terça-feira, 4 de maio de 2021

Julião Sarmento

 

 

Neste momento em que Julião Sarmento nos deixa muito vamos ouvir sobre o artista famoso em que se tornou. Por aqui, pelo Elitário Para Todos, queremos lembrar a sua passagem pelo Ministério da Cultura/Secretaria de Estado da Cultura. Em particular pela DGARTES, então DGAC - Direção-Geral da Ação Cultural -,  quando entre cafés e encontros em casa uns dos outros íamos conseguindo obras dos nossos colegas artistas (como a serigrafia a que se refere a imagem). Recordar momento maior em que a ADMINISTRAÇÃO DA CULTURA  era atravessada pelo olhar e ação de criadores: Julião Sarmento, João Vieira, Calhau, Lisa Santos Silva, ...  Saiu  e fez carreira internacional distinta, mas não esqueceu os colegas: cada reencontro, uma festa! Acabou. Estamos tristes.


 

«ENCONTRO CULTURA / REGIÃO DE SETÚBAL» | 7 maio 2021| FÓRUM LUÍSA TODI |SETÚBAL

 

 

«(...)A realização de um Encontro Regional da Cultura assenta na necessidade de uma constante reflexão e aprofundamento sobre a Cultura e o trabalho na Área Cultural na nossa região, procurando uma abordagem sobre diversos temas como por exemplo: A cultura, elemento determinante de desenvolvimento; as condições de acesso à criação e à fruição cultural; o apoio à produção cultural, aos agentes culturais e ao movimento associativo; a preservação e a valorização da nossa identidade num quadro de globalização; o investimento em equipamentos e infraestruturas; A valorização e potenciação do Património Material e Imaterial; o desenvolvimento cultural das populações; o apoio ao movimento associativo, às estruturas criativas e aos trabalhadores artísticos; a democratização do acesso aos bens culturais; formas de envolvimento dos agentes culturais na definição das políticas culturais; entre outros. (...)». Saiba mais.

 

OBRA COMPLETA DE BERNARDO SANTARENO

 

 
«A primeira reunião da obra completa do maior dramaturgo português do século XX e de um dos mais originais escritores da nossa língua.Edição fundamental de uma obra incontornável da literatura Portuguesa».  Veja o plano da obra.

 

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Saiba mais através do blog Santareno:«E-Primatur publica primeiro volume das obras completas de Bernardo Santareno em maio».

 

segunda-feira, 3 de maio de 2021

DOS OUTROS | «Funded by Creative Scotland, and Arts Council England and Arts Council of Wales, the Unlimited arts commissioning programme supports disabled artists to create and present their work across all art forms»| APROVEITEMOS PARA REFORÇAR A EXIGÊNCIA DE UM «PLANO NACIONAL PARA A CULTURA E AS ARTES»|MERECE SER «PALAVRA DE ORDEM»| MAIOR !

 

 
 
 

Excerto: «(...) Funded by Creative Scotland, and Arts Council England and Arts Council of Wales, the Unlimited arts commissioning programme supports disabled artists to create and present their work across all art forms. Artists who will receive funding this year work in the artforms of music, theatre, combined arts, dance visual and live art, with this round, also supporting opera, literature, zines, technology and work for young audiences and in rural locations.

Delivered by Shape Arts and Artsadmin the main aim of the programme is to commission disabled artists and companies to make exceptional work.  The selection criteria requires that projects are disability-led and show quality, innovation and ambition to develop new artistic work. Partners working with Unlimited for this commissions round include the David Toole OBE Bursary - an inaugural initiative to support a project by an emerging dancer, which is received by Scottish artist Laura Fisher. (...).

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E recordemos o PLANO de que faz parte, onde «arts» e «indústrias criativas» estão delimitadas - (está a ver Senhora Governante portuguesa da área da Cultura?,  embora saibamos que «não liga» ao que a rodeia a não ser que a isso seja obrigada, não desistimos ...) :


Disponível aqui

mas saiba mais neste endereço.


 

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Pronto, (aproveitemos o momento),  pensamos que já é mais do que tempo para a exigência de um PLANO NACIONAL PARA A CULTURA E AS ARTES se transformar em PALAVRA DE ORDEM forte.   Ou seja, dar VISIBILIDADE MAIOR ao que «desde sempre» se vem a reinvidicar. Outros o têm (o que aqui se mostra é apenas ilustração), por que não nós?

 

 

VAMOS ACOMPANHAR | «relançamento do Plano Nacional de Cinema»

 


É verdade, não se «falou muito», mas há novidades em torno de um Plano Nacional  - o Plano Nacional de Cinema -, e nós aqui estamos, modestamente, a contribuir para a sua promoção ... (Mas antes,quando teremos «o» PLANO NACIONAL GLOBAL, e integrado, para a CULTURA E AS ARTES? Não, não - voltamos a insistir, vem nos livros -, não é um somatório de Planos parcelares). Continuando, de facto,   há dias, e recorrendo ao Portal do Governo:   «O Secretário de Estado, que apresentou os novos recursos para relançamento do Plano Nacional de Cinema, na Cinemateca, em Lisboa, acrescentou que o objetivo é "ter todo o cinema disponível em todos os sítios, em todas as salas de todo o País"».

 

 

Vamos continuar atentos  a este e aos demais «Planos Nacionais» parcelares ... Em particular à maneira como «colam  coisas», como decorre do que se pode ler na comunicação institucional atrás mencionada:«A modernização das salas de espetáculos, referida pelo Secretário de Estado, será articulada também com a Rede de Teatros e Cineteatros, criada em 2019 e que está em processo de concretização». É o que se poderá designar por «intervenções patchwork» ... Claro, boa sorte para o relançamento do Plano Nacional de Cinema.

 

 

domingo, 2 de maio de 2021

NA LEGISLAÇÃO JÁ ESTÁ, FALTA O RESTO ... | «Constituição do Grupo de Trabalho "Novo Bauhaus Europeu"»

 


Na composição do Grupo, pela Cultura: veja no Portal do Governo.

E o site da «New European Bauhaus» :

 


E lá declaração,  à partida,  inspiradora:

 

 «I want NextGenerationEU to kickstart a European renovation wave and make our Union a leader in the circular economy. But this is not just an environmental or economic project: it needs to be a new cultural project for Europe».  Ursula Von der Leyen.

 

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Teremos de concordar, aquele despacho revela a «floresta»que marca as Administrações nacionais e europeias onde dificilmente os profissionais interessados se movem e por maior força de razão qualquer cidadão. Veja só o tempo que se gastará a «visitar» todo aquele emaranhado de «organizações», desde a simples Direção-Geral às redes mencionadas ...Mas para se entrar no espirito da coisa, e depois avaliar das possibilidades concretas, não há como  fugir isso. Por outro lado, e em particular na esfera nacional, pensamos que ainda não se consegue perscrutar como é que as dimensões «cultural e artística» vão ser reflectidas no movimento e, em especial, na actividade do Grupo de Trabalho agora criado. Não será dificil concluir que estamos em algo maior, ou seja, no novo paradigma de desenvolvimento que progressivamente se vem a equacionar deste modo: Desenvolvimento Sustentável = economia, ambiente, social, governação, cultura. Talvez ajude seguir o Blog Organizações Verdes.

 


sábado, 1 de maio de 2021

LUÍS MIGUEL CINTRA | entrevista | REVISTA EXPRESSO

 

Necessariamente, se puder, não perca a entrevista de Luís Miguel Cintra a que se refere a imagem. Entretanto, estas passagens: «(...)Em 1973 cofundou o Teatro da Cornucópia, que existiu até 2016, quando o fim foi ditado por uma redução drástica no apoio estatal que significaria uma perda de identidade. (...).  Parkinson é um nome, o nome das rotinas às quais agora está preso. Herdou o mal e adiou o mais possível submeter-se a ele. Porém, não se lhe rendeu totalmente. No dia em que o visitámos, no seu 4º andar virado para a rua de um prédio de Lisboa, o Prémio Pessoa 2005 tinha recebido um volume acabado de editar pela Cinemateca — “Luís Miguel Cintra: O Cinema” — com entrevistas que lhe foram feitas, visão panorâmica de uma filmografia de perto de 60 títulos, entre os quais obras de Manoel de Oliveira, João César Monteiro e Paulo Rocha, para só citar alguns. Estava também a estudar um poema de António Barahona que irá ler num documentário sobre Eunice Muñoz. “Um poema dificílimo”, confidenciou. Tem encenado, tem dado conversas, conferências, tem lido, até poder, o Evangelho na missa. (...)

O que anda a fazer?

Ando a fazer o balanço do que foi a minha vida, a passar os olhos por todas as coisas que fiz, os espetáculos, as entrevistas que dei, as cartas que escrevi, as homenagens a pessoas, os discursos... Como fiz tudo muito depressa, sinto a necessidade de pensar sobre isso e de perceber qual foi a minha coerência de trabalho ao longo do tempo.

E o que descobriu até agora?

Percebi que tive sempre uma ideia de teatro de que hoje as pessoas falam muito pouco: o teatro é um trabalho de comunicação com os outros. Portanto, só faz sentido em função dos outros e não da exibição da nossa própria personalidade. Isso está a perder-se. Quando nós começámos a fazer teatro, antes e imediatamente depois do 25 de Abril, tínhamos uma vontade enorme de dizer coisas. Interessava se a peça dizia isto ou aquilo, e se era relevante transmiti-lo à sociedade.

 O que faziam tinha um pendor pedagógico, didático?

Havia a ideia de que alguns tinham a sorte de ter estudos superiores e formação cultural. Essas pessoas tinham uma responsabilidade pública, que assumia algum didatismo. Na altura, dizia-se ‘formar’. Queríamos formar um público, formar espectadores. Ao ler o que escrevi ao longo dos anos, vejo uma reflexão permanente sobre o próprio ofício, como se estivesse sempre a passar uma espécie de exame de consciência. Não sei se herdei isso da minha formação católica: a ideia de fazer o bem, de generosidade, de viver para os outros. Nos primeiros dez anos da Cornucópia, fizemos uma peça que se chamava “A Missão”, de Heiner Müller, como forma de interrogar se a companhia tinha uma missão para com o público e qual seria o nosso papel de artistas, de intelectuais.

E havia uma missão?

Sim, havia.

Disse que hoje existe menos o trabalhar para os outros. É uma crítica? Vê os atores mais virados para si mesmos?

Vejo. O sistema de produção dos espetáculos e as condições de trabalho criadas foram uma tentativa de normalizar toda a atividade em termos de mercado. Essa normalização — essa ‘profissionalização’ — tem efeitos perversos. Passar para uma lógica de mercado transformou a profissão numa feira de vaidades. Desapareceu o assunto da própria atividade e passou a haver vedetas.

Desapareceu a arte pela arte?

Foi-me muito difícil perceber o que se estava a passar quando, tendo a Cornucópia acabado, e continuando a atividade das outras companhias, o discurso das pessoas se tornou um discurso laboral. Falava-se de que temos direito a comer, de que somos trabalhadores como os outros. Ora, no meio desse discurso, a palavra ‘arte’ ou a afirmação ‘somos artistas’ nunca foram ponderadas como deve ser. E isto não é recente. Saí do sindicato dos atores foi porque, quando se estabeleceu um contrato coletivo de trabalho, se fosse seguido à risca, só permitia a existência do teatro nacional e da televisão. Nenhuma das outras companhias tinha capacidade para o aplicar. Isso é gravíssimo. Atualmente, para salvarem o seu meio de subsistência, as pessoas estão a entrar na lógica da competição e da autoexibição; da venda dos ‘eus’ postiços que pensam que lhes garantem a sobrevivência na profissão.

O que vê quando olha para a situação do teatro hoje?

Não sei se o facto de me ter visto forçado a não trabalhar mais, e o facto de estar de fora, me leva a ver as coisas de uma maneira exagerada. Mas o que hoje sinto é que o teatro que fizemos até há muito pouco tempo corresponde a uma época que acabou. Olhando para o mundo em termos políticos e culturais, todos temos a noção de que alguma coisa muito importante mudou. Vamos necessariamente começar a viver de outra maneira. O Papa Francisco é o maior político que a Humanidade tem neste momento — e isso indica uma alteração profunda. Talvez ainda não nos saibamos mover dentro dessa mudança.

Como é que o teatro pode apanhar esse comboio?

Sendo fiel a si próprio e não querendo apanhar comboios que não são o seu. Nós começamos com uma vontade de dizer coisas ao mundo, de ter uma personalidade de grupo, de ter uma opinião e uma influência na opinião dos outros. Atualmente, isso tem de voltar a existir de outro modo. Se calhar, não é fazendo teatro de repertório: está-se a tentar voltar a um teatro de repertório ‘abastardado’, transformando os textos, mas sem o conhecimento desses textos. O teatro está a viver dos restos de uma época que já passou. E o que deve voltar a haver é uma perda do receio sobre as condições económicas e um apostar no que se quer dizer. O reconhecimento de que o que querem dizer é tão importante que não se importam de passar fome para o fazerem. Essa é a base para conseguir o que falta.

Hoje, o teatro está a lutar pelas mesmas condições porque a sua geração lutava.

Pois está. Infelizmente, o teatro ainda não descobriu para onde vai. Há várias pessoas cultas que já tiveram a ousadia de dizer que, se mandassem, acabavam com o teatro, que não devia haver teatro. Não sei se não têm razão. Porque não assisti ainda a um projeto culturalmente consistente que se apresente como uma necessidade de criar. Só vejo necessidade de programar. E a necessidade de programar é um problema de gestão económica.

 Neste tempo seria possível surgir um projeto como a Cornucópia?

Acho difícil, porque nada na vida, tal como está organizada, empurra para projetos coletivos. Tudo o que era trabalho de grupo está a fragmentar-se em trabalhos individuais. É um problema de educação, de evolução. O sistema educativo está a criar burros, com uma pala de cada lado e à frente um computador. Está a criar funcionários. Ser funcionário é o contrário de alguém elaborar o seu próprio projeto. É treinar para ser o melhor servidor de um projeto alheio. Estamos a viver projetos que não sabemos de onde surgem, que a gente não escolhe. No fundo, é um só e único projeto, o de tudo ser dominado pelos valores do mercado.

Uma vez disse que a Cornucópia “foi mais importante para a evolução do teatro português do que seria possível quantificar em espectadores”. Estamos na era da quantificação?

Hoje quer-se saber imediatamente quanto custa, a que horas começa e acaba, quanto tempo dura — coisas que não têm nada a ver com o espetáculo. Os números comandam tudo. Quando se convida um ator para um projeto, ele pergunta se é subsidiado, quantos dias ocupa, em que datas há ensaios. Tenta conciliar aquilo com várias outras coisas. Para viver, os atores aprenderam a arrumar as diferentes tarefas tal e qual um condutor de táxi. (...)».

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E como raciocínios destes estarão rfletidos no ESTATUTO DO ARTISTA «em consulta»? E no processo  de financiamentos (apoios, como são conhecidos) «recauchutados»? E na designada REDE DE TEATROS E CINETEATROS (voluntária) e sem memória? Pois é ..., se não ouvimos os nossos melhores... o que podem esperar os outros (comuns mortais) que criticam o que vai acontecendo?

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Veja aqui

 

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E boa ocasião para (re) visitar o site da Cornucópia (enquanto o temos) e ter consciência daquilo que um Governo de esquerda acabou:

A propósito lemebremos:OS «SITES» DA CULTURA E DAS ARTES | também à atenção dos Senhores Deputados ...