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domingo, 26 de março de 2023

COM O DIA MUNDIAL DE TEATRO À PORTA RECORDEMOS MÁRIO BARRADAS | estamos certos que muitos dos que assistiram a uma das conversas de «uma festa para GIL» ficarão a ganhar com isso | FOI UM SENHOR DA CULTURA QUE POR UM TEMPO COEXISTIU NA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA COM GIL MENDO | COM FACILIDADE SE ADIANTA QUE SE ADMIRAVAM E RESPEITAVAM E FOI PRODUTIVO O TRABALHO CONJUNTO

 

Palavras de José Peixoto sobre Mário Barradas
 
Estávamos longe de pensar que «Uma Festa Para Gil» nos ia levar  a tantas memórias, nomeadamente a lembrar Mário Barradas. Neste caso foi o que se disse - melhor, e também o que sobre ele não se ouviu - na Conversa subordinada ao tema  «QUE POLÍTICAS PARA A DANÇA?». que nos faz uma vez mais trazer Mário Barradas para o Elitário Para Todos. E é confortável fazê-lo a propósito da Celebração Gil Mendo porque não será ousado dizer que se admiravam e respeitavam. E trabalharam em conjunto no primeiro Governo Guterres quando era Secretário de Estado da Cultura Rui Vieira Nery. Mário Barradas teve papel determinante na criação do IPAE e na atividade da sua  Comissão Instaladora cuja ação esteve para lá do   que tanto esteve na «baila» na conversa referida. Em especial,  os mais novos que assistiram ao «evento»  ganharão em que se lhes dê passado, outro, organizado ainda que aos retalhos.  É verdade, o novo Governo a que se chegou em 1995 recebeu a área das ARTES DO ESPECTÁCULO num caos - e o momento  merece documentação tratada. Para os que não se lembram e para os que nunca o souberam: por exemplo, havia o IAC  - Instituto das Artes Cénicas, com sede no Porto, que englobava  também os dois Teatros Nacionais. No dia-a-dia e nas transformações que se foram operando desde o início - não esperando pela institucionalização dos novos organismos,  utilizando o quadro legal existente - lembre-se também o papel de Carlos Avilez nos papeis cumulativos de Diretor do TNDMII e de responsável pelo IAC.
 
Avancemos com a Entrevista a Mário Barradas, por Tomás Cabral, encontrada sem procurar. De lá:

– Quando nos falam do Mário Barradas, referem o seu percurso sinuoso, cheio de voltas e revoltas… Mas surge também a imagem de uma pessoa que sabe o que quer e que sabe como quer fazê-lo. É um homem de ideias fixas?

– Não sou de ideias fixas, sou de ideias firmes. Aquilo que para mim é verdade é que o teatro é um serviço público, e a prova disso mesmo está no que se pratica no estrangeiro. O teatro é considerado um serviço público em todos os países da Europa, excepto em Portugal. “Mas há o Teatro Nacional”, dizem-nos… em Lisboa e no Porto! E o resto? (...)».

Agora, detenhamo-nos em dois testemunhos aquando da morte de Mário Barradas, começando pela imagem inicial com palavras de José Peixoto.

Por fim, o que se ouviu, a 21 de Novembro de 2009, na Casa da Achada- Centro Mário Dionísio, aquando do lançamento do livro «Quatro Ensaios à boca de Cena - para uma política teatral e de programação». A apresentação foi feita por RUI VIEIRA NERY. O ex-Secretário de Estado da Cultura começou  por evocar o Mário Barradas, recordando, nomeadamente, o tempo em que tinham trabalhado juntos aquando do Primeiro Governo de António Guterres. Na integra o texto que veio a ser divulgado em vários sítios e que nós o fomos buscar ao blogue Grupo Versalhes».


«AS ÁRVORES MORREM DE PÉ

 Morreu o meu Amigo Mário Barradas. Segundo me contam, morreu de “morte santa”, como se costuma dizer, daquela morte súbita que desejamos àqueles que amamos e que pedimos para nós próprios. E ainda bem que foi assim, sem aquelas agonias lentas que corroem o corpo e parecem degradar a alma, mas antes como se fosse “de um tiro ou de uma faca de ponta”, como na canção de Lopes-Graça e como esperamos que possam morrer sempre os nossos heróis.

A imagem não é uma mera metáfora, porque o Mário foi realmente na sua vida um verdadeiro herói, daqueles que acreditam numa causa, que lutam por um sonho e que na sua entrega a essa luta se esquecem de si próprios e não perdem muito tempo a pensar no jogo das conveniências pessoais. Neste caso o sonho e a causa eram um ideal de fraternidade e de justiça cujo modelo concreto se pode contestar mas com uma sinceridade e uma dedicação que está acima de qualquer dúvida. E desse ideal constava também um princípio que para ele era evidente – o de que a Cultura e, em particular, o Teatro eram um bem comum, ao mesmo tempo uma fonte de felicidade e uma escola de reflexão cívica, uma presença que deveria ser constante no quotidiano dos cidadãos e que por isso mesmo o Estado democrático tinha o dever moral de garantir de forma estável e sustentada.
Conheci o Mário muito antes de ele me conhecer. Cruzámo-nos primeiro no Conservatório Nacional, onde foi um dos pilares da renovação da Escola de Teatro e onde, chegado de França, onde tinha trabalhado e estudado no Teatro Nacional de Estrasburgo, procurava trazer para Portugal um novo modelo de formação de actores e uma nova estética teatral, lúcida, empenhada, criativa, consciente do património clássico mas atenta à modernidade artística e aos desafios da cidadania. E depois reencontrei-o naquela que foi uma das minhas primeiras grandes experiências de espectador de Teatro, tinha eu dezasseis anos, pouco antes do 25 de Abril, num espectáculo extraordinário que me marcou para sempre: era A Grande Imprecação Diante da Muralha da Cidade, de Tankred Dorst, com encenação deles e com a Fernanda Alves, o Mário Jacques e o Vidente Galfo, numa produção dos Bonecreiros, um dos mais importantes grupos independentes que no início da década de 70 estavam a marcar a renovação radical da vida teatral portuguesa.
O espectáculo passava-se no auditório do Instituto Goethe, de que era então director Kurt Meyer-Clason, que na vaga Primavera marcelista aproveitava o seu estatuto de relativa “extra-territorialidade” para constituir para a minha geração um pólo insubstituível de produção artística de vanguarda e um espaço de liberdade criativa inusitada no meio das brumas da censura e da repressão. Lembro-me de que a fila para a bilheteira dava a volta ao Campo de Santana e que parecia perpassar por entre esta pequena multidão de adolescentes entre o final do Liceu e a Universidade um sentimento único de exaltação perante esta súbita brecha no muro de estupidez do regime. A peça falava da brutalidade da guerra, da violência de um Poder despótico e ilegítimo, da coragem de uma mulher que procurava o marido atrevendo-se a perguntar aos senhores da guerra a razão de ser daquela separação arbitrária. E tudo isto apresentado a uma geração que estava a crescer na ditadura, no hábito dos livros proibidos e dos filmes cortados, no medo da polícia de choque nas escolas e das prisões da PIDE, na sombra do espectro terrível da Guerra Colonial que ia consumindo os nossos irmãos e os nossos amigos mais velhos e aos nossos olhos se ia aproximando cada vez mais a passos largos. “Mas nas minhas costas sinto a cada momento o carro alado do Tempo que me persegue”, como no poema maneirista de Christopher Marvell.
Não sei se esta sensação de medo, de revolta e de esperança se pode comunicar com eficácia a um jovem da mesma idade trinta e tal anos depois, num quadro de liberdades democráticas formais adquiridas, e se este sentimento de estar ali a participar num pequeno ritual de resistência simbólica aparentemente inócuo (bem vistas as coisas, não houve ali cargas policiais, ao contrário do que tinha sucedido pouco antes, por exemplo, no Festival de Jazz de Cascais, nenhum de nós foi incomodado, voltámos todos tranquilamente para o conforto das nossas famílias da pequena-burguesia urbana, porque afinal de contas o Estado Novo tinha perigos mais sérios que o preocupassem) pode ser revisitado por quem não o viveu. Sei que o Mário ficou para sempre associado para mim a esta sensação rara de liberdade, a mesma que tínhamos quando ouvíamos meio às escondidas o Zeca Afonso cantar “que não há só gaivotas em terra quando um homem se põe a sonhar”
Veio o 25 de Abril e o Mário protagonizou uma experiência pioneira: formar em Évora, no velho Teatro Garcia de Resende, a primeira companhia de Teatro profissional descentralizada, à imagem dos Centros Dramáticos Regionais franceses. O projecto era conscientemente ambicioso: criar um espaço de produção teatral regular que apresentasse os clássicos e a dramaturgia contemporânea, as grandes referências do repertório internacional e a criação dramática portuguesa de todas as épocas, as linguagens cénicas tradicionais e as novas experiências performativas, e ao mesmo tempo estabelecer um centro de formação que preparasse todos os agentes necessários ao espectáculo, dos actores aos cenógrafos, dos maquinistas e carpinteiros de cena aos figurinistas e às equipas de produção. E na base desse esforço devia estar o princípio de uma contratualização estável entre o Estado e estas unidades descentralizadas de produção e formação, com vista ao objectivo comum da prestação de um serviço público cultural considerado essencial à qualidade de vida dos cidadãos.
Durante anos, o Mário circulou entre a sua presença fiel neste projecto em Évora, primeiro no Centro Cultural e depois no CENDREV, o Centro Dramático que lhe sucedeu pela fusão com o Teatro da Rainha, a cujos espectáculos eu ocasionalmente assistia quando passava pela cidade. Lembro-me em particular de um extraordinário monólogo, o Eu, Feuerbach, mais uma vez do seu querido Tankred Dorst e agora com uma encenação notável do Fernando Mora Ramos, que ele próprio protagonizava, deixando mais uma vez clara, para quem porventura já não se lembrasse, a sua estatura de grande actor. O Mário ziguezagueava entre esta luta constante e a participação, em funções várias, em sucessivas equipas de reflexão sobre a política teatral que se iam promovendo na estrutura sempre oscilante da Secretaria de Estado da Cultura e nas quais, em diferentes contextos políticos, continuou a lutar coerentemente pelo mesmo princípio de responsabilização estatal pelo serviço público na Cultura e nas Artes. Participou em comissões, assessorou governantes, redigiu manifestos e programas, viveu pequenas vitórias e grandes derrotas mas continuou sempre a acreditar que valia a pena continuar a tentar, sem entusiasmos ingénuos mas também sem derrotismos fáceis. Afinal, passe a referência a uma parábola maoista tipicamente “anos 60” que talvez não lhe agradasse, foi assim que Yunan moveu montanhas…
Poucos meses depois de eu ter chegado à Secretaria de Estado da Cultura, em 1995, morria outro dos meus amigos, José Ribeiro da Fonte, o primeiro presidente que eu tinha convidado para a Comissão Instaladora do projectado Instituto Português das Artes do Espectáculo, que devia assumir a responsabilidade do apoio do Estado ao sector privado na esfera das artes Performativas. E foi o Mário, com quem tinha entretanto estabelecido um contacto pessoal cada vez mais próximo e mais estimulante, que então convidei para lhe suceder. Durante quase dois anos trabalhámos lado a lado que nem loucos, sempre com o apoio da nossa Amiga comum Maria Augusta Fernandes, para concebermos o modelo estrutural do novo Instituto, transferirmos para este um conjunto coerente de competências que a gestão caótica de Pedro Santana Lopes tinha dispersado por uma rede avulsa e descoordenada de organismos diferentes, e ao mesmo tempo para irmos implementando no terreno um novo sistema de apoios ao Teatro, à Dança e à Música, baseado em regras claras de parceria entre o público e o privado, em compromissos programáticos plurianuais, em concursos transparentes avaliados por júris independentes e em articulações com os organismos estatais de produção artística no sector (o São Carlos, o D. Maria, o São João, o CCB). O Mário passou a ser uma presença constante no meu gabinete, um parceiro de trabalho de uma lealdade e de uma competência inexcedíveis, e simultaneamente um Mestre com quem fui aprendendo muito e pouco a pouco um Amigo que fiquei muito feliz por ter conquistado.
O Mário e eu tínhamos divergências políticas claras, mas como ambos as conhecíamos e as respeitávamos raramente falávamos delas, e quando o fazíamos era com algum pudor, com a preocupação, de parte a parte, de não gerarmos qualquer melindre, o que de resto nunca sucedia porque acabávamos sempre por descobrir mais pontos de convergência, talvez até inesperados para cada um de nós, do que de afastamento. Preferíamos, de resto, ir explorando tudo aquilo que íamos descobrindo em comum – convicções, princípios e projectos, mas também preferências, afectos, experiências artísticas e culturais e algum gosto partilhado pela sátira bem-humorada aos pequenos episódios do dia-a-dia.
Juntos fizemos muitos planos de trabalho para a acção do Ministério da Cultura na esfera das Artes do Espectáculo, e quando para ambos se tornou evidente que não íamos ter nem os meios orçamentais suficientes nem a cobertura política para cumprirmos os nossos compromissos eu saí primeiro, em Outubro de 1997, e ele, como logo nessa altura me tinha anunciado que faria também ele, poucos meses depois, apenas a tempo de deixar arrumados alguns dossiers que tinha em mão. E quando deixou o IPAE regressou, como eu próprio tinha feito, naturalmente, ao que antes fazia. Trabalhou ainda algum tempo no seu CENDREV, continuou a fazer formação teatral um pouco por todo o País e em França, onde constantemente o chamavam e lhe pediam que ficasse, e encenou em vários teatros – designadamente uma revisitação de uma obra pela qual tinha uma especial predilecção e que fora precisamente a primeira encenação sua a que eu tinha assistido, trinta e tal anos antes, ainda adolescente, a Comédia Mosqueta, de Angelo Beolco, então ainda com os Bonecreiros e de novo com Fernanda Alves, Mário Jacques e Vicente Galfo – outro espectáculo inesquecível.
O Mário foi sempre igual a si próprio, como uma árvore velha bem enraizada, a cuja sombra sabia bem acolhermo-nos. Tinha a paixão das suas convicções e podia ocasionalmente exaltar-se para as defender, mas em geral preferia um registo calmo, explicado, maiêutico. Tinha a consciência do seu valor mas não sentia a necessidade de ser ele a sublinhá-lo. Acreditava antes na força das suas ideias e nunca se escusava a propô-las e a defendê-las, mesmo em contextos institucionais onde sabia que não teria provavelmente sucesso imediato mas nos quais acreditava que era importante fazer ouvir mais uma vez a voz da razão, como uma espécie de sementeira a longo prazo.
Não sei se morreu pobre, mas sei que não morreu rico, ou pelo menos com a prosperidade material que em qualquer país ocidental um encenador e actor da sua dimensão teria sem qualquer dúvida alcançado ao fim de uma carreira distinta de longas décadas como a sua. Mas quando falávamos em termos gerais do problema de princípio implícito nessa situação, ou seja, da relação de profunda ingratidão que Portugal tem com a geração heróica que nos anos 60 e 70 lançou as bases do Novo Teatro português, lembrava-me por contraste e sem aparente azedume os tempos de combate do CENDREV onde em época de vacas magras se abriam entre todos os membros da companhia latas de sardinhas para improvisar mais uma refeição a meio de um trabalho que não tinha então quase apoios públicos. Depois disso – dizia-me ele – tudo lhe parecia próspero.
E foi justamente assim que o meu Amigo Mário Barradas viveu e morreu. Como uma árvore. Sólido e sereno. De pé.
Rui Vieira Nery
 
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Enfim, MÁRIO BARRADAS foi muito mais do que (e estamos a ser generosos) aquela nota de rodapé que se ouviu na CULTURGEST... Ah, e consta que não tinha nada contra A NOVA DANÇA - atrevemo-nos a dizer antes pelo contrário. Ainda, tudo por boas conversas, mas se assente em factos estes tem de trazer a sua verdade fundamentada...
 

sexta-feira, 6 de outubro de 2023

NAS CONVERSAS COM O PÚBLICO NO TEATRO MUNICIPAL JOAQUIM BENITE A PROPÓSITO DA PEÇA CALVÁRIO DISCUTE-SE TEATRO E OS SEUS FAZEDORES



As Conversas com o Público no TMJB são marcadas por uma rotina desejada - a propósito de uma peça em cena, no mesmo sitio, à mesma hora, em sábados ..., e até já conquistaram, como dizer,  público participante cativo. E tem também outro lado fixo, a duração. Já foi de 1 hora, mas agora consegue chegar a 1h30, sem drama. Diga-se, desde logo, que nós -   temos lá presenças habituais - detestamos este tempo contado em conversas. Enerva-nos. Compreendemos as razões mas há que arranjar uma solução que torne as conversas «sem tempo contado». Retomando o fio à meada, há um lado igual em todas as conversas, mas depois existe a DIFERENÇA em cada uma delas: trazida pelo espetáculo em palco;  necessariamente pelos «animadores de serviço»; pelas intervenções vindas da assistência; ... Já beneficiamos «de verdadeiras lições» de fazer inveja às melhores faculdades, mas também aconteceram situações caóticas, «sem freios», verdadeiras enxurradas,... Talvez das mais criativas: confessemos, gostamos disso ..., deste atuar «sem rede». De facto, conversas de «luva branca», vigiadas, nem sempre atingem o pretendido. Resumindo, recomendamos as CONVERSAS COM O PÚBLICO DO TMJB. Pelo que lá acontece e pelo que se leva para casa para continuar a conversar com quem e onde  calhar. É o que está a acontecer  neste momento com este post depois da primeira conversa do ciclo em curso, na imagem acima  ... Veja o calendário.  E da Folha do Ciclo:

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Não fosse a Conversa do sábado passado e no blogue Em Cada Rosto Igualdade não se teria chegado a este post: PARA UMA MELHOR SAÚDE MENTAL | não esquecer a força da cultura e da arte ... Mais, a peça onde tudo começa - CALVÁRIO - já nos levou a outras paragens:  naturalmente pelo que nos tocou;  o que já se escreveu sobre o espetáculo; o conversado e o previsto ...  (Ah, dizem que é uma comédia, mas deixemo-nos de etiquetas,  podendo sê - lo,  se os especialistas o dizem,  a nosso ver é mais do que isso, e não enjeitará outras catalogações, não se tendo nada contra aquela). Sim, já nos levou a outras paragens, a outras atenções. Em particular a ponderar esta transcrição:


Não será preciso ser-se especialista para se chegar à ideia que as atuais conversas são em torno do TEATRO e dos seus profissionais. O destaque que é dado para a próxima: 
 
Por este meandros demos connosco a recordar MÁRIO BARRADAS e o que José Peixoto escreveu sobre ele:



HORÁCIO de Corneille
 Évora - Julho de 1985 - Mário Barradas: actor e encenador
Fotos de Luís Varela

«(...)

 Ensinou-me por exemplo que fazer Teatro era uma profissão muito digna e não uma alegre fantochada, meio caminho entre o comércio  da figura ao serviço dos bens de consumo e o ridículo dos que têm da ser sempre belos e engraçados para sobreviverem no teatro e na vida.
          Ensinou-me que assumir uma atitude ou um discurso diante de um público nos acarreta uma grande responsabilidade social e que só podemos oferecer aos outros aquilo em que nós próprios acreditamos convictamente. E que não podemos ter um discurso para os outros e uma prática privada negando o que afirmamos na cena.
          E falava-me de Dullin e de Jouvet e de Vilar e como Gérard Philipe esperou que Vilar acabasse o ensaio para se oferecer para actor da sua companhia.
          E lia-me os clássicos e demonstrava-me como eles eram ainda actuais e serviam o nosso tempo, como se aprendia com eles tanta coisa sobre a condição humana, sobre  o presente e o futuro da nossa sociedade.
          E foi o primeiro que me disse claramente para que servia o Teatro - que não servia para nada se não servisse para  mudar o mundo e não nos tornasse pessoas mais lúcidas, mais responsáveis, mais dignas e mais nobres nos comportamentos, nos sentimentos e nas opções dos caminhos a percorrer na vida.
          E olhava a realidade nos olhos, sem ilusões e sem fantasias  e sabia as dificuldades que tinha que enfrentar.
          Conheci-o quando me levaram para Moçambique, para uma guerra que não era a minha e encontrei-o a fazer Brecht, esse autor maldito, proibido na metrópole e que ele conseguia fazer na colónia, convencendo a censura que O que diz que sim e o que diz que não era uma peça didáctica ou seja uma peça para crianças. E a censura acreditou.
 (...)»   
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(na Homenagem que o CENDREV fez ao Mário Barradas, no dia Mundial do Teatro de 2010, que vem na linha do que José Peixoto tinha dito aquando do funeral do Barradas e que tinha já sido notado.  É um belo texto e  pensamos que   pode ser um contributo para uma história do Teatro no nosso País). 
 
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ONDE NOS LEVAM AS CONVERSAS NO TMJB! JB de Joaquim Benite. Nunca é demais lembrar. 
 
 
 
 
 

segunda-feira, 6 de maio de 2019

REVIVER O PASSADO | MÁRIO BARRADAS | «A Propósito do Teatro / Que se Faz ou não em Portugal»

Leia na integra e com mais qualidade aqui



O Mário Barradas morreu em 2009 e o texto acima, na Revista Alentejo de que se apresenta a capa, é de 2007. Não perca: essencial para as políticas públicas na esfera do Teatro em Portugal. Mas quem quer saber dos nossos melhores? Vivos ou mortos. 
Lembremos também das palavras de José Peixoto
aquando do funeral de Mário Barradas: 




sábado, 27 de março de 2021

COLUNA AO LADO | RELEMBRAR DESTAQUES (4) | Mário Barradas | BOA OCASIÃO NESTE QUE É DIA MUNDIAL DO TEATRO

 

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O excerto da imagem é tirado do que José Peixoto disse   «na Homenagem que o CENDREV fez ao Mário Barradas, no dia Mundial do Teatro de 2010, que vem na linha do que já tinha dito aquando do funeral do Barradas e que tinha já sido notado».

 

quarta-feira, 21 de fevereiro de 2024

«ÉVORA» | e quem a «inundou de cultura» | REVISITAR TEXTO DE ABÍLIO FERNANDES PRODUZIDO NO ÂMBITO DO SEMINÁRIO «ORGANIZAÇÕES, CULTURA & ARTES»| RIQUEZA A NÃO DESPERDIÇAR

 



«ÉVORA» destaca-se na informação que nos tem chegado nos últimos tempos:  desde logo porque vai ser Capital Europeia da Cultura; depois é o Cendrev é dizer-nos da sua atividade;  a CDU que tem uma jovem como cabeça de lista às Eleições em curso; é o Ministro da Cultura que foi a Évora e de lá como se pode ler, por exemplo, no jornal Público, diz-nos que «recusa aumentar polémica sobre quadro de Domingos Sequeira _ Adão e Silva remeteu a possível compra de Descida da Cruz para a comissão de aquisição de obras de arte. No domingo, o ICOM exigira respostas ao Governo sobre a saída da obra» - veja o post anterior. ... E tudo isto nos leva a olhar de forma mais demorada para ÉVORA em contexto cultural, nos dias mais recentes, e assim germina o que registamos neste post ...

De facto, como certamente se passa com outros, todos os dias nos chega informação sobre o que vai acontecendo por esse País fora na esfera da cultura e das artes. Para isso, é só constituirmos a «nossa rede» de alertas. Umas vezes reparamos no que nos chega, outras nem tanto - o tempo não chega para tudo. Mas foi nesta rotina que paramos na noticia acima «CENDREV levou 16.000 pessoas ao Emblemático Teatro Garcia de Resende, em Évora, em 2023» . Rastilho que nos levou a deambular pelo seu site . Com alguma nostalgia (mas cheia de futuro), confessemos, é que no Elitário Para Todos há quem tenha acompanhado a vida daquele Projeto desde o momento em que Mário Barradas logo a seguir ao 25 de Abril rumou a Évora (e no bolso apenas o dinheiro que o Norberto Ávila tinha adiantado - e quem sabe disso?). Certamente que na memória de muitos palavras e ações - autênticos programas -  que se foram desenvolvendo ao longo dos anos e que continuam a estar presentes: Teatro Garcia de Resende; Centro Cultural de Évora;   descentralização teatral; companhia de teatro profissional; Teatro amador; Bonecos de Santo Aleixo; Escola de Formação Teatral;  Unidade para a infância;  revista Adágio; Évora Capital Nacional de Teatro; BIME; Centro Regional das Artes do Espectáculo; Serviço Público de Teatro (ah, quando Mário Barradas falou pela primeira vez do conceito, o espanto) ...  Estudar o Centro Cultural de Évora/Centro Dramático de Évora, é conhecer um bom pedaço, e de qualidade, que nos chegou a partir do 25 de ABRIL. Uma boa iniciativa para, a nosso ver, se comemorar os 50 ANOS DE ABRIL. E a iniciativa devia ser, mais uma vez, na nossa avaliação, INSTITUCIONAL - como serviço público a garantir, além dos «procedimentos concursais». Naturalmente ... Talvez a DGARTES e a COMISSÃO ainda possam enriquecer a sua «parceria» - quem sabe!    


Veja aqui

É de perder a paciência, tem de haver VIDA para além dos CONCURSOS! Neste particular a intervenção estatal não se pode esgotar numa CENTRAL DE APOIOS! Até se podia discutir isto na esfera das COMEMORAÇÕES ... ao mesmo tempo que se fazia um balanço do percurso de abril. E uma vez mais até se pode/deve discutir na Campanha Eleitoral. Não desistimos!

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E foi neste ambiente que nos lembrámos do que Abílio Fernandes  - é a MEMÓRIA, como riqueza, que tanto prezamos e que tanta falta faz  - a que nos referimos em post anterior:ABÍLIO FERNANDES | QUE BELAS E MERECIDAS PALAVRAS A PROPÓSITO DO SEU DOUTORAMENTO HONORIS CAUSA PELA UNIVERSIDADE DE ÉVORA| «Inundou» a cidade de cultura | E LEMBRAMOS A SUA PARTICIPAÇÃO NO SEMINÁRIO «ORGANIZAÇÕES, CULTURA & ARTES». E aqui chegados, mais palavras para quê? Nada se pode sobrepor à reprodução do texto, e por isso o fazemos a seguir:



 

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2017

ELUCIDÁRIO DE EMERGÊNCIA |«Porque as respostas aos inquéritos se encontram pejadas de reflexões, sugestões e indicativos que, na maior parte dos casos, transcedem a simples classificação em maioritárias ou minoritárias e têm toda a vantagem em ser consideradas no estabelecimento, passo a passo, das soluções e decisões de que os vários quadrantes da atividade teatral no nosso país necessitam» | DITO POR MÁRIO BARRADAS NO SEGUNDO ENCONTRO DO TEATRO EM COMBRA EM 1996


Mais um excerto da intervenção de Mário Barradas 
no 2.º Encontro do Teatro que teve lugar em Coimbra em 1996, 


A propósito,   Centro de Documentação onde é que isso já vai! Por essas e por outras é que tem de haver uma AUDITORIA à DGARTES para que seja reinventada em paralelo com a mudança do sistema de apoios. Será assim tão dificil  perceber isso? Mas lembre-se que decorre do Programa do Governo ...Em particular, impressiona como na esfera institucional se sentem confortáveis com a situação orgânica existente... Para a transformação necessária é do pior que pode acontecer.



terça-feira, 27 de janeiro de 2015

O MÁRIO JACQUES MORREU




O Mário Jacques morreu . O funeral é hoje,  terça-feira, pelas 16:00H no Alto de S.João, sai do Palácio das Galveias pelas 15:30H. Para muitas pessoas o nome de Mário Jacques ficará para sempre ligado aos Bonecreiros, e à Grande Imprecação Diante das Muralhas da Cidade de 1974 (antes de Abril). Depois houve a do Teatro dos Aloés em 2004. Em jeito de homenagem, recordemos uma e outra, através daqui.



E já temos saudades, do grande ator - «um talento de actor inestimável», como dizia Mário Barradas -  e do amigo.

domingo, 7 de junho de 2020

EXCERTOS | A perceção de que há uma grande ascendência do primeiro-ministro sobre a ministra retira-lhe peso político num Governo já de si muito centrado no líder | OU POR QUE SE ANDA PELO TERRITÓRIO CABENDO ESTE FIM DE SEMANA AO ALENTEJO



A Senhora Ministra da Cultura tinha informado que ia andar pelo TERRITÓRIO  a acompanhar o DESCONFINAMENTO, e está a cumprir, como dizer, o seu «DESIGNIO»:  correr atrás do prejuizo, e com uma olimpica naturalidade (deviamos dizer superioridade?) ter resposta para tudo, mesmo que seja ao lado. É claro que se percebe - não é preciso ser analista politico - que está uma campanha em marcha, de sua iniciativa ou porque lhe foi imposta,  de maneira a apagar a imagem do Governo, e em especial da Ministra da Cultura/«Ministério da Cultura»,   dos últimos dias no que às artes diz respeito. Ele foi a comunicação social, as manifestações na rua, os debates na Assembleia da República, ... Face a isso, é preciso fazer render o que dizem que fizeram:  o grupo de trabalho em torno dos trabalhadores intermitentes (que não sabemos se já foi criado ou vai ser criado, embora já tenha reunido ),  os milhões anunciados,  os concursos abertos,... E partir para outra: acabar com as manifestções, trabalhar para uma boa imprensa, pôr figuras queridas do público «do lado do Governo», no minimo para dizerem que está a começar-se a ir no «bom caminho» ... Certamente, há que valorizar «as pequenas coisas» positivas que vão acontecendo, mas não nos iludamos, precisamos de actuar no TODO para que a parte produza os seus efeitos. Precisamos de um PLANO DE DESENVOLVIMENTO PARA A CULTURA de natureza  ESTRATÉGICA, articulado em PROGRAMAS PLURIANUAIS PARA AS VÁRIAS ÁREAS, interdependentes, que nos permitam nomeadamente, (o que tanto é verbalizado pela Senhora Ministra), «MAPEAMENTOS» e «POSICIONAMENTOS». Mas de forma permanente, continuada e sistemática - como diria o saudoso Mário Barradas (e com isto uma homenagem neste momento em que a Ministra também visitou no seu deambular pelo Alentejo o Garcia de Resende, para onde o Mário rumou a seguir ao 25 de Abril em busca da Descentralização Teatral). Voltando ao fio da meada, então vamos ter mais um estudo fundado em inquérito pontual. Não chega. É ver o que aconteceu, por exemplo, com o «Posicionamento das Entidades Artísticas no âmbito da Revisão do Modelo de Apoio às Artes». Recomenda-se que se vá ver o que a generalidade dos autores dos estudos realizados - sim, isso é já um padrão, não há governante da cultura que se preze que não encomende o seu estudo - dizem sobre o seu póprio trabalho: em sintese, não existem os dados e a informação necessários. Nomeadamente para os OBSERVATÓRIOS. E isso é trabalho dos Serviços.E onde estão eles? Os Governos PSD/CDS extinguiram, fundiram, reduziram, ...o PS prometeu que ia reverter a situação, mas até hoje nada ... O argumento da Senhora Ministra de que não pode fazer «em dois meses» o que não se fez em 20 anos não colhe ... Está a criticar quem? Quer ignorar o tempo dos Governos PS e mesmo o seu tempo no Governo? Afirmações como aquelas podem mesmo ser vistas como uma afronta à inteligência das pessoas. Ou a prova de que o desnorte continua. Já vale tudo.
Ainda a propósito do inquérito/estudo que a Senhora Ministra vai encomendar, ou já encomendou, para Mapeamento e Posicionamento, e aproveitando o ambiente COVID, pensando bem, são como os TESTES à doença: dão um retrato de momento. E como na doença das pessoas,  na das organizações também não chega. E ainda que mal se pergunte: o que existe nos SERVIÇOS sobre todas estas problemáticas? Poderiam fazer o obséquio de o listarem e  disponibilizarem? Se calhar isso nem ocorreu à Senhora Governante - segue a «moda» dos dias,  partamos do zero, antes de nós nada -  e, vai daí, o mais fácil, e dificil de desmontar,  atue-se como se estivessemos num projeto académico. Quem não quer que se façam estudos? Só os barbaros ... 
Se a Governante da Cultura ao andar pelo território queria criar uma nova atmosfera para a sua ação, e mostrar que quer ver o que se passa à volta - como se isso fosse o metodo de excelência quando em causa prevalece a técnica -   parece que no Alentejo não o conseguiu - veja as imagens iniciais  - mas poderemos concluir que a dinâmica em que a senhora Ministra está empenhada vai na linha do «EXCERTO» que se segue, e bem vistas as coisas  organizou o post.Precisando, adere ao perfil que de lá emerge:



«A notícia caiu como uma bomba no Palácio da Ajuda, morada do Ministério da Cultura. Sexta-feira, 22 de maio. Em Coimbra, António Costa acabava de anunciar um programa de 30 milhões de euros para as autarquias no apoio à Cultura. No retrato de família estavam lá todos: primeiro-ministro, ministro do Planeamento, ministra da Coesão, ministra da Modernização, secretários de Estado, dirigentes autárquicos... Todos menos, precisamente, Graça Fonseca, a braços com a contestação crescente do sector e afastada do único anúncio que lhe daria algum capital político para aguentar futuros embates. A ministra da Cultura tinha sido ultrapassada: não só porque sempre dissera junto do sector que não havia mais dinheiro para enfrentar os efeitos da pandemia como não sabia sequer que o anúncio ia ser feito ali e naqueles termos. Dizer que Graça Fonseca reagiu mal é eufemismo; que o eco desse desagrado tenha chegado a António Costa é um exagero. Só as paredes do Ministério da Cultura foram testemunhas da irritação de Graça Fonseca. Figura política da criação de Costa, não se lhe conhecem momentos de confronto com o primeiro-ministro.
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 A perceção de que há uma grande ascendência do primeiro-ministro sobre a ministra retira-lhe peso político num Governo já de si muito centrado no líder. O facto de não esconder junto dos seus pares e subordinados que tem o respaldo de António Costa dá-lhe laivos de “arrogância”. “Tem muita dificuldade em reconhecer os erros, é altiva, muito dura com toda a gente”, comenta com o Expresso uma fonte do Governo. A tendência para alienar e, pior, cometer erros por ter “demasia­das certezas” é comentada nos corredores do poder. “Digamos que se tiver de cair, ninguém, no Conselho de Ministros, vai fazer grande esforço para a segurar”, sugere a mesma fonte.

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Expresso 30Maio2020 


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E pronto Senhora Ministra da Cultura, faz sempre bem andar por aí,  mas convém  não confundir «OLHAR» com «VER».


domingo, 6 de abril de 2025

RUI CARDOSO MARTINS | «Ler Muito. Ver Espectáculos. Viver Mais» | PUBLICAÇÃO DA CTA SOBRE A FORMAÇÃO «O SENTIDO DOS MESTRES» DO FESTIVAL DE TEATRO DE ALMADA 2024

 

«É a voz de Rui Cardoso Martins que aqui pode ser escutada. Lida agora. Mas escutada ainda. Ler muito, ver espectáculos, viver mais reproduz uma formação feita por alguém que escreve, numa partilha com aqueles que, pretendentes ou amantes da palavra, a desejam e a apreciam, interessam-se pelos seus mistérios. Foi esta voz, aqui transcrita, que se dirigiu aos participantes da formação O sentido dos Mestres, iniciativa do Festival de Almada 2024. E é com esta voz, ponderada e intensa, que ele nos diz agora a todos coisas graves, necessárias, improváveis, e pequenas também».
Edmundo Cordeiro
 
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No «dia mundial do teatro» 2025 estivemos lá, no Teatro Municipal Joaquim Benite, no lançamento do livro da imagem. Aquele «curso» desde início que nos tinha provocado uma curiosidade além do habitual:
 
 

 
O titulo era estranho. Faltava harmonia. Estabilizámos nesta interpretação: «ler muito», «ver espectáculos» -  para «viver mais», como resultante. E fomos espiando as Folhas Informativas que são publicadas ao longo do Festival que nos iam dizendo sobre a formação a decorrer. A n.º 8 deitou por terra a nossa lógica, «viver mais» era parcela equivalente às outras  no sentido de se mergulhar no quotidiano porque  é um alfobre de ideias. 
 
 
A apresentação no dia 27, embora pontuada de «coisas da vida», que sabemos animam uma palestra, mesmo que ditas por quem diz não ter jeito para isso, foi muito «régua e esquadro», e o que saltava do que se ia ouvindo é que estávamos perante um «MANUAL» para profissionais ou a isso aspirantes que estudado podia levar  a ESCRITOR/A. Naturalmente, sentimos a ausência de palavras como TALENTO e MAGIA e outras da família que não se ensinam ... É a  crueza dos factos.  Sem prejuízo das formulas, das «bengalas», para o fazer de cada profissão. E da Inteligência Artificial que absorve os nossos dias.  Mas o que se pode debater num acontecimento de 1 hora?, a correr. Sem tempo para sequer esboçar o que se pode trazer daquele encontro. Precisamos de «vagar» nestas coisas, mais que não seja como antídoto a muito que nos rodeia. Confirma-se, cada vez mais detestamos conversas de tempo contado. Pois bem, esqueçam tudo isso, vamos ao que interessa: a nosso  ver, corram e adquiram o livro (o preço é acessível), antes que esgote.  Procurando uma síntese: é ELITÁRIO PARA TODOS. Alô, públicos, não percam - espectáculos que viram vão ficar maiores, clareados, sem que se perca mistério.   Desde logo, ressalta,  objeto cuidado - quanto trabalho ali consumido!, que virá de longe de muito longe,... A qualidade, o bom gosto, o amor pelo que se faz,  «não nascem de estaca». Qual manual, qual carapuça!  Está bem, chamem-lhe transcrição, se quiserem, mas ali há «atmosfera» que não é dada por somatório de «salas de aula». Quando muito da família daquelas SEBENTAS MARAVILHOSAS dos tempos antigos que a partir de apontamentos de muitas mãos registavam o que os «mestres» iam transmitindo  de uma forma só deles, não uma vez, mas numa sucessão de vezes... e que os alunos iam absorvendo encantados. Joias.

Quanto ao titulo ainda não estamos em paz. Numa de públicos, simples espetadores, talvez «UMA FAMÍLIA INFINITA» que nos mostra ao longo dos tempos que há um um prazer e um saber que só a cultura e a arte nos podem dar . Na circunstância o Teatro. E dessa família porventura não seja má ideia gizar com o mesmo conceito uma formação  para o CICLO DO FESTIVAL DE ALMADA sobre o que aprender com os criadores no âmbito do Teatro do  RAMO  PORTUGUÊS dessa família.  Ou será que «santos da casa não fazem milagre»?, e desta forma alinhando-se até com o conteúdo adotado para «o viver mais». E pronto, é fatal, nestes momentos vem à memória Luís Miguel Cintra, Mário Barradas,  Joaquim Benite ... E fica bem aqui recordar o que José Peixoto disse no funeral do Barradas, na nossa leitura conjuga com o que se lê no «Manual» de Rui Cardoso Martins: