SINOPSE
«Segunda colaboração criativa entre os textos de Luísa Costa Gomes e as ilustrações de Jorge Nesbitt, celebrando os 20 anos do best-seller infantojuvenil Trava-Línguas.
Nos Divertimentos, as palavras são brinquedos que mexem. E fazem barulho. As peças do jogo são as letras, com os seus ritmos e sons. Com elas tudo se constrói.
Por vezes, vem a gralha e temos o caldo entornado. Basta uma letra mal posta e, em vez de se calar, temos a gralha a falar. Já se vê a importância de uma letra! Com o movimento das letras, as palavras empilham-se como caixotes, atiram-se ao ar como bolas, fazem comboios ou puxam umas pelas outras em direções desencontradas. Às vezes, ficam a pairar no eco como móbiles, com os olhos bem abertos para entrar luz. Assim criam coisas de que não se estava à espera.
Imagina tu agora a menina chamada Vampirina e a Irina a ir na via que vinha! Imagina o menino Francisco a ver com todo o seu ser! Imagina a Benedita, que tem um carrapato no carrapito! A Leonor, carregada dos livros da escola na sacola! E as formigas no carreiro, as lulas que pululam, um Capitão zangado com o apitão e tantos outros seres animais e animados!».
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e temos a entrevista da imagem,
De lá esta passagem, síntese em
que leitores/as certamente se reveem
«(...) Essa última colecção de contos, publicada pela D. Quixote, Triunfo do triunfo, abre com o conto homónimo, escrito há cerca de duas décadas, mas mantendo uma actualidade inquietante: a banalização das reuniões, dos projectos, das carreiras brilhantes sempre em vias de se fazerem, a importância do sucesso, a via rápida das juventudes partidárias, a cultura municipal...
Foi escrito em 2007. Ao relê-lo, achei curioso que, estando nós bastante mais degradados, não estamos assim tão longe. O que temos hoje começou aqui – até mais remotamente. O ambiente ‘cultural’ que aqui se respira – e então hoje com o domínio da extrema direita bronca, que chega a níveis de delírio – é perfeitamente reconhecível. O título do livro é uma expressão completamente vazia porque significa que o que triunfa não é o trabalho, o mérito, mas o triunfo completamente balofo, oco, vazio, em que vivemos numa sociedade que adora triunfos mas triunfos que não estão ligados com coisa nenhuma que se possa considerar digna desse nome. Queria mostrar um pouco uma atmosfera generalizada de concurso de televisão: há uns grandes entusiasmos e nós, diante daquelas coisas mínimas, não conseguimos perceber porquê. Se este entusiasmo todo fosse posto ao serviço de qualquer coisa de útil, de criativo, que sociedade produtiva teríamos.
Há uma personagem que, a propósito de um projecto, é convidada a preencher um formulário no qual regista ‘Cultura e Desporto’, assim amalgamados. É uma coisa profética, se pensarmos no governo de Luís Montenegro.
Sem dúvida [risos]. Para nós, em 2007, isso era uma coisa totalmente impensável. A ideia da cultura e do desporto, à maneira fascista, da gestão dos espaços culturais, quer dizer, gimnodesportivos, tem a ver, curiosamente, não com o primeiro governo cavaquista, mas com o primeiro governo em que há um Ministério da Cultura, e em que se começa a falar de uma indústria da cultura, e em conteúdos culturais – tudo isso era uma linguagem aberrante para a minha geração. A noção de equipamento cultural, a noção de formação de público, que hoje se transformou numa coisa perfeitamente banal, na altura, estava a formatar-se a cultura nesses parâmetros. (...)».
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As respostas de Luísa Costa Gomes acima até nos ajudam, nelas nos sentindo amparados, a olhar para o Decreto-Lei, abaixo, hoje publicado no Diário da República, uma vez mais, para além dele: faz parte de algo mais amplo, do limitado que marca a nossa Governação. Em particular a da CULTURA num caldeirão com o DESPORTO, a JUVENTUDE, a IGUALDADE. Basta olhar para a maneira como utilizam «paradigma» ...Afinal, «preto, no branco» qual é esse paradigma que prosseguem?, numa frase, como recomendam «os manuais«. Insistimos, tudo «remendos»: sem conceito, sem técnica, sem intuição ... Mas venham eles, para mitigarem pontualmente a fragilidade do SETOR ...Mas «as buchas» agora publicadas não trazem A TRANSFORMAÇÃO NECESSÁRIA. Lamentamos, Senhora Ministra da Cultura em part time; lamentamos Governo; lamentamos Políticos em geral ...
na medida do possível, AGOSTO. Ah,
que saudades de Jorge Silva Melo
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