«O ISEG tem a honra de o(a) convidar para a inauguração da exposição “Bento de Jesus Caraça – 125 anos”, que terá lugar no próximo dia 18 de abril.
Matemático, professor, divulgador científico e figura marcante da vida cultural e cívica portuguesa, Bento de Jesus Caraça destacou-se pelo seu compromisso com a democratização do conhecimento e pela sua intervenção na sociedade.
A exposição organiza-se em quatro blocos temáticos – Vida, Obra, Cidadania e Ciência – e reúne fotografias e documentos do espólio de Bento de Jesus Caraça, depositado na Fundação Mário Soares e Maria Barroso, bem como materiais recolhidos nos arquivos do ISEG. Procura abarcar o seu percurso de intervenção cultural e científica, designadamente no âmbito do ISC-ISCEF e da divulgação do saber, sem esquecer o seu empenhamento cívico e político, incluindo o episódio da sua demissão da Universidade.
Na sessão de inauguração contaremos com intervenções institucionais, seguidas de um momento musical com um grupo coral de Cantes Alentejanos. Estará também disponível um breve catálogo da exposição, com textos de diversos autores.
Data: 18 de abril
Hora: 18h00
Local: Biblioteca Francisco Pereira de Moura (Piso 0)
Sessão em Português
Entrada livre.
*
* *
Aproveitemos para revisitar
posts do Elitário Para Todos
BENTO DE JESUS CARAÇA |«a cultura integral do individuo» ||| «BENTO DE JESUS CARAÇA Uma fotobiografia» ||| BENTO DE JESUS CARAÇA | «A cultura integral do individuo -
problema central do nosso tempo»| CONTINUA ATUAL
EM ESPECIAL
SINOPSE
«Texto
proferido por Bento de Jesus Caraça, em conferência de 1933 e publicado
em 1939 nos Cadernos Seara Nova, tem como vocação expor a grande tarefa
da sua geração: despertar a alma colectiva das massas.
Este
ensaio reivindica a cultura para a colectividade inteira, único meio
para o despertar da consciência da humanidade sobre si própria. Afirmar a
cultura como problema central do nosso tempo foi tão urgente em 1939
quanto hoje». Saiba mais.
Sobre o livro no jornal Avante!
A Cultura Integral do Indivíduo
continua a ser problema central
do nosso tempo
Manuel Rodrigues
Bento de Jesus Caraça identificava
a cultura como a verdadeira
liberdade
«Faz agora 90 anos que Bento de Jesus Caraça proferiu
a conferência «Cultura integral do indivíduo – problema central do
nosso tempo». Uma Conferência inserida em todo um processo de luta pelo
acesso do povo ao ensino, à cultura, à liberdade, de que Bento de Jesus Caraça
foi incansável impulsionador como intelectual, cientista, pedagogo,
promotor da educação e instrução populares, lutador antifascista, militante
comunista.
De
facto, Bento de Jesus Caraça despontou como jovem académico em plena época
de ascensão do regime fascista português, terrível tempo de culto e promoção
de um obscurantismo incompatível com a postura de um intelectual de
novo tipo.
Foi
neste contexto político que se manifestou a sua grande preocupação com
a cultura, que identificava como a verdadeira liberdade, na sua ânsia
de contribuir para a formação de um proletariado educado e culto, tendo
plena consciência dos seus direitos e deveres, em suma, com consciência
de classe.
A sua concepção de cultura,
alheia a todo o elitismo e radicalmente democrática, viria Bento de
Jesus Caraça a explicitá-la desta forma nesta Conferência, quando se interroga
«o que é o homem culto?» e responde que este:
«1.º – Tem consciência
da sua posição no cosmos e, em particular, na sociedade a que pertence;
«2.º – Tem consciência
da sua personalidade e da dignidade que é inerente à existência como
ser humano;
«3.º – Faz do aperfeiçoamento
do seu ser interior preocupação máxima e fim último da vida.»
Sublinha, no entanto
que, para que o homem possa trilhar a senda da cultura, é indispensável
que ele seja economicamente independente. O problema económico – insistia
– é, de todos os problemas sociais, aquele que tem de ser resolvido em primeiro
lugar. (...)».
*
* *
« Efígie de Bento de Jesus Caraça, baixo relevo em bronze criado por Virgílio Domingues em 1980, colocado numa parede do átrio do edifício do ISEG na Rua Miguel Lupi, em Lisboa. Tem junto a frase do cientista: "Se não receio o erro, é porque estou sempre pronto a corrigi-lo"» - daqui.