sexta-feira, 16 de janeiro de 2026

ELEIÇÕES | JÁ QUE TEMOS DIA DE REFLEXÃO ... | tomando o decretado como lembrete talvez insistir no significado politico da «primeira volta» ousando lembrar-se que o «voto» pode mostrar que estamos atentos ao papel da cultura e das artes nas nossas vidas | QUIÇÁ A «AMINA» DA COMPANHIA DE DANÇA DO SEIXAL E O «CERROMAIOR» DE MANUEL DA FONSECA POSSAM INSPIRAR PARA A DECISÃO NO DIA 18 | VOTEMOS!

 

SINOPSE - «Cerromaior é o nome da (pequena) cidade onde decorre a acção do romance. Se bem que sendo uma cidade imaginária são notórias as semelhanças com a terra natal de Manuel da Fonseca, Santiago do Cacém. Aliás, o facto é referido pelo próprio logo no prefácio da obra «Cercado de cerros, que vão de roda em anfiteatro com o lugar do palco largamente aberto sobre a planície e o mar, o cerro de Santiago é de todos o mais alto. Daí o título: Cerromaior. Vila que me propus tratar...»
À sua Santiago, Manuel da Fonseca apenas retirou a proximidade do mar. Assim, Cerromaior retrata-nos uma cidade cercada pelo campo e a realidade alentejana dos anos trinta e quarenta. São focadas todas as classes sociais: a família de latifundiários que cidade; o proletariado rural, objecto da exploração económica; a GNR, aliada dos poderosos.
Este romance foi adaptado ao cinema por Luís Filipe Rocha em 1980». Saiba mais.

 © Alípio Padilha
 
«AMINA é a segunda peça do ciclo "A Coleção do Meu Pai" (2023–2033). É produzida pela Sete Anos sob a égide da Companhia de Dança do Seixal.
Parte do livro Cerromaior de Manuel da Fonseca para olhar para um território em particular, a Margem Sul, um território na periferia dos centros de poder, habitado por pessoas cada vez mais diversas entre si, mas unidas por um fator comum: a opressão do capitalismo no seu longo estertor. Deixámo-nos contaminar por outras referências, como a peça Mesa Verde de Kurt Jooss, o livro Dias Úteis de Patrícia Portela, e as vozes e as palavras do Grupo de Ação Cultural - Vozes na Luta.
É uma peça composta por vários jogos onde a palavra, o beat, o corpo e a manipulação de objetos dão a ver uma veracidade possível deste território e o seu respetivo pulsar». Saiba mais.

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No jornal Público entrevista 
à Diretora Artística Cláudia Dias 
 
 
Se puder não perca o trabalho 
na integra, de seguida algumas passagens: 
 
«(...) “A ideia não é fazer uma reprodução sobre a narrativa de cada livro em palco”, explica Cláudia Dias ao Ípsilon. “Não estou interessada nisso. O que interessa é ir buscar alguns elementos ao livro e, a partir deles, criar, em colectivo, um novo trabalho artístico.” Desta vez, ao pegar em Cerromaior, quis sobretudo replicar o gesto do escritor e, tal como Manuel da Fonseca “olhou para a sua terra natal, Santiago do Cacém, e o Alentejo dos anos 40, para falar sobre a desigualdade”, a artista quis focar-se no território concreto onde tanto ela como Xullaji (um dos seus cúmplices nesta criação, a par de Beatriz Rodrigues, Mayara Pessanha e Roge Costa) cresceram e ainda hoje vivem — a Margem Sul.

A par do olhar para o território sugerido pelo livro, à literatura o grupo foi ainda buscar o movimento circular da narrativa, a ideia do canto e da música, e a recolha de frases de Manuel da Fonseca que Xullaji usou para compor uma canção que interpretam em palco. Diz o músico: “Fui recolhendo algumas frases deste livro, que é lindo, e que nos foram servindo para perceber o que é este Alentejo de agora — porque na Margem Sul também vemos Alentejo, de onde muitas pessoas vieram. Esse Alentejo que, para mim, hoje pode vir de Campo Maior, do Bangladesh, da Praia, de Dakar, do Mindelo, de Bissau. São estas pessoas que chegam para trabalhar, para servir, e que são encurraladas neste sítio, as pessoas que têm de fazer o movimento pendular todos os dias e depois, assim que se metem no barco para cá, são olhadas com desdém profundo. Isso tem um paralelo muito grande com o livro.”
Xullaji recupera uma frase de um dos primos Runa, administradores das terras em Cerromaior, quando este diz que “só existem dois tipos de pessoas: os que mandam e os que obedecem”. Ao aplicarem essa máxima à Margem Sul de hoje, diz o músico que pensaram este espaço como “a cidade dos que obedecem”, enquanto do outro lado do Tejo se ergue “a cidade dos que mandam, com várias escalas de poder”. Se os paralelos estabelecidos entre o universo romanesco de Manuel da Fonseca e a realidade que rodeia este colectivo de artistas hoje lhes são evidentes, Cláudia Dias não deixa de notar que, embora reconhecendo “enormes diferenças” entre o presente e o país de 1943, quando o livro foi escrito, a proximidade não deixa de existir, uma vez que “a desigualdade persiste, tem uma nova roupagem, mas continua cá”. “Tivemos uma janela bonita com o 25 de Abril, mas essa janela está de novo a fechar-se e a desigualdade está a atingir outra vez níveis muito gritantes.”
A criadora faz ainda questão de notar que este não é um espectáculo feito por “artistas dentro de uma bolha a olhar de cima para a Margem Sul”, como se fossem “cientistas a pôr celulazinhas no microscópio” para estudarem fenómenos que os ultrapassam. “Nós também somos as pessoas que vivem essas dificuldades, a questão do capitalismo, do racismo, da violência, do preconceito. (...)».

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bom, este post não é «inocente», é comprometido.
Temos presente,
 em linha com o que temos dito:
 
«António Filipe é o candidato 
do artigo 78.º, do direito à fruição
 e criação cultural. (...)». 
 
e mostrá-lo na 1.ª volta
tem repercussões políticas
 de que precisamos - o «voto» fala!
 ao mesmo tempo sobre 
muitas e variadas
 preocupações ...
 
 
 
 



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