segunda-feira, 25 de agosto de 2014

O CASO RIVOLI CONTINUA



Jornal de Notícias - 24 Agosto 2014

Mais uma peça para o «Processo RIVOLI». Mais um elemento para se reflectir a REDE DE TEATROS que não temos.  Talvez ver posts anteriores relativos ao caso RIVOLI, por exemplo, via  Credo, Cruzes ...Companhia Residente, Nem Pensar ! Sobre esta matéria há mais trabalhos que facilmente se encontram na internet, como este  na sapo. 

domingo, 17 de agosto de 2014

«Stratford Festival»




Para quem não conhece: STRATFORD FESTIVAL - Canada.  O Festival:

«With William Shakespeare as its foundation, the Stratford Festival aims to set the standard for classical theatre in North America. Embracing our heritage of tradition and innovation, we seek to bring classical and contemporary theatre alive for an increasingly diverse audience.

For more than half a century, our mission has evolved to address the ever-changing, ever-challenging Canadian cultural landscape. What has remained constant, however, is our determination to create stimulating, thought-provoking productions of Shakespeare’s plays, to examine other plays from the classical repertoire, and to foster and support the development of Canadian theatre practitioners.

By searching Canada and the world for the finest talent, and by providing the conditions and training that enable those artists to achieve their most courageous work, we will immerse our audiences in a theatregoing experience that is not only innovative, entertaining and unsurpassed anywhere in the world, but also deeply relevant to, and reflective of, their lives and communities».


Em particular Education & Training: «Each summer we play host to hundreds of students in elementary school through to university from all over the world. Students completing Grades 5 through 12 can attend the Shakespeare School, and undergraduates can take credit courses offered by a consortium of four universities. All students may find insights into our playbill, productions and people in Stratford for Students».








quinta-feira, 14 de agosto de 2014

Credo, Cruzes ...Companhia Residente, Nem Pensar !



A notícia da imagem, do jornal Público, é de 31 de Julho, e está disponível online. Há ali algo que nos reconforta: a energia que parece residir naquele condomínio (mas que não nos chega tão aberto como é mencionado pelo Vereador da Cultura, tal como acontece nos privados entra  a quem  for aberta a porta, e dá ideia que a decisão é pontual), e as pessoas sabem do que estão a falar, e têm ponto de vista, e competência necessária aos lugares. Para já, uma parte da legitimidade decorre do voto - embora nas campanhas eleitorais nem sempre se diga no concreto ao que se vai -  e profissionalmente, como se costuma  dizer, têm curriculo. À partida, tudo certo!  Necessariamente, vamos torcer para que o PROJETO (qualquer que seja, verdadeiramente ainda não sabemos qual é) tenha bons resultados. Desejamos que tenha identiddade, mesmo marca de autor - é assim que vemos um teatro em que os Diretores não são eternos. (Já agora poderão ser reconduzidos quantas vezes ?). Guardámos o recorte porque, e atendendo às pessoas envolvidas,  nos parece útil para a discussão que está por fazer sobre a figura dos Teatros que cobrem o nosso País. Costariamos  de ter escrito a REDE DE TEATROS que atravessa o País, mas não podemos porque ela nunca foi criada. Esses teatros como nos lembraremos, na generalidade, cumulativamente, tiveram financiamento central, municipal, e comunitário. Faz sentido lembrar o post  JORGE SILVA MELO | O comentário que é um programa, donde, por exemplo:
«"a questão central é a de saber quem manda nas infra- estruturas construídas com dinheiro do Estado" e defende que estas não podem ser "anunciadas por ministros e secretários de Estado para depois serem entregues às autarquias como se fossem salões de festas"».
Voltemos à conferência,  foi muito estimulante, leva-nos a esperar pelos próximos episódios, e contém elementos que apetece debater. E não demorou muito,  cá temos novo capitulo, uma entrevista do  Director (Artístico) escolhido ( juridicamente qual será a figura contratual?) ao jornal Público no dia 10 de Agosto:   




Algumas passagens:

«A inexistência de uma política cultural fez com que muita actividade subterrânea, auto-criada, nascesse no Porto – agora passa a existir mais um parceiro que pode dar visibilidade e melhores condições de produção a essa actividade, até porque o Teatro Municipal do Porto será acima de tudo um teatro de co-produção, interessado em dar um apoio eficaz na construção dos espectáculos. Foram anos e anos sem diálogo – sem sequer conseguir chegar a um sítio para falar com alguém. Muro atrás de muro atrás de muro. Isso criou muita resistência – vendo de fora, e de forma muito fria, percebo a polémica. Ainda para mais tendo em conta que houve um engajamento tão grande dos artistas na defesa do Rivoli em 2006, quando se decidiu entregar a privados um teatro municipal, coisa raramente vista mas que também é a história deste sítio – uma história que cria muito mais expectativas porque efectivamente é passar do 8 ao 80».
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No Campo Alegre, pelo contrário, há uma equipa formada que até funciona bem e uma programação cíclica – com as Quintas de Leitura, os projectos do serviço educativo, as sessões e os ciclos de cinema da Medeia... Estamos a fundir as equipas dos dois teatros para montar um organigrama e verificar as lacunas que é preciso colmatar. Há departamentos essenciais que não existem, como o de comunicação, que vamos passar a ter em Setembro. Quero puxar para o projecto pessoas que venham incutir uma nova energia em áreas muito específicas: na produção, na comunicação, na mediação de públicos, será preciso montar uma equipa.
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«Mas a abertura do Teatro Municipal do Porto será muito boa para o S. João, porque vai permitir-lhe reorganizar-se na sua missão: tem sido o bombeiro de serviço e o Rivoli vai libertá-lo de uma carga muito grande no trabalho com as estruturas da cidade».
 
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«A Seiva Trupe foi despejada do Teatro do Campo Alegre, que também construiu, há menos de um ano. Vai falar com a companhia?
Uma das grandes vantagens de eu não ser do Porto é ter um ponto de vista global – sou isento, não faço parte deste grupo ou daquele. Vou fazer reuniões sectoriais com todas as companhias e com todos os artistas para auscultar as expectativas e os projectos que têm para 2015; a Seiva Trupe será convidada para a reunião sectorial do teatro, caso contrário estaria a discriminar. É uma companhia histórica da cidade mas há outras que não tiveram nem de longe nem de perto as condições que a Seiva Trupe teve durante todos estes anos, e num regime muito pouco aberto a outras estruturas da cidade. Não me parece que a minha posição possa ser a de dar outra vez prioridade a essa relação».
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Já sabe quanto dinheiro vai ter para programar?Não. Há uma verba para o Teatro Municipal do Porto inscrita no orçamento que vai ser discutido em Outubro e aprovado em Novembro. Estou a trabalhar no pressuposto de que tudo vai correr bem; se não, farei algumas pequenas adaptações.


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De facto, conferência de imprensa e entrevista poderiam ser o mote para reflexão, em retiro, para imersão total, sobre a Cultura e as Artes no nosso País. A nosso ver, têm futuro, mas emerge um passado e um presente que dão pressupostos para a ação no minimo discutíveis, senão impeditivos de muito do que os protagonistas ambicionam, e nós com eles. Necessariamente, aquele «PROJETO» é uma opção. Mas haveria outras? Certamente. A titulo de ilustração, e num olhar meramente de gestão,  bastava que diferente fosse a assunção em torno de ideias como as seguintes:
 
- Desde logo, não se por «fora de questão» a existência de uma companhia residente. Porquê esta alergia ! Há bons exemplos que mostram que é uma boa opção. E fazem tudo o que se pretende fazer na situação aqui em causa: acolhimento, co-produções, festivais, e produções próprias, workshops, residências ... Pois é, a questão estará nas produções próprias. E cobrem todas as «artes  do corpo» e as outras. E se calhar é a melhor forma de se manter em boas condições o Teatro enquanto equipamento. Quem sabe andou por aqui o facto de  termos o Teatro do Campo Alegre nas boas condições reconhecidas pelo novo diretor.

- Nada a fazer, também na cultura e nas artes, fora com os velhos ! Que nos perdoem, mas é a primeira leitura de «É uma companhia histórica da cidade mas há outras que não tiveram nem de longe nem de perto as condições que a Seiva Trupe teve durante todos estes anos». Não nos parece que esta frase faça justiça à Companhia. Que coisa mais descontextualizada ...

- Ainda que mal perguntemos, o que é que o TNSJ vai fazer de diferente ! O que parece é que dada a crise financeira que atravessa o sector - mesmo que igual ao resto é mais significativa dada a sua fragilidade - eventualmente os recursos disponíveis não darão para todas esta atividade assente em co-produções. E neste ambiente  como é que sobrevirá a identidade do Projeto de cada agente cultural?

Bom, fiquemos por aqui, mas as curiosidades não se esgotaram. De repente, além do que já se foi mencionando ao longo do texto: retomemos, se este é o Diretor Artístico, quem é o «Diretor» ?  Ainda fomos ao site da CMP mas não conseguimos perceber; e desde quando é que um Conselho Consultivo cria entropias? Por definição aconselha, não intervem na ação quotidiana ... . Qual a (inter)dependência do Projecto Cultural do Porto  do Projeto Cultural do País? em particular, do sistema de apoios às artes pela Administração Central. E, ainda, por agora, lemos e voltámos a ler e, bem vistas as coisas, o que não conseguimos atingir é o conceito de SERVIÇO PÚBLICO  que orienta toda esta movimentação cultural. Até ao momento, o máximo que conseguimos ver é um SOMATÓRIO de iniciativas desejadas ... Mas como muito se diz pelo Norte, ainda a procissão vai no adro. A rematar,uma vez mais, desejar BOM TRABALHO, o que de bom acontecer no Porto é bom para o País. Aliás, a sua dimensão nacional e internacional, para além da municipal, será um elemento de avaliação inevitável para um projecto que se planeia cosmopolita. Até breve ...

 

quarta-feira, 13 de agosto de 2014

EM DEFESA DOS ARTISTAS UNIDOS | Luís Miguel Cintra


no Jornal Público de 13 AGOSTO 2014

EM DEFESA DOS ARTISTAS UNIDOS | Carta Aberta




Exmo. Sr. Reitor da Universidade de Lisboa Professor Doutor António Cruz Serra,
Foi com muita apreensão que soubemos que a Universidade de Lisboa dá por terminado o contrato que permitiu a actividade dos Artistas Unidos no Teatro da Politécnica, pondo fim a um percurso de três anos em que a companhia transformou um espaço abandonado numa das referências culturais da cidade. Essa revelação é particularmente inesperada por recordarmos que as longas negociações para a cedência deste espaço pela Universidade de Lisboa foram então minuciosamente acompanhadas pelo Ministério da Cultura, pelo Ministério da Ciência e Tecnologia e pela Câmara Municipal de Lisboa que apostaram no Teatro da Politécnica para este fim específico, acreditando num projecto cujas expectativas nos parecem ter sido até excedidas pela companhia.
Estranhamos que o argumento para a cessação do contrato seja o atraso nos pagamentos do valor de arrendamento - aliás muito elevado comparativamente a casos similares. Para além da desconsideração pelo investimento financeiro que os Artistas Unidos fizeram, muito superior aos valores em atraso e que inclui não só obras de reabilitação mas também diversas obras de reparação, não compreendemos como, desde Junho de 2013, não foi possível chegar a um compromisso quanto ao plano de pagamentos com que os Artistas Unidos pretendem liquidar os valores em falta. Acresce a isto o conhecimento atempado que a Universidade de Lisboa teve do motivo pelo qual surgiram dificuldades: os avultados cortes imprevistos no financiamento por parte da Direcção-Geral das Artes, que é agora cerca de metade do que era aquando da assinatura do contrato, e cujo valor inicial serviu de referência à fixação da renda. Compreenderíamos talvez esta postura se para a Universidade de Lisboa, no difícil quadro económico em que vivemos, os valores em causa fossem elevados - mas claramente não é o caso.
Não deixa de causar perplexidade que o concurso que a Universidade de Lisboa tenciona abrir em breve para a concessão do Teatro da Politécnica, com o qual diz defender o interesse público, tenha como único critério de decisão o valor de renda proposto pelos concorrentes, sem que o projecto ou o historial seja tido em conta, apesar de o espaço ser destinado a actividade teatral.
Nós, espectadores, artistas, produtores, programadores ou simplesmente cidadãos que reconhecem na cultura uma dimensão maior da nossa vida em sociedade, sentimo-nos ameaçados por mais uma terrível perda num tempo de destruição da cultura nacional. Nesse sentido, seria importante que Universidade de Lisboa tratasse a companhia como um verdadeiro parceiro, não desistindo tão facilmente de um espaço de cultura e de cidadania, não limitando as actividades, que vão muito para além da produção teatral própria dos Artistas Unidos, e evitando a asfixia de um projecto com múltiplas valências que o tornam indispensável na cultura portuguesa.
Não é demasiado tarde e é esse ponto que sublinhamos e de que partimos para um apelo lógico: que se dê uma oportunidade a um compromisso de onde todos - universidade, companhia e cidadãos - podem sair vencedores; que se faça da renovação do contrato com os Artistas Unidos uma prioridade, para que se mantenha o Teatro da Politécnica como o imprescindível espaço de cultura que se tornou, onde criação, divulgação e formação coexistem, cumprindo uma luta que se espera ser também a de uma instituição universitária. Que não se desfaça por tão pouco o que tão exemplarmente se construiu.

Américo Rodrigues; Ana Amaral; Ana Vieira; Augusto M. Seabra; Bruno Béu; Cláudia Gaiolas; Cláudia Galhós; Custódia Gallego; Daniel Blaufuks; Edgar Pêra; Eduardo Pitta; Elmano Sancho; Francisco Frazão; Gastão Cruz; Hélia Correia; Isabel Castelão Rodrigues; Jacinto Lucas Pires; Jaime Rocha; Joana Manuel; João Barrento; João Costa Dias; João Salaviza; João Tabarra; John Romão; Jorge Louraço; José Luís Ferreira; Lia Gama; Luís Miguel Oliveira; Olga Roriz; Magda Bizarro; Manuel Graça Dias; Manuel Gusmão; Marco Roque Antunes; Maria Filomena Molder; Maria Schiappa; Miguel Castro Caldas; Miguel Loureiro; Mónica Calle; Mónica Talina; Olga Roriz; Pedro Borges; Pedro Gil; Pedro Jordão; Pedro Zegre Penim; Renata Portas; Ricardo Neves-Neves; Rui Catalão; Samuel Rama; Sérgio Godinho; Tiago Mota Saraiva; Tiago Rodrigues; Vasco Pimentel; Victor Gonçalves