segunda-feira, 30 de março de 2026

«A minha mensagem neste dia é, uma vez mais, uma mensagem que não pode ser só de esperança. Tem de ser de acção. Aos agentes culturais pede-se que não cedam aos ataques que estão sendo feitos à cultura. Partidarizar a cultura é asfixiar a liberdade de acção e de pensamento num sector que se deve exigir que seja livre e com gente competente e sã dirigindo-o. Contra essa doença da partidarite lembremos Léopold Sedar Senhor, segundo o qual o primeiro dever do político é deixar de o ser»

 

 

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Nestes dias que correm em que «a vulgaridade» atravessa muito do discurso oficial - veja o que se ouve por exemplo nos debates autárquicos em Lisboa a propósito das não reconduções no Museu do Aljube e no Teatro do Bairro Alto - é um bálsamo ler António Carlos Cortez a propósito do Dia Mundial da Poesia. Mais, em conversas - e tantas há por aí - dá ideia que muitos e muitas pensam que os «mais desfavorecidos» vivem em torno deste titulo de programa: «eu só como e bebo, por acaso trabalho». A quem se  deve chegar através das «redes sociais» como fazem os Partidos da extrema-direita. Sem se diabolizarem as «redes sociais», olhem que não, olhem que não ... Atentemos nesta outra passagem da mensagem (o destaque e nosso):
 
 «(...) O tempo em que estamos é um tempo armadilhado: as redes sociais são a nova arma da opressão sobre os povos. Sob a capa de uma humanidade em rede, mais livre porque conectada (detestável verbo, este), não me lembro de um modo mais ínvio de arregimentar, de formatar, de decapitar. As redes sociais são inimigas da liberdade, da independência crítica, da cultura livresca, da poesia e das artes. Nenhum filho dos donos dos mamutes digitais tem tablets ou está atolado em telemóveis. Os filhos dos donos do digital lêem Platão e T. S. Eliot, sabem o que foi a comuna de Paris, não ignoram quem foi Rosa Luxemburgo.

Nós , os pobres? Nós, o povo? Afogamo-nos no mar digital. Os olhos secam-nos em face dos ecrãs. A imaginação, ao contrário da promessa do Maio de 68, não chegou, não chegará ao poder. A única rosa que venceu foi a rosa de Hiroxima, “estúpida e inválida”, cantou Ney Matogrosso. Hoje, de novo o nuclear nos ameaça. Ler Violeta Parra e cantar “A Los Dezasasiete” é fazer poesia. Eles não querem isso. Nas sociedades actuais, à luz da nova narrativa, é preciso fazer a guerra para consolidar a paz (supremo paradoxo na Europa e nos EUA). Eles, os mandantes do mundo, prometem aos povos apenas uma coisa: um dia-a-dia “sórdido, canino, policial”, como escreveu, sobre outra época, Alexandre O’Neill. Tudo isto importa neste DIA MUNDIAL DA POESIA. (...)».

Pois é, todos têm, e isso  deve ser respeitado e acompanhado, SONHOS, a ter em conta ao mesmo tempo que se luta pelo dia-a-dia com a qualidade a que se tem direito.  

 

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