quarta-feira, 20 de julho de 2022

«Culture: global public good»

 

Culture, a global public good

MONDIACULT 2022 – the World Conference on Cultural Policies and Sustainable Development is part of a long-standing commitment by UNESCO to foster an inclusive dialogue on culture at all levels of society. As in 1982, MONDIACULT will once again be held in Mexico, where the buzzing intellectual and collaborative atmosphere led to a redefinition of the notion of culture. This broadened and deepened definition includes fundamental human rights, value systems, traditions and beliefs. 

Forty years is not a long time, but it is long enough to allow us to look back at the public actions  in favour of culture catalyzed by UNESCO over the past decades, as well as to look towards the future. The very purpose of MONDIACULT is to build cultural policies adapted to our time, given the immense challenges facing us – challenges that cannot be achieved without a renewal of global solidarity.

As the world gradually recovers from a pandemic not seen for over a century, something has irrevocably changed. The crisis has revealed the strong interdependence between our societies and has exposed both the gaps and the strengths in each sector. The cultural sector is still suffering from the effects of the health crisis, which disproportionately affected regions and creative areas. Covid-19 has had a particularly severe effect on women and has deepened gender inequalities. The crisis has exposed a number of fault lines, including the total disruption of tourism, the looting of archaeological sites, the casual nature of cultural employment, the precarity of the status of artist and of the business models of museums and cultural institutions, digital exclusion, and unequal access to cultural content. On the other hand, it has also vividly highlighted the impact of culture on every area of human development, from inclusion to education, from well-being to resilience, from dialogue to peacebuilding.

To coincide with MONDIACULT 2022, this issue of the UNESCO Courier presents some illustrations of the importance of culture as a vector for change in our increasingly interconnected and multicultural societies. The reality of these plural societies calls on us to develop public policies adapted to a variety of different contexts, to rethink the drivers of social cohesion and inclusion, of citizen participation and economic, social, and environmental development through culture. Our generation has a duty to renew the social contract and to accompany future generations in learning positively about cultural diversity, in all its complexity as well as in its capacity for enrichment. This generation must also ensure the transmission of knowledge, history and traditions through the preservation of heritage, and reinforce solidarity at all levels of our societies. 

Culture is what defines us in space and time – our past and present roots, our prospects. Culture is an inexhaustible and renewable resource, which adapts to changing contexts and which speaks to humans first and foremost through their capacity to imagine, create and innovate. Culture is our most powerful global public good. In the words of Javier Pérez de Cuéllar, former Secretary-General of the United Nations, culture has a role “as a desirable end in itself, as giving meaning to our existence”. Today, more than ever, we need to find meaning, we need universality, we need culture in all its diversity. 

Ernesto Ottone R.
Assistant Director-General for Culture of UNESCO

Saiba mais. 


 

EXCERTOS | da entrevista de Rui Chafes ao Jornal de Noticias a propósito da exposição «Chegar sem partir» em SERRALVES

 

  do Jornal de Notícias de 20|07|2022

«Rui Chafes (Lisboa, 1966) e o Museu de Serralves apresentam Chegar sem partir, uma grande exposição que se estende do interior do edifício aos jardins exteriores do museu, que servem como inspiração e cenário para uma reflexão sobre a diversidade da sua prática escultórica. Com curadoria de Philippe Vergne e Inês Grosso e planeada em estreito diálogo com o artista, esta mostra cobre mais de três décadas de atividade e convida-nos a revisitar momentos marcantes do percurso de um dos mais relevantes escultores da atualidade.

Com uma obra teórica conceptualmente ancorada nas premissas fundamentais do gótico tardio e do romantismo alemão, enriquecida pelas heranças universais de Marcel Duchamp (1887–1968), dos pós-minimalistas americanos e de artistas incontornáveis como Joseph Beuys (1921–1986), Chafes é um autor que se define por uma consistência e rigor incomuns na criação de famílias de objetos enigmáticos e misteriosos, sombras ou negativos de um mundo que encarcera e aprisiona o vazio, o silêncio absoluto: casulos, ninhos, insetos, couraças, máscaras ou peças de vestuário representam simultaneamente uma memória e uma pele que protegem e anunciam um corpo ausente». Daqui.


terça-feira, 19 de julho de 2022

NO RESCALDO DO FESTIVAL DE ALMADA 2022 | prolonguemos a «Conversa da Cerca»

 

 Tirada desta folha informativa

Lembremos sobre o que era a conversa deste ano vendo este post anterior : FESTIVAL DE TEATRO DE ALMADA 2022| ENCONTROS DA CERCA |«Que pode o teatro face ao crescimento das extremas-direitas?»| É JÁ AMANHÃ | 16 JULHO | SÁBADO | 15:00 H | PROMETE!. Recordemos as pistas de partida:

 

Nada mais natural do que comparar os dois Países até  porque o «encontro» se inscrevia no programa da Temporada Cruzada Portugal/França 2022.

Gosto de conversas, e em particular quando são animadas por gente conhecedora, competente, que nos levam a territórios novos e nos fazem lembrar outros. E foi o caso. Comecemos pela moderadora: fantástica, parecia que nunca fez outra coisa na vida. Sem rigidez, soube ordenar, valorizar, integrar o que ia aparecendo, sem paternalismos ... Até com alegria e humor. E tivemos pena de não lhe termos  sugerido um trabalho em que o Monde Diplomatique  compare a ADMINISTRAÇÃO ESTATAL DA CULTURA, centrada nos  Ministérios dos dois Países. E no conceito de SERVIÇO PÚBLICO DE CULTURA. Como alguns terão concluído - nos quais nos incluímos - pelo que veio  da assistência haverá desconhecimento, lacunas ... A intervenção a propósito, a nosso ver corajosa que só o conhecimento permite, da Professora Maria João Brilhante precisa de ser continuada.

E naquele ambiente lembrámo-nos de um artigo que fez «história» publicado precisamente no Monde Diplomatique  - «CULTURA: O Choque Teatral » - de Fernando Mora Ramos -, como que mimetizando o  «Choque Tecnológico» por aqueles tempos tão em voga ... Veja aqui.


 E da «mesma família», no Público.

Entretanto, quem sabe talvez haja interessados na documentação disponível no site do Ministério da Cultura de França a propósito das comemorações dos seus 50 ANOS. 

 


 

*********************

Para quem tanto aprendeu em tertúlias, em conversas de café, nos serviços  em discussões acaloradas, pelos corredores, o que mais irrita hoje é a formatação dos encontros e sempre com «tempo contado». Gente, temos  a tecnologia a possibilitar que continuemos (e antecipemos) as conversas sem limites de tempo ... Só precisamos de treinar, e talvez ensaiar nos próximos «ENCONTROS DA CERCA» ...

_______

E havemos de continuar, com outros posts, inspirados pelo Encontro da Cerca deste ano.


Maria Augusta



segunda-feira, 18 de julho de 2022

NO JORNAL PÚBLICO DE HOJE | «Estatuto dos Profissionais de Cultura regista pouco mais de 2000 inscritos» | UMA DAS JOIAS DO GOVERNO AFINAL COM PÉS DE BARRO COMO MUITOS ANTECIPARAM

 


Se puder não perca o trabalho de hoje no Jornal Público a que se referem as imagens acima.Não surpreenderá muitos. Não surpreende aqui a gente do Elitário Para Todos. Reafirmamos:  nada mudará substancialmente se não se  encarar o Setor como um todo. E se não se agir «ao mesmo tempo» em várias frentes. Há que fixar um Plano de Desenvolvimento Cultural para o País e não procurar «buchas» para um Setor cada vez mais pobre onde  protagonistas de eleição procuram sobreviver. 

Olhemos para a primeira página do Público, e ele há  cada coincidência!: a frase destacada de Elisa Ferreira - “Portugal tem de fazer mais para superar a estagnação» - aplica-se diretamente à Cultura. 

E é notório o que também temos denunciado por aqui: o designado ESTATUTO DO ARTISTA não assentou em estudos. Funda-se «em conversas». E, naturalmente, as conversas havidas são necessárias, e muitas mais. Mas depois há que estudar e fixar numa lógica de construção de Políticas Públicas de acordo com o conhecimento disponível. E mostrar, de maneira que todos entendam, as escolhas feitas.

E foi nesta atmosfera que andámos à procura - e encontrámos -  a Reflexão de Elisa Ferreira partilhada num encontro que houve há 21 anos sobre o qual a imagem que se segue, e pergunta-se: não devia documentação sobre acontecimentos como estes estar em algum lugar facilmente acessível? (nem de propósito, o post anterior).



Depois de «copy e paste» vários conseguimos montar a intervenção da então Ministra. O que se pode dizer: ATUAL. Esperemos que seja útil, nomeadamente ao Senhor Ministro da Cultura. É a nossa «boa ação do dia».

 





sábado, 16 de julho de 2022

DO QUE A FRANÇA TEM NA CULTURA E NÓS NÃO | dados, informação, estudos ... | UMA VEZ MAIS AQUI O DESTACAMOS PORQUE DISSO FALÁMOS NO ENCONTRO DA CERCA DE HOJE NO ÂMBITO DO FESTIVAL DE TEATRO DE ALMADA




Como divulgámos no post anterior hoje aconteceu a sessão 2022 das CONVERSAS DA CERCA no âmbito do Festival de Teatro de Almada. Os participantes convidados não defraudaram as expectativas. A nosso ver boas intervenções dos portugueses e dos franceses. O mesmo nivel não se encontra quanto à organização do aparelho estatal na esfera da cultura: é convocar  para isso, por exemplo, o site do Ministério da Cultura. Nós nem sequer temos. Neste momento e porque lá falámos da «inveja boa» que sentimos do Ministério francês, e porque tivemoss de o visitar na internet, aproveitámos e trazemos para aqui o trabalho recente da imagem acima. Apenas para ilustrar. Pode ver maisAh, havemos de voltar à CONVERSA DA CERCA: ao que os oradores disseram e ao que veio da assistência.



sexta-feira, 15 de julho de 2022

FESTIVAL DE TEATRO DE ALMADA 2022| ENCONTROS DA CERCA |«Que pode o teatro face ao crescimento das extremas-direitas?»| É JÁ AMANHÃ | 16 JULHO | SÁBADO | 15:00 H | PROMETE!

 

(montagem a partir dos materiais do Festival)

 ******************************

 
Participantes

Maria João Brilhante, professora, membro do Centro de Estudos de Teatro da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa
Marina da Silva, crítica de teatro nos jornais Le Monde diplomatique e L’Humanité
Olivier Neveux, professor de História e de Estética do Teatro na Ens de Lyon, redactor-chefe da revista Théâtre/Public, autor de Contre le théâtre politique (La Fabrique, 2019)
Rui Pina Coelho, dramaturgo, professor, director do Centro de Estudos de Teatro da Faculdade de Letras, e da Sinais de Cena – revista de estudos de teatro e artes performativas

 Saiba mais



 Ainda: para aguçar a curiosidade uma das obras de Olivier Neveux

 

Atualizado

quarta-feira, 13 de julho de 2022

HOJE | 13 JULHO 2022 |«Mandrágora, de Niccolò Macchiavelli»| ESTREIA | CALDAS DA RAINHA

 





«A peça de Maquiavel surpreende pois sendo uma comédia, “imitação” do modelo greco-latino, de Aristófanes e Terêncio, escapa, desde logo na substância e na estrutura, à redução da intriga a um divertimento ocioso. Não que fosse negativo, o prazer é parte de um entendimento da vida como Maquiavel o praticou. Surpreende a maquinação da intriga coincidindo com os princípios da unidade de acção, de lugar e de tempo e também com a sabedoria do cientista político transferida para as personagens que movem a acção — o avançar da acção segue princípios de uma “arte da guerra” com as suas manobras de despiste e as suas alianças pragmáticas. E qual é a surpresa? A de tudo se conduzir na acção para um fim que, por linhas tortas e amoral, será feliz. O happy end encerra em si o adultério que a todos contenta por razões singulares, sob a forma de um abençoado e estabilizado casamento a três».

***************************

«ESTAIS A FALAR A SÉRIO OU GRACEJAIS?»

«Benévolos ouvintes, Deus vos guarde», temos para propor uma comédia de Niccolò Machiavelli, esse mesmo cujo nome se tornou com o tempo etiqueta do mal. Maquiavel, mais conhecido pela filosofia política sintetizada em “O Príncipe”, obra póstuma logo amaldiçoada por quem de direito, afirmou-se ainda em vida como autor de comédias de sucesso. Entre elas, a primeira de todas foi “Mandrágora”. Regressa agora aos palcos portugueses, com tradução original de Isabel Lopes e encenação de Fernando Mora Ramos, numa produção que a companhia Teatro da Rainha colocará em cena no Largo da Copa, junto ao Hospital Termal, espaço nobre da cidade de Caldas da Rainha que ali adquirirá feições florentinas. Cenografia a cargo de José Serrão, figurinos de José Carlos Faria e música de Tiago da Neta.


***************************

A propósito do Espectáculo:


Excerto: «(...) E o que há em Maquiavel que emparelha com Fernando Mora Ramos?

Eu sinto-me bem a dizer aquilo. Há frases no texto com as quais me identifico. Um tipo anda nisto há 50 anos, sempre numa espécie de batalha por um teatro que seja rigoroso e popular, no bom sentido do termo, que não seja um teatro que exclua os outros, por um esteticismo hermético ou por ser uma opção muito cultural, necessitada de referências… Porque, na realidade, ao contrário do que se diz, os clássicos são claros. Isso é uma das condições do texto clássico, o clássico abre, não é incompreensível.
Este combate pelo teatro — que fará, em breve, 40 anos na companhia, mas que na minha experiência pessoal faz 50 — , leva a que me sinta hoje mais ou menos como estava quando arrancámos com toda esta experiência, logo a seguir ao 25 de Abril. Sendo que os primeiros 10 anos eram muito prometedores, toda a experiência inicial foi muito conseguida do ponto de vista da relação com os públicos. Os espectáculos abarrotavam sempre de pessoas, havia uma enorme curiosidade pelo teatro e, portanto, as pessoas iam ver o que se passava.

Mas de algum modo o público também seria mais ingénuo. Hoje em dia, não parece ser tanto assim. Ou será igual?

O problema mais complicado é que a ditadura do consumo, os modos de entendimento por via da mediação consumista, fazem com que hoje a vida nova se tenha transformado numa vida velha. Veio uma estrutura muito organizada, com determinações económicas, que nos impõe parâmetros de um modelo económico e esse modelo introduziu essa dimensão muito forte do consumo e esta economia do consumo fez com que as pessoas, no fundo, acabassem por não ter uma relação directa com as coisas mas passassem a ter uma relação mediada pelos métodos promocionais e as fórmulas publicitárias. Eu sou anterior ao marketing. E o marketing é um mecanismo que se substitui ao objecto, qualquer coisa se pode vender, qualquer coisa se pode promover.
Naquela fase não havia quem explicasse que um espectáculo é de 4 ou 5 ou 3 ou 2 estrelas. As pessoas apareciam. Recordo-me de estar em Montargil a fazer “As duas caras do patrão”, que tinha um cenário com uma bandeira americana, e eu cortava a vinha e as linhas da bandeira eram as linhas da vinha. Numa casa do povo de dimensões vulgares, junto à barragem, um mar, tinha 800 pessoas a ver aquilo. Eu não faço a mais pálida ideia do que é que isso hoje quer dizer, só sei que, como se tratava de algo muito elementar e primário acerca da propriedade, porque é uma história básica, como diria o Eduardo De Filippo: “a casa foi abaixo”.

Estás a dizer isso e estou a pensar quão curioso é verificar que as peças que tens escolhido para fazer nesta circunstância específica em que a “Mandrágora” vai ser feita, são quase sempre clássicos ou são peças que, de algum modo, readaptam clássicos. Isso acontece porquê? Neste caso em concreto, o que há em Maquiavel que te leve a julgar fazer sentido fazê-lo? O que te levou a optar por um tipo de registo que até na linguagem parece desafiar os modos de falar na actualidade?

Portanto, Aristófanes, “A Paz” e os “Pássaros”… (...)»

***************************

E há mais:


«Este microcosmo da Mandrágora é o retrato de um mundo contaminado pelo dinheiro, o credo, em todos os seus interstícios. Paradigma desse poder do poder de comprar é a cena de Frade Timóteo com uma “mulher rica” que lhe paga umas missas pela alma do seu defunto marido que, pelos vistos, a sodomizava. Nunca um padre foi tão negociante e contabilista, tão faminto de dinheiro. Mandrágora — a peça — que gozou do ambiente de liberdade que havia na Itália em que foi representada, nos anos vinte de 1500, será, uns anos depois, metida pela inquisição e pelas censuras de das épocas ulteriores, no índex. Será só no século XX e muito depois da guerra, a segunda, que encontrará, levada à cena, o reconhecimento do seu valor real e actualidade inultrapassada».