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Nestes dias que correm em que «a vulgaridade» atravessa muito do discurso oficial - veja o que se ouve por exemplo nos debates autárquicos em Lisboa a propósito das não reconduções no Museu do Aljube e no Teatro do Bairro Alto - é um bálsamo ler António Carlos Cortez a propósito do Dia Mundial da Poesia. Mais, em conversas - e tantas há por aí - dá ideia que muitos e muitas pensam que os «mais desfavorecidos» vivem em torno deste titulo de programa: «eu só como e bebo, por acaso trabalho». A quem se deve chegar através das «redes sociais» como fazem os Partidos da extrema-direita. Sem se diabolizarem as «redes sociais», olhem que não, olhem que não ... Atentemos nesta outra passagem da mensagem (o destaque e nosso):
«(...) O tempo em que estamos é um tempo armadilhado: as redes sociais são a
nova arma da opressão sobre os povos. Sob a capa de uma humanidade em
rede, mais livre porque conectada (detestável verbo, este), não me
lembro de um modo mais ínvio de arregimentar, de formatar, de decapitar.
As redes sociais são inimigas da liberdade, da independência crítica,
da cultura livresca, da poesia e das artes. Nenhum filho dos donos dos
mamutes digitais tem tablets ou está atolado em telemóveis. Os filhos
dos donos do digital lêem Platão e T. S. Eliot, sabem o que foi a comuna
de Paris, não ignoram quem foi Rosa Luxemburgo.Nós , os pobres? Nós, o povo? Afogamo-nos no mar digital. Os olhos
secam-nos em face dos ecrãs. A imaginação, ao contrário da promessa do
Maio de 68, não chegou, não chegará ao poder. A única rosa que venceu
foi a rosa de Hiroxima, “estúpida e inválida”, cantou Ney Matogrosso.
Hoje, de novo o nuclear nos ameaça. Ler Violeta Parra e cantar “A Los
Dezasasiete” é fazer poesia. Eles não querem isso. Nas sociedades
actuais, à luz da nova narrativa, é preciso fazer a guerra para
consolidar a paz (supremo paradoxo na Europa e nos EUA). Eles, os
mandantes do mundo, prometem aos povos apenas uma coisa: um dia-a-dia
“sórdido, canino, policial”, como escreveu, sobre outra época, Alexandre
O’Neill. Tudo isto importa neste DIA MUNDIAL DA POESIA. (...)».
Pois é, todos têm, e isso deve ser respeitado e acompanhado, SONHOS, a ter em conta ao mesmo tempo que se luta pelo dia-a-dia com a qualidade a que se tem direito.
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