terça-feira, 19 de maio de 2026

SE DESCONHECE TALVEZ QUEIRA JUNTAR AO QUE A COMUNICAÇÃO SOCIAL JÁ NOS PROPORCIONOU NA MORTE DE CARLOS BRITO | de Rui Pereira «o burro e a morte» |EXCERTO: «(...)Enquanto dirigente do PCP, Carlos Brito foi objecto de todas as maledicências reservadas pelos adversários políticos a tudo quanto mexesse – e a tudo quanto permaneça – na área política do seu partido, quer em nome da «direita», quer em nome da «esquerda». Uma vez afastado do PCP, Carlos Brito foi transformado num mártir do «comunismo» e num estimável democrata e lutador pela liberdade, condição que os seus antigos camaradas que permaneceram no partido não mereceram e não merecem, nem que morram.(...)»

 

 
 
DE LÁ: «A mais recente operação política anti-PCP – ainda em curso – tem como pretexto a posição do partido em relação à morte aos 93 anos de Carlos Brito, um seu antigo destacado dirigente e dissidente. Uma nota lacónica, ao que parece a pedido da «comunicação social», incendiou a pradaria anti-comunista em geral e anti-PCP em particular.
Carlos Brito foi um entre muitas e muitas dezenas de grandes quadros dirigentes do PCP que enfrentaram a clandestinidade, que sofreram a prisão e a tortura às mãos da polícia política da ditadura. Foi, como todos esses seus camaradas, um grande lutador pela liberdade e pela democracia. Então e durante décadas após Abril, ao serviço do mesmo PCP cujas regras e concepções  próprias de liberdade e democracia ajudou a formular e fixar. Depois de se incompatibilizar com essas regras e concepções fez o que melhor entendeu, como sempre até aí, com coragem, determinação, sem quebras éticas que se lhe apontem (pelo menos tanto quanto eu saiba).
Enquanto dirigente do PCP, Carlos Brito foi objecto de todas as maledicências reservadas pelos adversários políticos a tudo quanto mexesse – e a tudo quanto permaneça – na área política do seu partido, quer em nome da «direita», quer em nome da «esquerda». Uma vez afastado do PCP, Carlos Brito foi transformado num mártir do «comunismo» e num estimável democrata e lutador pela liberdade, condição que os seus antigos camaradas que permaneceram no partido não mereceram e não merecem, nem que morram.
Assim, o problema desloca-se da militância e da dissidência partidária de Carlos Brito, para a palinódia em que a trajectória de qualquer defecção pode tornar-se, excepto se for noutras forças políticas onde será tomada como «sã divergência democrática». Este é um assunto sensível, que qualquer membro ou ex-membro do PCP não ignora: «Comunista bom é comunista morto», é um universal conhecido desde o século XIX. E em Portugal, comunista «bom» é aquele que sai do PCP de uma forma pública e notória. Seja pela notoriedade que tinha enquanto membro, seja pela notoriedade que procurou enquanto ex-membro.Carlos Brito, que respeito muito e conheci pouco, tendo embora lido com atenção a sua obra política, foi um notório dirigente comunista. O seu afastamento dificilmente poderia ser discreto. Mais que não fosse pela transformação oportunista desse afastamento no pretexto trivial para atacar os que não se afastaram e o próprio partido. (...)». Continue.
 

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No «Programa cujo nome estamos legalmente impedidos de dizer» (parece que é esta  a designação correta) o assunto Carlos Brito foi tema. Não sabemos  se o fenómeno se pode aplicar «ao comentariado» mas dois dos participantes pareciam estar «em modo bullying». Pintalgado de «paternalismo». E riram muito naquela edição do programa. É claro que não vamos comentar os comentadores, falta-nos o traquejo que temos de lhes reconhecer que nos leva com  facilidade a parecerem-nos  «os donos do mundo». Pronto, mas arrisquemos lembrar um dos aspetos em que  reparamos e nos provocou algum sorriso: de entre os vários livros escritos por Carlos Brito o participante poeta, e muitas coisas mais, que aliás lemos, ouvimos e vemos, com gosto e proveito,  só conhecia um que achou «agradável» (não terá sido esta a palavra usada mas foi o que nos ficou na memória). Este:  
 

 

 RESUMO

Durante muitos anos, quando na direcção do PCP se pensava promover um jovem quadro a um nível especial de responsabilidades directivas, Álvaro Cunhal costumava propor que fosse incluído na comitiva de uma das suas viagens ao estrangeiro para conviver com ele mais de perto e ficar a conhece-lo melhor.

Aproveitemos então a sugestão do histórico combatente e viajemos com ele ao longo dos anos, dos avanços e reveses da sua luta, das peripécias dos seus fôlegos revolucionários, dos gostos e das aversões, das decepções e tristezas, e também das alegrias e esperanças que as páginas deste livro documentam. Veja aqui.

 


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Também lá na página da FNAC nas Esolhas dos Vendedores:

«Álvaro Cunhal - Sete fôlegos do combatente. Carlos Brito

É com risco que este histórico dirigentes e um dos mais visíveis dissidentes do PCP, se dispõe a escrever as suas memórias com o líder do partido durante décadas. Pode ter sido um risco, mas a memória coletiva agradece».

 

 «RISCO»? - de que se estará a falar?,

 questionamos nós... 

 
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Ora, lembrámo-nos do que descrevemos ao lermos a
 OPINIÃO «o burro e a morte» centro deste post  ...
 É isso, o que acabámos por arrolar
 até parece uma ilustração do universo
 convocado no artigo ...
 
 
 
 

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