segunda-feira, 12 de janeiro de 2026

«A NOITE DOS VISITANTES» DE PETER WEISS | coprodução do Teatro da Rainha e do Teatro das Beiras _ «Trata-se de um espectáculo para todas as idades. Uma peça popular escrita em verso, traduzida nos anos 70 do século passado por Mário Barradas, uma parábola divertida, mas séria, da guerra entre impérios» | TAMBÉM «É UMA HOMENAGEM AO HOMEM DE TEATRO MÁRIO BARRADAS» E A ISSO NOS QUEREMOS ASSOCIAR

 

 

«Trata-se de um espectáculo para todas as idades. Uma peça popular escrita em verso, traduzida nos anos 70 do século passado por Mário Barradas, uma parábola divertida, mas séria, da guerra entre impérios. A história passa-se entre dois «visitantes» (dois homens armados, dois exércitos) que entram numa casa camponesa (um país), ocupando-a e fazendo da família (mãe e dois filhos) reféns, enquanto o pai, que ao elencar tudo aquilo que tinham para lhes dar, falou de ouro escondido num cofre, sai e vai supostamente desenterrá-lo no canavial. Uma reprodução de fenómenos semelhantes a que se tem assistido, com forças ocupantes e povos massacrados, seja por razões geoestratégicas ou apenas materiais. 

A Noite dos Visitantes, do alemão Peter Weiss, uma peça encenada por Fernando Mora Ramos, conta com as interpretações de Fábio Costa, Hâmbar de Sousa e Tiago Moreira (Teatro da Rainha), Benedita Mendes, Miguel Brás e Sónia Botelho (Teatro das Beiras).
O Grande Auditório do Centro Cultural e de Congressos das Caldas da Rainha vai ter sessões para as escolas de 20 a 23 de Janeiro, às 15h. Nos dias 23 e 24 deste mês, o público em geral poderá assistir ao espectáculo, às 21h30».No AbrilAbril. 

 E no site do Teatro das Beiras: 

 «A Noite dos Visitantes, de Peter Weiss, é uma reflexão em verso popular e rimado, referida ao teatro Kabuki e ao Grand Guignol, projeto radicalmente antinaturalista que se debruça sobre como as populações civis são as vítimas eternas dos imperialismos. Autor de um teatro politizado e documental, Weiss realiza nesta peça uma parábola que, sendo referida ao final da Segunda Guerra Mundial, mostra como o esbulho e o saque dos recursos naturais acaba por manchar de forma infame a justa vitória dos “libertadores” da Europa, Russos e Americanos. Sendo uma parábola, a sua lição está muito para além dessa limitação referencial histórica.

   A Noite dos Visitantes cuja moral final será “não tens mais do que as tuas mãos e umas batatas para semear” para construir o futuro, tem tradução de Mário Barradas e é encenada por Fernando Mora Ramos. No ano em que o Teatro da Rainha assinala 40 anos, esta coprodução com o cinquentenário Teatro das Beiras  ̶  uma das mais destacadas companhias do desertificado interior do país  ̶  é uma homenagem ao homem de teatro Mário Barradas, que em 1978 a encenou no Centro Cultural de Évora com estreia Teatro Garcia de Resende. Fernando Mora Ramo integrava, então, o elenco».

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E como nos associarmos à «homenagem»?, recordando do que se escreveu aquando da sua morte e mais do que uma vez lembrado aqui no Elitário Para Todos 
 
 DE RUI VIEIRA NERY

 

«AS ÁRVORES MORREM DE PÉ

  Morreu o meu Amigo Mário Barradas. Segundo me contam, morreu de “morte santa”, como se costuma dizer, daquela morte súbita que desejamos àqueles que amamos e que pedimos para nós próprios. E ainda bem que foi assim, sem aquelas agonias lentas que corroem o corpo e parecem degradar a alma, mas antes como se fosse “de um tiro ou de uma faca de ponta”, como na canção de Lopes-Graça e como esperamos que possam morrer sempre os nossos heróis.

A imagem não é uma mera metáfora, porque o Mário foi realmente na sua vida um verdadeiro herói, daqueles que acreditam numa causa, que lutam por um sonho e que na sua entrega a essa luta se esquecem de si próprios e não perdem muito tempo a pensar no jogo das conveniências pessoais. Neste caso o sonho e a causa eram um ideal de fraternidade e de justiça cujo modelo concreto se pode contestar mas com uma sinceridade e uma dedicação que está acima de qualquer dúvida. E desse ideal constava também um princípio que para ele era evidente – o de que a Cultura e, em particular, o Teatro eram um bem comum, ao mesmo tempo uma fonte de felicidade e uma escola de reflexão cívica, uma presença que deveria ser constante no quotidiano dos cidadãos e que por isso mesmo o Estado democrático tinha o dever moral de garantir de forma estável e sustentada.
Conheci o Mário muito antes de ele me conhecer. Cruzámo-nos primeiro no Conservatório Nacional, onde foi um dos pilares da renovação da Escola de Teatro e onde, chegado de França, onde tinha trabalhado e estudado no Teatro Nacional de Estrasburgo, procurava trazer para Portugal um novo modelo de formação de actores e uma nova estética teatral, lúcida, empenhada, criativa, consciente do património clássico mas atenta à modernidade artística e aos desafios da cidadania. E depois reencontrei-o naquela que foi uma das minhas primeiras grandes experiências de espectador de Teatro, tinha eu dezasseis anos, pouco antes do 25 de Abril, num espectáculo extraordinário que me marcou para sempre: era A Grande Imprecação Diante da Muralha da Cidade, de Tankred Dorst, com encenação deles e com a Fernanda Alves, o Mário Jacques e o Vidente Galfo, numa produção dos Bonecreiros, um dos mais importantes grupos independentes que no início da década de 70 estavam a marcar a renovação radical da vida teatral portuguesa. (...)». Continue a ler.
DE JOSÉ PEIXOTO 
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De certa forma nos dias que passam queremos valorizar uma vez mais o esforço do Candidato Presidencial ANTÓNIO FILIPE ao empenhar-se em dar VISIBILIDADE À CULTURA. Como se vê não devíamos poder viver sem um SERVIÇO PÚBLICO DE CULTURA - pelo prazer e saber que só por aí podemos ter ... 
 

 

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