segunda-feira, 9 de fevereiro de 2026

ENTREVISTA DE ACÁCIO DE ALMEIDA AO JORNAL PÚBLICO - um pedaço da nossa vida comum na esfera da cultura e de muito mais ... | RETRATA GRANDEZAS E MISÉRIAS PASSADAS E DOS DIAS DE HOJE | E É LUMINOSO A FALAR-NOS DO SEU OFÍCIO |OBRIGADO AO ENTREVISTADO E AOS JORNALISTAS !

 

 


Iluminou mais de 50 anos de cinema português, de O Cerco, de António da Cunha Telles (1970), a Justa, de Teresa Villaverde (2025). Aos 87 anos, continua à espera do desejo de um cineasta.



 Excertos: «(...) Atravessou gerações, participou de vários protótipos. Esteve na primeira parte da obra de João César Monteiro, que tem desfilado em Lisboa e no Porto numa retrospectiva integral, e em todo o Reis & Cordeiro; teve um toca e foge com Oliveira, e ele explica porquê; filmou com João Botelho, José Álvaro Morais, Pedro Costa, Raquel Freire, Rita Azevedo Gomes, Jorge Silva Melo — na rodagem de Agosto (1988) conheceu a actriz francesa Marie Carré, que se tornou sua mulher, com quem realizou, em 2022, Objectos de Luz, a meio caminho entre o auto-retrato de uma obra e a digressão filosófica — ou Solveig Nordlund. E ainda com Jacques Rozier, Alain Tanner ou Raul Ruiz.
Enquanto espera — e tem sido sempre essa a sua vida, como ele diz, esperar pelo desejo dos outros —, pedimos-lhe que fizesse luz.
Aquela cena que dava um filme, a do projeccionista numa aldeia sem electricidade, estará num filme se Acácio conseguir dinheiro do Instituto do Cinema e Audiovisual (ICA) para o concretizar — neste momento, sente-se "descalço" e "desamparado", o seu impressionante currículo como director de fotografia de pouco lhe vale nas contabilidades definidas pelos regulamentos de apoio à produção. Haverá relógios nesse filme, uma corrida contra o tempo, um filósofo coveiro, uma experiência de quase-morte, e uma digressão pelas escarpas do Douro.
(...) 
Sobre essa viagem de descoberta do país, Margarida Gil [actriz em Veredas] contou que havia um ou dois carros apenas, um com o material, o outro com as pessoas, e que o Portugal que se descobria que era um país muito pobre. Ela lembrou-se do documentário que Buñuel rodou na região de Las Hurdes.
A pessoa que nasceu pobre não sabe o que é ser pobre porque viveu assim toda a vida e não imagina o que é a riqueza. Nem sabe que pode ter outros direitos. Tudo isso lhe está longínquo.

Eu nasci num meio idêntico [São João da Pesqueira], na Beira, onde o pão era cozido num forno comunitário e onde uma pessoa se encarregava disso, aquecia o forno e, em pagamento, dava-se-lhe um pão. A mesma coisa com o moinho: entregava-se quatro alqueires para moer, o moleiro moía e ficava com um alqueire. As coisas funcionavam como troca, até as terras se arrendavam. A mim a pobreza não me admirava. Quem viveu sempre na cidade, é natural que se admirasse.

Quem fazia a revolução desconhecia esse Portugal, que era sobretudo uma ideia de país?
Sim, acho que sim. Embora a descoberta que o João queria fazer não era o da vivência miserabilista ou com carências. Ia à procura da sabedoria que estava subjacente a essa aceitação. (...)»

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Eventualmente porque aprendemos a reparar no trabalho de Acácio de Almeida começámos a ler o trabalho acima, depois devoramos aquela entrevista... Não perca! Acontece num dia - de Eleições -  em que a REJEIÇÃO dominava eleitores/as e até por isso fez-nos bem mergulhar nesta história singular ...
 
 

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