Neste post a que se refere a imagem inicial mostramos que havia dúvidas quanto ao que nos estava a ser anunciado. E até pedíamos aos «especialistas» que nos ensinassem nomeadamente através de artigos de opinião como aliás era expectável. Está a acontecer, assim o ilustra também os recortes acima. Dadas as possibilidades de articulação entre as matérias, no caso no Jornal Público, basta entrar num deles para chegar aos demais - esperemos que tenha acesso (são exclusivos) mas há «gratuitos» que podem ser explorados (se tiver tempo)... Apenas algumas passagens que naturalmente respigamos em reforço do que se defende. Intui.
Raquel Henriques da Silva (o destaque é nosso)
«(...)Muito mais surpreendentes são as decisões divulgadas pelo PÚBLICO de 27 de Dezembro, embora entre o que disseram a ministra, o presidente da MMP e a curadora da CACE haja alguns desacertos. Tentando fazer a síntese das várias declarações, conclui-se que, ao instalar-se na ex-Ellipse Foundation, a CACE recebe não só as instalações mas também a própria colecção com cerca de 800 peças, entre elas algumas de referência como as de Richard Prince, Cindy Sherman, Thomas Schütte, Louise Bourgeois, John Baldessari, Gabriel Orozco, David Hammons, Glenn Ligon, adquiridas entre 2004 e 2007 (ver artigo de opinião no PÚBLICO de 21 de Junho de 2022, de que fui co-autora). Para Sandra Vieira Jürgens, esta decisão “é um passo de gigante”, considerando que “a Ellipse é a coluna vertebral do que será a internacionalização da CACE”. Desta bombástica afirmação, pode concluir-se duas coisas: que a CACE, nascida para promover “uma política de aquisições que privilegia a criação nacional e a respectiva fruição em todo o território”, vai integrar, gerir e expor um acervo predominantemente internacional; e que, assim fazendo, vai ela mesma internacionalizar-se, não se percebendo se através dos programas expositivos, se por aquisição de obras estrangeiras.
A propósito do anunciado “passo em frente” da Colecção de Arte Contemporânea do Estado
Quanto à ministra e ao presidente da MMP, terão sido um pouco mais ponderados, considerando que há protocolos firmados com o MAC/CCB e com o Museu de Serralves que podem chocar com o proclamado “passo de gigante”. Mas privilegiam claramente a ambição da CACE, até porque, disse o presidente do MMP, “consegue dar sentido a esta colecção”, acrescentando que o MAC/CCB “está muito fechado sobre si próprio”. Esta frase é particularmente infeliz e conduz-me a algumas questões.
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Quanto à ministra e ao presidente da MMP, terão sido um pouco mais ponderados, considerando que há protocolos firmados com o MAC/CCB e com o Museu de Serralves que podem chocar com o proclamado “passo de gigante”. Mas privilegiam claramente a ambição da CACE, até porque, disse o presidente do MMP, “consegue dar sentido a esta colecção”, acrescentando que o MAC/CCB “está muito fechado sobre si próprio”. Esta frase é particularmente infeliz e conduz-me a algumas questões.
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Previno que o anunciado CACE Centro com “horário de funcionamento” para visitas e “serviço educativo” — sobre a existência de uma colecção (com ou sem o acervo da ex-Ellipse), instalações próprias, uma equipa de trabalho, um orçamento atribuído e programas expositivos — é na verdade um museu, preenchendo todos os requisitos do Conselho Internacional dos Museus. Aliás, assim o entendeu euforicamente o recente vereador da Câmara Municipal de Cascais, ao anunciar, num evento público, que Cascais irá ter um novo museu de arte contemporânea. Compreendo a sua euforia: novo museu para o concelho sem quaisquer custos para a autarquia, ao contrário do que esteve antes delineado com um anterior presidente da câmara de Cascais e um ministro da Cultura.(...)»
Pedro Lapa
«(...) A criação bem-intencionada da CACE, em 2019, foi outro erro, ultrapassando o princípio de que o Estado adquire obras para as coleções dos seus museus, as únicas entidades que têm os meios necessários para a conservação, apresentação e divulgação. Sobretudo quando existe o Museu Nacional de Arte Contemporânea – Museu do Chiado, que desde 1911 tem essa missão. Que o espaço seja insuficiente é um problema continuamente adiado. Todavia, a constituição da CACE não ofereceu inicialmente um quadro de pessoal, nem um espaço para o armazenamento das obras de artistas nacionais que foram sendo compradas com orçamentos cumpridores da promessa bem-intencionada, mas paradoxalmente esvaziou o MNAC-MC da sua função, votando-o à situação penosa em que se encontra.
As coleções da CACE estiveram durante este período em armazéns alugados e em condições de conservação dúbias. A afetação do armazém da Ellipse como reserva para estas coleções é uma boa notícia do ponto de vista da conservação e da economia de meios. O erro cometido com a constituição da CACE, em vez de se ter dotado o MNAC-MC com esses meios para o exercício da sua função, poderia ser resolvido com a integração desta no centenário MNAC-MC, um dos primeiros museus de arte contemporânea do mundo que a República sonhou, mas não concretizou por mais de um século. (...)
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O que dizer? Apenas isto: A Gestão Pública anda pelas ruas da amargura. Não é apenas na SAÚDE que compreensivelmente nos mobiliza prioritariamente ... Não deve impedir que em cada área se faça o que deve ser feito. Com qualidade.
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Entretanto, beneficiemos do que é de todos - Visitemos o site da COLEÇÃO. De lá o sugestivo titulo de Exposição a decorrer:
«Inquietação. Liberdade e Democracia»
Vista da exposição. Cortesia: Maru Serrano_La Casa Encendida, 2025



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