quarta-feira, 8 de janeiro de 2025

O QUE LEVA UM ACONTECIMENTO NA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA A SER «CASO»? | EM PARTICULAR NA CULTURA| ocorreu-nos a pergunta depois de lermos de Carlos Costa «Será que o Teatro Nacional São João está tipo a escorregar?» | UM ARTIGO QUE NOS DEVIA LEVAR A REFLEXÃO SEM TEMPO CONTADO

 

 
Por aqui tinha-se vagamente registado o «concurso» embora na altura se tivesse reparado na composição do júri e pensado que faltava ali competência mais relacionada com a função em causa - Diretor Artístico. Eventualmente, ter-se-à pensado que é o que temos e nem vale a pena «perder tempo» com o, de certa forma, «circuito fechado» e  vida de «tribo» - mas centrados nos públicos com bons resultados segundo a nossa avaliação e a que nos chega - que fará parte da identidade do TNSJ. Até seremos afeiçoados a essa cultura organizacional..., mas há limites, claro, e eventualmente  daí  emergiu a palavra «escorregar».  Não fosse o artigo de Carlos Costa e as noticias de fim de ano como a seguinte, não teríamos voltado à coisa: 
 


 

Desde logo, a culpa é nossa, para nós Tiago Guedes era/é pessoa do cinema,  cuja obra, aliás, seguimos com grande interesse e proveito. E não estamos sozinhos, como também não o estamos quanto ao «silêncio» em que de certa forma decorreu, como agora se diz, o «procedimento concursal» - expressão horrorosa como se não fosse  suficiente CONCURSO que aliás foi adotado no aqui em causa . Agora, tudo conjugado move-nos a curiosidade e vamos em busca de mais, contrariando a preguiça que pensávamos cultivar em 2025 para apenas nos ocuparmos com poucas coisas «estruturantes». Mas, olhando bem, este «caso» tem a ver com isso com o que podemos apelidar de  principal. Sim, cai na ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA DA CULTURA e na forma como as UNIDADES DE PRODUÇÃO DO ESTADO se devem organizar. Na circunstância na esfera do TEATRO. Já agora, lembremos que  se defende com urgência  revolucionar o que temos, e fazer crescer um SERVIÇO PÚBLICO DE TEATRO onde se assegure a existência de mais TEATROS NACIONAIS além do TNSJ e o TNDMII.  Em paralelo com outras ENTIDADES que o ESTADO assegure também e não se limite a apoiar - por exemplo CENTROS DRAMÁTICOS (com esta ou outra designação - tipo Centros Regionais de Artes do Espetáculo lançados no I Governo Guterres -  e outras «modalidades»   como parte de uma rede que cubra o País. Semelhante à REDE VIÁRIA).  Não, não é o  atual RTCP - bem sabemos aprovada no Parlamento e promulgada (com uma série de observações), mas estamos em tempo de lançar outras políticas alternativas - que venham das alternâncias e dos demais Partidos. Ah, e do «Meio» que tanto tem proposto, embora reconheçamos um pouco cansados, e a lutar pela sobrevivência ... Enfim, olhar à volta e captar o que tem de ser captado.    A fazer crescer com «critério» mas reconhecendo à partida que a «floresta» dos CONCURSOS DA DGARTES está esgotada. Um aparte, assim sendo, não se está alinhado com o que o «Representante do Central» disse na Apresentação da Programação do Teatro Municipal Joaquim Benite, não se pondo em causa, obviamente, o seu empenho na defesa da cultura. Mas o que defende está esgotado, repita-se. Ilustrando, seria de grande utilidade para o desenvolvimento de um SERVIÇO PÚBLICO DE TEATRO que TMJB/CTA  fosse considerado NACIONAL. Também não estamos sozinhos nessa equação - veja-se a propósito Teatros nacionais: para quando uma nova geração? de Carlos Vargas. E não apenas acenar-se que se defende que os apoios existentes sejam renovados. Já agora, esquecendo-se que ainda não foram resolvidas injustiças que remontam à contestação de 2018, isto é, o financiamento está abaixo do que existia antes da TROIKA. E se bem sabemos o projeto TMJB/CTA estará nesse pacote. Decididamente, somos uns «piquinhas» ...
 
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Neste ambiente atomizado que marca os dias que correm - um dos grandes problemas - o que aqui estamos a falar,  não se resistindo ao particular,  leva-nos a questões que facilmente se detetam e que  contribuem, a nosso ver, também para «o tipo a escorregar» que atravessa  a ADMINISTRAÇÃO CULTURA e além dela: Ilustremos:
 
GESTOR/A - quando é que alguém se pode intitular como gestor/a?Não terão as entidades públicas obrigações maiores e nisso serem rigorosas? Quem sabe distinguir as/os que se dizem gestores/as com base no currículo de quem tem a formação académica própria. E até quiçá distinguir as pessoas inscritas na respetiva Ordem Profissional das outras. E até se pode trazer para aqui as CARREIRAS criadas com base no currículo na Secretaria de Estado da Cultura, em particular para a então  Direção Geral de Acção Cultural, onde o processo era rigoroso, para se mostrar que se valoriza o saber adquirido no terreno. Mas, 50 anos depois de abril ... 
 
 CUSTO DE UM CONCURSO - alguém tem de nos dizer em quanto
 ficam os gastos públicos no concurso agora abortado. Os gestores têm essa obrigação de «prestação de contas». Um concurso é uma coisa cara, tem de ser um processo de grande qualidade. Aprende-se nas escolas.

«ELITISTA PARA TODOS» - gostamos de ver a «nossa máxima» por lá nas referências do concurso  ( o regulamento tem38 páginas, é obra) que lemos como equivalente ao nosso ELITÁRIO PARA TODOS que até chamamos para destaque na coluna à direita.   

 
INGMAR BERGMAN _ A VIDA E OBRA DO GÉNIO - e coisa boa, neste imbróglio TNSJ (no melhor pano cai a nódoa, como diz o povo) veio-nos à memoria o fabuloso documentário sobre Ingmar Bergman, onde se pode ir buscar argumento em defesa do vencedor do concurso desistente, ou seja, é possível «acumular» teatro e cinema, para nosso deleite. Se não viu, não perca logo que tenha essa possibilidade. Há que ir rendibilizando aquilo que nos convoca, sem verdadeiramente procurar. Está bem, fazemos por isso ...

 



terça-feira, 7 de janeiro de 2025

«Charlie Hebdo»

 

 

Veja aqui

 

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«Ataque ao Charlie Hebdo foi há 10 anos. Jornal conta com edição especial

O ataque terrorista, levado a cabo por dois irmãos, matou 12 pessoas, incluindo oito membros da redação do Charlie Hebdo». Leia aqui.

 

segunda-feira, 6 de janeiro de 2025

Ai!, «A REFORMA DA ADMINISTRAÇÃO CENTRAL DO ESTADO» ...

 


Este post é sobre a «Reforma da Administração Central do Estado», e para isso, agindo com método, precisávamos de um olhar de conjunto ainda que «solto» de partida que envolvesse - e não havia maneira de aparecer -, mas eis que surge a coluna de Miguel Sousa Tavares, no semanário Expresso desta semana, a que se refere a imagem inicial, e de onde os excertos abaixo. Era mesmo disso que precisávamos. Dá-nos um quadro em que nos revemos e não estávamos a conseguir dizê-lo, embora nos habite.   A equacioná-lo, para o pensamento.  Quiçá, ação. Positiva, pois claro - depressão, só de passagem. Vamos aos recortes:

«(...)De há muito que fui perdendo o interesse pela política portuguesa — que foi durante décadas, e ainda é, uma parte determinante da minha actividade profissional. Não é um distanciamento diletante e, menos ainda, cívico, mas apenas um reflexo do desinteresse crescente com que sigo o que vai acontecendo: os debates, os congressos, os comícios, as eleições e as campanhas eleitorais, as agendas e programas políticos, os eleitos e os eleitores, os governantes e os governados. O poder e o povo. E depois, por cima de tudo isso, o absoluto alheamento e ignorância que todos — o poder, o povo e a imprensa — votam ao que se passa no mundo. Nós, os descendentes de outros portugueses cuja curiosidade pelo desconhecido, cuja coragem de fazer os mapas por descobrir, os levaram à sete partidas do mundo, estamos hoje remetidos à curiosidade das notícias sempre mais importantes do burgo e às conversas de taberna das redes sociais, por onde desfila toda a mesquinhez e inveja de que a raça humana é capaz. Num dia abrimos os telejornais com a notícia do novo treinador do Sporting, no outro dia chamam-lhe “génio” porque ele mudou o “sistema” e ganhou um jogo ao Benfica, e às jogadoras da Selecção de Futebol feminina chamam-lhes “Navegadoras”, como se alguma vez tivessem empunhado um sextante ou enfrentado uma borrasca atlântica à vela. Diz-me quais são as tuas notícias, dir-te-ei o teu estado de literacia; diz-me quem são os teus heróis, dir-te-ei de que massa é feita a tua gente. E se me disseres que muitos dos teus melhores estão fora ou estão voluntariamente afastados do governo da cidade, por invejas, por intrigas, por maledicência, por guerras de capelinhas, dir-te-ei que futuro te espera.

 Um grande livro tem a extraordinária faculdade de nos mentir, fazendo-nos sonhar e levando-nos para longe de horizontes fechados. Não me admira que os portugueses não leiam: o real, este real a que acedem, serve-lhes perfeitamente como plataforma de intervenção. Uma das mais trágicas consequências desta cultura das redes sociais é a transformação de cada um dos seus viciados num herói aos seus próprios olhos, um sábio e um justiceiro, alguém que não precisa de aprender, nem de ver, nem de ouvir, nem de ser confrontado com outras verdades. Alguém que julga saber tudo e, tudo sabendo, nem sequer precisa de sonhar. Nem o real o desafia, nem o sonho o acorda: apenas a ilusão em que vive o transporta. Um dos mais tristes exercícios a que a política nos obriga a assistir é a via-sacra de humilhação a que os políticos são obrigados a expor-se perante o bom povo, jurando sempre que entendem as razões deste e que prometem fazer diferente dos outros. Porque o povo apenas quer o bem e os políticos querem sempre o mal, tão simples quanto isto. Eu sei que hoje esta é uma regra planetária: o extermínio democrático das elites foi preenchido pela ética fria do algoritmo e as ideologias são conversas de salão. Talvez a única excepção sejam paradoxalmente os Estados Unidos, onde um homem que é a verdadeira essência do mal transformou em ideologia de sucesso um apelo aos instintos mais baixos do bom povo, conseguindo irmanar na mesma cruzada bestial ricos e pobres, pretos e brancos, cultos e ignorantes. (...)»

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De facto, temos de fazer um esforço enorme para que o desinteresse não se instale, na circunstância para não abdicarmos de olhar para a nossa ADMINISTRAÇÃO, em particular para o seu APARELHO ESTATAL, de uma maneira «profissional», ou seja, assente em conhecimento teórico, técnico, e prático, como pensamos ser obrigação. Vamos conseguindo, e assim aproveitemos mais um «caso» - Hélder Rosalino desiste de ser secretário-geral do Governo. Montenegro culpa Centeno _O antigo governante Hélder Rosalino informou o Governo da sua "indisponibilidade" para ser o novo secretário-geral do Executivo após a polémica sobre salário. Governo de Montenegro culpa Centeno -   para voltarmos a assunto fundamental: o desenvolvimento institucional e organizacional do APARELHO ESTATAL: global, integral,  a prazo. E voltamos à nossa: onde estão os ESTUDOS DE PARTIDA? Talvez porque não existam  os Diplomas são o que se vê: em «modo manuais». Esperamos estar enganados, mas «cheira-nos» que assim não vamos lá. Na base devia estar a GESTÃO PÚBLICA mas só nos atiram com normas e mais normas  - voltamos à Gestão Legalista ... Perdoai-lhes, Pai!,  apetece gritar. Como se desbarata o que tanto esforço exigiu. E neste ambiente legalista há interpretações para todos os gostos. Santa paciência!  Mas, quem sabe, para apaziguamento, recorrendo a Shakespear - de memória,  talvez seja em «Júlio César» -  ocorre-nos uma passagem que anda à volta disto: por detrás  dizem - nos que há sábios, e nós, pensando diferente, simples mortais, estaremos errados. Genuinamente, como desejávamos que assim fosse, mas não nos parece que estejamos a fazer diagnósticos incorretos, nomeadamente  porque não estão a ser elaborados com base em «opiniões», embora necessariamente tenham de ser tidas em conta.  Há as que nos permitem enlaces, motivando, como o estamos a tentar mostrar. Avançando,  não esquecer, a lógica destas «reformas» vem de longe, ou seja, PS e PSD  há uns anos a esta parte estarão de acordo, por exemplo, relativamente à existência da SECRETARIA-GERAL DO GOVERNO agora na berlinda, tendo-se ouvido a propósito  do neste momento «caso», pelo principal partido da Oposição, o argumento  de que há um grande número de ministérios no mesmo local que o justifica.  Não deixa de ser risível que  no sec. XXI  nos digam tal coisa. Como é, com o devido respeito, bizarro aquilo de que o Estado vai ter mais gastos pelo facto de ter de pagar agora ao quadro do Banco de Portugal e ao dirigente da Secretaria-Geral  do Governo. Respeitem a nossa inteligência! O que aconteceria a  Estudante que respondesse dessa maneira? E o que nos diz a tudo isto a Ordem dos Economistas?
Para facilitar a reflexão de quem estiver interessado olhemos para os seguintes  «recursos» :

 


De lá, mas que se justifica desde já, destacar:


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Os comentadores e colunistas estarão nas suas «sete quintas» não lhes falta material para o seu labor.Contudo, pode ser que nos tenha passado ao lado mas ainda não vimos trabalho que analise o Decreto 43-B/2024 no seu todo. A quem o pedir? A quem o exigir? Precisamos  mais do que aspetos parcelares e/ou casos. Já agora voltemos aquele maravilhoso ensaio de Maria de Lourdes Pintasilgo. É verdade que a desesperança por vezes atinge níveis elevados e nessas ocasiões pensamos  que serão poucos a dar-lhe valor, a valorizar a ciência e a técnica. Fujamos disso, e não desistamos da qualidade:

 Agora indo ao concreto,  convém  ter-se ideia da realidade da Administração que está em causa à volta do «caso». Assim, olhemos para documento que nos diz donde se parte:

 

Veja aqui

De lá, como em particular nos interessa a CULTURA cujo Ministério já não tinha SECRETARIA-GERAL, atente-se nisto:

 «A Presidência do Conselho de Ministros assegura o apoio aos serviços dependentes do:
• Ministro da Presidência;
• Ministro Adjunto e da Coesão Territorial;
• Ministro dos Assuntos Parlamentares;
• Ministro das Infraestruturas e Habitação;
• Ministra da Juventude e Modernização;
• Ministra da Cultura».

 

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A floresta onde queremos ajudar a penetrar - por agora isolamos a SECRETARIA-GERAL DO GOVERNO mas em breve teremos de a olhar na sua interdependência de outras «Reformas», e desde logo do demais previsto no Decreto-Lei 43B /2024 - exige-nos que encontremos forma simples de avançar aproveitando o caso? Quem sabe as proverbiais PERGUNTAS FAÇAM  SENTIDO. Ensaiemos:

- Afinal, do currículo de quem desistiu, do novo dirigente que aceitou ser Secretário-geral, do que se sabe sobre os Secretários-gerais adjuntos, alguém nos sabe dizer quais são os PERFIS?

- E alguém sabe qual  vai ser a ORGÂNICA da SECRETARIA-GERAL DO GOVERNO? E isto não devia ser prévio à nomeação dos DIRIGENTES? E para este particular parece que se aplica «CONCURSOS PARA QUE VOS QUERO».

- E ao olharmos para «Missão: A Secretaria-Geral tem por missão prestar apoio técnico, administrativo e logístico ao Conselho de Ministros, ao Primeiro-Ministro e aos demais membros do Governo» - mas ainda temos «administrativo»? Basta olhar para o SIADAP para se concluir que a coisa já não colará. Uma pequena «estória», logo a seguir ao 25 de abril, por acaso na esfera da Cultura, se adotou que o «administrativo» também é técnico. Quanto mais, 50 anos depois: em tempos de «reengenharia», «processos»; «atividades»; «sistemas»; «revolução digital» ... Será que vamos voltar«às datilografas», aos «oficiais», aos ...
 
- Mas para termos uma aproximação mais completa ao que virá a fazer a Secretria-Geral do Governo é prudente ir ao pormenor de alguns artigos, nomeadamente:  Artigo 3.º Atribuições; e Artigo 4.º Atribuições específicas de apoio setorial. Daqui por exemplo:  1 — A Secretaria-Geral do Governo, doravante designada por Secretaria-Geral, é um serviço central da administração direta do Estado, dotado de autonomia administrativa. 2 — A Secretaria-Geral depende do Primeiro-Ministro, com faculdade de delegação e subdelegação.— O secretário-geral é nomeado e exonerado livremente pelo Primeiro-Ministro. Bom, estamos perante cargos políticos ou técnicos?, aquele «livremente» é todo ele um programa.
 
- Quando nos falam em «redução de custos». Qual o referencial? Mais, mas desde quando é que se olha o assunto isoladamente? Então o Desempenho não visa um sistema. Uma formulação recomendada: Desempenho=eficiência, eficácia, satisfação dos participantes. Ah, por exemplo, no Ministério da Cultura, que já não tinha Secretaria Geral há gente que tem razão para não estar satisfeita - alguém equacionou essas realidades?, e o fez repercutir na «reforma».
 
.... como ainda a procissão vai no adro, fiquemos agora por aqui, apenas equacionando algo que não nos larga e que sempre foi «um pesadelo» ao longo dos tempos: conflitos positivos - todos a fazer o mesmo; conflitos negativos - ninguém está a fazer. Expliquemo-nos, começando por ver a ADMINISTRAÇÃO através de SISTEMAS adotando modelo praticado que provou:
   
 

 
Ora, do que se tem vindo a falar na praça pública, o que estará em questão com a SECRETARIA-GERAL DO GOVERNO cairá na essência nas atividades-meio que se justificam em função das atividades-fim, e a questão aqui fica olhando para a figura que segue, também sistémica, o que delimita o que cada parte deve fazer? 
 
 
 
Ilustrando, uma vez mais, para a CULTURA: o que compete à agora SECRETARIA-GERAL DO GOVERNO; o que fica nos GABINETES GOVERNAMENTAIS DA CULTURA; o que resta aos organismos por exemplo à DIREÇÃO GERAL DAS ARTES. E não estamos a falar das «redundâncias» naturais ... 
Já agora, voltando a assunções anteriores que se tem vindo a partilhar noutras ocasiões: de há muito que se é «contra» as Secretarias Gerais e mesmo com a organização do APARELHO ESTATAL POR MINISTÉRIOS OU EQUIVALENTES ... Somos muito modernaços! Mas há que progredir nestes domínios acompanhando os demais progressos em especial o tecnológico e, necessariamente, o paradigma DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL. Caso contrário, só nos resta ficarmos indignados e surpreendidos com os avanços tipo Elon Musk nas Administrações. Pois é, isto anda tudo ligado ... TUDO ESTÁ EM TUDO.  
 
 
 

domingo, 5 de janeiro de 2025

ONTEM FOI APRESENTADA A PROGRAMAÇÃO 2025 DO TEATRO MUNICIPAL JOAQUIM BENITE | é sempre um acontecimento que começa na enchente da sala principal e que se nisso estivermos interessados nos pode levar a uma reflexão sobre as políticas públicas na esfera do Teatro sabendo-se que para tal não se conseguirão «multidões» nem nada que se pareça _ ontem respirava-se uma agradável atmosfera onde perpassava harmonia nomeadamente entre instituições ..., talvez com um tom de sobrevivência |PARA JÁ ELEGEMOS AS EXPOSIÇÕES E MARGUERITE DURAS

 

«A companhia Amarelo Silvestre, sediada em Canas de Senhorim, iniciou em 2020 um projecto que manterá por dez anos intitulado DIÁRIO DE UMA REPÚBLICA. O objectivo consiste em estrear, a cada ano ímpar, uma peça de teatro baseada em fotografias de Augusto Brázio e Nelson D’Aires, tomando o pulso ao País. A primeira criação, dedicada à Justiça, estreou em 2021; e a segunda, de 2023, versou sobre o Trabalho. Esta exposição mostra algumas das fotos dessas duas primeiras etapas, e lança o mote para a terceira: no início do ano Augusto Brázio fará uma residência fotográfica em Almada que servirá de base para uma peça dedicada ao tema da Habitação, a apresentar na próxima edição do Festival de Almada». Saiba mais.

 


E

Estamos no ano de 1931. Uma viúva vive com os dois filhos no Sul da Indochina francesa, num bungalow isolado junto ao mar. As condições de vida destes colonos são miseráveis. Tudo o que possuem é um velho Citroën que perde peças pelo caminho. Esta mãe investiu todas as suas economias — ganhas como pianista de cinema durante 15 anos — num terreno que acabou por se revelar incultivável: todos os anos as plantações são alagadas pelas marés altas. Destroçada com a destruição sucessiva das barragens que insiste em construir para proteger os seus terrenos da água do mar, e acossada pela administração francesa corrupta, esta mulher acaba por sucumbir à loucura.
UMA BARRAGEM CONTRA O PACÍFICO constitui a estreia absoluta no nosso País de um romance seminal de Marguerite Duras. Num registo autobiográfico, é-nos revelada a história dos europeus deserdados e desiludidos que, simplesmente, buscaram o seu quinhão na herança dos novos mundos. Concretamente, evoca-se a vida de dois jovens que, face às suas existências de ‘brancos pobres’ sem horizontes, mais não possuem do que uma raiva surda. Um sentimento só reconhecível por aqueles que bateram com a cabeça contra um muro tão inexorável quanto o Pacífico, iludidos por um regime colonial. Saiba mais.
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E que tal, enquanto o espetáculo não chega, (re)visitar DURAS por outras vias? Obviamente, valem por si, e criam ambiente para «a criação» da Companhia de Teatro de Almada. As nossas escolhas:

                  Hiroshima, meu amor - de Alain Resnais 

«O Amante é, em larga medida, um romance autobiográfico.
A narradora vive desde a infância com a mãe e os irmãos na Indochina francesa. Tem quinze anos quando, ao atravessar um afluente do Mékong, conhece um chinês rico e experimentado nas lides do amor, por quem se apaixona. Tudo parece separá-los, a idade, a riqueza e os preconceitos, que se opõem a uma relação amorosa entre um asiático e uma europeia.
A narrativa fala das incertezas de uma adolescente que tem a sua primeira experiência do amor físico, se lança na travessia dos sentidos, e procura a libertação do domínio da mãe e da asfixiante relação que esta tem com o filho mais velho.
Esta paixão adolescente decorre num cenário exótico, perverso, num fundo de lentidão e meandros asiáticos.
Quase tudo parece esbatido pela memória, a adolescente de rosto infantil e precoce com um chapéu de homem e sapatos de baile, ou a mãe, que luta contra a ruína familiar, ou mesmo a escandalizada comunidade branca. Nítido, só o homem jovem numa barcaça, junto da limusina e do motorista. Ele será a personagem nítida, com uma posição clara, a do amante que dá título ao livro.
Publicado em 1984, O Amante recebeu o Prémio Goncourt e o Prémio Ritz Paris Hemingway, para o melhor romance publicado em inglês, em 1986. Saiba mais. 

 

 

sexta-feira, 3 de janeiro de 2025

«OS LUSÍADAS _ Antologia Temática e Texto Crítico de António Borges Coelho _ Ilustração: Manuel San Payo» | Mais: o que nos diz sobre esta obra Domingos Lobo

 

«A presente edição insere-se nas iniciativas promovidas pelo Partido Comunista Português para comemorar o V Centenário do nascimento de Luís de Camões.
«Camões é um poeta do Renascimento, de uma época de exaltação das realizações humanas face ao divino e ao obscurantismo, de um mundo em transição, no qual se vai formando um novo pensamento filosófico e científico, ligado à observação da natureza e à experiência, que as forças reaccionárias dessa altura, nomeadamente através da Inquisição, procuraram reprimir e conter» - afirma a nota do PCP sobre as comemorações.
Bem se pode dizer que é este todo o sentido desta obra notável do historiador (e poeta) António Borges Coelho e que, na sua essência, ela conflui com o lema das comemorações do PCP: «Camões, poeta do povo num mundo em mudança». Originalmente publicado em 1980, por ocasião do IV Centenário da morte de Camões, o livro está agora novamente à disposição dos leitores, revisitado pelo autor e enriquecido pelas ilustrações de Manuel San Payo».
 
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Ainda sobre a obra de Domingos Lobo no Jornal Avante! : «Camões não é a voz da reacção e do colonialismo. Camões é a voz do nosso povo, dos lusíadas, a voz da insubmissão ante os privilégios, a voz do progresso social e científico, a voz da nação portuguesa, num elevado sentido humanista», disse Álvaro Cunhal na Festa do Avante! de 1979. É este Camões que brigava contra nobres e burgueses ao lado da plebe, que sofreu injúrias, fome e prisões, que denunciou honrarias e faustos da corte enquanto o povo mourejava de sol a sol por uma côdea dura, ou se esforçava nas naus da Índia morrendo de febres, de peste e de escorbuto, submetido e explorado, esse ilustre peito lu­si­tano, que percorre os 10 cantos de Os Lu­síadas e que António Borges Coelho, com a vera sabedoria crítica do historiador, do poeta e homem de cultura, neste livro encena como questão central: Que im­por­tância têm afinal Ca­mões e Os Lu­síadas; para que serve a po­esia? A resposta de Borges Coelho é imediata e plena de contundência: para tornar mais forte a nossa “fraca humanidade”.

Que “fraca hu­ma­ni­dade”, como povo, te­ríamos, que me­mória co­lec­tiva nos fi­xaria a este chão solar e ma­drasto, que iden­ti­dade, que língua fa­la­ríamos sem os po­etas que can­taram e cantam os nossos gestos mais fe­cundos e justos, as an­danças pelo mundo em busca de pão menos suado; as pe­lejas pelas rotas tran­so­ceâ­nicas, ori­entes, oce­a­nias, áfricas, gran­je­ando es­cassa for­tuna e muito sangue der­ra­mado; as lutas pela in­de­pen­dência desde a fun­dação até 1383, que Fernão Lopes des­creveu na Cró­nica de D. João I, mo­delar es­cultor da pri­meva língua, pas­sando pelo li­rismo ar­re­ba­tado de Ber­nardim Ri­beiro, pelas alu­ci­nadas vi­a­gens de Fernão Mendes Pinto; pelo supra-Ca­mões que Pessoa quis ser, pela de­núncia da bar­bárie fas­cista que se ins­creve na pena co­ra­josa dos nossos poeta ne­or­re­a­listas, de Ma­nuel da Fon­seca a Carlos de Oli­veira, de Jo­a­quim Na­mo­rado a Ar­mindo Ro­dri­gues; o 25 de Abril de Ary dos Santos, de Ma­nuel Gusmão, de Sophia, de Jorge de Sena. An­tónio Borges Co­elho dá-nos a res­posta nesta abor­dagem cri­te­riosa e no diá­logo que ao longo do en­saio es­ta­be­lece com as mais im­pres­sivas pas­sa­gens da épica ca­mo­niana, a co­meçar nesse longo e mo­delar poema, que nos in­ter­roga: «Quem pode ser no mundo tão quieto», cons­truído em oi­tavas, ins­cre­vendo no poema a feição de mo­der­ni­dade dis­cur­siva, a agu­deza sin­gular, as vir­tu­a­li­dades do idioma, na forma como Ca­mões o uti­liza para de­nun­ciar o alhe­a­mento das classes do­mi­nantes pe­rante o des­con­certo do mundo: Quem pode ser no mundo tão quieto,/​ou quem terá tão livre o pen­sa­mento,/​quem tão ex­pe­ri­men­tado e tão dis­creto,/​tão fora, enfim, de hu­mano en­ten­di­mento/​que, ou com pú­blico efeito, ou com se­creto,/​lhe não re­volva e es­pante o sen­ti­mento,/​dei­xando-lhe o juízo quase in­certo,/​ver e notar do mundo o des­con­certo?

Borges Co­elho faz uma lei­tura nova e ac­tu­ante de Os Lu­síadas, in­ves­tindo e so­bre­le­vando as es­trofes so­ci­al­mente com­pro­me­tidas da nossa obra maior e uni­versal. É o Ca­mões hu­mano, de­fensor do povo miúdo, que tinha es­pe­rança que o país in­qui­sidor, beato e mi­se­rável mu­dasse e com ele as von­tades, To­mando sempre novas qua­li­dades. Um país de todos e pos­sível, que não apenas de um pu­nhado de no­bres, se­nhores de la­ti­fún­dios feu­dais, vi­vendo de pre­bendas da Corte e da ex­plo­ração es­crava, à tripa forra, sub­me­tendo sem cui­dados o povo miúdo à sua am­bição de poder, à ga­nância e à vã co­biça.

Ca­mões, mesmo acos­sado pela In­qui­sição, so­bre­le­vando os seus mé­todos com subtil en­genho e arte, não deixou de cri­ticar, em­bora de forma ve­lada, al­guns dos que pri­vavam na Corte de D. Se­bas­tião: Vê que esses que fre­quentam os reais/​Paços, por ver­da­deira e sã dou­trina/​Vendem adu­lação, que mal con­sente/​Mondar-se o novo trigo flo­res­cente, e não deixou também, nesse in­có­modo Canto IX, que muito boa gente ainda olha de sos­laio, de de­nun­ciar, nas es­trofes 27 e 28, a re­lação cí­nica entre no­breza e povo, pen­dendo as leis sempre para o Rei, dei­xando o povo à míngua e à mercê de todos os ul­trajes: Vê que aqueles que devem à po­breza/​Amor di­vino, e ao povo ca­ri­dade,/​Amam so­mente mandos e ri­queza,/​Si­mu­lando jus­tiça e in­te­gri­dade;/​Da feia ti­rania e de as­pe­reza/​Fazem di­reito e vã se­ve­ri­dade;/​Leis em favor do Rei se es­ta­be­lecem,/​As em favor do povo só pe­recem.

No Texto Crí­tico, que acom­panha cada pe­ríodo em aná­lise de Os Lu­síadas, es­creve An­tónio Borges Co­elho: «O verso ca­mo­niano louva e fus­tiga. Louva a co­ragem, os chefes que pre­vêem os pe­rigos, os ex­pertos peitos, os que sobem ao mando quase for­çados. E fus­tiga: reis, no­bres ineptos, fi­lhos-fa­mília, pa­dres am­bi­ci­osos e ti­râ­nicos.»

Que falta ainda nos faz este vigor, esta su­pe­rior forma de afir­mação da língua e da jus­tiça, a cla­reza e a co­ragem deste verbo. Para os que ques­ti­onam a im­por­tância de ler hoje Os Lu­síadas, a in­ter­pre­tação crí­tica que dele nos dá Borges Co­elho é ade­quada res­posta».

quarta-feira, 1 de janeiro de 2025

Paz!

 


« (...) É urgente pôr fim à guerra! É urgente defender a Paz! É urgente mobilizarmo-nos por esta causa tão atual e determinante para salvaguardar o presente e o futuro da Humanidade.
Os preocupantes desenvolvimentos no plano internacional e a realidade dramática com que estão confrontadas milhões de pessoas vítimas da guerra, o risco de um conflito de grandes e trágicas proporções, comprovam a necessidade e a emergência de pôr fim à confrontação e à corrida aos armamentos, fazendo tudo o que estiver ao nosso alcance para que se abram caminhos para a Paz, o diálogo, a solução política dos conflitos. (...)». Leia mais.