Como se vê acima o artigo é «exclusivo» mas, a nosso ver, devia ser de ampla divulgação como, aliás, acontece com a generalidade dos trabalhos de Luís Raposo. Em particular, os dias que correm na esfera dos Museus inseridos na globalidade das nossas vidas - passadas, presentes, futuras.
Excerto:
«(...) É certo que os museus aprenderam há bastante tempo as artes de navegar nos limites do politicamente suportável, evitando muitos deles “fazer demasiadas ondas”. Nos últimos anos, por exemplo, souberam tratar “temas difíceis” das agendas do "estar acordado" (“comunidades” imaginadas, “racializados”, direitos das minorias, etc…), elegantes para algumas elites, essencialmente as “mais dos mesmos”, mas evitaram dar voz às iniquidades que sofrem as maiorias, a suor e povo, à opressão social, a más condições de vida — e calaram a sub-representação de tudo isto em suas programações e em seus públicos. Abandonaram os "famélicos da Terra", onde se inclui hoje uma classe média baixa descrente do futuro, individualista e desconfiada do “outro”, composta por trabalhadores dos serviços acotovelados em bairros das periferias urbanas, fartos da má qualidade de vida e zangados com todos os poderes — por isso podemos dizer que continuamos sem “cumprir Abril” nos nossos museus. Afirmando-se comprometidos, como convém, mantiveram-se "neutros" em relação ao que realmente causa "desconforto" ao poder, formal e fáctico — e assim contribuíram para a captura da revolta social pelas ideologias de extrema-direita, boçais ao ponto de já não admitirem aquelas veredas, tão estimáveis quanto habilidosas.
Agora, chegou verdadeiramente a altura de combater, de arriscar — e veremos quem a tanto se disporá porque, como diz Julia Pagel, secretária-geral da NEMO, “as pessoas têm medo de perder o emprego, têm medo de prejudicar a sua instituição quando se manifestam”.
Como já estamos longe do tempo, porém ainda não muito distante, em que os profissionais sentiam ter liberdade para, por exemplo, nas assembleias gerais do ICOM, israelitas e iranianos dizerem publicamente que estavam de acordo na defesa dos valores por que nos batemos nos museus. Ou para, há menos de uma década, na celebração do 150.° aniversário do Museu do Hermitage, as comissões nacionais do ICOM da Rússia, dos Estados Unidos e da Alemanha se reunirem em São Petersburgo para discutir “Museus e Políticas”, ocasião em que pudemos apresentar a nossa “Declaração de Lisboa”, um apelo em defesa dos museus, especialmente em tempos de crise, na certeza de que eles “fortalecem as identidades culturais, apoiam a coesão social e desenvolvem a mediação intercultural”. (...)».
Agora, chegou verdadeiramente a altura de combater, de arriscar — e veremos quem a tanto se disporá porque, como diz Julia Pagel, secretária-geral da NEMO, “as pessoas têm medo de perder o emprego, têm medo de prejudicar a sua instituição quando se manifestam”.
Como já estamos longe do tempo, porém ainda não muito distante, em que os profissionais sentiam ter liberdade para, por exemplo, nas assembleias gerais do ICOM, israelitas e iranianos dizerem publicamente que estavam de acordo na defesa dos valores por que nos batemos nos museus. Ou para, há menos de uma década, na celebração do 150.° aniversário do Museu do Hermitage, as comissões nacionais do ICOM da Rússia, dos Estados Unidos e da Alemanha se reunirem em São Petersburgo para discutir “Museus e Políticas”, ocasião em que pudemos apresentar a nossa “Declaração de Lisboa”, um apelo em defesa dos museus, especialmente em tempos de crise, na certeza de que eles “fortalecem as identidades culturais, apoiam a coesão social e desenvolvem a mediação intercultural”. (...)».

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