segunda-feira, 9 de dezembro de 2024

NO PODCAST «A BELEZA DAS PEQUENAS COISAS | fala-se da peça “A Colónia”, de Marco Martins, que está em cena até 14 de dezembro, na Culturgest | NÃO PERCA

 

 

Se puder não perca: aqui

 

Excertos:

Os traumas dos filhos dos presos políticos

Ela foi uma das milhares de crianças portuguesas marcadas por serem filhas daqueles que ousaram combater a ditadura. Conhecia-a há poucos dias em palco na peça “A Colónia”, de Marco Martins, que está em cena até 14 de dezembro, na Culturgest.

“Sou professora de geografia porque isso ajudou a libertar-me da geografia de viver numa casa fechada. Dou a geografia do Portugal democrático.”, afirma Manuela de corpo firme e voz segura para todo o auditório da Culturgest.

Manuela é a personagem central numa peça que mistura atores e não atores, e um grupo de jovens que são o futuro e a esperança de que não se repitam os males do passado.

“Eu confio em ti para contares a minha história”, terá dito Manuela a Marco. E essa frase é uma das mais repetidas neste espetáculo. Sobre confiança e troca nisto de contar vidas e memórias reais com as ferramentas da ficção.

Ainda estou a processar o forte impacto deste espetáculo e o que vi, ouvi, senti. (...).

 

A importância da memória

Vida, jornalismo, arte. O resultado agora levado ao palco é poderoso. E profundamente comovente. E ensina sobre a importância da memória.

Porque com essa certa habilidade para esquecer, a Humanidade tende a repetir os mesmos erros.

Esta é a primeira peça de Marco Martins baseada numa investigação histórica, e que teve como ponto de partida uma matéria jornalística. E é um espetáculo necessário, que importa ser visto pelo maior número de pessoas, de todas as idades e quadrantes políticos.

Não só pelos jovens e pessoas de meia idade que nasceram ou cresceram em plena liberdade, mas também pelos mais velhos, que quase esqueceram o tempo da ditadura e da PIDE, que perseguia, torturava e encarcerava homens e mulheres que ousavam discordar do regime.

Cinquenta anos na história de um país não é muito, mas parece ser o suficiente para um certo apagamento ou branqueamento dos tantos horrores praticados durante o Estado Novo em Portugal.

Que seja visto também por aqueles e aquelas que afirmam que ‘antigamente é que era bom.” (...).

 

Arte que confronta a vida

Ele eleva a arte a um lugar de questionamento sobre nós e os outros, dando tantas vezes voz a quem não a tem, e leva-nos a refletir neste confronto entre arte e vida, vida e arte.

Entrevistei Marco Martins há tempos para o podcast que assino no Expresso e podem escutá-lo aqui.

Ver aquelas crianças da colónia, hoje adultos, a partilhar as suas dores e traumas em palco, e a emocionarem-se nos seus relatos, entra-nos na pele, e é mesmo uma catarse coletiva.

Joana Pereira Bastos, que acompanhou o processo, deu-me conta disso. (...)».

 

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sexta-feira, 6 de dezembro de 2024

JUNTEMO-NOS ÀS COMEMORAÇÕES DOS 100 ANOS DE MÁRIO SOARES | recordando o congresso «Portugal: que futuro?» | E DO QUE LÁ SE DISSE SOBRE CULTURA

 
Publicação que relata o congresso, e de que possuímos exemplar
 
 
Para quem desconhece o acontecimento, desde logo, veja nos arquivos da  RTP. Depois, dos Relatos do Congresso - Secção Cultura - esta passagem indo a post anterior:
 
«(...) Algumas recomendações fundamentais:
a) a acção cultural do Estado deve assentar numa articulação directa com os criadores enquanto interlocutores privilegiados, assumindo-e de ambos os lados as suas funções e responsabilidades sociais;
b) entende-se que cabe ao Estado compreender e estimular a diversificação da produção e oferta cultural, não se limitando a imitar e reforçar as tendências resultantes das forças do mercado ou da inércia dos hábitos de consumo cultural adquirido, potenciando assim iniciativas portadoras de risco, novidade e futuro;
c) é imperioso que o Estado não subordine a sua acção no domínio da cultura à lógica contabilística da maximização das audiências e das receitas, comportando-se como empresário privado em concorrência com os outros. No domínio cultural, as audiências não podem ser avaliadas em termos do consumo imediato, mas sim em termos de formação de capital cultural, no contexto de um processo histórico cumulativo de aquisição de experiências e saberes;
d) o Estado deverá ter como um dos objectivos prioritários da acção cultural a afirmação e projecção internacional da cultura portuguesa, transformando a criação portuguesa contemporânea em parte integrante da imagem de Portugal no mundo e componente de relevo na política externa do país. (...)».

Mais isto sobre a SECÇÃO CULTURA:


 
 
 

 
Olhando à volta, não será ousado adiantar no que à CULTURA diz respeito isto: venha de lá um CONGRESSO! Com Altos Patrocínios, como em 1994.Quem toma a INICIATIVA?

 

 


quinta-feira, 5 de dezembro de 2024

NA CULTURA EM TORNO DO QUE O ESTADO APOIA | o abaixo-assinado «E a Cultura é Estúpida?» | INICIADO COM UMA CARTA ABERTA ENVIADA À MINISTRA DA CULTURA | AO PRIMEIRO MINISTRO | AO PRESIDENTE DA REPÚBLICA | À COMUNICAÇÃO SOCIAL

 
 
O texto:
 

«E A CULTURA É ESTÚPIDA? 

Estúpida (adj. fem.): Que não tem ou não desperta interesse.

 
É agora que devemos falar? É. 

O desapego e desinteresse pelas artes performativas demonstrados pelo Ministério da Cultura até ao momento têm acentuado a crónica incerteza e instabilidade no setor artístico. O recuo no orçamento da cultura para as artes performativas ou as exonerações em equipamentos centrais para o meio (o exemplo mais recente é a exoneração da Presidente do CCB, Francisca Carneiro Fernandes) afetam redes de cooperação nacionais e internacionais essenciais para a manutenção de estruturas artísticas precárias. A isto se junta a especulação sobre a exoneração da direção da Direção Geral das Artes (DGArtes), um organismo que tem sofrido profundas mudanças e que beneficia com a estabilidade. Por mais garantias contraditórias que nos vai dando, o que pretende a Ministra da Cultura?
Esta indefinição afeta desde logo as estruturas quadrienais que continuam sem saber se o decreto-lei nº 47/2021, que regula a possibilidade de renovação dos apoios quadrienais, aprovado pelo Governo anterior, será cumprido. Acresce que à data, tirando os concursos que ainda decorrem nos moldes definidos pelo Governo anterior, o orçamento aprovado para estas artes é bastante menor do que o dos anos anteriores. Além disso, o fim dos concursos previstos na declaração anual da DGArtes, como “Arte pela Democracia”, “Arte e Coesão Territorial, “Rede Portuguesa de Arte Contemporânea”, leva-nos a reconhecer que o atual Governo e o seu Ministério da Cultura claramente trabalham para uma desvalorização das artes performativas, recuando no crescimento que estava em curso.
É agora que devemos falar.
Menos orçamento, menos estabilidade, mais desconhecimento, mais fragilidade. Ao abandono orçamental, ao desamparo legal, ao desconhecimento processual, à instabilidade laboral (das chefias e artistas) acresce a desqualificação de quadros de direção de equipamentos fundamentais para a colaboração com as artes performativas contemporâneas, festivais, estruturas e artistas. Notamos um desinteresse por parte da Ministra da Cultura em dialogar com tutelas de equipamentos estatais (o conselho de administração do TNDMII está em gestão há um ano e com um vogal em falta…) ou conhecer no terreno a realidade das múltiplas atividades culturais que, no momento, encontram na DGArtes um interlocutor que não se pode comprometer. 
É agora que devemos falar. 
Estamos a viver de novo um ciclo de abandono das artes performativas que se tem concentrado em exonerações e mudanças de chefia. Mas não nos deixemos enganar. Este é um trajeto de terraplanagem de um setor de arte contemporânea que nos compete proteger. Exigimos que se garanta a independência de missão e programa dos equipamentos e organismos (presidentes e administrações) sem interferência dos gostos e interesses do Estado.
É agora que devemos falar. É agora que temos de nos manifestar. 
Queremos respostas e visibilidade para o setor. Haverá estabilidade na direção da DGArtes? Manter-se-á o seu diretor? Porque há diminuição do orçamento para as artes performativas? Quando voltará a aumentar? Respeitar-se-á o decreto-lei nº 47/2021? Serão nomeadas chefias com qualificações condizentes com a missão de apoio às artes contemporâneas? Qual o rumo? 
Se o Ministério, até ao momento, não manifestou interesse em ouvir o setor, os seus profissionais e as suas estruturas, é agora que devemos falar. 
Recusamos ser a cultura estúpida».


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Se nos é permitido, esta oportuna manifestação do SETOR centra-se no que é necessário em termos IMEDIATOS sem o que os desinvestimentos são óbvios. A grande sobra: em vez de progresso, retrocesso. A nosso ver, em linha com o que sempre temos dito aqui no Elitário Para Todos, deve seguir-se exigência para o comummente designado ESTRUTURANTE onde além de APOIAR o ESTADO, nomeadamente o CENTRAL, deve GARANTIR. Mudar o PARADIGMA é determinante. Para isso  impõe-se um PLANO PARA O DESENVOLVIMENTO CULTURAL DO PAÍS - sim, que nos aponte o RUMO referido no abaixo-assinado.  Para o todo, e para a parte. De forma integrada, onde se articule o curto com o longo prazo,  em que as populações e, em particular,  os profissionais da cultura e das artes se revejam. Ainda, o DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL é isso que reclama - a CULTURA  não é «estúpida», é motor:
 
 


quarta-feira, 4 de dezembro de 2024

TODOS TEMOS UM BAIRRO A QUE CHAMAMOS SEMPRE NOSSO | para cada um «fortalecer a identidade artística e cultural»? | SOBRE ISTO ESTAMOS CHEIOS DE CURIOSIDADE SOBRE O QUE NOS TRARÃO AS PRÓXIMAS ELEIÇÕES AUTÁRQUICAS

 

 
«(...)Todos moram numa rua / A que chamam sempre sua / Mas eu cá não os invejo/ O meu bairro é sobre as águas / Que cantam as suas mágoas / E a minha rua é o Tejo (...)»



Disco duplo, somando 22 canções e mais de uma hora de duração, “Carta de Alforria” é provavelmente o projeto mais ambicioso de Plutonio, e aquele onde quer deixar para trás o estereótipo de homem criado em bairro problemático

Paulo André Cecílio

Carta de alforria” é o nome dado ao documento que, na época da escravatura, concedia a liberdade a um escravo, que a podia receber do seu proprietário de forma gratuita, adquiri-la ou obtê-la mediante a prestação de um qualquer serviço. É, também, o nome dado pelo rapper Plutonio (João Ricardo Azevedo Colaço, 39 anos) ao seu novo álbum, o primeiro em nome próprio desde “Sacrifício: Sangue, Lágrimas, Suor” (2019). Uma escolha que se adivinhava há algum tempo: no videoclipe para ‘Duas da Matina’, single que faz parte da trilogia “Pão Na Mesa” (2021), é possível ver essas mesmas três palavras grafitadas numa parede — o disco andava a ser preparado desde 2019. E uma escolha, também, adequada quando se tem em conta as temáticas sobre as quais Plutonio versa neste seu novo álbum. Dir-se-ia que, com esta “Carta de Alforria”, o propósito máximo do músico do Bairro da Cruz Vermelha, em Alcabideche, é libertar-se dessa amarra (psicológica, social) que é ser estereotipado como “o gajo do bairro”.

O próprio confirma-o, em conversa debaixo de um sol atípico para o mês de novembro. “Acho que me libertei de um certo estilo de vida que vinha associado ao ‘bairro’, que é de onde eu venho, e que é um ciclo muito difícil de quebrar”, conta. “A música trouxe-me essa liberdade. De certa forma, também, para conseguir alcançar essa ‘Carta de Alforria’ — que não me foi propriamente dada — foi preciso libertar-me de mim mesmo; foi uma libertação mental e, no final, musical.” (...)». Do Expresso desta semana.

 

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Não fossem as mais recentes CONVERSAS COM O PÚBLICO  no Teatro Municipal Joaquim Benite e o assunto por aqui continuaria adormecido. Então não é que quando se diz «BAIRRO», pelo menos para alguns, isso significa que é um lugar marginal, pobre, onde haverá problemas! E foi por estes caminhos  que nos lembrámos do «Todos tem uma rua a que chamam sempre sua» de José Viana. Afinal, todos temos um bairro a que chamamos nosso. Por outro lado, se bem entendemos, a estratégia para os novos bairros não era precisamente juntar? Foi neste clima que no últimos dias construimos o «patchwork»  com as imagens acima. E gostamos daquele «fortalecer a identidade artística e cultural» para todos os BAIRROS. Melhor, para todas as «regiões». Ah, estamos a concluir que a da MARGEM SUL está em transformação, se é que já não mudou ... Em particular, estamos cheios de curiosidade sobre as narrativas partidárias para as próximas eleições autárquicas. Também em jeito de curiosidade, dos dias que correm, no Expresso, em entrevista  a Plutonio, isto:«Por diversas ocasiões, falou da sua vontade em ser presidente da Junta de Freguesia de Alcabideche. Qual será a sua primeira medida?
Boa questão [risos]. Primeiro, gostava de chegar lá, juntar-me com as pessoas de lá, e perceber quais é que são os maiores problemas que eles enfrentam neste momento. Porque é que não resolvem certos problemas que eu acho que, para mim, se calhar são fáceis de perceber. E explicar a minha perspetiva sobre o porquê da forma que eles têm atuado não resultar para Alcabideche, no todo. Então, acho que a primeira coisa é uma conversa que ligue os dois mundos e, depois, quando percebermos que os dois mundos fazem parte do mesmo, avançarmos para um melhor. (...)». 
De facto, lembrando Camões,  «Todo o mundo é composto de mudança/Tomando sempre novas qualidades».

segunda-feira, 2 de dezembro de 2024

DA «CULTURE ACTION EUROPE»|«State of Culture webinars»

 
«Coming up next: State of Culture webinars
Starting this November, we will be launching a series of webinars over the next seven months. These sessions will dive deeper into the key topics raised in the State of Culture report, providing a space for dialogue, reflection, and exchange. 
These discussions will culminate in our flagship event, BEYOND 2025, which will take place from the 4th to the 7th of June next year in Turin, Italy. This immersive conference experience will be shaped around the core themes of the State of Culture, ensuring that the issues most important to our community take center stage.
We invite you to mark your agendas with these upcoming dates and we hope you will join us in this experiment! 

 
 
 

«Luís Cília – Discografia completa»






De lá: «Luís Cília foi o primeiro cantor de intervenção que no exílio denunciou a guerra colonial e a falta de liberdade em Portugal. Gravando ininterruptamente a partir de 1964, realizou uma atividade musical, tanto discográfica como no que concerne à realização de recitais, tendo-se profissionalizado em 1967. Mas para além disso, Luís Cília, durante vários anos dedica-se ao estudo de harmonia e composição, o que é algo invulgar no universo dos cantores de intervenção. Esta formação musical fez de Luís Cília um dos mais respeitados compositores da atualidade, procurado pelas mais importantes instituições, nomeadamente desde que, nos anos 80, optou pela composição pura, o que aconteceu também, devido às muitas solicitações."
 Eduardo Raposo, in Canto de Intervenção 1960-1974, Lisboa,2000, p. 74
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“… Mas destacando nomes, talvez chame aqui o de Luís Cília, que foi dos músicos que mais gravou no período abordado no livro (e mesmo no panorama geral da música portuguesa dos últimos 50 anos), e tem quase toda a sua obra indisponível! Importa (re)descobrir a sua obra! Como nota pessoal, refiro que em 1999 ouvi num arquivo público em Estocolmo o seu último LP de antes de Abril, “Contra a Ideia da Violência, a Violência da Ideia” (um disco belíssimo), e dei comigo a pensar: “em Portugal, não há nenhum organismo onde pudesse estar a fazer isto”... Em 2002, comprei o LP em Bruxelas, mas quinze anos depois continua a não haver um arquivo de som em Portugal, onde a memória sonora do país seja preservada».
João Carlos Callixto, entrevista a"Portugal Rebelde",aquando da edição do seu livro "Canta, Amigo Canta - Nova canção Portuguesa (1960-1974)", 2014
 
 
 
 
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«Notre-Dame»

 

Une vue générale de la cathédrale, avec le baptistère conçu
 par Guillaume Bardet et les nouvelles assises de Ionna Vautrin.