segunda-feira, 27 de julho de 2026

MILITÂNCIA PELA EDUCAÇÃO | «As Humanidades» no Sistema Educativo | VEM A PROPÓSITO DO PRÉMIO DE ENSAIO JACINTO PRADO COELHO GANHO ESTE ANO POR ANTÓNIO CARLOS CORTEZ

 

  
De lá:
  
Densificando  


«Em O Fim da Educação, António Carlos Cortez dá-nos a sua perspectiva sobre a falência da educação. Falência que é resultado, afirma, do tempo em que vivemos, adverso à cultura e inimigo do livro, da memória e do pensamento.
Um ensaio que se debruça sobre o empobrecimento geral do ensino em todos os seus graus: facilitismo, incúria e ausência de pensamento crítico. A mentalidade gestora, a superficialidade dos programas, o paradigma tecno-científico e a subsequente minimização das Humanidades, tudo isso se traduz, diz o ensaísta, na mais nefanda alienação.
António Carlos Cortez aponta soluções: uma reforma educativa que coloque as Humanidades e a verdadeira exigência e rigor (no acto de ler e de escrever, de pensar e de imaginar) no centro do processo educativo; o regresso ao livro e o combate pela memória». Saiba mais.

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A propósito 

 

 

«O volume abre com um extraordinário “Preambulo sôbre a formação do professor”, do qual deixamos um excerto: “(...) Isto que fica dito sôbre a educação em geral é particularmente verdadeiro no que respeita a educação do sentimento poético. Não é o professor de disciplinas, o assimilador de compêndios de didáctica, o intelectual cujas idéias são incolores e descarnadas que poderá ensinar às crianças a beleza e a poesia das coisas — mas sim o homem amplamente humano, que enriqueceu e formou a sua alma ao contacto com a vida, e que a viveu em poesia, na sua totalidade misteriosa e complexa.” ». Veja aqui.

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E faz sentido lembrar de entre os muitos posts direta ou indiretamente ligados à matéria  aqui no Elitário PARA Todos este CIÊNCIA E CULTURA | digam mais ...  destacando o artigo seguinte de Rui Vieira Nery a que nos leva 

 
 Excertos:
«(...)
Compreende-se, deste modo, a falácia dos critérios de pretensa “utilidade económica” que têm caracterizado algumas das políticas científicas neoliberais dos últimos anos, segundo as quais haveria que dar clara prioridade às ciências aplicadas, geradoras de patentes potencialmente lucrativas, em prejuízo sistemático das ciências ditas “puras”, que seriam, nesta óptica, um fim em si mesmas e por isso mesmo, por definição, economicamente improdutivas. Do mesmo modo que nas políticas culturais se deveria privilegiar as chamadas “indústrias culturais”, vocacionadas para o impacto alargado no grande público e enquanto tal geradoras, por excelência, de oportunidades de emprego e de mais-valias acrescidas, em desfavor das vanguardas artísticas experimentais, alegadamente restritas a elites auto-centradas e como tal desprovidas de valor — é, de resto, a visão que se encontra plasmada, por exemplo, nos pressupostos do programa Europa Criativa, que veio substituir na União Europeia os objectivos mais explicitamente culturais do anterior programa Cultura 2000 .
(...)
Mas independentemente deste outcome económico, é no próprio cerne do pensamento científi co que esta interdependência incontornável das ciências exactas tradicionais, por um lado, e das ciências sociais e humanas e das artes e humanidades, por outro — ou, se preferimos, da ciência e da cultura como vertentes indissociáveis da produção de conhecimento —, se revela cada vez mais evidente.
(...)
Da mudança climática à pobreza e à doença, os desafios do nosso tempo são inevitavelmente humanos na sua natureza e na sua escala, e as questões da engenharia e da ciência estão sempre mergulhadas em realidades humanas mais amplas, desde tradições culturais profundamente enraizadas a normas de construção civil e a tensões políticas. Por isso os nossos estudantes precisam também de adquiri um conhecimento aprofundado das complexidades humanas — as realidades políticas, culturais e económicas que moldam a nossa existência —, bem como fluência nas poderosas formas de pensamento e de criatividade cultivadas pelas humanidades, as artes e as ciências sociais. 
(...)
Mas o legado de José Mariano Gago vai mais longe, ao lembrar-nos de que a prossecução do conhecimento, em qualquer ramo, não é um gesto asséptico isolado do contexto social mais amplo em que se processa e livre das responsabilidades de solidariedade humana que este implica. E que essa missão não faz sentido se não estiver submetida a um forte imperativo ético e cívico, que contraponha ao primado neoliberal do valor de troca como único critério de utilidade social a construção de valores mais nobres: os do Bom, do Belo e do Justo. (...)».

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 Ainda, como nos lembramos aqui fica esta conversa
 

sábado, 25 de julho de 2026

LISBOA | ainda pode assinar pela «Linha em laço» contra a «Linha circular» | E FAZER PARTE DO ABAIXO-ASSINADO QUE VAI SER ENTREGUE NO PRÓXIMO DIA 29 ÀS 14:00 COM CONCENTRAÇÃO NA PRAÇA DO MUNICÍPIO

 



de lá:

«Vamos entregar o abaixo-assinado contra a Linha Circular do Metro de Lisboa e pela concretização da solução da Linha em Laço.
Este abaixo-assinado dinamizado pelo PCP reafirma uma posição que, ao longo dos anos, reuniu apoio maioritário entre as forças políticas da cidade, incluindo a do actual Presidente da Câmara Municipal de Lisboa, Carlos Moedas, que, em 2021, afirmou na sequência da aprovação de uma moção do PCP sobre este tema:
"Estou, naturalmente, satisfeito com a aprovação desta moção contra a linha circular do Metro, porque reforça o que tenho referido sempre sobre esta opção."
Passados vários anos, com muitos milhões de euros de derrapagem nesta obra, não existe qualquer justificação para não garantir a solução que melhor serve quem vive, trabalha e se desloca em Lisboa: a Linha em Laço, que assegura ligações mais eficientes e um acesso mais democrático ao centro da cidade.
A tua presença é importante. Participa e ajuda a divulgar esta iniciativa!».
Como é uma CAUSA que desde início nos mobilizou pelas manifestas vantagens que traz À QUALIDADE DE VIDA DAS PESSOAS aqui estamos uma vez mais a corresponder a PEDIDO DE DIVULGAÇÃO. Fazer parte, sabe bem ...

sexta-feira, 24 de julho de 2026

NA ESFERA DA CULTURA A PARTIR DO QUE A COMUNICAÇÃO SOCIAL NOS INFORMA SÃO MUITOS OS ASSUNTOS QUE MERECEM SER REFLETIDOS MESMO EM «TEMPO DE FÉRIAS» PARA QUEM AS PODE TER | neste momento uma vez mais escolhemos artigo de Luís Raposo à volta da gratuitidade de entrada nos museus ... | NO FUNDO TUDO TEM A VER COMO SE ESTRUTURAM «POLÍTICAS CULTURAIS»

 

 
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Nos dias que passam a Comunicação Social não para de nos trazer matéria «inspiradora» para se discutirem POLÍTICAS PÚBLICAS DE CULTURA. E talvez recorrer à velha imagem «O Rei Vai NU», por mais que a Governante da área não veja.  Ilustrando, quase de memória:
 
- Uma vez mais entrevista de Álvaro Covões que nos conduz de imediato ao que é assegurado pelo jogo do mercado e à oferta pelo Serviço Público de Cultura como acontece por exemplo com a Educação e a Saúde, e o que, sem ironia, o NOS alive pode aprender com «os sem fins lucrativos», o para muitos TERCEIRO SETOR,  por exemplo com o Festival de Teatro de Almada, as novidades introduzidas (ainda bem) por Covões fazem parte desde sempre da  CTA ...
 
- O anuncio de que a questão da desafetação  de salas de cinema vai acontecer até ao fim do ano. Tanto tempo! E quem no Aparelho Estatal tem verdadeiramente «voz na matéria»?
 
- Há uma nova Comissão Para Avaliar o Mérito Cultural  que não funcionava: «A Comissão de Avaliação do Mérito Cultural não reunia desde 2022, deixando de funcionar durante cerca de quatro anos, com pelo menos 22 pedidos de subsídio por analisar. O Governo avançou recentemente com a nova composição do órgão e prevê uma reunião na primeira semana de setembro de 2026 para avaliar os processos pendentes» .É expectável que a Senhora Ministra da Cultura  em part time averigue porque é que isso aconteceu e mande fazer RELATÓRIO sobre a questão  e o resto para que as «mudanças» que diz querer introduzir sejam devidamente alicerçadas ... Sem perder o que lhe esteve na origem, lá longe. Ah, isto de se ir de férias antes de decidir sobre casos incomoda... Ou não?, Senhora Governante. Alguém, para comer ou comprar um medicamento, pode depender dessa verba . Já agora, da a crónica de Fernando Alves na TSF sobre o problema: «Com frequência desaparecem dos palcos, dos jornais, das conversas de café. Voltamos a saber deles, passado o longo desterro do silêncio, quando surgem no alinhamento noticioso às cavalitas da morte. Desata-se, nessa hora, a vénia fúnebre burocrática, a lamúria institucional. Suas Excelências apressam-se a dar conta, na rede social mais frequentada, de uma avassaladora "consternação" face a tão triste desaparecimento. Em alguns casos, os altos dirigentes declaram-se "prostrados". A mesura carpe com sibilina safadeza».
 
 - E cá temos outra vez o ESTATUTO DO ARTISTA que a Senhora Ministra da Cultura  em part time diz não percebemos bem o quê. Mas sabemos que não adianta que nada se resolve sem se dinamizar o setor ...  Atente-se nisto tirado do jornal Público: «Na audição regimental da Comissão Parlamentar de Cultura, Juventude e Desporto, este foi um dos temas abordados pelos deputados com algumas questões sobre o estudo de soluções para casos particulares que estão directamente ligados à essência da actividade artística em Portugal — segundo o Observatório Português das Actividades Culturais, quatro em cada dez profissionais da Cultura correspondem ao típico perfil do trabalhador a recibo verde e um em cada cinco trabalhadores independentes desta área ganha o salário mínimo ou menos (dados de 2021)».  
 
- Voltando ao Subsidio Mérito Cultural aos carenciados que toca muitas mais matérias. Acrescente-se, é penoso ouvir a Senhora Governante  sobre quase tudo, mas sobre esta questão apetece mesmo chorar: será que a Senhora Ministra não põe sequer a hipótese de que esteve errada! Que deveria procurar «solução» ordinária ou extraordinária antes de acontecer o que aconteceu? Se a resposta é «sim» - aliás disse isto no Parlamento na audição, uma vez mais recorrendo ao Público: «Ministra admite rever lei para “melhorar” acesso ao Subsídio de Mérito Cultural - “Não sou indiferente e naturalmente que me preocupam as consequências da aplicação da lei, mas também não podia fazer de forma diferente”, disse a propósito dos casos em que foram criadas ou agravadas situações de carência em beneficiários idosos, para não “violar o princípio da igualdade”.- lamentamos informar V. Excelência: É CLARO QUE PODIA FAZER DIFERENTE. Doutra forma para que Governantes?, recorramos à Inteligência Artificial, a robots, em  linha com a sua ADMINISTRAÇÃO LEGALISTA ... É verdade, não escondemos, com emoção, este acontecimento «tira-nos do sério»...  

- Não podemos esquecer a FLORESTA DOS CONCURSOS     da DGARTES, e «todos os dias» aparece mais um ...  Do que acaba de nos chegar:
 

DGArtes: Apoio simplificado a projetos abrange apenas 24% das 587 candidaturas

  

 

Senhora Ministra, peça apoio ao seu colega das «Reformas» e para começar avaliem à luz da «EFICIÊNCIA» todo este Caldeirão de concursos - os Senhores que tanto querem «fazer mais, com menos». Mas não se enganem: o que está em causa é o TODO que pede um PLANO PARA O DESENVOLVIMENTO HARMONIOSO DO PAÍS que nos leve a PROFISSIONAIS  que na «reforma», ou antes disso,  não precisem de recorrer à «ESMOLA DO FFC». Mas nada pode ser feito de supetão: enquanto não tivermos solução nova há que continuar com o velho ... 

 

Para melhor está bem, 
está bem, para pior
 já basta assim

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Mas voltemos ao artigo de Luís Raposo
 - excertos -
 
«(...) Claro que, entre preços proibitivos e gratuitidades universais, existem muitos meios-termos. E este é o terreno de fazer política. Atente-se no exemplo de uma família da Beira Alta, composta por casal e dois filhos jovens (13 e 15 anos), e que pretende fazer um fim-de-semana alargado (três dias) em Lisboa e arredores, para visitar museus e monumentos. Só na zona de Belém, querendo visitar todos, terá de pagar mais de 250 euros, mesmo tirando partido de “bilhetes de família” onde houver; no resto da cidade, desembolsará outro tanto; se, ainda por cima, pretender ir à zona de Sintra, mais 200. Tudo somado, 700 euros.Políticas culturais, gratuitidade e museus: avançar, recuando
Três noites em hotel ou alojamento local barato (2 estrelas) rondarão os 360 euros. Refeições, um pouco mais. Ou seja, um total de pelo menos 1500 euros pelo capricho de ver museus e monumentos em Lisboa e arredores. Tudo isto sem considerar custos de transporte e devaneios como os de na ida e na vinda passar por Coimbra, Batalha, Alcobaça, Tomar ou Mafra.

Imaginemos, finalmente (coisa que, pelo que se vê, os políticos de turno não conseguem fazer), que pai e mãe vivem com os respectivos salários mínimos nacionais, ou seja, cerca de 1630 euros mensais líquidos. Na prática, teriam de gastar o rendimento todo do mês para passar três dias em Lisboa a “dar valor” à cultura, neste caso apenas aos museus e monumentos (teatros ou óperas ser-lhes-iam uma espécie de “luxos asiáticos”). Mesmo se ganhassem o salário médio nacional, ou seja, cerca de 2500 euros líquidos na soma dos dois, ficariam somente com mil euros para o resto do mês, quem sabe se para pagar a renda da casa.
Afirma também a nossa servidora (é isso que significa ministra), com angélica candura, que o problema é que a Comissão Europeia não deixa continuar com a prática em vigor das 52 entradas gratuitas por ano para residentes no território português. Em tempos, no ICOM Europa, estudámos este assunto e concluímos que tal prática seria legal, a exemplo do que sucede noutras áreas. Mas admitamos que o Tribunal de Justiça (não a Comissão) decide em contrário. Bom, aí não se tratará nunca de fechar portas, mas de abrir outras — até porque em matéria de regimes de gratuitidade já estamos na cauda da Europa.(...)».

Ainda, reparamos, em particular, 
neste destaque do Público:
 

 


segunda-feira, 20 de julho de 2026

OS DESAFIOS NA CULTURA PARA O NOVO PRIMEIRO MINISTRO DO REINO UNIDO - Andy Burnham

 

 

Veja aqui

  

Começa assim: «Andy Burnham became the UK’s new prime minister today (20 July) and soon the public will learn who he has picked as his culture secretary. Whoever is in the role will face one of the most challenging briefs in Whitehall. From the future of Arts Council England and the funding of cultural assets, to artists' livelihoods, artificial intelligence and museum restitution, the department's in-tray is already overflowing».

 Resumindo, OS CINCOS DESAFIOS-CHAVE

«Funding culture in difficult economic times

 Arts Council England and the Hodge review

 Museums and restitution

 Supporting artists' livelihoods

 AI and copyright»

 Sobre a Supporting artists' livelihoods

« There is the matter of looking out for artists, who face major and highly varied challenges to keep working in the industry.

Kate Oakley, a professor of cultural policy at the University of Glasgow, points to rising housing and studio rents, graduate debt, declining arts education and “a collapse in a lot of the income streams that artists would often have relied on to support their careers”.
She argues that there is no single policy capable of reversing those trends. Instead, improving arts education, tackling the cost of living and giving devolved authorities greater scope to support local cultural sectors could all make a difference.

Rather than introducing policies aimed solely at artists, like Basic Artists Income, Oakley favours broader reforms that make freelancing and insecure work more sustainable across the economy.

She says: “Making freelancing more sustainable—through changes to the tax system, a more flexible benefits systems or social insurance systems for freelancers such as those found in some European countries—could possibly help all precarious or freelance workers and I think that is more politically defensible.”
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Talvez «ideias» a ter em conta nos debates que devíamos ter e não temos. Talvez «ideias» a serem aprofundadas pela Comunicação Social. Claro, nada que se resolva numa Sessão Pública em que está a Senhora Ministra da Cultura (em part time). Não, isto é do domínio do «permanente, continuado, sistemático». Sem tempo contado, Senhora Governante! E nada contra «acontecimentos públicos» mas  tendo consciência que não preenchem, muito menos esgotam, a ADMINISTRAÇÃO ABERTA - transparente, partilhada, colaborativa. Para isso, o nosso lema: «TECNOCRACIA COMPETENTE / Pilar da Democracia». É verdade, a tal REFORMA DO ESTADO não a pode dispensar ... O caos nas provas nacionais na  Educação mostram-no com estrondo.  Na Cultura é tudo «mais fofinho» ..., mas os PROBLEMAS estão lá ..., à espera de serem resolvidos.



quarta-feira, 15 de julho de 2026

PARA A RESPOSTA AO FALHANÇO DO MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO PROVADO COM A AVALIAÇÃO DIGITAL EM CURSO DO 12.ºANO | «Carta ao ministro da Educação ou a ditadura digital» de António Carlos Cortez no semanário Expresso| OUSAMOS ALARGAR SUGERINDO QUE NÃO SE DESLIGUE O PROBLEMA DA FALTA DE «GESTÃO PÚBLICA» SUBSTITUIDA PELA «ADMINISTRAÇÃO LEGALISTA» COM QUE NOS AFOGAM NO DIÁRIO DA REPÚBLICA

 

 
 

«(...)São as gerações formadas nesta educação alienante e brutal que, postas frente aos ecrãs, estão a ser espoliadas do seu direito ao pensamento, às emoções salutares. A educação feita para servir um mercado de trabalho que rouba direitos aos pobres e, ao mesmo tempo, subverte, através do digital, a lógica do humanismo em educação, eis o que está em processo. E é por saber que tudo isto é verdade que Fernando Alexandre e Homem Cristo não podem enfrentar o país. Não estão, ainda assim, sozinhos quanto a culpa formada e comprovada.
A esquerda política – nomeadamente o PS – é responsável, de largos anos, pelo estado a que o ensino chegou. A digitalização da escola não pode dissociar-se das mistificações educativas: desde o “aprender a aprender” passando pela concepção do aluno como centro de tudo quanto é a escola e a universidade (o estatuto do aluno foi a porta aberta para a legitimação da indisciplina em Portugal), com a gravíssima concepção do professor como mero “facilitador de aprendizagens”. Tudo isto conduziu-nos até aqui: à precarização da profissão docente, ao esfacelamento da estabilidade da carreira, e, de forma maquiavélica, à desunião entre a classe e, de forma gravíssima, à alienação de gerações de alunos que, saídos de 12 anos de escolaridade obrigatória, nada leram, escrevem mal, são vítimas de um sistema que os quer amestrados, desvitalizados, sem imaginário e sem qualquer sonho e utopia de futuro.
Tudo isto se preparou ao longo do tempo: começou com o fim da PGA, prova exigente, consolidou-se com o consulado de Maria de Lourdes Rodrigues, inventando a figura do professor-titular, e atinge, com a pandemia, o seu clímax. A pandemia COVID-19, serviu apenas para, no campo do trabalho e da educação, diluir serviços, transformar professores e alunos em cobaias de experiências online que jamais os donos das Big Techs defendem para os seus próprios filhos.
Senhor ministro da Educação, caro colega Fernando Alexandre, reconheça o erro. Não é ao Grupo Vinci que deve servir, nem será com empresas privadas do digital que solucionará esta calamidade nacional. Gastou 7 milhões de euros neste processo caótico. Há professores a corrigir mais de 300 itens de exames! Se o seu projecto é – com a desculpa do rigor e da excelência – fazer com que paulatinamente os professores trabalhem também em agosto, saiba que tudo isto está já muito para além das férias (merecidas). A questão central, Fernando Alexandre, é que as sucessivas tutelas degradaram de tal maneira a escola pública que os estudantes portugueses nada sabem. Confirmam-no o PIRLS (Progress in International Reading Literacy Study) e outras estatísticas. Confirmam-no os índices de violência escolar e, senhor ministro, estes exames no digital são (como bem sabe) outra estratégia de embrutecimento dos que ensinam e dos que aprendem.(...)».
 
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É conhecido o provérbio que «em tempo de guerra não se limpam armas». E muitas serão as pessoas para quem isto que se está a passar com as «Avaliações Digitais» possa ser agravado com «o ruído» que o caos gerado legitimamente provoca. E ficam caladas, até que a «guerra» passe. Uma interrogação que não nos larga: até que ponto todo este alvoroço não perturba os Classificadores? Não agrava o seu cansaço. Participando dessa postura de não aumentar a «guerra», pensamos que já será tempo de retomar observações que não temos visto nos dias que correm por parte dos que se vão expressando: o que se passa não pode ser desligado da GOVERNANÇA nesse sentido de GESTÃO PÚBLICA de ALTO NÍVEL que não existindo se reflete na GESTÃO OPERACIONAL. O Governo objetivamente pratica uma ADMINISTRAÇÃO LEGALISTA - através do Diário da República. Onde está a TECNOCRACIA COMPETENTE? Onde está o DOCUMENTO DO PROGRAMA elaborado por Técnicos habilitados e com experiência relativo ÀS PROVAS EM NOVOS MOLDES? Pelo que se sabe, não existe. Dizem-nos que foram os Técnicos dos Gabinetes Governamentais a irem ao «ARMAZÉM» ONDE SE ENCONTRAM AS PROVAS EM PAPEL. Acabamos de ouvir o Senhor Primeiro Ministro   a proclamar que temos de «Arriscar», «Ousar», «Inovar», mesmo que se cometam erros. Excelência, estamos nessa, mas ASSENTE NO CONHECIMENTO TEÓRICO E PRÁTICO ao nosso dispor. De maneira PROFISSIONAL. E no BOM SENSO. Com o devido respeito,   tudo isto nos parece ausente. E até se pode dizer que a coisa já se anunciava com a maneira como foi lançada a «REFORMA DO ESTADO» NA ESFERA DA EDUCAÇÃO...  
 
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Como complemento sugerimos 
 

 

 

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