quarta-feira, 24 de junho de 2026

APRESENTAÇÕES, DEBATES, CONVERSAS, PALESTRAS, CONFERENCIAS, FÓRUNS & cª. | amanhã na Biblioteca da Imprensa Nacional em Lisboa é sobre «Politica Cultural» que nos leva a recordar o post «Política, neutralidade e espírito» de Fernando Mora Ramos | ENTRETANTO IDENTIFICAMOS COMO PERTINENTE QUE SE CONVERSE ISTO: «TECNOCRACIA COMPETENTE COMO PILAR DA DEMOCRACIA»

 

 
De facto, foi ao vermos a agenda que confirmamos para amanhã a apresentação  da imagem - já lemos o livro -  e de forma natural veio-nos à memória uma multiplicidade de palestras, apresentações, conversas, conferências, e afins  em torno do que lá é contemplado. A matéria, tecnicamente, nunca perde oportunidade. Hoje mais do que nunca. E confirma, na nossa leitura, um debate  cujo o titulo se foi insinuando e agora não nos larga: «TECNOCRACIA COMPETENTE COMO PILAR DA DEMOCRACIA». Todos os dias a comunicação social pelo que nos vai dando a conhecer o confirma. Neste quadro porque lá estava «entre as brumas da memória» procurámos o post de Fernando Mora Ramos «POLÍTICA, NEUTRALIDADE E ESPIRITO», que reproduzimos: 
 
Política, neutralidade e espírito
O chavão não tem força conceptual, vive da repetição, é reactivo, tique mental que afirma um já pensado que não chegou a ser pensamento. O chavão cavalga a onda, surfa no fluxo do ruído e circula entre os detritos do lixo comunicativo com o peso da coisa arrumada lançando névoas de vulgaridade sobre a clareza do potencialmente entendível. Quando se diz que uma política cultural é uma política do espírito confunde-se expressamente o que será uma política com o que foi um adestramento do povo e tenta-se tirar disso um efeito definitivo, um ponto final no assunto, contaminando-se de propósito instrumental fascizante o que seja “uma política”, qualquer seja ela. A política do espírito foi ideológica, orientada para a conformação do povo à pobreza, viveu da multiplicidade convergente da acção de organismos do Estado – educação, interior, propaganda, turismo, eventos, como agora - e forçava o consenso empolando valores nacionais – culturais – supostamente únicos: passado glorioso além-mar, fé ocidental mata-mouros e virtudes rurais de odor primaveril, tudo embrulhado numa aura de felicidade campónia em que a povo era décor, alegre no trabalho, inocência nos rostos mais pose espontânea ordenada, muitas ceifeiras e nenhuma Catarina, claro.
A política do espírito consistiu em formas eficazes de mistificar o real. Foram formas políticas de propaganda ligadas ao restaurar da “alma portuguesa” de rastos com as políticas liberais, no dizer dos “restauradores”. Já uma política cultural, em democracia, é estruturar condições livres – democráticas – de criar, de fazer cultura, isto é, não só de produzir cultura e arte de modo livre pelos que são profissionais e criadores, apoiados pelo Estado de modo legitimado constitucionalmente mas não tutelado paternalmente, mas também de fazer o contrário do que tenha sido orientar o espírito para uma concepção única, a passividade adestrada pelo consenso corporativo, passividade “espontaneamente agradecida” como gostariam os governantes que se verificasse com a política de espírito agora dominante, a “austeridade”, este voto renovado na pobreza como futura libertação que se vende em todos os horário e bancas – é curioso que esta via da austeridade vem directamente do espírito salazarento das virtudes da pobreza, excelsas e únicas, mexilhão aplaudindo a onda do mando com fé.
Uma política do espírito é sim a vulgata da austeridade como uma inevitabilidade, a ideia do poupar e do menos gastar, do pagar ao rico o que não deves com o que não tens, depois de infinitas estatísticas de conveniência financeira te acusarem e culparem – que legitimidade têm estas taxas de juro obscenas, o saque da qualidade de vida de um povo pela destruição dos serviços públicos? E de onde lhes vem, aos credores, a acumulação financeira que possuem e usam como arma de guerra exercendo uma chantagem constante e antidemocrática? De algum lado virá, será virtuoso? Somos todos culpados de viver acima das posses? Mas que posses e quem? O exercício cidadão da vontade popular democrática será específico da crise, puro sofrimento e nada relacionado com os valores fundacionais da modernidade? Igualdade, fraternidade, solidariedade, condições de acesso idênticas à educação, à saúde e aos bens culturais e artísticos? Nada disto diz nada?
Se pouparmos, se aceitarmos os cortes, se formos consensuais, se aceitarmos o horizonte de pobrezinhos, seremos compensados num além que fará crescer a economia – dela nem se fala a sério - mas que não se sabe onde vive e que não se divisa mais qualificado que um mítico purgatório de classe menos que média baixa, pobreza envergonhada e desemprego duradouro, já que o paraíso só mesmo para quem frequenta hotéis de cinco, seis e novidade do último marketing turístico, sete estrelas: às portas do céu golfes e saunas te esperam quando, depois de empobreceres enriqueceres num amanhã que canta num Eldorado de acesso publicitário.
Quando se diz política cultural também se diz política económica e nisso não há catequese alguma, nem nenhum pecado verbal original. E dizer política significa nobilitar o estatuto daquilo que é, ou possa vir a ser, um programa. Então o que será uma política? É justamente a inscrição de um desígnio de acção íntegro – inteiro, completo ou tendente a -, de uma direcção para concretizar medidas articuladas num programa face a uma realidade que delas necessita. Um ordenamento, um plano director, uma coerência integrada de medidas, são formas de política. Já a não política, a neutralidade hipócrita, só pode fingir-se, e assume pela inacção ou ausência, entregar à selva as coisas do real para que o predador mor as ordene pela força do seu poder selvagem e não democrático – a lei da selva não tem sujeito ético e pelos vistos a lei legislada e a não aplicada também não.
É essa violência que o novo tirano dos povos, os respeitáveis credores, os mercados especulativos, têm concretizado como tragédia em marcha – na Grécia há jovens alunos a desmaiar em escolas por terem fome. A ordem da selva é a lei do mais forte e uma política é justamente o combate pelo direito de todos contra a imposição da lei do mais forte. Enfim, será necessário salvar a política dos políticos? Ou a fome será mesmo uma das formas de aceder ao tal progresso e à tal modernidade?
Fernando Mora Ramos/Encenador na província
De lembrar do contexto deste registo
 também este post  -  estávamos em dezembro de 2011: 

O SECRETÁRIO DE ESTADO DA CULTURA NA SEDES: «ENTRE O DIVERTIDO E O PERPLEXO»

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Também não nos larga, seja qual for a iniciativa -   conversa, apresentação, debate, ... - terá sempre cabimento responder ao lema do «Sentido dos Mestres» do Festival de Teatro de Almada deste ano: «O QUE FAZEMOS NÓS AQUI?»   



terça-feira, 23 de junho de 2026

QUEREMOS O SITE DA CORNUCÓPIA DE VOLTA | e não nos venham com explicações ... | AH ! TALVEZ PENSAR COMO ARQUIVAR A WEB NA ESFERA DA CULTURA NOMEADAMENTE DAS «ARTES DA DGARTES» ...

 


É verdade o site da CORNUCÓPIA era uma das nossas fontes de informação. E uma referência para o que devemos ter sobre a memória dos nossos AGENTES CULTURAIS. A ele recorríamos para tudo: desde logo, para nos deleitarmos com a depuração da «imagem», pela síntese do que nos contava o que só estará ao alcance de alguns. Para vermos os belos CARTAZES da Cristina Reis. Do que nos proporcionaram ao longo dos anos - este verdadeiro TEATRO NACIONAL - partíamos para a historia da nossa VIDA TEATRAL ... E lá nos era dito sem rodriguinhos porque tinham fechado ... Fazendo o que nos era habitual em linha com o que recomendávamos (ver imagem acima) e  impulsionados pelo lema do Festival de Teatro de Almada 2026 lá fomos em busca da «A GAIVOTA». Choque: deparamos com o «NOT FOUND» da imagem inicial.
Não temos dúvidas que haverá múltiplas justificações (nomeadamente ao jeito da Governante da Cultura em part time na sua sanha  Administração Legalista), mas poupem-nos: o que está em causa é a questão da MEMÓRIA DAS ARTES DA DGARTES e como arquivar a sua WEB. E como transformar SITES COMO OS DA CORNUCÓPIA EM PATRIMÓNIO IMATERIAL (eventualmente em tempos de IA até teremos de encontrar outra designação) DE DOMÍNIO PÚBLICO. Não nos resignemos deem-nos de volta o SITE DA CORNUCÓPIA - «um luxo» para todos ... Elitário Para Todos.
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Neste momento não temos tempo (talvez seja mais verdadeiro dizer não nos apetece) relacionar, mais ou menos esmiuçando, (não faltará ocasião), o que aconteceu ao Legado da Cornucópia com o que  recentemente temos escrito  e lido sobre matérias afins, como o seguinte:
 

 
 
 
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Não resistimos, porque isto anda tudo ligado - e já 
que estamos em tempo delas, 
é como as cerejas - reparemos nesta notícia:

 

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 «do fim da Cornucópia»




Excerto «O anunciado encerramento do Teatro da Cornucópia é, do ponto de vista artístico, um acontecimento negativo de proporções gigantescas, sendo as causas de tal facto um escândalo que envergonha o país e quem o governa. O poder, qualquer que ele seja, inscreve sempre, como tem sido dito e repetido, a cultura no final da lista das suas prioridades. (...)».

 

domingo, 21 de junho de 2026

CLARO QUE CORRESPONDEMOS AO PEDIDO DE DIVULGAÇÃO DA MARCHA «LUTA, CAMINHO DA VITÓRIA» | AMANHÃ - 22 JUN 2026 _ 18:30 _ PRAÇA DA FIGUEIRA | LISBOA | porque não festejar o que lhe está subjacente seria «pecado» e porque em especial no «novo rumo para Portugal» queremos que não se esqueçam a cultura e as artes que nos move ...

 


MAIS UM ARTIGO DE LUÍS RAPOSO A NÃO PERDER | «Museus nacionais, conceitos e práticas» | NÃO SÓ PELOS MUSEUS COMO PELO QUE SE PODE APRENDER SOBRE «NACIONAIS» (ACOMPANHADOS POR OUTRAS ESTRUTURAs) QUE CLAMAMOS PARA AS «ARTES DA DGARTES»

 

Excertos:«(...)  O desamor do Estado Novo pelos museus encontra-se expresso no facto de não ter criado nenhum museu nacional de raiz. Recebeu três dos regimes anteriores (Museu Nacional de Arte Antiga, criado em 1884; Museu Nacional de Arte Contemporânea, criado em 1911; e Museu Nacional dos Coches, criado em 1905), classificou como nacionais outros tantos também já preexistentes quando, em 1965, já na aproximação ao marcelismo, procurou densificar o conceito, fazendo-o numa óptica centralista, como era próprio do regime (Museu Nacional de Arqueologia e Etnologia, anterior Museu Etnológico do Dr. Leite de Vasconcelos, criado em 1893; Museu Nacional de Soares dos Reis, criado em 1833; e Museu Nacional de Machado de Castro, criado em 1911). E ficou-se por aqui.
Com a democracia de 1974, tudo mudou. Logo em 1976, depois da tomada de posse do primeiro Presidente eleito (Ramalho Eanes) bem como do primeiro Governo Constitucional (chefiado por Mário Soares), o aniversário do 5 de Outubro foi celebrado com a criação do Museu da República e da Resistência. Um decreto-lei detalhado e tecnicamente exigente situava-o no Forte/Cadeia de Peniche. Mas não saiu do papel e foram precisas mais do que quatro décadas e um Governo “atípico”, dito “da geringonça”, para que realmente nascesse, chamando-se Museu Nacional da Resistência e Liberdade — delonga que por si só evidencia o que tem sido o regime democrático em seus impasses e suas “involuções”.

A singularidade deste museu é tal que nem sequer costuma ser lembrado quando se referem os “museus nacionais” criados pelo regime democrático. São estes os seguintes: a) os dos anos de 1970 e 1980, criados de raiz (Museu Nacional do Traje, 1977; e Museu Nacional do Teatro, 1982, depois Museu Nacional do Teatro e da Dança, desde 2015) ou preexistentes (Museu Nacional do Azulejo, 1980; Museu Nacional de Etnologia, 1990); b) os reclassificados como nacionais em 2015, nos termos da lei-quadro dos museus portugueses, adoptada por unanimidade na Assembleia da República, em 2004 (Museu Nacional da Música; e Museu Nacional Grão Vasco); c) e os que atingiram essa designação de “nacional” em 2017, somente para “dar consistência” à reorganização administrativa da tutela no Ministério da Cultura (Évora, passou a designar-se Museu Nacional Frei Manuel do Cenáculo; e Conímbriga, foi feito Museu Monográfico de Conímbriga – Museu Nacional ou simplesmente Museu Nacional de Conímbriga). Soma-se o que se poderiam designar por “casos exóticos”, que ainda hoje carecem de adequada base legal: o Museu (dito) Nacional Ferroviário, criado em 1991, através de Lei da Assembleia da República, ao arrepio de qualquer enquadramento governativo; e o Museu (dito) Nacional do Desporto, formulado in cursu, aquando da criação do Instituto do Desporto de Portugal, em 2003.
Como se vê, o actual regime democrático criou ou reclassificou como “museus nacionais” mais do que os preexistentes até 1974 (e pelo menos um novo, muito pertinente, está no horizonte: o Museu Nacional de Arqueologia Náutica e Subaquática, reclamado pela Assembleia Regional dos Açores). É certo que o mesmo regime tem crescentemente desprezado estes museus (a última reforma, a promessa de maior autonomia, por exemplo, parece ter sido um logro; e sabemos agora de casos-limite como o do Traje, encaixotado sem se saber ainda para onde vai). Falta-lhes também o “sopro democrático” que sucedeu a nível local. Mas, ainda assim, um tal acréscimo recoloca a questão de saber o que devem ser museus nacionais.
Num extremo, poderia existir apenas um “Museu Nacional” grandioso, holístico algo que em Portugal nunca aconteceu, nem na ditadura, porque dele não precisamos para (re)criar a Nação. Noutro extremo, favorecido nos últimos anos, “museus nacionais” parecem ser todos os que dependem do Governo na área da Cultura uma espécie de “grau zero” das políticas de museus, que nos apouca, sendo em tudo contrário ao que estabelece a lei-quadro no âmbito da organização da Rede Portuguesa de Museus.
No meio, encontra-se a procura de critérios políticos racionais para atribuição da classificação museu nacional: colecções únicas, de especial importância para o património cultural português (azulejos, coches…)? Domínios científicos longamente sedimentados e produtores de colecções de museus (arte, arqueologia, antropologia…)? Áreas artísticas ou da vida social que a contemporaneidade entenda dever privilegiar (música, teatro, traje…)? Com que funções e com que estatuto administrativo? De tutela da cultura, apenas? Públicos, em geral? E porque não também associativos, fundacionais ou privados?
Complexo e controverso, sem dúvida. Mas desistir deste debate e da correspondente decisão política representa um falhanço do acumulado geracional que vem desde 1974 e do próprio regime democrático».
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Quando em cursos de Gestão se estuda «Benchmarking» nomeadamente nos de GESTÃO PÚBLICA  por lá encontraremos «Benchmarking Interno» que ensina a olharmos para os melhores, digamos, que nos estão perto. Ora, na esfera dos museus as «ARTES DA DGARTES» poderão encontrar o que tecnicamente se designa « benchmarks». Alimentando o que defendemos - veja-se o post recente - entre outras categorias adiantamos a criação de mais «TEATROS NACIONAIS». E para espevitar a conversa bastaria esta pergunta: se há mais do que um MUSEU NACIONAL porque diabo não há mais «nacionais» no âmbito do Teatro, da Dança, da Música, do Circo, do ... Sim, sim, claro que temos de considerar «Regionais», por exemplo, multidisciplinares, de iniciativa do Poder Central... Onde estão os que existiram e/ou foram lançados no passado?  Roubemos as palavras de Luís Raposo e apliquemo-las aqui: «(...) desistir deste debate e da correspondente decisão política representa um falhanço do acumulado geracional que vem desde 1974 e do próprio regime democrático».
 
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Ainda não encontrámos a Revista a que se refere a imagem e mencionada no artigo de Luís Raposo,  mas iremos em busca. Desde já, com «inveja boa» queríamos equivalente para as ARTES DA DGARTES». Sobre a revista também no Público este trabalho: