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Alguns excertos
do CACE: muito barulho por nada - «(...) Enquanto alguns se digladiam sobre questões acessórias, os verdadeiros problemas dos artistas visuais e o funcionamento deste sector continuam a estar longe das preocupações. Para a AAVP, o mais premente problema do sector da arte contemporânea é a precariedade. Devido à instabilidade laboral e suas consequências remuneratórias, são poucos os profissionais em exclusividade nesta área. Esta é uma realidade profissional, social e económica por muitos desconhecida ou majestaticamente ignorada por alguns protagonistas do sector e pelo poder político.
Numerosos aspectos da nossa actividade enquanto artistas visuais continuam ausentes das discussões públicas, tal como subsiste a inexistência de um museu de arte contemporânea portuguesa onde, de forma regular e permanente, se pudesse oferecer um panorama da arte portuguesa ao longo do século XX e XXI, dando relevância e valorização públicas à criação portuguesa contemporânea. (...)».
Numerosos aspectos da nossa actividade enquanto artistas visuais continuam ausentes das discussões públicas, tal como subsiste a inexistência de um museu de arte contemporânea portuguesa onde, de forma regular e permanente, se pudesse oferecer um panorama da arte portuguesa ao longo do século XX e XXI, dando relevância e valorização públicas à criação portuguesa contemporânea. (...)».
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de Delfim Sardo: “Creio não haver alternativa séria ao depósito da Colecção Ellipse no MAC/CCB”: «(...) “O que é determinante é que a Ellipse seja um espólio em depósito permanente num museu em que dialoga com outras importantes colecções internacionais. Só um museu estruturado, com uma equipa curatorial, um serviço educativo activo e experiente, uma equipa editorial, um posicionamento local e uma estratégia internacional pode potenciar uma colecção com o âmbito da Ellipse, integrando-a e dando-lhe contexto.” Essa decisão, acrescenta, parece não só “natural” como “consensual”, tendo em conta as opiniões publicadas recentemente neste jornal pelos historiadores de arte Raquel Henriques da Silva e Pedro Lapa.
A gestão partilhada com a CACE, com o objectivo de internacionalizar este acervo que começou a ser constituído em 1976 e tem um perfil até agora sobretudo nacional, é contestada pelo antigo administrador. “A resposta é muito simples: internacionalizar um museu e as suas colecções é um processo longo e só possível a partir da relevância dos seus espólios. Internacionalizar não é fazer uma exposição; é desenvolver um trabalho que parte de um contexto, não de um mero fundo de aquisições, por mais relevante que seja. É procurar relações com outras instituições, desenvolver elos ao longo do tempo. É compreender as dinâmicas entre as colecções e as exposições individuais que os museus vão realizando, dar visibilidade aos artistas locais no contexto das colecções internacionais que o museu acolhe e apresenta, conserva, divulga e estuda.”
Delfim Sardo diz que não pode alongar-se sobre o que está pensado para o CACE Centro, porque não compreende, até agora, o modelo em causa. “Creio não haver alternativa séria ao depósito da Colecção Ellipse. As antigas instalações da Colecção Ellipse em Alcoitão [Alcabideche] poderão ser relevantes como local de armazenamento, até como reservas visitáveis, mas não é isso um museu. Um museu é um serviço que é prestado aos seus públicos. Foi essa utilização como depósito que em tempos foi discutida, nomeadamente em visitas ao espaço de que participei.”
Além disso, acrescenta, não compreende a necessidade de um novo centro de arte contemporânea, nomeadamente em Cascais e nestas condições, “quando os museus existentes fazem um trabalho sério, com direcções competentes e se encontram subfinanciados”, sublinhando que o pode dizer com grande independência, porque não tem actualmente quaisquer responsabilidades institucionais. “Não temos recursos ilimitados no campo da cultura, muito pelo contrário. Assim, é essencial que as linhas estratégicas de intervenção sejam muito bem definidas: potenciar e dar poder às instituições existentes é fundamental. Em termos simples, usar bem o que temos de melhor.” (...)»
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Entretanto no site da CACE
Exposição da CACE no guia da «The Art Newspaper»

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