quinta-feira, 5 de março de 2026

NA HORA EM QUE ANTÓNIO LOBO ANTUNES NOS DEIXA | pensamos que haverá quem de imediato se lembre de como «memória de elefante» marcou uma geração | AFINAL ERA SOBRE «A GUERRA»! | DO ULTRAMAR | QUE NOS AJUDE NA REFLEXÃO DAS GUERRAS DE HOJE ...

 

 
 
 
 
 

TIAGO BARTOLOMEU COSTA | «A cultura é sempre a primeira a cair» | OBRIGADO AO AUTOR - HÁ SEMPRE ALGUÉM QUE PÕE O DEDO NA FERIDA ! | OBRIGUE-SE OS «PODERES» A OUVIR ! | PEÇA-SE AO SETOR E ÀS POPULAÇÕES QUE ARRANJEM UM TEMPO PARA DE FORMA ORGANIZADA SE (RE)REIVINDICAR «UM PLANO DE DESENVOLVIMENTO NACIONAL PARA A CULTURA»

 

 
 
 
«A Câmara Municipal de Coimbra mandou parar um concurso para a direção do Convento de São Francisco, para o qual o júri já havia feito a proposta de nomeação. Fê-lo não porque discordasse da escolha, o programador, encenador e autor Mickael de Oliveira, cujo percurso em diferentes instituições asseguraria, finalmente, uma orientação para um equipamento que, desde há muito, gostou sempre mais de se apresentar como a sala com as cadeiras mais caras do país. Fê-lo com o argumento de que “o comboio de tempestades” – adoro a ironia deste aforismo, num país sem investimento na ferrovia – criou outras prioridades, e ter alguém a gerir aquele equipamento era uma excentricidade. Cento e oito mil euros por três anos, ou seja, 36 mil euros ao ano, portanto três mil euros brutos por mês, a recibos, não podem ser cabimentados num orçamento municipal, quando, para mais, existem apoios específicos para a recuperação dos territórios afetados pela intempérie?
Ou é mais do que isso? É sempre, não é?
É preferível continuar sem estratégia, sem orçamento, em bolandas no (in)cumprimento da sua missão, de caso em caos, de caos em caso, como tem sido o seu histórico mais recente? Quantos diretores, consultores, programadores já ali passaram, e caíram sempre? E quem programa, se nunca há um nome? É mais transparente, curial, prioritário ser-se opaco? Ou manda-se fechar, porque com chuva não se vai ao teatro?
Foi assim com a pandemia: os apoios para a cultura demoraram a entrar nas contas da resiliência, e tantos anos depois ainda havia quem esperasse pela concretização das promessas do Garantir Cultura, garantidos que estavam já, e feitos, entregues e embalados, todos os projetos pagos pelo bolso de quem já tinha tão pouco ou quase nada.
Foi assim com o PRR, nem uma linha para a cultura, até que uma organização, feita por dentro e em surdina, num gesto raríssimo de confiança, se impôs, e agora é vê-los a sentarem-se à mesa, como os amigos da galinha que não estiveram lá para semear, colher, amassar, colocar no forno.
Espantará alguém que o precedente de Coimbra legitime outros municípios ao mesmo? Leiria, arrasada, voltará a investir em cultura, nos equipamentos e nos profissionais, quando investimento não é só limpar e abrir as portas ao público, pedindo desculpa pelos baldes de água a conterem as gotas que vão continuar a cair? E a Marinha Grande, ou a sempiterna adiada obra no Teatro António Campos, em Vieira de Leiria? E Alcácer do Sal ou Montemor-o-velho? E em Almada, fecham-se as praias? Paramos todos para se reconstruir porque a cultura distrai do essencial, como se alguma vez reclamasse dançar e rir em vez de reparar e reerguer? Não somos sádicos, mas não somos parvos.
Espanta ainda mais que esta decisão venha de uma ex-ministra da Coesão Territorial, onde couberam todos os projetos para a valorização do território, na sequência dos incêndios de 2017, e todos os outros que justificaram consensos, conferências de imprensa, promessas de que agora é que era, e depois não foi nada. Ou um equipamento a funcionar, finalmente liberto de conselhos de califas no lugar do califa, em segredo e sem escrutínio, como grassam pelo país em tantos equipamentos como este, e neste durante tanto tempo, é que é uma melhor gestão dos dinheiros públicos?
Sobre a cultura pesa sempre o anátema do despesismo. É mais fácil justificá-la assim. Mesmo que a fronteira da legalidade da decisão esteja a ser pisada. Mas valha-lhes o santo graal da inimputabilidade! (...)». Continue.

quarta-feira, 4 de março de 2026

OU SEJA, «UM MOLHO DE BRÓCOLOS» | nos apoios municipais às Associações Culturais de Lisboa

 


Começa assim:«O Alkantara Festival e a Kunsthalle Lissabon estão entre as entidades culturais de Lisboa que esta terça-feira, em comunicado, vieram a público manifestar a sua "profunda preocupação pela ausência de decisão formal e de regularização de parte dos apoios concedidos ao abrigo do Regulamento de Atribuição de Apoios pelo Município de Lisboa (RAAML), referentes ao ano de 2025”. As associações que se dizem lesadas explicam ter enviado a 10 de Fevereiro uma carta ao presidente da Câmara Municipal de Lisboa (CML), Carlos Moedas, e ao vereador com o pelouro da Cultura, Diogo Moura, sem qualquer resposta até ao momento. (...)».

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e encha-se de coragem se tentar perceber  o «tema» 
(como lhe chamam) CULTURA através do SITE OFICIAL 
DA CAMARA DE LISBOA. Onde está a INFORMAÇÃO ONLINE 
 que toda a gente perceba? Se calhar
 querem mesmo que seja assim ...



sábado, 28 de fevereiro de 2026

«Guia para gerir incidentes e promover segurança na Cultura»

 

 

 
antes assim descrito:
 

«A guide to managing incidents and promoting safety in Culture

The cultural sector has been the target of disruptive demonstrations – in some cases even violent, on a psychological and physical level. Within this context, citizens’ artistic and cultural rights have been undermined and the cultural and creative sectors have been subject to threats to their artistic freedom. It is necessary to guarantee the freedom, well-being, and physical and psychological safety of all citizens, including cultural and creative professionals.

Within this backdrop, five associations based in Portugal have released a guide aiming to support cultural professionals and cultural organisations in managing disruptive or violent incidents, both at an individual and an institutional level. (Access Culture, BAD – Portuguese Association of Librarians, Archivists, Information and Documentation Professionals, ICOM Portugal, Performart, REDE – Association for Contemporary Dance).

The guide is available in both English and Portuguese and is split across four main sections:

  • What is happening?
  • What to do (before, during, and after)?
  • What are our rights and duties?
  • What resources are available to us?» - Veja aqui.

 

 

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2026

ADEUS, VÍTOR DIAS

 

 

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Veja aqui

De lá:  «Quem vos escreve é a filha do Vítor. O nosso pai faleceu ontem após um período de doença. O velório acontece hoje a partir das 15h na Igreja Matriz da Amadora e o funeral sai amanhã, sexta-feira, da Igreja às 14h30, com destino ao cemitério da Amadora». 


 

NA ADMINISTRAÇÃO LEGALISTA QUE ESTÁ A SER PRATICADA NÃO SE PODE PERDER DE VISTA O «DIÁRIO DA REPÚBLICA»|vejamos o que hoje nos traz sobre o que já foi designado por «Unidades de Produção do Estado» na esfera da Cultura ... | EM TUDO SE PODE LER A FRAGILIDAE DO SETOR

 

 
 
Ao mesmo tempo que estávamos a fazer a «visita», mais ou  menos diária, ao Diário da República ouvíamos na rádio falar da
«marca reformista» do Governo. Pois bem, e centrados na Cultura ainda não vimos nada. O grande resto é o aumentar da barafunda, de remendos que nem o chegam a ser, de concursos para tudo e mais alguma coisa ao ponto de nos perdermos da identidade de cada um, ... Ao de cima em particular a falta de dados, informação e conhecimento que pelos vistos a Senhora Ministra da Cultura em part-time quer colmatar com fóruns. Mas parece não dar qualquer acolhimento «às narrativas» - o termo é da Senhor Governante - que vêm de outras fontes ... Qualquer dia ainda vamos ver nesses encontros institucionais (quer-nos parecer e já o dissemos no Elitário Para Todos que no Governo não haverá memória do «diálogo» que existiu ao longo dos tempos) votações - tipo Assembleias promovidas pelas Associações dos Estudantes - e que será nisso que vai assentar a intervenção do Governo na Cultura e nas Artes. A PRÁTICA porque para uma INTERVENÇÃO PLANEADA não vemos onde esteja a CAPACIDADE INSTALADA no aparelho estatal da área. Basta olhar para a realidade do GEPAC -   Gabinete de Estratégia, Planeamento e Avaliação Culturais.   
 
Agora, sobre a Resolução acima, algumas notas:
 
- Desde logo, onde está a tónica Reformista? O que há de diferente? E vai haver?, é de perguntar ...
-  Pegando na passagem « Incumbe ao Estado a prestação de serviço público na área da cultura», sendo de assinalar que serviço público  não foi banido, mas talvez em vez «de», «do», e seria aconselhável que se fixasse. E sim, mostrar o que compete às UNIDADES DE PRODUÇÃO DO ESTADO - as contempladas na Resolução - e ao assegurado pelo TERCEIRO SETOR (designação que tem muitos aderentes). Neste quadro, de uma vez por todas o GOVERNO ( certamente através de proposta a levar à Assembleia da República) cunhar a Estratégia Pública para a a intervenção na Cultura e nas Artes assegurada pelo jogo do MERCADO ...
- Aproveitemos, em particular, vai haver mais «NACIONAIS»? É sabido, por aqui, em especial, defendemos que a COMPANHIA DE TEATRO DE ALMADA/TEATRO MUNICIPAL JOAQUIM BENITE  seja «nacional».  
- Naturalmente, por maioria de razão porque a Resolução é sobre VERBAS, convém olhar para elas à luz do célebre «1%   para a Cultura» e explicarem - nos como chegaram àqueles valores ...
- Já agora aproveite-se para aconselhar que se explore, estude,  a  RENDIBILIDADE  DO GRATUITO até porque lemos ontem que o ESTATUTO DO ARTISTA vai ser retomado (antecipamos pelo que vai acontecendo para se meter «umas buchas»)  ... E o MECENATO está «na berra» ... A oferta cultural que temos é em grande medida financiada pelos «baixos salários»  e pelo «gratuito» dos profissionais do setor. Depois, as REFORMAS DE MISÉRIA. Como é que isto se reflete no diploma aqui em causa? A nosso ver, está ausente, uma vez mais, um suporte burocrático. Há que, e bem, respeitar a lei, e prevenir uma inspeção  do Ministério das Finanças.  Mas falta o resto.
- Termina assim, a Resolução:
 

É mesmo o que se chama «gerir por decreto». Na circunstância «resolução». Não se acautelaram os «duodécimos»! Foi distração Senhora Governante»? Não deve imaginar os constrangimentos que podem acarretar ... Eficiência, e Eficácia, para que vos quero!
 
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 Aproveitemos para reviver do passado. Recordar JORGE SILVA MELO
 talvez ajude na Governação - assim 
o saibamos ler