«Há quem aproveite o mês da liberdade para mostrar ressentimento. Como tem chovido pouco por esta altura nos últimos anos, o provérbio passou a ser "Abril, mágoas mil". O Centro Interpretativo do 25 de Abril está bloqueado porque o governo não cedeu o espaço que estava previsto para a instalação do museu, no Terreiro do Paço. Faz sentido. Não é exactamente um museu, é um centro interpretativo; portanto, não é essencial que abra mesmo, basta que se interprete que existe. É um museu que não se visita, imagina-se.
O governo já sugeriu alternativas à localização, como a lindíssima, central e muito visitada freguesia da Pontinha. Não é que isto signifique necessariamente que o governo da AD esteja contra o centro interpretativo, mas, colocando tantos entraves à sua abertura, correm o risco de serem mal interpretados.
O que não dá para grande espaço para interpretações é a atitude do Presidente da Câmara de Lisboa, Carlos Moedas, face ao 25 de abril. Depois de acabar com o concerto de 24 para 25 de abril, a Câmara de Lisboa quis agora renomear as Festas de Abril para Festas da Primavera. São decisões que agradam ao tipo de pessoa que considera que a liberdade não se deve ao 25 de abril, mas ao primeiro carro, oferecido aos 18 anos pelos pais.
Já só falta transformar o 25 de abril num festival de cerveja artesanal chamado Li-beer-dade. Não seria melhor cancelar as comemorações populares do 25 de abril e fechar antes da Avenida da Liberdade para uma parada de celebração do Dia Mundial do Pinguim, que se celebra no mesmo dia? Estou certo que o Guaraná Antártida patrocinaria essa mudança.
Qual é a ideia? Tornar o 25 de abril num 15 de agosto: uma daquelas datas em que as pessoas agradecem não ter de trabalhar, apesar de não conseguirem precisar o motivo do feriado? Antigamente, uma certa esquerda reclamava para si o 25 de abril. Hoje, há uma certa direita que faz questão de rejeitá-lo abertamente».


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