Vista da exposição Conversa de Corvos, de Fariba Hajamadi,
Pavilhão Julião Sarmento, 2026. © Fábio Cunha
Vista da exposição Era uma Vez na América, Pavilhão Julião Sarmento, 2026. © Fábio Cunha
a nosso ver, a não perder
trabalho de Mariana Varela donde
excertos abaixo
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«(...) Retrato da importância da Democracia em um contexto em que ela parece ser carcomida por dentro, Arena foi replicada ao longo dos anos em diferentes espaços, figurada e reconfigurada graças ao seu regime de acesso aberto. Gesto expressivo do seu posicionamento e interesse artístico, McBride traz à exposição um lastro do projeto democrático do país que hoje passa por um revirar de tripas, um aprofundamento nas tubulações da sua psique — uma tragi-comédia que nos dispõe a todos, enquanto sociedade globalizada, como espectadores e envolvidos.A América que Sarmento colecionou nas décadas de 1980 e 1990 já não é a América de hoje: esse será talvez o ponto fraco da exposição, mas também aquilo que poderá fazer vingar o seu potencial: com uma série de conversas que o Pavilhão engendra com o crítico de arte norte-americano Joshua Decter em articulação com a AIR 351, Isabel Carlos e Rita McBride questionam, entre outras coisas – O que a Arte Quer de Nós — e o Que Queremos da Arte?
Dada a coleção relevante de obras na exposição, sublinho as fotografias de Nan Goldin que, além de registarem a cena alternativa, queer e boémia norte-americana, é uma figura incontornável do ativismo político: com uma vasta luta contra a indústria farmacêutica por meio da fundação do grupo P.A.I.N, Goldin lutou por décadas para responsabilizar a Purdue Pharme e a Família Sackler pela crise de sobredose de opióides, tendo influenciado um número considerável de museus a rejeitar donativos e remover o nome Sackler.
A sua presença na exposição é um dos pontos de conexão possíveis para pensar os Estados Unidos de ontem e hoje, cruzando pontes entre a política, a autonomia artística e as engrenagens financeiras dos museus e galerias. No contexto atual, qual o papel que museus e galerias devem desempenhar em um contexto em que o conflito armado, a violência, a opressão, a religião e a ignorância caricatural ganham protagonismo no continente americano? (...)».
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«(...) No piso superior, Fariba Hajamadi: artista nascida no Irão e radicada nos Estados Unidos que, também ela, atravessou a vida de Sarmento. Deixou nesse encontro uma obra sua — Inverted Order: one of three sets of 5 elements (1989-1994) – que foi, no contexto atual, revisitada. Adicionam-se a essa obra mais duas, que formam uma tríade expressiva do seu trabalho com fotografia e metalinguagem, onde a representação e a representação da representação aparecem como forma de revelar a fabulação institucional de identidades e histórias, aproximando-se da arte conceptual e da crítica institucional.
Com uma fantasmagoria implícita nesse diálogo — uma vez que a relação entre Estados Unidos e Irão é uma das tensões bélicas mais relevantes do contexto geopolítico — a canção de ninar que Hajamadi nos deixa na parede do piso superior é emblemática da violência que atravessa a história do país.
Nos seus trabalhos de fotografia, a artista trabalha com sobreposições de perspectivas, como um jogo de espelhos e reflexos, bastidores e passagens, que apresentam a identidade e a memória dentro do labiríntico caminho da migração, da memória e da construção e reconstrução da identidade.
Se evoca, por um lado, a visualidade labiríntica que caracteriza a cultura islâmica, por outro, atenta para a questão da eventual impossibilidade de representação. Quando o olho que vê, a técnica que captura e a narrativa histórica passam a desempenhar protagonismo consciente na confecção da obra, qual o espaço que fica para a possibilidade de representação?(...)».
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Conferências Pavilhão Julião Sarmento & Air 351
Joshua Decter - Era Uma vez na América
08/07/2026 - 18h - A Arte e as Nossas Contradições: Financeirização, Protesto, Metapolítica, Fragmentação.
30/09/2026 - 18h - Pode a Arte ser Transgressiva?
14/10/2026 - 18h - A História da Arte nas Redes Sociais (A Obra de Arte na Era da Mediação Social)
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