sábado, 31 de janeiro de 2026

QUANDO NO ESPAÇO PÚBLICO APARECEM AS «PALAVRAS» E AS «IMAGENS» NUMA EQUAÇÃO QUE MUITA GENTE PROCURAVA SOBRE VIDA DA COMUNIDADE | a nosso ver só há um caminho _ contribuir para uma ampla divulgação | ESTAMOS A REFERIR-NOS AO «OBRIGADO, BANGLADESH» DE MIGUEL SOUSA TAVARES COM ILUSTRAÇÃO DE HUGO PINTO NO SEMANÁRIO EXPRESSO DESTA SEMANA

 



Ilustração Hugo Pinto 
 
Se puder não perca na integra, aqui «apenas» esta passagem  que termina o texto:  
«(...)  O Dr. André Ventura, licenciado em Direito e candidato à Presidência da República, também está em guerra contra o comportamento deste “jornalismo”, que, tal como “os partidos de esquerda” e o “socialismo que mata”, desvaloriza “tudo o que é violador, assaltante e bandido que entra em Portugal”. O Papa Francisco, um homem que os cristãos e os não cristãos respeitavam, disse em tempos que o que matava era “este capitalismo”, e não o socialismo. Mas é sabido que Ventura não gostava do Papa Francisco, achava-o nada menos do que “um anti-Cristo”. Bem vistas as coisas, Ventura não é cristão, é católico português, coisa bem diferente. “Este jornalismo”, de que Ventura não gosta, é aquele que revela os números e as verdades que contrariam as suas teses sobre os imigrantes: que são eles que respondem pelos lucros da Segurança Social e, graças a isso, a contenção do défice público; que são eles que asseguram uma taxa de natalidade positiva; que são eles que garantem a viabilidade económica da agricultura, da construção civil, do turismo, das pescas; que são eles que limpam as ruas das nossas cidades, que nos trazem comida ou remédios a casa, que tomam conta por nós dos nossos pais e avós, que constroem as pontes, as estradas, as vias férreas e as Expo com que o país se quer mostrar modernizado — e, ao contrário do que queria Ventura, a taxa de criminalidade entre os imigrantes é irrelevante. O que Ventura não suporta é que o jornalismo recorde isso aos portugueses, que vá ouvir os empresários que reclamam mais imigrantes e não menos, que desfaça a tese insultuosa de Ventura de que os imigrantes vivem de subsídios. O que não suporta é que o jornalismo demonstre que é ele que vive de mentiras, chegando ao ponto de inventar, em directo na RTP, uma “notícia do dia” sobre um cigano que teria entrado aos tiros numa escola, “disparando para o ar sobre as crianças” (?) — e que era absolutamente falsa, como tantas outras que ele e o seu partido divulgam sem sombra de pudor. E não gosta que o jornalismo conte que há elementos do Chega entre os grupúsculos neo­nazis de camisas pretas que querem derrubar a democracia — a que Ventura prefere chamar o “sistema”.

“Deus, pátria, família e trabalho”, eis o credo de André Ventura, “o candidato do povo” contra o sistema. Soa familiar e é familiar. Pobre povo se algum dia voltar a querer viver em ditadura, às mãos de quem quer pôr isto na ordem! Logo verá o chefe dizer-lhe que se ocupe da família e do trabalho, que de Deus e da pátria ocupa-se ele. E assim viveremos mais 50 anos felizes, como as nações sem história». 


quinta-feira, 29 de janeiro de 2026

DO QUE SE PASSA NA «AUTARQUIA LISBOA» | a CDU na linha do seu passado continua a trazer a «Cultura» para a agenda | A PROPÓSITO LEIA A INTERVENÇÃO DE SOFIA LISBOA NA ASSEMBLEIA MUNICIPAL

 

 
A verdade dos factos: a CDU, em linha com a sua intervenção de sempre  no Portugal de Abril, tem uma  forma pensada de trabalhar na Gestão Autárquica: profissional. Facilmente se reconhecerá que assenta em saber técnico e no conhecimento que emerge do que vai sendo praticado. Sempre em progresso. O que mais surpreende é que isso está a passar de geração em geração ... Estamos em pensar neste mundo complexo e turbulento, cheio de acontecimentos nunca antes vistos - naturais e humanos - que as populações não «têm tempo» para acompanhar «a diferença» que a CDU continua a trazer ao Poder Local. E muito menos para identificar as ruturas que têm de ser feitas «à esquerda», e de que a Coligação não abdica  ... E menos ainda para refletir os significados políticos em cada momento. Há valores de sempre mas na ação haverá que encontrar caminhos de fazer outros - por exemplo, não haver «frentes eleitorais» de alternância - tipo mais do mesmo -  quando é a ALTERNATIVA que está em causa. É isso que os tempos pedem. Será por aí que se compreenderá porque as pessoas se estão a distanciar das Esquerdas.   
No que se refere a LISBOA estará na memória de muitos a excelência reconhecida a João Ferreira aquando das mais recentes Eleições - foi eleito, mas a Capital, a nosso ver, teria ganho se mais gente da CDU o tivesse sido.
Desde sempre que a CULTURA  está na Gestão Autárquica da CDU. Até seria útil elaborar ESTUDO sobre isso mesmo. Lá longe  provocava espanto... Nunca foi adorno. 
Nesta moldura que acabamos de escrever, não nos surpreende que na ASSEMBLEIA MUNICIPAL DE LISBOA  a CULTURA tenha sido objeto de apresentação de SOFIA LISBOA. Mas também só demos por ela porque alguém a fez chegar ao ELITÁRIO PARA TODOS. Também nós nestes dias de difícil quotidiano temos tempo contado. Talvez não fosse má ideia a CDU arranjar mecanismo ágil e atrativo - outro - que fizesse com que as populações acompanhassem de forma permanente, continuada e sistemática o trabalho da CDU, bem vistas as coisas, que acontece «ao seu lado», no seu território - expressão que «está na moda», e nada contra. Claro, com as redes sociais e além delas - são tantas as pessoas que conhecemos e que não lhes ligam nenhuma ... Ah, naturalmente, em especial, continue-se com as ARTES E A CULTURA, aliás o paradigma DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL (que enche a boca de todos) assim o pede. Mas,   como acontece com o Executivo de Lisboa, depois, vai a ver-se, «nada».
  
 
«o rosto da notícia»
 
Como decorre do post, FOI ELEITA. 
Não é Presidente mas faz o que tem de ser feito ... 


 

terça-feira, 27 de janeiro de 2026

CONTINUEMOS COM A DISCUSSÃO | DEFINITIVAMENTE NA RUA? | estamos a falar da Coleção de Arte Contemporânea do Estado (CACE) e companhia | FACE ÀS OPINIÕES PUBLICADAS O QUE SE PEDE É QUE INSTITUCIONALMENTE DE MANEIRA FUNDAMENTADA TRANSPARENTE E ACESSÍVEL AO COMUM DAS PESSOAS NOS APRESENTEM O QUE É NORMAL - ESTUDO QUE NOS FALE DE ESTRATÉGIAS QUE ACOLHAM A AÇÃO DEFENDIDA PELO GOVERNO | PODERÁ PARECER ESTRANHO MAS À LUZ DA GESTÃO PÚBLICA TUDO ISTO TEM A VER COM A TRANDFORMAÇÃO ORGANIZACIONAL QUE A NOSSO VER DEVIA SER O CENTRO DA TAL REFORMA DO ESTADO (OU SERÁ ADMINISTRAÇÃO?)

 

 
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Alguns excertos 
 
do CACE: muito barulho por nada - «(...) Enquanto alguns se digladiam sobre questões acessórias, os verdadeiros problemas dos artistas visuais e o funcionamento deste sector continuam a estar longe das preocupações. Para a AAVP, o mais premente problema do sector da arte contemporânea é a precariedade. Devido à instabilidade laboral e suas consequências remuneratórias, são poucos os profissionais em exclusividade nesta área. Esta é uma realidade profissional, social e económica por muitos desconhecida ou majestaticamente ignorada por alguns protagonistas do sector e pelo poder político.
Numerosos aspectos da nossa actividade enquanto artistas visuais continuam ausentes das discussões públicas, tal como subsiste a inexistência de um museu de arte contemporânea portuguesa onde, de forma regular e permanente, se pudesse oferecer um panorama da arte portuguesa ao longo do século XX e XXI, dando relevância e valorização públicas à criação portuguesa contemporânea. (...)».
 
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de Delfim Sardo: “Creio não haver alternativa séria ao depósito da Colecção Ellipse no MAC/CCB”: «(...) “O que é determinante é que a Ellipse seja um espólio em depósito permanente num museu em que dialoga com outras importantes colecções internacionais. Só um museu estruturado, com uma equipa curatorial, um serviço educativo activo e experiente, uma equipa editorial, um posicionamento local e uma estratégia internacional pode potenciar uma colecção com o âmbito da Ellipse, integrando-a e dando-lhe contexto.” Essa decisão, acrescenta, parece não só “natural” como “consensual”, tendo em conta as opiniões publicadas recentemente neste jornal pelos historiadores de arte Raquel Henriques da Silva e Pedro Lapa.
A gestão partilhada com a CACE, com o objectivo de internacionalizar este acervo que começou a ser constituído em 1976 e tem um perfil até agora sobretudo nacional, é contestada pelo antigo administrador. “A resposta é muito simples: internacionalizar um museu e as suas colecções é um processo longo e só possível a partir da relevância dos seus espólios. Internacionalizar não é fazer uma exposição; é desenvolver um trabalho que parte de um contexto, não de um mero fundo de aquisições, por mais relevante que seja. É procurar relações com outras instituições, desenvolver elos ao longo do tempo. É compreender as dinâmicas entre as colecções e as exposições individuais que os museus vão realizando, dar visibilidade aos artistas locais no contexto das colecções internacionais que o museu acolhe e apresenta, conserva, divulga e estuda.”

Delfim Sardo diz que não pode alongar-se sobre o que está pensado para o CACE Centro, porque não compreende, até agora, o modelo em causa. “Creio não haver alternativa séria ao depósito da Colecção Ellipse. As antigas instalações da Colecção Ellipse em Alcoitão [Alcabideche] poderão ser relevantes como local de armazenamento, até como reservas visitáveis, mas não é isso um museu. Um museu é um serviço que é prestado aos seus públicos. Foi essa utilização como depósito que em tempos foi discutida, nomeadamente em visitas ao espaço de que participei.”
Além disso, acrescenta, não compreende a necessidade de um novo centro de arte contemporânea, nomeadamente em Cascais e nestas condições, “quando os museus existentes fazem um trabalho sério, com direcções competentes e se encontram subfinanciados”, sublinhando que o pode dizer com grande independência, porque não tem actualmente quaisquer responsabilidades institucionais. “Não temos recursos ilimitados no campo da cultura, muito pelo contrário. Assim, é essencial que as linhas estratégicas de intervenção sejam muito bem definidas: potenciar e dar poder às instituições existentes é fundamental. Em termos simples, usar bem o que temos de melhor.” (...)»

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Entretanto no site da CACE
Exposição da CACE  no  guia da «The Art Newspaper»

 

« 75 anos nas Artes, nas Letras e nas Ideias _ Audio-histórias do Centro Nacional de Cultura»

 


«Para comemorar os seus 75 anos de vida, o Centro Nacional de Cultura (CNC) lançou um canal de podcasts com a sua “audio-história”.

Disponibilizamos semanalmente gravações históricas de grandes projetos que marcaram a vida do CNC no final do século XX: conferências, cursos, entrevistas e outros documentos preciosos saídos do seu arquivo histórico». Saiba mais. 


sábado, 24 de janeiro de 2026

ESCOLHAS DE OPINIÃO PUBLICADA DEPOIS DA PRIMEIRA VOLTA DAS PRESIDENCIAIS 2026 | «Presidenciais memoráveis» de João Rodrigues

 

«A vida, a luta e a resistência não terminaram no passado domingo, nem terminarão no dia 8. É papel dos democratas rejeitar Ventura, tendo presente que rejeitar Ventura, não é apoiar as ideias de Seguro».  
 
 
Excerto:«Tinha nove anos. Os meus pais eram comunistas: «a nossa senha é Salgado Zenha», naturalmente. Levava para a escola primária dos Olivais autocolantes com um Z.
Desde cedo, aos seis anos, que ia a pé para a escola, quinze minutos de deslocação com um colega e amigo. Éramos miúdos e estávamos por todo o lado, por toda a cidade.
 Lá estava a inscrição na parede ao pé de casa: «Não à lei Barreto/77». Havia política por todo o lado. Hoje também há, mas é mais invisível, mais elitista, menos democrática. E isto já não é bem um país, como sabeis, dada a perda, sempre reversível, de soberania. Ainda é uma pátria. Mas não há crianças nas ruas, aos bandos. Envelhecer deve ser isto. Prossigamos.
Os meus colegas de direita tinham todo o tipo de bugigangas do Freitas do Amaral, dizia-se que era a primeira campanha «à americana». Na sua autobiografia, Freitas do Amaral, já agora, usa o termo neoliberal para descrever as suas orientações e as do seu CDS. Sim, sou um respigador destes usos de uma palavra que alguns ainda rejeitam de forma ignorante.
Invejava os meus amigos de direita secretamente. Uma vez fui passar a tarde a casa do Pedro e fomos com a mãe dele às compras. De passagem, fomos dizer olá à avó, que estava a trabalhar numa sede de campanha do Freitas, ali na Cruz de Celas. A avó queria dar-me um sortido kit de campanha: «este menino é do Zenha», antecipou a mãe. Pois sou, confirmei, como se uma meta-preferência ético-política contrariasse a preferência imediata pela cor, pelo plástico.
Irritava-me o hino de Freitas do Amaral, o do «prá frente Portugal», que me ficou no ouvido até hoje, tal como o do «pão, paz, povo e liberdade» do cavaquismo ascendente. O Rafael, o meu melhor amigo, era do PSD e eu, aparentemente, tinha-o apodado de «fascista» quando soube disso, no dia em que nos conhecemos, fazia três anos. Conta essa história até hoje, mas eu não me lembro. A memória depende de outros, como tudo na vida. Aprende-se, imitando, claro. Lembro-me de ir a um entusiasmante comício de Salgado Zenha, que julgo ter sido no Teatro Avenida. Estava a abarrotar. Agitei uma bandeira com alegria, como ainda hoje gosto tanto de o fazer. O Teatro já não existe, substituído há muito por um mamarracho hediondo. (...)».

sexta-feira, 23 de janeiro de 2026

«O BARRACÃO RENDEIRO, A COLECÇÃO CACE da D. SANDRA E UMA MINISTRA DESORIENTADA» | boa sintese encontrada no blogue de Alexandre Pomar | PARA QUEM QUER PERCEBER O QUE SE PASSA É POST QUE NÃO PODE SER DISPENSADO | E PARECE QUE A PROCISSÃO AINDA VAI NO ADRO ...

 

Reprodução:

«É significativo que quem vem a público alarmar-se com a confusão da anunciada localização futura da Colecção de Arte Contemporânea do Estado (CACE é um nome muito feio) no antigo barracão da rua das Fisgas, vindo da falência do BPP (a Fundação Ellipse do banqueiro João Rendeiro), sejam dois antigos responsáveis pelo Museu do Chiado (também erradamente dito Museu Nacional de Arte Contemporânea) que tiveram depois funções, seguintes ou em acumulação, como presidente do Instituto Português de Museus, num caso, e como curador da tal Fundação Ellipse e director do Museu de Arte Moderna - Colecção Berardo, no outro, sem ele se distinguir como director de museus..
Se é insólita a informação oficial sobre a Colecção, que diz retirá-la do CCB, ao qual estava atribuída, para a instalar no labirinto de armazéns em Alcoitão, promovendo-o a uma espécie de novo museu, os dois artigos publicados no Público por Raquel Henriques da Silva e Pedro Lapa não conseguem ser esclarecedores: levantam incertezas, manifestam dúvidas e inquietações, enquanto a tutela dos museus (desde 2023 Museus e Monumentos de Portugal, EPE) se ausenta da sua suposta responsabilidade, sem orientação vocal nem legítimo protagonismo.
A ministra ainda conhece mal a casa, o sector e o meio, está "verde", pelo que surpreende a urgência em anunciar decisões mal fundamentadas. Mais Museu, menos Museu, a Arte Contemporânea goza de uma sabida incompreensão e mesmo desconfiança, rejeição. As trocas de obras e de lugares de arrumação ou reservas, as trocas de programas de museus existentes, e o anúncio de mais um, enquanto faltam recursos e "vontade política" para os que estão no terreno, não defendem a arte nem conferem segurança. Entretanto os profissionais calam-se - estão amordaçados?.
Aliás a Colecção do Estado é um equívoco desviante que se sobrepõe aos museus, esvaziando-os de autonomia e competência e verbas, comprando obras a seu bel-prazer, em geral obras definitivamente efémeras. E a respectiva direcção não inspira nenhuma confiança, o que não se tem dito em voz alta.
Aliás, ao Museu do Chiado veio sobrepor-se o Museu do CCB, sem clareza dos seus respectivos destinos, ambos ditos de Arte Contemporânea, contrariando as expectativas de ampliação que sempre se foram renovando e sempre se atraiçoam: o Convento de São Francisco não se resolve como devia, ali, naquele lugar estratégico.
Aliás, outros museus que deveriam ser fulcrais em Lisboa, o Museu Nacional de Etnologia e o Museu de Arte Popular, continuam esmagados e desertos.
O terreno está um pântano.
*Sandra Vieira Jürgens (https://sandravieirajurgens.com/)»
 
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Paremos nesta passagem: «A ministra  ainda conhece mal a casa, o sector e o meio, está "verde", pelo que surpreende a urgência em anunciar decisões mal fundamentadas». É o que temos vindo a dizer, não de forma tão clara, para a generalidade  do que Senhora Governante tem vindo a anunciar. Até já usamos a expressão « depressa e bem ... ». Mas quem nos ouve? Em particular «os eleitos» não podem estar «amordaçados» ... Se desconhecem a matéria, informem-se! Mais, tudo isto não pode ser desligado da REFORMA DO ESTADO/ADMINISTRAÇÃO. Facilmente se vê, pelo menos intui, que este enredo em Praça Pública está no centro das ESTRUTURAS ORGÂNICAS. Repitamos a pergunta: onde está a GESTÃO PÚBLICA no funcionamento deste Governo?, (sejamos justos, a coisa já vem de longe - e neste domínio parece mesmo que está tudo amordaçado ... ). Com quem debater esta «telenovela» pelo ângulo da Gestão? Sim, sim, sem esquecer a Inteligência Artificial.   Ah, para desanuviar, gostamos do nome RUA DAS FISGAS, e até ficamos curiosos em saber donde vem ...
 

ACONTECEU | No dia 22 de janeiro, a Acesso Cultura apresentou o ” Guia para gerir incidentes e promover segurança na Cultura”, uma iniciativa que reúne cinco associações do sector cultural (Acesso Cultura, BAD – Associação Portuguesa de Bibliotecários, Arquivistas, Profissionais da Informação e Documentação, ICOM Portugal, Performart, REDE – Associação para a Dança Contemporânea»

  

Sobre a iniciativa leia na plataforma SAPO :  

Setor da Cultura cria guia para agir face ameaças à liberdade de criação

Começa assim: «Profissionais de museus, bibliotecas e outros equipamentos culturais vão ter um guia para prevenir e ajudar a gerir incidentes que ameaçam a liberdade de criação e fruição cultural, como tem acontecido em anos recentes.

O guia é uma iniciativa de cinco associações do setor da Cultura e foi hoje apresentado em Lisboa, com vários representantes a admitirem que tem havido um aumento de "situações disruptivas" em eventos e espaços culturais e que muitos trabalhadores não estão preparados para responder.
"Tem havido vários incidentes em espetáculos, eventos, lançamentos de livros. Depois de termos visto como têm escalado noutros países, não devemos ignorar", disse hoje a diretora da associação Acesso Cultura, Maria Vlachou, na apresentação.(...)». Continue.

quarta-feira, 21 de janeiro de 2026

AMANHÃ | NA PROCURARTE | «vernissage da exposição Believe de David Infante, quinta-feira 22 de janeiro, às 18h»

 

 
 Tal como recebemos o convite:
«Temos o prazer de convidá-lo para a vernissage da exposição Believe de David Infante, na próxima quinta-feira 22 de janeiro, às 18h na Procurarte




A arte fotográfica de David Infante evita ser testemunho da visualidade de uma realidade de si extrínseca, uma vez que não é directamente nesta que busca as fontes do seu acto de mostrar — prefere antes, a um tempo, dotar de matéria para no subsequente a subtrair, disso fazendo obra-registo do que logo se perde — as suas imagens são o restolho possível de esculturas fugazes, são assumidamente construção de realidade e não a sua mera reprodução.
Nuno Matos Duarte

David Infante trabalha principalmente com fotografia tradicional, é doutor em Belas Artes, com especialização em Arte e Multimédia, pela Universidade de Lisboa, e mestre em Fotografia Contemporânea pelo Royal College of Arts (2017). Foi distinguido com o Prémio BES Revelação pelo Banco Espírito Santo / Museu de Serralves (2008) e recebeu o Prémio Pedro Miguel Frade, atribuído pelo Centro Português de Fotografia (2007) e foi selecionado para o Descubrimientos do PHotoESPAÑA (2014). O seu trabalho foi exposto em diversas galerias e museus, com mostras mais recentes na Galeria La Ira de Dios, Buenos Aires (AR), no wip show do Royal College of Arts, Londres (UK), na Galeria Módulo, Lisboa (PT), e no Villa Tamaris Centre d’Art, Toulon (FR). O trabalho de David foi referenciado em várias publicações e integra coleções prestigiadas, incluindo a Coleção Nacional de Fotografia / Centro Português de Fotografia, a Coleção Fundação PLMJ e a Coleção Novo Banco. Atualmente, leciona na Universidade de Évora.
A exposição também pode ser visitada de terça a sexta-feira entre as 15h e as 19h.
 
Como sempre, a vossa presença é muito bem-vinda!»
 
 
 

MAS QUE «DESNORTE» ! O QUE É ISTO? UM DESPACHO «DETERMINA» GESTÃO ! QUE MAIS NOS IRÁ ACONTECER ? | por pudor quase que apetece nem dizer mais uma palavra a respeito ... | E AGUARDAR QUE OUTROS O FAÇAM | MAS DADO O HISTORIAL DA NOSSA VIDA COMUM EM TORNO DAS ADMINISTRAÇÕES QUEM O FARÁ?

 

 
 
O acompanhamento das Eleições Presidenciais distraiu-nos e levou a que deixássemos para depois matérias que de imediato nos deixaram estupefactos - bom, não será bem assim, pensando bem, já nada  que venha da designada REFORMA DO ESTADO (ou será da ADMINISTRAÇÃO?, continuamos na dúvida) nos surpreende. Aqui em causa o Despacho acima. Repare-se quem o assina, a Senhora Ministra da Cultura (em part time) e o Senhor Ministro das«Reformas». Dada a distância entre as assinaturas dos Governantes - para apaziguamento nosso? - até queremos pensar que o Senhor Ministro teve dúvidas. E, a nosso ver, de facto devia ter impedido que aquela «peça» viesse a público. A ADMINISTRAÇÃO LEGALISTA em todo o seu esplendor! Como se explicará   «o fenómeno» em sala de aulas de Gestão Pública? A coisa merece tantos comentários que nos abstemos de analisar o Despacho porque não iríamos fazer mais nada nos próximos dias. Ou seja, o Despacho n.º 334/2026 é todo ele um PROGRAMA para avaliação da ação do Governo naquilo que  anunciou, em especial, sobre o que dizia ser a TRANSFORMAÇÃO DO ESTADO/ADMINISTRAÇÃO. Por outro lado - e isso é mesmo inquietante - nada de reação por parte das OPOSIÇÕES. Como se constatou na Campanha Eleitoral das Presidenciais o assunto também não veio à liça... É legitimo pensar que haverá dificuldade em abordar a Gestão Pública ... Que o próximo PRESIDENTE DA REPÚBLICA exerça o seu «magistério de influência» trabalhando para que o assunto seja colocado em AGENDA, «à séria» ... Por todo o lado. Assim o desejamos.
Entretanto, recomenda-se aos Senhores Governantes, caso ainda não o tenham feito, que leiam  o caderno ECONOMIA do Expresso desta semana e atentem num dos trabalhos chamados à primeira página que assinalamos na imagem seguinte:
 
 
 De lá esta passagem (o destaque é nosso): «(...) O estudo das características únicas do polvo abriu um mar de ideias para as organizações que querem enfrentar os desafios da inteligência artificial e de um ambiente geopolítico caótico. O problema tinha ficado em aberto depois do livro “Ondas Rebeldes: Proteja o Seu Negócio Para o Futuro, Sobreviva e Prospere no Meio de Mudanças Radicais” que publicou em 2021.
Brill avisa que o principal desafio de gestão atualmente “não é tecnológico, mas de organização”. A solução não é dar uma injeção de IA. E enumera quatro características do polvo que mais o espantaram e que assentam como uma luva na tarefa de mudar as organizações. (...)». Com um bocado de jeito ainda temos um Despacho a determinar que se leia (o livro subjacente ao artigo) ou seja: 
 
  

Estamos a levar tudo isto de «maneira leve» mas «apetece chorar». Que estão a fazer dos esforços havidos com o Portugal de Abril,  para a transformação das ADMINISTRAÇÕES PÚBLICAS ?, na senda de uma ADMINISTRAÇÃO GESTIONÁRIA.  Ó deuses!, Governo, Senhores Governantes aqui em causa, com o devido respeito perdoem-nos a expressão:  «com os diabos!», chamem gente que há no PSD e que sabem sobre o assunto - SENIORES, porque os jovens estarão na «mesma onda» dos «jovens governantes» (atendendo aos conceitos atuais de jovem) que trouxemos para este post ...

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Para quem queira pensar nestas coisas, e tenha coragem para se meter no «labirinto legalista» mais a  ajuda seguinte - para que não esqueça, GESTÃO é outra coisa, e GESTÃO PÚBLICA tem autonomia:
 
 

 

 o artigo é muito longo para ser reproduzido
 
 
 
 
 

segunda-feira, 19 de janeiro de 2026

«FAZER COM QUE NÃO PASSE»

 

 

Desconhecemos quem dá títulos e subtítulos, e faz as entradas nos Artigos de Opinião. A nosso ver são meio caminho andado para irmos ao corpo do texto, ou não. No caso acima, o que se lê é síntese perfeita - diz tudo em que muitos e muitas se reconhecerão,  e são mais do que palavras, são pensamento em ação, que estamos em crer levarão mais  pessoas a fazer a opção que condensa. Se tiver acesso ao Público online está aqui. Começa assim: 
«1. Seguro contra Ventura. Não era com isto que contávamos há uma semana, mas agora Seguro é quem temos para impedir que Ventura chegue à Presidência. Que o PSD e Montenegro, que Cotrim e a IL não queiram tomar posição entre um trumpista, racista, cada vez mais fascizado e o mais “moderado” (é o que ele diz de si próprio) dos socialistas portugueses diz tudo da direita “democrática”. Ventura quer copiar Meloni e Trump e arrebanha. (...)».
Termina deste modo: «(...) Hoje foi o PSD a sair humilhado e Seguro a surpreender, porque ultrapassa em muito o PS de maio passado — mas com resultados de quando o PS perde eleições. É quem sobra nas urnas para evitar que um fascista chegue a Belém. Temos muito que fazer para evitar vermo-nos reduzidos a opções destas».
 
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e de repente veio-nos à memória que
 documentamos com o que mais 
depressa encontramos:
 

 
 
 
 

domingo, 18 de janeiro de 2026

JOSÉ TOLENTINO MENDONÇA |«Para os Caminhantes Tudo é Caminho» | PARA O INTERVALO ENTRE «AS VOLTAS» DAS PRESIDENCIAIS DE UMA PESSOA COM QUEM SE APRENDE A NECESSIDADE DA CULTURA E DA ARTE

 

 
 
«Chegará o momento em que compreenderemos que sabedoria é amar tudo. É saudar os dias sem esquecer a importância das horas; contemplar as grandes torrentes sem deixar de agradecer cada gota de orvalho; estimar o pão sem, no entanto, esquecer o sabor das migalhas. Chegará a ocasião de compreender que o importante não é só contar a viagem, mas testemunhar também o contributo dos passos; elogiar não só a meta, mas a lição de cada etapa, sobretudo quando chegámos a duvidar que o caminho conduzisse a alguma parte. Chegará o tempo em que nos reconheceremos saciados tanto pela frescura da fonte, como pela sede; iluminados pela experiência dos encontros, mas também pelo ensurdecedor vazio de certas esperas; maravilhados, de igual maneira, com o alforge repleto e as mãos sem nada». Saiba mais.



sexta-feira, 16 de janeiro de 2026

ELEIÇÕES | JÁ QUE TEMOS DIA DE REFLEXÃO ... | tomando o decretado como lembrete talvez insistir no significado politico da «primeira volta» ousando lembrar-se que o «voto» pode mostrar que estamos atentos ao papel da cultura e das artes nas nossas vidas | QUIÇÁ A «AMINA» DA COMPANHIA DE DANÇA DO SEIXAL E O «CERROMAIOR» DE MANUEL DA FONSECA POSSAM INSPIRAR PARA A DECISÃO NO DIA 18 | VOTEMOS!

 

SINOPSE - «Cerromaior é o nome da (pequena) cidade onde decorre a acção do romance. Se bem que sendo uma cidade imaginária são notórias as semelhanças com a terra natal de Manuel da Fonseca, Santiago do Cacém. Aliás, o facto é referido pelo próprio logo no prefácio da obra «Cercado de cerros, que vão de roda em anfiteatro com o lugar do palco largamente aberto sobre a planície e o mar, o cerro de Santiago é de todos o mais alto. Daí o título: Cerromaior. Vila que me propus tratar...»
À sua Santiago, Manuel da Fonseca apenas retirou a proximidade do mar. Assim, Cerromaior retrata-nos uma cidade cercada pelo campo e a realidade alentejana dos anos trinta e quarenta. São focadas todas as classes sociais: a família de latifundiários que cidade; o proletariado rural, objecto da exploração económica; a GNR, aliada dos poderosos.
Este romance foi adaptado ao cinema por Luís Filipe Rocha em 1980». Saiba mais.

 © Alípio Padilha
 
«AMINA é a segunda peça do ciclo "A Coleção do Meu Pai" (2023–2033). É produzida pela Sete Anos sob a égide da Companhia de Dança do Seixal.
Parte do livro Cerromaior de Manuel da Fonseca para olhar para um território em particular, a Margem Sul, um território na periferia dos centros de poder, habitado por pessoas cada vez mais diversas entre si, mas unidas por um fator comum: a opressão do capitalismo no seu longo estertor. Deixámo-nos contaminar por outras referências, como a peça Mesa Verde de Kurt Jooss, o livro Dias Úteis de Patrícia Portela, e as vozes e as palavras do Grupo de Ação Cultural - Vozes na Luta.
É uma peça composta por vários jogos onde a palavra, o beat, o corpo e a manipulação de objetos dão a ver uma veracidade possível deste território e o seu respetivo pulsar». Saiba mais.

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No jornal Público entrevista 
à Diretora Artística Cláudia Dias 
 
 
Se puder não perca o trabalho 
na integra, de seguida algumas passagens: 
 
«(...) “A ideia não é fazer uma reprodução sobre a narrativa de cada livro em palco”, explica Cláudia Dias ao Ípsilon. “Não estou interessada nisso. O que interessa é ir buscar alguns elementos ao livro e, a partir deles, criar, em colectivo, um novo trabalho artístico.” Desta vez, ao pegar em Cerromaior, quis sobretudo replicar o gesto do escritor e, tal como Manuel da Fonseca “olhou para a sua terra natal, Santiago do Cacém, e o Alentejo dos anos 40, para falar sobre a desigualdade”, a artista quis focar-se no território concreto onde tanto ela como Xullaji (um dos seus cúmplices nesta criação, a par de Beatriz Rodrigues, Mayara Pessanha e Roge Costa) cresceram e ainda hoje vivem — a Margem Sul.

A par do olhar para o território sugerido pelo livro, à literatura o grupo foi ainda buscar o movimento circular da narrativa, a ideia do canto e da música, e a recolha de frases de Manuel da Fonseca que Xullaji usou para compor uma canção que interpretam em palco. Diz o músico: “Fui recolhendo algumas frases deste livro, que é lindo, e que nos foram servindo para perceber o que é este Alentejo de agora — porque na Margem Sul também vemos Alentejo, de onde muitas pessoas vieram. Esse Alentejo que, para mim, hoje pode vir de Campo Maior, do Bangladesh, da Praia, de Dakar, do Mindelo, de Bissau. São estas pessoas que chegam para trabalhar, para servir, e que são encurraladas neste sítio, as pessoas que têm de fazer o movimento pendular todos os dias e depois, assim que se metem no barco para cá, são olhadas com desdém profundo. Isso tem um paralelo muito grande com o livro.”
Xullaji recupera uma frase de um dos primos Runa, administradores das terras em Cerromaior, quando este diz que “só existem dois tipos de pessoas: os que mandam e os que obedecem”. Ao aplicarem essa máxima à Margem Sul de hoje, diz o músico que pensaram este espaço como “a cidade dos que obedecem”, enquanto do outro lado do Tejo se ergue “a cidade dos que mandam, com várias escalas de poder”. Se os paralelos estabelecidos entre o universo romanesco de Manuel da Fonseca e a realidade que rodeia este colectivo de artistas hoje lhes são evidentes, Cláudia Dias não deixa de notar que, embora reconhecendo “enormes diferenças” entre o presente e o país de 1943, quando o livro foi escrito, a proximidade não deixa de existir, uma vez que “a desigualdade persiste, tem uma nova roupagem, mas continua cá”. “Tivemos uma janela bonita com o 25 de Abril, mas essa janela está de novo a fechar-se e a desigualdade está a atingir outra vez níveis muito gritantes.”
A criadora faz ainda questão de notar que este não é um espectáculo feito por “artistas dentro de uma bolha a olhar de cima para a Margem Sul”, como se fossem “cientistas a pôr celulazinhas no microscópio” para estudarem fenómenos que os ultrapassam. “Nós também somos as pessoas que vivem essas dificuldades, a questão do capitalismo, do racismo, da violência, do preconceito. (...)».

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bom, este post não é «inocente», é comprometido.
Temos presente,
 em linha com o que temos dito:
 
«António Filipe é o candidato 
do artigo 78.º, do direito à fruição
 e criação cultural. (...)». 
 
e mostrá-lo na 1.ª volta
tem repercussões políticas
 de que precisamos - o «voto» fala!
 ao mesmo tempo sobre 
muitas e variadas
 preocupações ...