sexta-feira, 30 de maio de 2014

UM APELO ALGO INSÓLITO | «Reconhecer na cultura um papel político central na Europa»





Conforme divulgámos no Elitário Para Todos no post  «L’avenir de la culture, un projet collectif européen» | 4 e 5 ABRIL 2014, nesta data realizou-se o Fórum Europeu de Chaillot. Curiosamente no passado dia 26 - por coincidência no dia seguinte às eleições Europeias, e certamente não por acaso -  no jornal Público, como matéria de opinião, podia ler-se  o  apelo da imagem seguinte que está disponível online. Aqui.


Como se pode ver, é assinado pelos seguintes governantes:

Jorge Barreto Xavier, Secretário de Estado da Cultura de Portugal
Šarunas Birutis, Ministro da Cultura da Lituânia
Aurélie Filippetti, Ministra da Cultura e Comunicação de França
Dario Franceschini, Ministro do Património, Cultura e Turismo de Itália
Monika Gruters, Ministra da Cultura e dos Media da Alemanha
Uroš Grlic, Ministro da Cultura da Eslovénia
Costas Kadis, Ministro da Educação e Cultura de Chipre
Dace Melbarde, Ministra da Cultura da Letónia
Fadila Laanan, Ministra da Cultura, do Audiovisual, Saúde e Igualdade de Oportunidades da Bélgica
Ivan Secik, Secretário de Estado da Cultura da Eslováquia
Petar Stoyanovich, Ministro da Cultura da Bulgária
Andrea Zlatar Violic, Ministra da Cultura da Croácia

Enfim, não se pode dizer que o texto  seja o texto que se espera de responsáveis institucionais da cultura. Defendem-na, a cultura, em função do seu impacto na economia, em torno das famigeradas indústrias criativas, e eixos afins. E  palavras de destaque são concorrência, fiscalidade, solidariedade, digital, ..., enfim, palavras que certamente podem ser organizadoras de boas causas, mas a CULTURA e as  ARTES como desígnio, na circunstância EUROPEU, têm de encontrar outras palavras e outros caminhos. E não ficar assim como que rente ao chão.
E há passagens que na perspectiva nacional não deixam de ser delirantes, como esta (destaques nossos):

«Por esta razão, os setores culturais não devem ser uma variável de ajustamento na crise. Não devemos esquecer que os setores criativos são para a Europa uma mais-valia numa economia mundial fundada na inovação e na criatividade. Numerosos estudos já demonstraram que a cultura cria atividade e emprego. Segundo a Comissão Europeia, as indústrias culturais e criativas representam 4,5 % do PIB europeu e 8 milhões de empregos no continente. A cultura é um setor dinâmico, voltado para o risco e para a criatividade, um setor em que a necessidade de inovação envolve muitos outros setores. Necessitamos de encorajar este dinamismo através de políticas mais proactivas».

Mas o que é que o Secretário de Estado da Cultura português tem feito para que não haja cortes cegos na Cultura ? Não é ele o primeiro a justificar o injustificável no que diz respeito aos orçamentos para a Cultura e as Artes? Bom, perante  isto,  é melhor  rir do que chorar ... .
Já agora, recomendamos que os signatários do apelo leiam o livrinho da imagem abaixo porque quer se concorde ou discorde é outra coisa: tem passado, reflexão, e aponta futuros. E o autor até conheceu aqueles meandros do Parlamento Europeu ... .


A propósito, da pg. 40: «Os políticos europeus têm dissertado largamente sobre a importância desse património, quer para a identidade  nacional, quer para uma identidade europeia, e costumam empreender correlativamente a discussão da dimensão económica essencial das indústrias culturais e de outras actividades culturais correntes.
Mas é inevitável que, por maior que seja a seriedade destas abordagens, eles sabem que não vão aproximar-se de uma verdadeira solução». Como estamos em crise, e sem dinheiro para o «luxo» que passou a ser comprar livros, lembre-se que este é em conta. Saiba mais aqui.


sexta-feira, 23 de maio de 2014

«ESTA EUROPA DESVAIRADA»


«A RIQUEZA OCULTA DAS NAÇÕES»



«Um pequeno livro que vale dez volumes de teses sobre a globalização financeira», escreve o La Croix sobre «A Riqueza Oculta das Nações», editado pela Temas & Debates/Círculo de Leitores, do jovem economista francês Gabriel Zucman. Leia mais



segunda-feira, 19 de maio de 2014

CONCURSOS PARA DIRIGENTES NA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA | «é normal»



Semanário EXPRESSO de 17 de Maio de 2014

E já que estamos outra vez com os concursos para as administrações públicas, mais uma semana que passa e dos Dirigentes que faltam para Organismos da Cultura, nada!
Também deve ser normal. Se bem nos lembramos, uma das críticas ao sistema anterior era que demorava muito tempo. Volte o sistema, estão perdoados ... . Assim, como assim, ... não se tinha por bom, um processo que era mau ... .



domingo, 18 de maio de 2014

ARTE ÚTIL



Uma maneira de assinalarmos o DIA INTERNACIONAL DOS MUSEUS:



                                                                                            
Leia aqui, na Arte Capital,

QUAL É A UTILIDADE? MUSEUS ASSUMEM PRÁTICA SOCIAL

SAM THORNE

2014-04-17

, donde:



«(...)

Como Bruguera sabe, o termo “arte útil” não é novo. Em 1969, o artista argentino Eduardo Costa escreveu o ‘Manifesto de Arte Útil’, descrevendo o primeiro daqueles a que chamou ‘Objectos de Arte Úteis”. Estes incluíam comprar substitutos para os sinais de trânsito em falta no centro de Manhattan e pintar uma estação de metro na 5ª Avenida. O impulso até pode ser encontrado mais atrás: nos EUA, no argumento de John Dewey no seu livro Art as Experience (1934), de que nada é mais útil que a arte; ou no Reino Unido, a John Ruskin, que advertiu celebremente em The Stones of Venice (1853) que ‘as coisas mais bonitas no mundo são as mais inúteis’. Hoje, Ruskin é qualquer coisa como um espírito guia para o Grizedale Arts, em Lake District. As suas abordagens reformistas influenciam as suas enérgicas actividades, como a loja de solidariedade e a biblioteca desenhada por Liam Gillick que instalaram no seu Instituto Coniston local, que o próprio Ruskin ajudou a reconstruir em 1878. Grizedale foi um dos diversos parceiros do ‘Museum of Arte Útil’, que temporariamente transfigurou o velho edifício Van Abbe no que foi descrito como uma ‘fábrica social’.
Desenvolvido em conversa com Bruguera, este projecto despoletou um número de questões prementes, incluindo como é que ‘usamos’ um museu? E, se o museu público se mantém essencialmente uma instituição de finais do século XVIII, como é que o tornamos relevante hoje? Numa entrevista projectada numa das galerias, o director do Van Abbe, Charles Esche, pediu nada menos do que a ‘abolição do museu como ele existe actualmente’. Num ensaio comissionado para o ‘Museum of Arte Útil’, o teórico Stephen Wright afirmou que as décadas
recentes viram uma ‘viragem usológica’. Se esta frase tão pouco atractiva vai vingar ou não (eu voto não), um aspecto importante deste projecto provocativo é uma mudança de termos. ‘Espectadores’ tornam-se ‘utilizadores’; os trabalhos são ‘iniciados por’ e não ‘da autoria de’, e foram ordenados de acordo com categorias – embora, deva dizer-se, soando ligeiramente a anos 1990 – actualizadas: ‘A-Legal’, ‘Space Hack’, ‘Open Access’. Isto não era tanto um novo museu, mas uma paródia às classificações autoritárias de outrora. Com a própria galeria de Bruguera presente no ‘Museum of
Arte Útil’, intitulada ‘Quarto da Propaganda, Legitimação e Crença’, o projecto era na maior parte um gozo – o zelo ficou em intermitência messiânica. Era o som, nem sempre agradável, do museu a pensar acerca de si mesmo e sobre o que pode significar utilidade».

Sam Thorne 
Director artístico da Tate St Ives, Reino Unido, e director fundador da Open School East. 

sexta-feira, 16 de maio de 2014

DGARTES | Os valores mais baixos da década no financiamento das artes





Destaque-se:«Devido a uma simultânea reorganização dos modelos de financiamento e das lógicas distributivas, é difícil aferir com rigor quanto desta flutuação negativa que em 2012 ultrapassou os 47% corresponde a um decréscimo efectivo do investimento na criação contemporânea (isto não pensando em áreas como o património, as bibliotecas e arquivos, teatros nacionais…)».

quinta-feira, 15 de maio de 2014

GOSTO DE PRESTAÇÃO DE CONTAS E DAS COISAS BEM FEITAS

 


Montagem a partir do relatório que ESTÁ DISPONÍVEL AQUI. 
O capitulo da CULTURA E EDUCAÇÃO
começa na Página 133 (na web).


«GOSTO DE PRESTAÇÃO DE CONTAS E DAS COISAS BEM FEITAS» é o titulo deste post. Na minha apreciação,  é isso que acontece, ao mesmo tempo,  neste Balanço da intervenção dos deputados do PCP no Parlamento Europeu de  2009-2014. Que os demais o façam, com esta amplitude e transparência, a bem da qualidade da DEMOCRACIA.