quarta-feira, 3 de junho de 2015

«Não quero mais brincar a este jogo perverso, arbitrário, disfuncional» | «que esta situação não passe impune e desapercebida»

LEIA O ARTIGO COMPLETO AQUI.


O que seria de nós sem os Alertas Google?, eventualmente não saberíamos, ontem,  que os resultados dos Apoios Estatais através da DGARTES nas modalidades «ANUAIS» (para 2015, imagine-se !) e BIANUAIS (2015 e 2016) já eram conhecidos. (Ontem ainda não havia site da DGARTES, hoje já há, e desejamos «boa sorte», não vá ele ser sol de pouca dura, e aguarda-se, naturalmente, esclarecimentos sobre o«bug»).  O alerta remeteu-nos para o artigo a que se refere a imagem acima, que faz uma boa resenha do estado dos apoios do Estado em que nos encontramos. De lá, excertos, alguns que, no no mínimo, arrepiam:

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 «Bruno Bravo, encenador, não esconde a sua desilusão perante estes resultados: "Apanhou-nos de surpresa. Temos passado os últimos dias em reuniões para perceber o que vamos fazer. Somos uma estrutura com 14 anos e temos apoio sustentado da DGArtes há 10 anos. A companhia tem evoluído bastante, com produções mais ambiciosas, mais equipas, temos um espaço. Estes dois últimos anos foram de um esforço brutal e a nossa expetativa era que, pelo menos, mantivéssemos o apoio que tínhamos até aqui, e que já era pouco [na ordem dos 60 mil euros]».
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  «"Pusemos a hipótese de acabar com a estrutura mas não vamos admitir que a DGARTes consiga acabar com uma companhia que já existe há tanto tempo, com provas dadas. Vamos procurar outras formas de financiamento e resistir", diz Bruno Bravo, que critica bastante a política seguida pela DGArtes: "Antes era uma estrutura plural, agora mudou de paradigma, quer que todas as companhias sejam iguais. Mas não são. Nem todas as companhias fazem itinerância, nem todas têm serviço educativo." E acrescenta: "A estratégia é para que haja uma concentração dos apoios em cada vez menos estruturas. O futuro não é nada promissor, é mesmo muito perigoso. Devíamos estar todos alerta."».
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 «O descontentamento é visível entre as estruturas que receberam apoios muito aquém do que foi pedido - como o Al Kantara, que vai receber 96 mil euros por ano o que, segundo Thomas Walgrave, é manifestamente insuficiente para realizar o festival - e sobretudo entre os que ficaram de fora dos apoios, como a Companhia Portuguesa de Bailado Contemporâneo, de Vasco Wellenkamp, que já há alguns anos enfrenta uma situação financeira bastante débil».
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 «Outra surpresa foi a recusa de apoio à Real. Na sua página de Facebook, o coreógrafo Joao Fiadeiro manifestou o seu desalento: "Pela primeira vez em quase 20 anos, a RE.AL e o Atelier Real não foram contemplados com apoios do Estado nos concursos abertos pela DGArtes. A primeira reação, à flor da pele, foi dizer basta. Chega. Não quero mais brincar a este jogo perverso, arbitrário, disfuncional." Mas promete que, apesar de injustiçado, não vai desistir: "estamos a passar por uma das fases mais vitais e vibrantes do nosso percurso. A REAL acaba de voltar em força ao trabalho coreográfico, com estreia no Maria Matos e no Rivoli na próxima temporada e com vários teatros europeus na calha para nos programar em 2016." Fiadeiro sente que o "sistema colapsou, entrou em pane, fez tilt. E que é tempo de fazer zoom out e tentar que esta situação não passe impune e desapercebida. E, sobretudo, que sirva para alterar profundamente a lógica do sistema. Não por mim, que tenho os meus meios e redes e formas de continuar a trabalhar (se não for aqui, será lá fora), mas por Todos."»
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"O sistema está viciado e não é justo. Os apoios vão sempre para os mesmo criadores e não há espaço aos novos."

O artigo do DN, traz mais informação, que nos deixa a pensar, e que esperemos outros reflictam - mais uma vez, «pequenos/grandes temas» a que as campanhas eleitorais não deviam ser indiferentes:

  •  «(...) já a meio do concurso a tutela aprovou um reforço de 400 mil euros em relação ao que estava previsto para este ano para tentar chegar a mais estruturas». Onde se foi buscar este dinheiro?, e a meio do jogo.
  • «A DGArtes esclareceu ainda ao DN que a decisão de cancelar a fase de audiência dos interessados foi tomada para não atrasar ainda mais o processo de atribuição dos apoios: "Tendo em conta a data em que ocorre esta notificação, e considerando que todo o processo administrativo poderá levar a que os apoios concedidos venham a ser atribuídos só a partir do próximo mês de julho, em benefício do interesse das próprias entidades e, naturalmente, do setor em geral, a DGArtes decidiu suprimir a fase de audiência de interessados neste procedimento", explica a instituição, lembrando que, no entanto, todas as estruturas têm o "direito de solicitar a modificação, suspensão, revogação ou declaração de invalidade do ato mediante reclamação ou recurso para o órgão com competência para o efeito"». Mas o que é isto?, não haverá aqui uma confusão entre princípios e formas de ultrapassar a ineficiência da Administração?, e ao mesmo tempo troca-se a «audiência» por processos mais morosos e caros, e impossíveis para muitos - reclamação e recurso. Ou será que os serviços e os júris não tinham capacidade para fazer face às audiências? E mais ainda: é possível, com aquela argumentação? É que em todo este atraso, mais semana, menos semana, para defender princípios ... 
  •  «Claro que ficam de fora diversas entidades, mas entretanto a DGArtes abriu pontuais (800 mil euros, para 45 projetos) e internacionalização (386 mil euros para um máximo de 45 projetos). Foi alargado até 15 de junho o prazo das candidaturas a Pontual para dar a todos a oportunidade de se candidatar"». Ora aqui está, sobre a identidade de cada modalidade de apoio,  a identidade de cada projeto, e a assunção de que cada projeto «é único», estamos conversados. 


                                                     


 Perante tudo isto, como dizem  pessoas ouvidas pelo DN, não restam dúvidas:


«Devíamos estar  todos alerta»
«Que esta situação não passe impune e desapercebida»
«O sistema colapsou»



segunda-feira, 1 de junho de 2015

AINDA O FITEI E A ATRIBUIÇÃO DOS APOIOS ATRAVÉS DA DGARTES


O Diretor do FITEI  - Gonçalo Amorim - deu uma entrevista ao PÚBLICO de hoje. É de lá, na edição impressa, o recorte da imagem. Dá para se saber mais sobre o processo da atribuição dos apoios a que nos referimos aqui. E sublinhe-se: «Mas sei que há colegas meus, alguns dos quais estão neste FITEI, que ainda não fazem ideia se vão receber financiamento da DGARTES, sendo que estamos praticamente na segunda metade do ano (a entrevista foi feita um dia antes da publicação dos resultados)»-  (ver o excerto da imagem). O comum dos cidadãos tem dificuldade em acompanhar  a situação: saíram os resultados de quê? É que, entretanto, só agora abriram ou vão abrir concursos ... Pensamos que serão os Pontuais e da Internacionalização. Sobre a entrevista pode saber mais aqui. E ainda outro excerto do que se pode ler:

Por fim, dizer que a entrevista é da jornalista Inês Nadais.


sexta-feira, 29 de maio de 2015

O FITEI E OS APOIOS «EM PROGRESSO» DA DGARTES


Na imagem,  recortes de notícia lida no Jornal de Notícias de 27 de maio sobre o FITEI. Na internet, no sitio do mesmo jornal, e da mesma data,  também existe matéria sobre o Festival: o endereço.
Agora vamos ao mais importante, o FITEI 2015 aí está, até ao dia 21 de junho, e por todos os motivos e mais alguns, desde logo, os  nossos parabéns! Saiba mais no sitio do Festival. 
Entretanto, perante as notícias, não  pode deixar-se de reparar nos apoios da DGARTES: mas o que é que isto?, para além de serem de montantes miseráveis, está-se a meio do ano, e nada! E o que é aquilo da «avaliação positiva»? Durante o processo, os interessados vão sabendo das apreciações? Quem deu aquela informação? Esta DGARTES, ou o que dela resta, não pára de surpreender. Agora temos um processo de atribuição de apoios do tipo «em progresso»... Só pode ser! tarde e a más horas mas, pelos vistos, num sistema dialogante, até vão dando umas dicas enquanto os trabalhos decorrem? Aguardemos para se perceber o que é que tudo isto significa. Não vale a pena recorrer ao sitio da DGARTES - continua «temporariamente indisponível».


                                                                                                                             PEDRO GRANADEIRO/GLOBAL IMAGENS
 Nuno Carinhas, Gonçalo Amorim, Paulo Cunha e Silva e Tiago Guedes

Por fim, olhando para a esta segunda imagem, é bonito ver todas aquelas instituições de «mãos dadas». Espaços para o FITEI é coisa que desta vez não deve faltar.