sábado, 24 de janeiro de 2026

ESCOLHAS DE OPINIÃO PUBLICADA DEPOIS DA PRIMEIRA VOLTA DAS PRESIDENCIAIS 2026 | «Presidenciais memoráveis» de João Rodrigues

 

«A vida, a luta e a resistência não terminaram no passado domingo, nem terminarão no dia 8. É papel dos democratas rejeitar Ventura, tendo presente que rejeitar Ventura, não é apoiar as ideias de Seguro».  
 
 
Excerto:«Tinha nove anos. Os meus pais eram comunistas: «a nossa senha é Salgado Zenha», naturalmente. Levava para a escola primária dos Olivais autocolantes com um Z.
Desde cedo, aos seis anos, que ia a pé para a escola, quinze minutos de deslocação com um colega e amigo. Éramos miúdos e estávamos por todo o lado, por toda a cidade.
 Lá estava a inscrição na parede ao pé de casa: «Não à lei Barreto/77». Havia política por todo o lado. Hoje também há, mas é mais invisível, mais elitista, menos democrática. E isto já não é bem um país, como sabeis, dada a perda, sempre reversível, de soberania. Ainda é uma pátria. Mas não há crianças nas ruas, aos bandos. Envelhecer deve ser isto. Prossigamos.
Os meus colegas de direita tinham todo o tipo de bugigangas do Freitas do Amaral, dizia-se que era a primeira campanha «à americana». Na sua autobiografia, Freitas do Amaral, já agora, usa o termo neoliberal para descrever as suas orientações e as do seu CDS. Sim, sou um respigador destes usos de uma palavra que alguns ainda rejeitam de forma ignorante.
Invejava os meus amigos de direita secretamente. Uma vez fui passar a tarde a casa do Pedro e fomos com a mãe dele às compras. De passagem, fomos dizer olá à avó, que estava a trabalhar numa sede de campanha do Freitas, ali na Cruz de Celas. A avó queria dar-me um sortido kit de campanha: «este menino é do Zenha», antecipou a mãe. Pois sou, confirmei, como se uma meta-preferência ético-política contrariasse a preferência imediata pela cor, pelo plástico.
Irritava-me o hino de Freitas do Amaral, o do «prá frente Portugal», que me ficou no ouvido até hoje, tal como o do «pão, paz, povo e liberdade» do cavaquismo ascendente. O Rafael, o meu melhor amigo, era do PSD e eu, aparentemente, tinha-o apodado de «fascista» quando soube disso, no dia em que nos conhecemos, fazia três anos. Conta essa história até hoje, mas eu não me lembro. A memória depende de outros, como tudo na vida. Aprende-se, imitando, claro. Lembro-me de ir a um entusiasmante comício de Salgado Zenha, que julgo ter sido no Teatro Avenida. Estava a abarrotar. Agitei uma bandeira com alegria, como ainda hoje gosto tanto de o fazer. O Teatro já não existe, substituído há muito por um mamarracho hediondo. (...)».

sexta-feira, 23 de janeiro de 2026

«O BARRACÃO RENDEIRO, A COLECÇÃO CACE da D. SANDRA E UMA MINISTRA DESORIENTADA» | boa sintese encontrada no blogue de Alexandre Pomar | PARA QUEM QUER PERCEBER O QUE SE PASSA É POST QUE NÃO PODE SER DISPENSADO | E PARECE QUE A PROCISSÃO AINDA VAI NO ADRO ...

 

Reprodução:

«É significativo que quem vem a público alarmar-se com a confusão da anunciada localização futura da Colecção de Arte Contemporânea do Estado (CACE é um nome muito feio) no antigo barracão da rua das Fisgas, vindo da falência do BPP (a Fundação Ellipse do banqueiro João Rendeiro), sejam dois antigos responsáveis pelo Museu do Chiado (também erradamente dito Museu Nacional de Arte Contemporânea) que tiveram depois funções, seguintes ou em acumulação, como presidente do Instituto Português de Museus, num caso, e como curador da tal Fundação Ellipse e director do Museu de Arte Moderna - Colecção Berardo, no outro, sem ele se distinguir como director de museus..
Se é insólita a informação oficial sobre a Colecção, que diz retirá-la do CCB, ao qual estava atribuída, para a instalar no labirinto de armazéns em Alcoitão, promovendo-o a uma espécie de novo museu, os dois artigos publicados no Público por Raquel Henriques da Silva e Pedro Lapa não conseguem ser esclarecedores: levantam incertezas, manifestam dúvidas e inquietações, enquanto a tutela dos museus (desde 2023 Museus e Monumentos de Portugal, EPE) se ausenta da sua suposta responsabilidade, sem orientação vocal nem legítimo protagonismo.
A ministra ainda conhece mal a casa, o sector e o meio, está "verde", pelo que surpreende a urgência em anunciar decisões mal fundamentadas. Mais Museu, menos Museu, a Arte Contemporânea goza de uma sabida incompreensão e mesmo desconfiança, rejeição. As trocas de obras e de lugares de arrumação ou reservas, as trocas de programas de museus existentes, e o anúncio de mais um, enquanto faltam recursos e "vontade política" para os que estão no terreno, não defendem a arte nem conferem segurança. Entretanto os profissionais calam-se - estão amordaçados?.
Aliás a Colecção do Estado é um equívoco desviante que se sobrepõe aos museus, esvaziando-os de autonomia e competência e verbas, comprando obras a seu bel-prazer, em geral obras definitivamente efémeras. E a respectiva direcção não inspira nenhuma confiança, o que não se tem dito em voz alta.
Aliás, ao Museu do Chiado veio sobrepor-se o Museu do CCB, sem clareza dos seus respectivos destinos, ambos ditos de Arte Contemporânea, contrariando as expectativas de ampliação que sempre se foram renovando e sempre se atraiçoam: o Convento de São Francisco não se resolve como devia, ali, naquele lugar estratégico.
Aliás, outros museus que deveriam ser fulcrais em Lisboa, o Museu Nacional de Etnologia e o Museu de Arte Popular, continuam esmagados e desertos.
O terreno está um pântano.
*Sandra Vieira Jürgens (https://sandravieirajurgens.com/)»
 
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Paremos nesta passagem: «A ministra  ainda conhece mal a casa, o sector e o meio, está "verde", pelo que surpreende a urgência em anunciar decisões mal fundamentadas». É o que temos vindo a dizer, não de forma tão clara, para a generalidade  do que Senhora Governante tem vindo a anunciar. Até já usamos a expressão « depressa e bem ... ». Mas quem nos ouve? Em particular «os eleitos» não podem estar «amordaçados» ... Se desconhecem a matéria, informem-se! Mais, tudo isto não pode ser desligado da REFORMA DO ESTADO/ADMINISTRAÇÃO. Facilmente se vê, pelo menos intui, que este enredo em Praça Pública está no centro das ESTRUTURAS ORGÂNICAS. Repitamos a pergunta: onde está a GESTÃO PÚBLICA no funcionamento deste Governo?, (sejamos justos, a coisa já vem de longe - e neste domínio parece mesmo que está tudo amordaçado ... ). Com quem debater esta «telenovela» pelo ângulo da Gestão? Sim, sim, sem esquecer a Inteligência Artificial.   Ah, para desanuviar, gostamos do nome RUA DAS FISGAS, e até ficamos curiosos em saber donde vem ...
 

ACONTECEU | No dia 22 de janeiro, a Acesso Cultura apresentou o ” Guia para gerir incidentes e promover segurança na Cultura”, uma iniciativa que reúne cinco associações do sector cultural (Acesso Cultura, BAD – Associação Portuguesa de Bibliotecários, Arquivistas, Profissionais da Informação e Documentação, ICOM Portugal, Performart, REDE – Associação para a Dança Contemporânea»

  

Sobre a iniciativa leia na plataforma SAPO :  

Setor da Cultura cria guia para agir face ameaças à liberdade de criação

Começa assim: «Profissionais de museus, bibliotecas e outros equipamentos culturais vão ter um guia para prevenir e ajudar a gerir incidentes que ameaçam a liberdade de criação e fruição cultural, como tem acontecido em anos recentes.

O guia é uma iniciativa de cinco associações do setor da Cultura e foi hoje apresentado em Lisboa, com vários representantes a admitirem que tem havido um aumento de "situações disruptivas" em eventos e espaços culturais e que muitos trabalhadores não estão preparados para responder.
"Tem havido vários incidentes em espetáculos, eventos, lançamentos de livros. Depois de termos visto como têm escalado noutros países, não devemos ignorar", disse hoje a diretora da associação Acesso Cultura, Maria Vlachou, na apresentação.(...)». Continue.

quarta-feira, 21 de janeiro de 2026

AMANHÃ | NA PROCURARTE | «vernissage da exposição Believe de David Infante, quinta-feira 22 de janeiro, às 18h»

 

 
 Tal como recebemos o convite:
«Temos o prazer de convidá-lo para a vernissage da exposição Believe de David Infante, na próxima quinta-feira 22 de janeiro, às 18h na Procurarte




A arte fotográfica de David Infante evita ser testemunho da visualidade de uma realidade de si extrínseca, uma vez que não é directamente nesta que busca as fontes do seu acto de mostrar — prefere antes, a um tempo, dotar de matéria para no subsequente a subtrair, disso fazendo obra-registo do que logo se perde — as suas imagens são o restolho possível de esculturas fugazes, são assumidamente construção de realidade e não a sua mera reprodução.
Nuno Matos Duarte

David Infante trabalha principalmente com fotografia tradicional, é doutor em Belas Artes, com especialização em Arte e Multimédia, pela Universidade de Lisboa, e mestre em Fotografia Contemporânea pelo Royal College of Arts (2017). Foi distinguido com o Prémio BES Revelação pelo Banco Espírito Santo / Museu de Serralves (2008) e recebeu o Prémio Pedro Miguel Frade, atribuído pelo Centro Português de Fotografia (2007) e foi selecionado para o Descubrimientos do PHotoESPAÑA (2014). O seu trabalho foi exposto em diversas galerias e museus, com mostras mais recentes na Galeria La Ira de Dios, Buenos Aires (AR), no wip show do Royal College of Arts, Londres (UK), na Galeria Módulo, Lisboa (PT), e no Villa Tamaris Centre d’Art, Toulon (FR). O trabalho de David foi referenciado em várias publicações e integra coleções prestigiadas, incluindo a Coleção Nacional de Fotografia / Centro Português de Fotografia, a Coleção Fundação PLMJ e a Coleção Novo Banco. Atualmente, leciona na Universidade de Évora.
A exposição também pode ser visitada de terça a sexta-feira entre as 15h e as 19h.
 
Como sempre, a vossa presença é muito bem-vinda!»
 
 
 

MAS QUE «DESNORTE» ! O QUE É ISTO? UM DESPACHO «DETERMINA» GESTÃO ! QUE MAIS NOS IRÁ ACONTECER ? | por pudor quase que apetece nem dizer mais uma palavra a respeito ... | E AGUARDAR QUE OUTROS O FAÇAM | MAS DADO O HISTORIAL DA NOSSA VIDA COMUM EM TORNO DAS ADMINISTRAÇÕES QUEM O FARÁ?

 

 
 
O acompanhamento das Eleições Presidenciais distraiu-nos e levou a que deixássemos para depois matérias que de imediato nos deixaram estupefactos - bom, não será bem assim, pensando bem, já nada  que venha da designada REFORMA DO ESTADO (ou será da ADMINISTRAÇÃO?, continuamos na dúvida) nos surpreende. Aqui em causa o Despacho acima. Repare-se quem o assina, a Senhora Ministra da Cultura (em part time) e o Senhor Ministro das«Reformas». Dada a distância entre as assinaturas dos Governantes - para apaziguamento nosso? - até queremos pensar que o Senhor Ministro teve dúvidas. E, a nosso ver, de facto devia ter impedido que aquela «peça» viesse a público. A ADMINISTRAÇÃO LEGALISTA em todo o seu esplendor! Como se explicará   «o fenómeno» em sala de aulas de Gestão Pública? A coisa merece tantos comentários que nos abstemos de analisar o Despacho porque não iríamos fazer mais nada nos próximos dias. Ou seja, o Despacho n.º 334/2026 é todo ele um PROGRAMA para avaliação da ação do Governo naquilo que  anunciou, em especial, sobre o que dizia ser a TRANSFORMAÇÃO DO ESTADO/ADMINISTRAÇÃO. Por outro lado - e isso é mesmo inquietante - nada de reação por parte das OPOSIÇÕES. Como se constatou na Campanha Eleitoral das Presidenciais o assunto também não veio à liça... É legitimo pensar que haverá dificuldade em abordar a Gestão Pública ... Que o próximo PRESIDENTE DA REPÚBLICA exerça o seu «magistério de influência» trabalhando para que o assunto seja colocado em AGENDA, «à séria» ... Por todo o lado. Assim o desejamos.
Entretanto, recomenda-se aos Senhores Governantes, caso ainda não o tenham feito, que leiam  o caderno ECONOMIA do Expresso desta semana e atentem num dos trabalhos chamados à primeira página que assinalamos na imagem seguinte:
 
 
 De lá esta passagem (o destaque é nosso): «(...) O estudo das características únicas do polvo abriu um mar de ideias para as organizações que querem enfrentar os desafios da inteligência artificial e de um ambiente geopolítico caótico. O problema tinha ficado em aberto depois do livro “Ondas Rebeldes: Proteja o Seu Negócio Para o Futuro, Sobreviva e Prospere no Meio de Mudanças Radicais” que publicou em 2021.
Brill avisa que o principal desafio de gestão atualmente “não é tecnológico, mas de organização”. A solução não é dar uma injeção de IA. E enumera quatro características do polvo que mais o espantaram e que assentam como uma luva na tarefa de mudar as organizações. (...)». Com um bocado de jeito ainda temos um Despacho a determinar que se leia (o livro subjacente ao artigo) ou seja: 
 
  

Estamos a levar tudo isto de «maneira leve» mas «apetece chorar». Que estão a fazer dos esforços havidos com o Portugal de Abril,  para a transformação das ADMINISTRAÇÕES PÚBLICAS ?, na senda de uma ADMINISTRAÇÃO GESTIONÁRIA.  Ó deuses!, Governo, Senhores Governantes aqui em causa, com o devido respeito perdoem-nos a expressão:  «com os diabos!», chamem gente que há no PSD e que sabem sobre o assunto - SENIORES, porque os jovens estarão na «mesma onda» dos «jovens governantes» (atendendo aos conceitos atuais de jovem) que trouxemos para este post ...

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Para quem queira pensar nestas coisas, e tenha coragem para se meter no «labirinto legalista» mais a  ajuda seguinte - para que não esqueça, GESTÃO é outra coisa, e GESTÃO PÚBLICA tem autonomia:
 
 

 

 o artigo é muito longo para ser reproduzido
 
 
 
 
 

segunda-feira, 19 de janeiro de 2026

«FAZER COM QUE NÃO PASSE»

 

 

Desconhecemos quem dá títulos e subtítulos, e faz as entradas nos Artigos de Opinião. A nosso ver são meio caminho andado para irmos ao corpo do texto, ou não. No caso acima, o que se lê é síntese perfeita - diz tudo em que muitos e muitas se reconhecerão,  e são mais do que palavras, são pensamento em ação, que estamos em crer levarão mais  pessoas a fazer a opção que condensa. Se tiver acesso ao Público online está aqui. Começa assim: 
«1. Seguro contra Ventura. Não era com isto que contávamos há uma semana, mas agora Seguro é quem temos para impedir que Ventura chegue à Presidência. Que o PSD e Montenegro, que Cotrim e a IL não queiram tomar posição entre um trumpista, racista, cada vez mais fascizado e o mais “moderado” (é o que ele diz de si próprio) dos socialistas portugueses diz tudo da direita “democrática”. Ventura quer copiar Meloni e Trump e arrebanha. (...)».
Termina deste modo: «(...) Hoje foi o PSD a sair humilhado e Seguro a surpreender, porque ultrapassa em muito o PS de maio passado — mas com resultados de quando o PS perde eleições. É quem sobra nas urnas para evitar que um fascista chegue a Belém. Temos muito que fazer para evitar vermo-nos reduzidos a opções destas».
 
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e de repente veio-nos à memória que
 documentamos com o que mais 
depressa encontramos:
 

 
 
 
 

domingo, 18 de janeiro de 2026

JOSÉ TOLENTINO MENDONÇA |«Para os Caminhantes Tudo é Caminho» | PARA O INTERVALO ENTRE «AS VOLTAS» DAS PRESIDENCIAIS DE UMA PESSOA COM QUEM SE APRENDE A NECESSIDADE DA CULTURA E DA ARTE

 

 
 
«Chegará o momento em que compreenderemos que sabedoria é amar tudo. É saudar os dias sem esquecer a importância das horas; contemplar as grandes torrentes sem deixar de agradecer cada gota de orvalho; estimar o pão sem, no entanto, esquecer o sabor das migalhas. Chegará a ocasião de compreender que o importante não é só contar a viagem, mas testemunhar também o contributo dos passos; elogiar não só a meta, mas a lição de cada etapa, sobretudo quando chegámos a duvidar que o caminho conduzisse a alguma parte. Chegará o tempo em que nos reconheceremos saciados tanto pela frescura da fonte, como pela sede; iluminados pela experiência dos encontros, mas também pelo ensurdecedor vazio de certas esperas; maravilhados, de igual maneira, com o alforge repleto e as mãos sem nada». Saiba mais.