Veja através do blogue Organizações Verdes:«Promoting eco-friendly artistic creation in Europe»
segunda-feira, 6 de junho de 2022
ANTÓNIO TOMÁS | «In the Skin of the City»
«With In the Skin of the City, António Tomás traces the history and transformation of Luanda, Angola, the nation’s capital as well as one of the oldest settlements founded by the European colonial powers in the Southern Hemisphere. Drawing on ethnographic and archival research alongside his own experiences growing up in Luanda, Tomás shows how the city’s physical and social boundaries—its skin—constitute porous and shifting interfaces between center and margins, settler and Native, enslaver and enslaved, formal and informal, and the powerful and the powerless. He focuses on Luanda’s “asphalt frontier”—the (colonial) line between the planned urban center and the ad hoc shantytowns that surround it—and the ways squatters are central to Luanda’s historical urban process. In their relationship with the state and their struggle to gain rights to the city, squatters embody the process of negotiating Luanda’s divisions and the sociopolitical forces that shape them. By illustrating how Luanda emerges out of the continual redefinition of its skin, Tomás offers new ways to understand the logic of urbanization in cities across the global South». +.
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A propósito:
Webinário da revista Lusotopie
António Tomás- Na Pele da Cidade. Transformação Espacial em Luanda
10 de junho de 2022
No dia 10 de junho, pelas 16h00 Paris/Joanesburgo, 15h00 Lisboa/Luanda/Londres, o antropólogo e urbanista António Tomás apresenta o seu livro In the Skin of the City. Spatial Transformation in Luanda (Duke University Press, 2022). Na encruzilhada da história, etnografia e urbanismo, A. Tomás desenvolve uma análise das fronteiras, margens e periferias da capital angolana, que é também uma das mais antigas colónias europeias em solo africano. O webinário decorrerá em português (com possibilidade de colocar questões em francês e inglês), na presença de Claudio Fortuna (antropólogo, Universidade Católica de Angola), Chloé Buire (geógrafa, CNRS-LAM Bordeaux). Será moderado por Dorothée Boulanger (História e Línguas Modernas, Universidade de Oxford).
Inscrição obrigatória: lusotopie@gmail.com (o link do zoom será comunicado aos inscritos)
NO SEMANÁRIO EXPRESSO | «48 artistas recriam mítico painel em nome da liberdade»
sexta-feira, 3 de junho de 2022
PALAVRAS DO SENHOR MINISTRO DA CULTURA | sobre o cheque de 100 euros proposto pela APEL
Excerto:«(...) Questionado pelos jornalistas sobre esta proposta, o ministro da Cultura considerou-a “exequível”, contudo, Pedro Adão e Silva acrescentou que se trata de “uma proposta pesada quer em termos orçamentais, quer financeiros”.
Ainda assim, o novo titular da pasta acha “que é um tema que merece reflexão”, sobretudo por “estimular a procura”. No entender de Pedro Adão e Silva, Portugal tem “uma política de cultura que tem grande componente de financiamento da oferta, e pode ser interessante para a criação de mercados, criar estímulos para a procura” (...)».
Com o devido respeito, Senhor Ministro, pense nisto: quando estamos em território de SERVIÇO PÚBLICO talvez tenha de ser precisamente a OFERTA a definir, a gerar, a PROCURA ...
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Vem a propósito, porque do mesmo «universo», esta proposta do PCP em sede de ORÇAMENTO DO ESTADO 2022 :
Uma das propostas que o PCP apresentou no âmbito da Cultura conforme informação que nos chegou do seu Grupo Parlamentar. E como o saber não ocupa lugar, aqui ficam:
Mas já se sabe, Senhor Ministro, mais do que ver os problemas da Cultura de maneira isolada o que é imprescindível é termos um PLANO DE DESENVOLVIMENTO PARA A CULTURA. E nem é "um tema que merece reflexão". Está mais do que refletido! Vem nos livros, e é praticado por esse mundo fora, e necessariamente pelos melhores ... Ah, e está na nossa legislação! E já aconteceu no passado.
quinta-feira, 2 de junho de 2022
CRÍTICOS DE TEATRO | TAMBÉM TEMOS SAUDADES | «(...)desse tempo, do Carlos Porto – que tantas vezes veio -, da Helena Dá Mesquita, da Helena Serôdio, da Manuela de Azevedo, do Manuel João Gomes – que tantas vezes nos seguiu entre Évora, Coimbra e Caldas – do Fernando Midões – apesar dos disparates – do Tito Lívio, na Capital, sempre tão elogioso, até do Listopad, que ficou de olhos esbugalhados – e com invídia – no AQ do Christoph Hein, esse dramaturgo crítico do regime da RDA que da RDA veio ver o espectáculo, ele que era Checo, o Listopad, claro. (...)»
No tempo da crítica de teatro havia sempre um outro tipo de comentário ao que fazíamos, não em qualidade, pois cada um dirá algo sempre singular, mesmo que ao lado, significativo e útil, mas pelo facto de ser um comentário criticamente estruturado segundo um modelo determinado, aberto a fazer entrar outros no que o crítico vira e podia desvelar, esclarecer, ler eventualmente com outras armas.
Saudades desse tempo, do Carlos Porto – que tantas vezes veio -, da Helena Dá Mesquita, da Helena Serôdio, da Manuela de Azevedo, do Manuel João Gomes – que tantas vezes nos seguiu entre Évora, Coimbra e Caldas – do Fernando Midões – apesar dos disparates – do Tito Lívio, na Capital, sempre tão elogioso, até do Listopad, que ficou de olhos esbugalhados – e com invídia – no AQ do Christoph Hein, esse dramaturgo crítico do regime da RDA que da RDA veio ver o espectáculo, ele que era Checo, o Listopad, claro.
Hoje em dia apenas existem a publicidade e o centralismo – a globalização localiza no centro o espectáculo, os cumes do espectáculo – a primeira faz do jornalismo cultural, de cada artigo, uma peça promocional do que “está a dar”, o segundo estrutura essa promoção publicitária, esse sistema de apologia para-empresarial, no centro, isto é, no centro do centro da Capital. É estruturante e mantém alta a chama do “Lisboa é a capital e o resto é paisagem”. Com tanto paleio sobre regionalização, descentralização e outros descentramentos que sempre centralizam, o facto é que todos os que decidem, cada um na potência do seu poleiro, mormente os provincianos militantes provincialmente, fazem tudo o que entendem relevante em Lisboa e vêm à província em raid, o que os locais bajulam e agradecem fazendo fundos de cena. Ninguém deslocaliza as suas estruturas para outro centro em construção, pelo contrário, quanto mais regionalização mais centramentos.
É também por estas razões que as opiniões que se seguem são uma arma contra o silêncio estruturante dos média, sejam de latrina, sejam de referência.
No meio disto, a aliança contra o centralismo, continua.
Teatro, autêntico, sempre, sempre, ao lado do povo».
fernando mora ramos
Alceste denuncia, de modo agastado, a hipocrisia que grassa entre as classes com poder e dinheiro, a falsidade que campeia nas relações sociais, a frivolidade, a cupidez e a imoralidade que alastra nas ligações amorosas, destruindo as noções ancestrais do romantismo e do respeito conjugal. John, ataca-o, acusando-o de afectado, de ser um moralista, um elitista autoproclamado, ao que Alceste contrapõe, afirmando-se contra uma sociedade que vive de salamaleques e rapapés, de cortesias e parlapiés, falsidades e vazio.
São as vidas de mentira, de aparências, de jogos de espelhos, de má-língua e intriga, que exaspera Alceste, e que Crimp vai buscar a Molière, que leva o autor de O Resto Já Devem Conhecer do Cinema, a duramente criticar as classes possidónias e o que as derivas neoliberais vêm construindo, a nível da degenerescência dos comportamentos sociais e do seu lado opaco e falso, nas sociedades contemporâneas. Vive-se, em alguns círculos, o efémero, a dissimulação, o lado plástico e falso da vida onde, já não o céu, mas o dinheiro e o domínio que a partir dele se obtém, são o limite, mesmo pisando quem se atreve a estorvar o caminho até ao topo. É dessa imoral frivolidade, dessa ausência de escrúpulos, de valores humanos e morais, que a peça de Crimp, com o apoio de mestre Molière, nos fala, utilizando o tom sério e acutilante que a comédia permite.
Quando em 1973, Luís Miguel Cintra encenou na Cornucópia a peça de Molière era outro o país, e foi outra a preocupação de Cintra na abordagem cénica de O Misantropo, virada então, dentro dos limites concedidos pela Censura, para a denúncia do cinismo beato e das injustiças praticadas pelo Estado Novo. Sobre este seu espectáculo, dirá Cintra ser uma responsabilidade e uma espécie de vida, aquela que se tentava, ao tempo, criar num palco.
O teatro, sobretudo as peças que Nuno Carinhas continua a encenar para nosso desassossego e gáudio, trazem-nos sempre cadinhos de vida, de verdades, de sinais e de responsabilidades cívicas, morais e éticas que se colam à vertigem dos nossos conturbados dias e nos alertam para a espécie de vida que estamos a viver – a sua dura factualidade.
Como é que uma peça com mais de 300 anos, embora magnificamente reconstruída nos seus propósitos originais, continua a ter plasmados no seu inventário crítico, os mesmos vícios, os mesmos atropelos, a mesma cupidez, os mesmos pesadelos que Molière já denunciava no século das luzes?
Por isso, porque as pessoas e as suas circunstâncias não mudaram na essência, é que Alceste ao acordar verifica que está só, que o mundo que o rodeia, mesmo aqueles que lhe eram mais próximos como John e Marcia, continua a viver uma farsa, um baile de máscaras, um embuste embrulhado em luxo. De que lhe servirá o seu afrontamento, a sua verdade se esse mundo, ao qual pertence, ensurdeceu e cegou? (...)».













