quarta-feira, 11 de fevereiro de 2026

CONTINUANDO COM CACE/COLEÇÃO ELLIPSE | do que diz Fernanda Fragateiro _ «Ao DN, Fernanda Fragateiro considera que este protocolo representa "uma espécie de amputação" do MAC/CCB, pois "um museu precisa de ter ativos que estão nas suas mãos para ter relevância e capacidade de ação"»

 

 Passagem:

«(...) A Museu e Monumentos de Portugal diz que a integração da coleção Ellipse na CACE terá uma importância fundamental não só para o reforço do acervo da própria coleção do Estado, mas também para a sua projeção internacional.

Boa sorte, boa sorte para trabalharem essa coleção internacional. É que são pessoas que não têm noção. Há muitos artistas em Portugal que têm uma prática internacional, mostram o seu trabalho em instituições fora de Portugal. Somos nós que fazemos a internacionalização, não é o Estado português. Eu acho que o Estado normalmente pensa que internacionalizar é mostrar obras nas embaixadas.

Devia haver mais apoios aos artistas para se internacionalizarem?

Deem bolsas de estudo às pessoas para irem estudar, para irem para o mundo, para conhecer. Não queiram estar sempre a gastar dinheiro em espaços e exposições paralelas àquilo que já existe. Já temos imensas instituições que só precisam de meios para continuar a funcionar bem.

A Fernanda Fragateiro faz parte da AAVP - Associação de Artistas Visuais em Portugal?  Vão ser marcadas novas eleições por causa da tomada de posição da direção a favor deste protocolo?

Sim, estou ligada à AAVP desde o início e acho que é muito importante existir uma associação para as artes visuais, foi uma associação que deu muito trabalho a criar e, sobretudo, muitos artistas têm trabalhado duramente nessa associação. Infelizmente, houve uma tomada de posição por parte da recente eleita direção de três pessoas que resolveram assinar uma carta em que tomavam uma posição muito clara de defesa da assinatura deste protocolo sem terem consultado os membros da associação e a restante direção da associação. E, obviamente, a direção perdeu a confiança dos associados.

E a Fernanda Fragateiro apresentará uma lista?

Não, não apresentarei uma lista. Eu estou mesmo como artista a defender os museus, a defender os artistas. Já estou há muitos anos, já estou muito cansada. Estão sempre a mudar os ministros, estão sempre a mudar as políticas culturais e nunca se avança realmente, nunca se consegue chegar a lado nenhum. E temos artistas portugueses muito bons, temos um panorama incrível nas artes portuguesas, nas artes visuais, que não é aproveitado - pelo contrário -, pelo poder político. Começámos com o quase desmantelar do Ministério da Cultura, que deixou de ser só o Ministério da Cultura, passou a tratar de outros assuntos, como se realmente a cultura não merecesse um ministério. E depois são estas ações que depois têm consequências.

O que é necessário ser feito?

Tomar conta das instituições que já existem, que têm trabalho feito, que já mostraram muito trabalho, que já mostraram que são sólidas e que têm muito poucos meios para continuar a atuar. Basta só isso, cuidar, cuidar daquilo que já temos.

Ainda gostavam de ser recebidos pela Ministra da Cultura, apesar de o protocolo já estar assinado?

Só a morte é que é irreversível... A própria comunicação social também tem muito pouca informação sobre estas questões das artes, da arte contemporânea, porque é, de facto, um meio muito específico. Nem sempre é fácil as pessoas perceberem o que é que está em causa. Até pode parecer quase uma birra, mas não, são coisas muito sérias e muito profundas. Nós não estamos a atacar ninguém, só a zelar pelos interesses da produção artística portuguesa e defesa das instituições que já fazem um trabalho incrível e com muitas dificuldades».

«CAIS DO SODRÉ»

 

 
 «Uma história vertiginosa e embriagante do Cais do Sodré notívago. Um livro que começa na idade média e só acaba na madrugada do próximo sábado».
 

 
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Sobre o livro No semanário 
EXPRESSO de  Rui Miguel Abreu: 
A fabulosa história do Cais do Sodré: quando espiões, marinheiros, artistas e prostitutas se cruzavam na pista da dança
Excerto: «(...) O livro mostra também como o Cais do Sodré não foi e é apenas cenário literário ou memória oral, mas território fixado em película ao longo de quase oito décadas. O registo mais antigo identificado é “Cais do Sodré”, do cineasta espanhol Alejandro Perla, com uma cena de pancadaria numa taverna anónima. Depois, os bares tornam-se protagonistas. O Texas surge como palco central em “Os Verdes Anos”, de Paulo Rocha, e volta a ganhar vida quando Samuel Fuller ali entra, pede uma cerveja e acende um charuto em “O Estado das Coisas”, de Wim Wenders. O British Bar acolhe Bruno Ganz em “A Cidade Branca”, de Alain Tanner, e reaparece em “Em Câmara Lenta”, de Fernando Lopes. O Bar Americano serve de cenário a “O Ano da Morte de Ricardo Reis”, de João Botelho. A Rua Nova do Carvalho entra em “Pax”, de Eduardo Guedes, e o documentário televisivo “É de Noite que Eu Me Lembro”, de Eduardo Geada, fixa imagens de muitos dos bares da época, em particular o Piréus. (...)»
 
 de lá também:
 

 
 

terça-feira, 10 de fevereiro de 2026

TALVEZ LHE INTERESSE ! | o blogue «Praça do Bocage» | É DE LÁ O POST «BOA EDUCAÇÃO, MÁ EDUCAÇÃO»

 

  

Voltemos a lembrar  um blogue que se não conhece talvez lhe interesse - Praça do Bocage. O mais recente post que lemos:
 

BOA EDUCAÇÃO, MÁ EDUCAÇÃO.

 

Destaque:
 
 
e temos para olhar 
 
«Golconda», de Rene Magritte, 1953
Créditos/ The Menil Collection, Houston
 

 

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2026

ENTREVISTA DE ACÁCIO DE ALMEIDA AO JORNAL PÚBLICO - um pedaço da nossa vida comum na esfera da cultura e de muito mais ... | RETRATA GRANDEZAS E MISÉRIAS PASSADAS E DOS DIAS DE HOJE | E É LUMINOSO A FALAR-NOS DO SEU OFÍCIO |OBRIGADO AO ENTREVISTADO E AOS JORNALISTAS !

 

 


Iluminou mais de 50 anos de cinema português, de O Cerco, de António da Cunha Telles (1970), a Justa, de Teresa Villaverde (2025). Aos 87 anos, continua à espera do desejo de um cineasta.



 Excertos: «(...) Atravessou gerações, participou de vários protótipos. Esteve na primeira parte da obra de João César Monteiro, que tem desfilado em Lisboa e no Porto numa retrospectiva integral, e em todo o Reis & Cordeiro; teve um toca e foge com Oliveira, e ele explica porquê; filmou com João Botelho, José Álvaro Morais, Pedro Costa, Raquel Freire, Rita Azevedo Gomes, Jorge Silva Melo — na rodagem de Agosto (1988) conheceu a actriz francesa Marie Carré, que se tornou sua mulher, com quem realizou, em 2022, Objectos de Luz, a meio caminho entre o auto-retrato de uma obra e a digressão filosófica — ou Solveig Nordlund. E ainda com Jacques Rozier, Alain Tanner ou Raul Ruiz.
Enquanto espera — e tem sido sempre essa a sua vida, como ele diz, esperar pelo desejo dos outros —, pedimos-lhe que fizesse luz.
Aquela cena que dava um filme, a do projeccionista numa aldeia sem electricidade, estará num filme se Acácio conseguir dinheiro do Instituto do Cinema e Audiovisual (ICA) para o concretizar — neste momento, sente-se "descalço" e "desamparado", o seu impressionante currículo como director de fotografia de pouco lhe vale nas contabilidades definidas pelos regulamentos de apoio à produção. Haverá relógios nesse filme, uma corrida contra o tempo, um filósofo coveiro, uma experiência de quase-morte, e uma digressão pelas escarpas do Douro.
(...) 
Sobre essa viagem de descoberta do país, Margarida Gil [actriz em Veredas] contou que havia um ou dois carros apenas, um com o material, o outro com as pessoas, e que o Portugal que se descobria que era um país muito pobre. Ela lembrou-se do documentário que Buñuel rodou na região de Las Hurdes.
A pessoa que nasceu pobre não sabe o que é ser pobre porque viveu assim toda a vida e não imagina o que é a riqueza. Nem sabe que pode ter outros direitos. Tudo isso lhe está longínquo.

Eu nasci num meio idêntico [São João da Pesqueira], na Beira, onde o pão era cozido num forno comunitário e onde uma pessoa se encarregava disso, aquecia o forno e, em pagamento, dava-se-lhe um pão. A mesma coisa com o moinho: entregava-se quatro alqueires para moer, o moleiro moía e ficava com um alqueire. As coisas funcionavam como troca, até as terras se arrendavam. A mim a pobreza não me admirava. Quem viveu sempre na cidade, é natural que se admirasse.

Quem fazia a revolução desconhecia esse Portugal, que era sobretudo uma ideia de país?
Sim, acho que sim. Embora a descoberta que o João queria fazer não era o da vivência miserabilista ou com carências. Ia à procura da sabedoria que estava subjacente a essa aceitação. (...)»

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Eventualmente porque aprendemos a reparar no trabalho de Acácio de Almeida começámos a ler o trabalho acima, depois devoramos aquela entrevista... Não perca! Acontece num dia - de Eleições -  em que a REJEIÇÃO dominava eleitores/as e até por isso fez-nos bem mergulhar nesta história singular ...
 
 

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2026

O TITULO DIZ TUDO| «Novo protocolo sobre a colecção Ellipse é um “disparate”, um “absurdo” e “uma pena”» |E ASSIM VAMOS NO MINISTÉRIO DA CULTURA & Cª. ...

 

 
Se tiver acesso ao artigo, como se vê, chamado à primeira página, está aqui.
 
Começa assim: «A lista de signatários da carta aberta à ministra da Cultura, Juventude e Desporto que considera "crucial" que a Colecção Ellipse fique no Museu de Arte Contemporânea do Centro Cultural de Belém (MAC/CCB) não parou de crescer nos últimos dias.

Está neste momento nos 182 signatários, incluindo agora personalidades tão conhecidas do meio como Joana Vasconcelos ou João Fernandes, além de outros artistas como Júlia Ventura, Noé Sendas, Daniel Blaufuks, João Tabarra e Paulo Catrica, que se vêm juntar a Ângela Ferreira, Pedro Cabrita Reis, Rui Chafes, José Pedro Croft, Fernanda Fragateiro, entre vários curadores, coleccionadores, galeristas e gestores culturais. O grupo heterogéneo opõe-se igualmente à gestão da Ellipse e das suas mais de 800 obras, nacionais e internacionais, pela Colecção de Arte Contemporânea do Estado (CACE), que em Junho vai inaugurar o CACE Centro em Alcabideche, em Cascais, depois de o Governo ter comprado um edifício para o efeito em Dezembro, por 3,45 milhões de euros.

Eleita por Leiria, bem como o seu braço-armado para os museus e o património, a Museu e Monumentos de Portugal (MMP), estavam concentrados em mitigar as consequências da tempestade Kristin, acabou por ser assinado na segunda-feira um protocolo que não vai ao encontro das preocupações dos mais de 180 signatários. O MAC/CCB terá acesso privilegiado, em regime de comodato, a 250 obras da Colecção Ellipse, ficando as restantes obras no CACE Centro, integrando as suas reservas visitáveis e alimentando a circulação nacional e internacional da CACE, num espaço que, conforme foi anunciado, terá horário de abertura ao público, sob a responsabilidade de Sandra Vieira Jürgens, curadora da colecção do Estado.(...)».
 
 
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«POBRE» É A GESTÃO PÚBLICA QUE ESTÁ A SER PRATICADA! E VIVA A ADMINISTRAÇÃO LEGALISTA QUE O GOVERNO DIZIA QUE IA COMBATER! MAS AFINAL DÁ ESPAÇO NOMEADAMENTE A QUE NO MINISTÉRIO DA CULTURA & cª. ACONTEÇA O QUE SE VÊ ... EM SUMA, SEM CONCEITO, SEM TÉCNICA, SEM INTUIÇÃO ... E POR ISSO «DISPARATE», «ABSURDO», «UMA PENA»?