Em boa verdade, já não haverá nada de novo a acrescentar à forma como o atual GOVERNO está a conduzir o seu trabalho. A opção (ou será que não sabe fazer doutra maneira?) pela ADMINISTRAÇÃO LEGALISTA está aí para quem o queira ver. A Resolução acima é um bom exemplo. Ó deuses!, nada contra «textos de apoio» em que se fundamenta a ação governativa. Sugestão: na «Área REFORMA DO ESTADO» que aparece no Portal do Governo (ainda que mal se pergunte existe site do Ministério associado?) coloquem aquilo a que se costuma designar por «RECURSOS», ou seja, a bibliografia e demais fontes que dão suporte teórico, prático, e institucional à ação do Governo. Na circunstância à «INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL». Mas transformar uma Resolução do Conselho de Ministros, já não dizemos em «sebenta», subamos na escala para «livro» - (atravessado pelo «panfletário»?, ou estamos a ser injustos?, não nos parece) - começa a inquietar demais: a GESTÃO PÚBLICA parece mesmo estar em perigo. Mas a ciência das «organizações e da sua gestão» existe.
Acabada de ler a RCM n.º 2 aqui em causa - ainda atordoados - e apenas a titulo de mera ilustração olhemos para isto - mas o melhor é ler tudo (mas quem tem tempo para isso?):
«(...) A inteligência artificial (IA) representa uma oportunidade histórica para Portugal acelerar o crescimento económico, reformar o Estado e aumentar a produtividade, hoje limitada a 75 % da média europeia.
A rápida adoção de IA pode acrescentar entre 18 e 22 mil milhões de euros ao produto interno
bruto (PIB) e elevar até 2,7 pontos percentuais (p. p.), num cenário de rápida automação e adoção de
IA generativa, o contributo da produtividade para o crescimento.
A oportunidade de IA não se foca apenas em large language models (LLM). Desde redes neuronais
recorrentes e convolucionais para análise de imagens, dados sequenciais, ou geração de dados sintéticos, árvores de decisão para previsões tabulares, reinforcement learning para otimização de sistemas,
e modelos não supervisionados para descoberta de padrões de IA, o impacto potencial desta tecnologia
é significativo, seja aplicado à saúde, indústria e economia azul, ou até à simplificação e digitalização
da Administração Pública.
Portugal possui vantagens estruturais únicas, designadamente, energia competitiva e renovável,
infraestrutura digital de referência, talento qualificado, elevada predisposição para uso de IA, conectividade nacional e internacional, ecossistema dinâmico de startups e forte qualidade de vida, as quais
criam condições ideais para desenvolver soluções de IA e atrair investimento e talento.
A ANIA estabelece uma visão clara na utilização de IA de forma ética, segura e responsável, de
modo a aproximar Portugal da vanguarda da competitividade europeia. Foca-se na transformação da
inovação em valor público concreto, a saber, salários mais elevados, serviços públicos mais eficientes
e maior qualidade de vida.
A ANIA rege-se por seis princípios orientadores e está estruturada em quatro eixos de atuação
com objetivos claros.
Em primeiro lugar, Infraestrutura e Dados, para garantir que Portugal desenvolve capacidade
computacional estratégica e uma economia de dados robusta, reduzindo a dependência externa,
assegurando uma articulação diplomática para proteger o acesso contínuo a recursos críticos de IA
e criando bases tecnológicas que permitam competir na próxima década. (...)
A complexidade regulatória agrava o problema. O novo Regulamento Europeu de IA terá de coexistir com legislação já extensa, como o RGPD, a par de regulamentos setoriais em matérias de saúde,
finanças ou educação, criando um ambiente regulatório fragmentado e, por vezes, contraditório. Esta
incerteza jurídica atrasa decisões, aumenta custos e gera dependência de consultoria especializada,
escassa no mercado nacional.
Ao mesmo tempo, a IA está a tornar-se cada vez mais acessível e próxima de ser uma tecnologia
amplamente disponibilizada, com uma velocidade de adoção sem precedentes. Esta democratização
acelera o potencial de inovação, mas aumenta proporcionalmente a necessidade de responsabilidade,
segurança e mecanismos de salvaguarda. O desafio já não é apenas incentivar o uso, mas garantir que
esse uso é seguro, confiável e alinhado com valores públicos. (...)
E até temos em jeito de Notas de Rodapé:
1
) McKinsey & Company, 2025.
(
2
) Eurostat, 2023, Produtividade por hora trabalhada.
(
3
) Implement Consulting Group, 2024, The economic opportunity of generative AI in Portugal.
(
4
) McKinsey & Company 2025, EY European AI Barometer 2025.
(
5
) Global Peace Index, 2025.
(
6
) Global Citizen Solutions, 2025.
(
7
) Netsonda 2025, Estudo de mercado.
(
8
) StartUp Portugal, 2025, Startup & Entrepreneurial Ecossystem Report.
(
9
) BCG, 2024, The Leader’s Guide to Transforming with AI.
(
10) Instituto Nacional de Estatística, 2025, Inquérito à Utilização de Tecnologias da Informação e da Comunicação nas
Empresas.
(
11) Direção-Geral das Atividades Económicas.
(
12) Implement Consulting Group, 2025, The AI opportunity for eGovernment in Portugal.
(
13) Direção-Geral de Estatísticas da Educação e Ciência, CDH 23 | Inquérito aos Doutorados, 2023.
(
14) Future of Work, 2024, McKinsey & Company.
(
15) AI Barometer, 2025, EY.
(
16) Solving Europes AI Talent Equation, CEPS 2025.
(
17) IDC Portugal, 2024.
(
18) CEO Outlook, 2025, KPMG.
(
19) Tech Talent Trends Repor2025, Landing.Jobs.(
20) Global AI Jobs Barometer, 2025, PwC.
(
21) European AI Barometer, 2025, EY.
(
22) KPMG, 2025, CEO Outlook (...)»
Com o devido respeito, poupem-nos!
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Entretanto, aproveitemos
para rendibilizar posts anteriores
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