quinta-feira, 24 de outubro de 2024

Marco Paulo | o «fenómeno» partiu ...

 

 
Do jornal Público em artigo de Mário Lopes: «Marco Paulo, vedeta da canção, cantor romântico, uma voz que atravessou gerações Figura do nacional-cançonetismo, viria a tornar-se uma das maiores estrelas do país. A sua história espelha, de certa forma, o arco que Portugal cumpriu nas últimas seis décadas. Morreu aos 79 anos». Foi um fenómeno, dizemos nós. Não haverá quem não trauteie uma canção sua -  sinal de inserção na sociedade. Por aqui «eu tenho dois amores» está sempre na berlinda, a propósito e a despropósito ... Obrigado, Marco Paulo, pela agitação que provocou, pela maneira como se impôs, atravessando estratos sociais, sem nunca ter negado donde vinha. Certamente que a sua partida torna este dia triste, em especial para a multidão de  admiradores, mas também para aqueles que reconheciam o seu percurso de vida, só ao alcance de alguns. Ao nosso olhar, deixa-nos uma vida verdadeira.




... e continuamos com o «doclisboa 24»

 

e Aqui o site 



quarta-feira, 23 de outubro de 2024

PORQUE VALORIZAMOS «A MEMÓRIA» | sugerimos que se olhe em volta e se atente na rica diversidade do que acontece | SERÁ QUE PODIAMOS RACIONALIZAR NOMEADAMENTE TENDO EM CONTA A TÃO PROPALADA «TRANSIÇÃO DIGITAL»? | PENSAMOS QUE SIM | PARA ISSO REFLEXÃO INTENSA E TRANSVERSALIDADE ALARGADA

 

 
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 «(...)O Espaço Memória – Centro de Arquivo, Documentação e Audiovisual irá gerir o património documental e museológico da CGTP-IN e promover iniciativas que fomentem o estudo, investigação, aprofundamento do conhecimento e a reflexão em torno da história do movimento operário e sindical. Irá funcionará, também, como um espaço multifuncional, com áreas destinadas a exposições permanentes e temporárias, conferências e iniciativas afins, bem como com a realização de eventos de natureza sindical e cultural, entre outros.(...)».

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«O projecto ARQUIVAR O TEATRO propõe-se identificar, mapear e estudar a situação dos arquivos do teatro em Portugal, de modo a estabelecer um plano de boas práticas envolvendo uma rede de instituições. Partindo da análise de dois importantes arquivos doados recentemente ao Centro de Estudos de Teatro /FLUL – os arquivos do Teatro do Teatro da Cornucópia, companhia incontornável na renovação estética e política do teatro pós 25 de Abril e de Mário Barradas, principal promotor da descentralização teatral – e estendendo a metodologia de pesquisa a outros arquivos de companhias de teatro no país, procura-se aprofundar a análise das políticas de conservação públicas e privadas, para promover a preservação, acessibilidade e estudo dos mesmos. (...)».
  
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«EPHEMERA tem como objectivo divulgar os espólios, acervos,  livros, periódicos, manuscritos, panfletos, fotos, objectos e ephemera que pertencem ao arquivo pessoal de José Pacheco Pereira, e colocá-los acessíveis a todos. Pelos seus objectivos e pela sua acção, é o arquivo privado mais público de Portugal». Tirado daqui.
 
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As Coleções Madeira Luís 
doadas à Universidade de Aveiro
 

 
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«(...) O Banco de Arte Contemporânea (BAC) resulta de um projeto criado pela Câmara Municipal de Lisboa, em colaboração com a Fundação Carmona e Costa e o Instituto de História da Arte da Faculdade de Ciências Sociais Humanas da Universidade Nova de Lisboa. Foi concebido para acolher e preservar espólios documentais e artísticos de arte contemporânea de artistas plásticos, de historiadores e de críticos de arte contemporânea, relativos ao período compreendido entre a segunda metade do séc. XX e a atualidade. (...)». Leia mais. 
 
 
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«O Atlas Artístico e Cultural de Portugal (AACP) tem como principais objetivos mapear a realidade atual do país na área da cultura, as suas características, as dimensões e os domínios que têm contribuído para o seu desenvolvimento. Procura-se assim dar conta da evolução registada e evidenciar os resultados do investimento feito e, por essa via, promover também a identificação de novas linhas de intervenção de políticas públicas que contribuam para a correção das assimetrias que persistem e de novas medidas para a coesão territorial nas artes e na cultura. (...)». Saiba mais.
 
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Não será difícil concordar que o que se acaba de ilustrar exige uma INTENSA REFLEXÃO. Em particular, como tantas vezes se tem alertado neste blogue, há que saber da MEMÓRIA INSTITUCIONAL EM TORNO DA DGARTES: da sua própria memória, e do que tem obrigação de promover no SETOR que é a sua razão de ser. Como método há que cuidar da MEMÓRIA PASSADA e da MEMÓRIA FUTURA. Ao mesmo tempo. Ambiente certo para voltarmos ao passado - à iniciativa «Organizações, Cultura & Artes» onde também estes problemas foram conversados, por exemplo na intervenção de Rui Vieira Nery. Por mais voltas que se deem haverá que regressar ali, e fomentar  TRANSVERSALIDADE ALARGADA.
 
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Ah! também o livro sobre o Seminário «desapareceu». Acabou por nunca ter sido publicado. Mas ainda está a tempo, assim seja encontrado ... Diz quem o conhece: vale a pena. E também seria uma homenagem a quem esteve lá no ISEG e já nos deixou.
 


MIA COUTO |«A Cegueira do Rio»

 

«O primeiro incidente militar numa aldeia do Norte de Moçambique marca, em agosto de 1914, o início da Primeira Guerra Mundial no continente africano.
Esse inesperado episódio despoleta, para além disso, uma série de misteriosos eventos que culminam com o desaparecimento da escrita no mundo. Livros, relatórios, documentos, fotografias, mapas surgem deslavados e ninguém mais parece ser capaz de dominar a arte da escrita.
Os habitantes dessa aldeia são chamados a restabelecer a ordem no mundo, ensinando aos europeus o ofício da escrita e as artes da navegação». Saiba mais.
 
 

segunda-feira, 21 de outubro de 2024

QUE BOM! | acompanhados na defesa de mais «Teatros Nacionais» ...

 

 
Recorte:

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Para mergulharmos na «temática» visitemos uma vez mais o que se passa com outros. O «Benchmarking», para aprender e não mimetizar, faz sempre bem:

Veja aqui

 Mas é claro que «os nacionais» têm de ser olhados inseridos na REDE que integram. Mais, e na POLÍTICA PÚBLICA que lhes está subjacente:« Scène nationale » | « Centre dramatique national » |Centres nationaux des arts de la rue et de l'espace public (CNAREP) ...

 

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E cá estamos, outra vez, com «o insustentável modelo do apoio sustentado» - infelizmente não envelhece:

É o que temos ...

 

Recorte da edição do semanário Expresso desta semana
 
 
 

sábado, 19 de outubro de 2024

O ARTIGO DE VASCO CÂMARA NO PÚBLICO ESTÁ EXCLUSIVO MAS SE PUDER TENTE LER NA INTEGRA | é este «Alguém explicou a Robert De Niro o que é o cinema português?»

 


Excertos: (...)Robert De Niro, visivelmente, não conhece o cinema português — não pode ser culpado por isso, a maioria dos portugueses também não. Pode concluir-se isto, que não conhece, por esta sua associação com a SIC e com a plataforma de streaming Opto que o levou a ceder-lhes a marca que criou em 2002 com Jane Rosenthal, o Tribeca Film Festival, e permitir que ela fosse concretizada pela primeira vez fora dos Estados Unidos. A SIC e a Opto podem interessar-se por audiovisual, séries e telenovelas, mas sempre desprezaram o cinema português. Num exemplo do humor Extremamente Desagradável, uma linhagem rickygervaisiana do bobo da corte que morde a mão que lhe dá de comer, comentava-se nos Globos de Ouro, que é o “espelho meu” da SIC: ali se dá prémios a filmes que ninguém tinha ido ver (isto é: filmes para os quais se tinham marimbado todos, até aqueles que organizaram a festarola).
Começamos então a aproximar-nos do espírito Tribeca Lisboa Festival. A um “american way of life” alia-se o “SIC way of life” – a homofonia pode ser frondosa de sentidos. Isto quer dizer, nas palavras dos organizadores: é um festival que "eleva a cultura pop e o entretenimento, que celebra os filmes, as séries, a música e os podcasts" — vê-se quem são os filhos e os enteados — e "que junta em palco grandes estrelas nacionais e de Hollywood".
Trocado por miúdos: não se trata sequer de um evento cultural mas do culto do evento. O que não permite “evento” não existe. Se não é entertainment, não aparece. Até os noticiários da estação são estruturados como “divertimento”, extraindo dos factos da realidade, aquilo que antes eram as “notícias”, teasers para agarrar os telespectadores até ao fim.Alguém explicou a Robert De Niro o que é o cinema português?
Escalpelizando ainda mais a “maneira de ser SIC”: a sua incorrigível adição à autopromoção (é claro que os paroquiais programas da manhã do canal, mais dados a comida, crimes e sentimentos, e passatempos, já ouviram falar do bairro de TriBeCa em Nova Iorque, não tendo nunca falado de cinema português).
A “prata da casa”, como se diz, é sempre o conteúdo (muitas vezes trata-se de latão). Por isso os Globos de Ouro são o que são: uma arrogante e pelintra manobra que passa por cerimónia de entrega de prémios aos “melhores”. Trata-se tão só de impor ao mundo (português) uma cultura empresarial, uma “maneira de ser” (portuguesinha) que entende por cultura o fine dining, o gadget tecnológico, a viagem exótica, a telenovela… e sempre a miragem de Hollywood, algo que há muito não existe (não tinham reparado?)
É o espírito do Tribeca Lisboa Festival: não um festival de cultura, mas uma convenção empresarial, de pequenas celebridades, esperando das grandes, os Robert De Niro e as Whoopi Goldberg, efeitos de contágio. Para o Tribeca Lisboa Festival servem bem as palavras “CEO”, como título de podcast, “passadeira vermelha”, “conteúdos” e “next big thing”, aquilo de que uma das talks está à procura. Os hosts passam das suas efabulações diárias e fetichistas, no pequeno ecrã, sobre os bastidores do Orçamento do Estado para o palco das conversas sobre a realidade virtual, é o que está a dar, e as maravilhas do storytellin (...).
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Olhando para este texto, a impressão que fica: temos de arranjar tempo para falar destas coisas.Em múltiplas sedes. Porque tudo isto é de arrepiar. Ademais  num momento em que se «ataca» o UNIVERSO RTP. É verdade, precisamos de CULTURA E DE ARTE. E  nada de demonizar as INDÚSTRIAS CULTURAIS E CRIATIVAS, mas «cada macaco no seu galho»... Óbvio, qualidade e bom gosto, sempre.
 
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E apetece revisitar MANUEL GUSMÃO:

«Para que haja arte tem que haver um núcleo de invenção ou descoberta, enquanto a cultura artística é sobretudo absorção de efeitos produzidos pela obra, pedagogia do gosto, generalização do comentário, da divulgação e da massificação das maneiras de lidar com as obras».

Mais, do que nos acompanha na coluna ao lado: 

«A experiência da escrita-e-da-leitura da poesia mostram, no seu fazer-se, que nós somos também isso mesmo: «corpos históricos singulares, percorridos por uma “escrita emaranhada”; uma voz escrita, inscrita e excrita – “tatuagem e palimpsesto”; em alguma medida, somos feitos e desfeitos pelo «poieín» [pelo fazer das artes]; pela poesia […]; pelo romance em que procuramos os nossos possíveis; pelas cenas de teatro onde corpos e vozes ardem à nossa vista; pelos filmes que nos correm no sangue; pela música que nos sopra os ventos nas árvores do cérebro; pelas pinturas que nos constroem o olhar capaz de folhear o visível; pelas fotografias em que ficámos para sempre (junto) de uma rocha batida pelas ondas; pelas esculturas em que tacteamos o desabamento e o voo do mundo; por essa dança que nos desenha no ar, enquanto voamos vagarosamente à beira do vulcão; pelas palavras que um dia nos disseram ou não disseram, por tudo aquilo que escolhemos ou nos escolheu; ou por aquela “lettera amorosa” que lemos e relemos e contudo não chegou a ser escrita, nem enviada. (…)». 

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Ah, e como por aqui se admira Robert De Niro! Recordemos, sem saudosismos: