Se o propósito inicial era relaxarem, os cinco jovens convocados para A Experiência acabam traídos pela tensão das relações mal resolvidas. E o que se encontrava recalcado surge inesperadamente à superfície revelando um retrato geracional assaz pertinente.
Livremente inspirada em Veraneantes, de Maxim Gorky, A Experiência desenha a traço grosso um retrato panorâmico de uma geração encalhada entre a superficialidade das relações e a intimidade subjectiva, fazendo uso de uma linguagem simples, directa, crua, desempoeirada, informal, sustentada por diálogos deliberadamente caóticos.
Escrita no âmbito do programa Writing on New Realities, uma parceria entre A Turma e a Galata Perform, de Istambul, A Experiência chega agora ao palco depois de um primeiro encontro com o público em 2024, através de uma leitura encenada em Istambul. A passagem do texto para cena sucede numa nova etapa do seu percurso, desta feita através de uma cocriação entre A Turma e o Teatro da Rainha».Saiba Mais.
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Uma Companhia fora de Lisboa, mas aqui tão perto da Capital - nas CALDAS DA RAINHA - com a nosso ver trabalho de excelência. Em termos Institucionais há que encontrar ESTATUTO que o reflita - não tratar de forma igual o que é diferente, distinguir o que nos devia orgulhar no âmbito de SERVIÇO PÚBLICO DO TEATRO. Aqui, no ELITÁRIO PARA TODOS, há quem se lembre do tempo do saudoso Paulo Cunha e Silva que ia nessa direção e disso foi dado conhecimento público. Em busca de uma verdadeira REDE DE TEATRO - havia realidades identificadas para lançar. Se bem se lembra BRAGA; AVEIRO; CALDAS DA RAINHA; ALMADA ... A ideia, mais do que «apoiar», «garantir»... Por TEMPO LONGO ...Não, não tinha nada a ver com a atual Rede de Teatros e Cineteatros que burocraticamente se cruza com a multiplicidade de Programas de Apoio, cada vez com menos identidade e onde nos perdemos ...
O que será feito desse trabalho?
Aproveitemos para voltar a lembrar isto:
Política, neutralidade e espírito
«O
chavão não tem força conceptual, vive da repetição, é reactivo, tique
mental que afirma um já pensado que não chegou a ser pensamento. O
chavão cavalga a onda, surfa no fluxo do ruído e circula entre os
detritos do lixo comunicativo com o peso da coisa arrumada lançando
névoas de vulgaridade sobre a clareza do potencialmente entendível.
Quando se diz que uma política cultural é uma política do espírito
confunde-se expressamente o que será uma política com o que foi um
adestramento do povo e tenta-se tirar disso um efeito definitivo, um
ponto final no assunto, contaminando-se de propósito instrumental
fascizante o que seja “uma política”, qualquer seja ela. A política do
espírito foi ideológica, orientada para a conformação do povo à pobreza,
viveu da multiplicidade convergente da acção de organismos do Estado –
educação, interior, propaganda, turismo, eventos, como agora - e forçava
o consenso empolando valores nacionais – culturais – supostamente
únicos: passado glorioso além-mar, fé ocidental mata-mouros e virtudes
rurais de odor primaveril, tudo embrulhado numa aura de felicidade
campónia em que a povo era décor, alegre no trabalho, inocência nos rostos mais pose espontânea ordenada, muitas ceifeiras e nenhuma Catarina, claro.
A
política do espírito consistiu em formas eficazes de mistificar o real.
Foram formas políticas de propaganda ligadas ao restaurar da “alma
portuguesa” de rastos com as políticas liberais, no dizer dos
“restauradores”. Já uma política cultural, em democracia, é estruturar
condições livres – democráticas – de criar, de fazer cultura, isto é,
não só de produzir cultura e arte de modo livre pelos que são
profissionais e criadores, apoiados pelo Estado de modo legitimado
constitucionalmente mas não tutelado paternalmente, mas também de fazer o
contrário do que tenha sido orientar o espírito para uma concepção
única, a passividade adestrada pelo consenso corporativo, passividade
“espontaneamente agradecida” como gostariam os governantes que se
verificasse com a política de espírito agora dominante, a “austeridade”,
este voto renovado na pobreza como futura libertação que se vende em
todos os horário e bancas – é curioso que esta via da austeridade vem
directamente do espírito salazarento das virtudes da pobreza, excelsas e
únicas, mexilhão aplaudindo a onda do mando com fé.
Uma
política do espírito é sim a vulgata da austeridade como uma
inevitabilidade, a ideia do poupar e do menos gastar, do pagar ao rico o
que não deves com o que não tens, depois de infinitas estatísticas de
conveniência financeira te acusarem e culparem – que legitimidade têm
estas taxas de juro obscenas, o saque da qualidade de vida de um povo
pela destruição dos serviços públicos? E de onde lhes vem, aos credores,
a acumulação financeira que possuem e usam como arma de guerra
exercendo uma chantagem constante e antidemocrática? De algum lado virá,
será virtuoso? Somos todos culpados de viver acima das posses? Mas que
posses e quem? O exercício cidadão da vontade popular democrática será
específico da crise, puro sofrimento e nada relacionado com os valores
fundacionais da modernidade? Igualdade, fraternidade, solidariedade,
condições de acesso idênticas à educação, à saúde e aos bens culturais e
artísticos? Nada disto diz nada?
Se
pouparmos, se aceitarmos os cortes, se formos consensuais, se
aceitarmos o horizonte de pobrezinhos, seremos compensados num além que
fará crescer a economia – dela nem se fala a sério - mas que não se sabe
onde vive e que não se divisa mais qualificado que um mítico purgatório
de classe menos que média baixa, pobreza envergonhada e desemprego
duradouro, já que o paraíso só mesmo para quem frequenta hotéis de
cinco, seis e novidade do último marketing turístico, sete estrelas: às
portas do céu golfes e saunas te esperam quando, depois de empobreceres
enriqueceres num amanhã que canta num Eldorado de acesso publicitário.
Quando
se diz política cultural também se diz política económica e nisso não
há catequese alguma, nem nenhum pecado verbal original. E dizer política
significa nobilitar o estatuto daquilo que é, ou possa vir a ser, um
programa. Então o que será uma política? É justamente a inscrição de um
desígnio de acção íntegro – inteiro, completo ou tendente a -, de uma
direcção para concretizar medidas articuladas num programa face a uma
realidade que delas necessita. Um ordenamento, um plano director, uma
coerência integrada de medidas, são formas de política. Já a não
política, a neutralidade hipócrita, só pode fingir-se, e assume pela
inacção ou ausência, entregar à selva as coisas do real para que o
predador mor as ordene pela força do seu poder selvagem e não
democrático – a lei da selva não tem sujeito ético e pelos vistos a lei
legislada e a não aplicada também não.
É
essa violência que o novo tirano dos povos, os respeitáveis credores,
os mercados especulativos, têm concretizado como tragédia em marcha – na
Grécia há jovens alunos a desmaiar em escolas por terem fome. A ordem
da selva é a lei do mais forte e uma política é justamente o combate
pelo direito de todos contra a imposição da lei do mais forte. Enfim,
será necessário salvar a política dos políticos? Ou a fome será mesmo
uma das formas de aceder ao tal progresso e à tal modernidade?»
Fernando Mora Ramos/Encenador na província
Em especial, recomenda-se
a quem vai discutir o ORÇAMENTO DO ESTADO na especialidade ... É isso, há que olhar com GRANDEZA. A CULTURA NÃO É UM LUXO ...
de lá, com a chancela
da Pastoral da Cultura:
«Vende um dos teus pães/
e compra
um lírio: A cultura não
é um luxo»


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