolvendo administração central e local, mas é assimétrico; e as estruturas artísticas, que trabalham com e para os equipamentos culturais, “participam de forma mais indireta na sua governação formal”.
 Os investigadores sublinham que o funcionamento da RTCP “exige uma entidade coordenadora com capacidade permanente para monitorizar, facilitar, comunicar, avaliar, apoiar e aprender com a rede”.
 “Faltam capacidade administrativa permanente, instrumentos de intermediação, critérios diferenciados, apoio aos credenciados sem financiamento, mecanismos de circulação inter-regional e condições laborais compatíveis com a ambição da política”, lê-se no relatório. (...)».


  



quinta-feira, 13 de agosto de 2026

«(...)A ideia da cultura e do desporto, à maneira fascista, da gestão dos espaços culturais, quer dizer, gimnodesportivos, tem a ver, curiosamente, não com o primeiro governo cavaquista, mas com o primeiro governo em que há um Ministério da Cultura, e em que se começa a falar de uma indústria da cultura, e em conteúdos culturais – tudo isso era uma linguagem aberrante para a minha geração(...)».

 





 
SINOPSE
 
«Segunda colaboração criativa entre os textos de Luísa Costa Gomes e as ilustrações de Jorge Nesbitt, celebrando os 20 anos do best-seller infantojuvenil Trava-Línguas.
Nos Divertimentos, as palavras são brinquedos que mexem. E fazem barulho. As peças do jogo são as letras, com os seus ritmos e sons. Com elas tudo se constrói.
Por vezes, vem a gralha e temos o caldo entornado. Basta uma letra mal posta e, em vez de se calar, temos a gralha a falar. Já se vê a importância de uma letra! Com o movimento das letras, as palavras empilham-se como caixotes, atiram-se ao ar como bolas, fazem comboios ou puxam umas pelas outras em direções desencontradas. Às vezes, ficam a pairar no eco como móbiles, com os olhos bem abertos para entrar luz. Assim criam coisas de que não se estava à espera.
Imagina tu agora a menina chamada Vampirina e a Irina a ir na via que vinha! Imagina o menino Francisco a ver com todo o seu ser! Imagina a Benedita, que tem um carrapato no carrapito! A Leonor, carregada dos livros da escola na sacola! E as formigas no carreiro, as lulas que pululam, um Capitão zangado com o apitão e tantos outros seres animais e animados!». 
 
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e temos a entrevista da imagem,
 
De lá esta passagem, síntese em
 que leitores/as certamente se reveem
 
 
«(...) Essa última colecção de contos, publicada pela D. Quixote, Triunfo do triunfo, abre com o conto homónimo, escrito há cerca de duas décadas, mas mantendo uma actualidade inquietante: a banalização das reuniões, dos projectos, das carreiras brilhantes sempre em vias de se fazerem, a importância do sucesso, a via rápida das juventudes partidárias, a cultura municipal...
 Foi escrito em 2007. Ao relê-lo, achei curioso que, estando nós bastante mais degradados, não estamos assim tão longe. O que temos hoje começou aqui – até mais remotamente. O ambiente ‘cultural’ que aqui se respira – e então hoje com o domínio da extrema direita bronca, que chega a níveis de delírio – é perfeitamente reconhecível. O título do livro é uma expressão completamente vazia porque significa que o que triunfa não é o trabalho, o mérito, mas o triunfo completamente balofo, oco, vazio, em que vivemos numa sociedade que adora triunfos mas triunfos que não estão ligados com coisa nenhuma que se possa considerar digna desse nome. Queria mostrar um pouco uma atmosfera generalizada de concurso de televisão: há uns grandes entusiasmos e nós, diante daquelas coisas mínimas, não conseguimos perceber porquê. Se este entusiasmo todo fosse posto ao serviço de qualquer coisa de útil, de criativo, que sociedade produtiva teríamos.
 

Há uma personagem que, a propósito de um projecto, é convidada a preencher um formulário no qual regista ‘Cultura e Desporto’, assim amalgamados. É uma coisa profética, se pensarmos no governo de Luís Montenegro.

 Sem dúvida [risos]. Para nós, em 2007, isso era uma coisa totalmente impensável. A ideia da cultura e do desporto, à maneira fascista, da gestão dos espaços culturais, quer dizer, gimnodesportivos, tem a ver, curiosamente, não com o primeiro governo cavaquista, mas com o primeiro governo em que há um Ministério da Cultura, e em que se começa a falar de uma indústria da cultura, e em conteúdos culturais – tudo isso era uma linguagem aberrante para a minha geração. A noção de equipamento cultural, a noção de formação de público, que hoje se transformou numa coisa perfeitamente banal, na altura, estava a formatar-se a cultura nesses parâmetros. (...)».

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As respostas de Luísa Costa Gomes acima até nos ajudam, nelas nos sentindo amparados, a olhar para o Decreto-Lei, abaixo, hoje publicado no Diário da República, uma vez mais, para além dele: faz parte de algo mais amplo, do limitado que marca a nossa Governação. Em particular a da CULTURA num caldeirão com o DESPORTO, a JUVENTUDE, a IGUALDADE.  Basta olhar para a maneira como utilizam «paradigma» ...Afinal, «preto, no branco» qual é esse paradigma que prosseguem?, numa frase, como recomendam «os manuais«.  Insistimos, tudo «remendos»: sem conceito, sem técnica, sem intuição ... Mas venham eles, para mitigarem pontualmente a fragilidade do SETOR ...Mas «as buchas» agora publicadas não trazem  A TRANSFORMAÇÃO NECESSÁRIA. Lamentamos, Senhora Ministra da Cultura em part time; lamentamos Governo; lamentamos Políticos em geral ...
 
 
 
 
mas agora desfrutemos,
 na medida do possível, AGOSTO. Ah,
que saudades de Jorge Silva Melo