domingo, 29 de junho de 2014
DOS USA | «Porque deve o Estado Apoiar as Artes ?»
E na Biblioteca do Congresso pode ver uma coleção de cartazes online que tambem dão informação sobre as artes no Estados Unidos ao longo dos tempos, e a sua relação com a Administração:
The Work Projects Administration (WPA) Poster Collection consists of 907 posters produced from 1936 to 1943 by various branches of the WPA. Of the 2,000 WPA posters known to exist, the Library of Congress's collection of more than 900 is the largest. The posters were designed to publicize exhibits, community activities, theatrical productions, and health and educational programs in seventeen states and the District of Columbia, with the strongest representation from California, Illinois, New York, Ohio, and Pennsylvania. The results of one of the first U.S. Government programs to support the arts, the posters were added to the Library's holdings in the 1940s. Continue.
sábado, 21 de junho de 2014
PRESIDÊNCIA DO CONSELHO DE MINISTROS | Área da Cultura | Prazos ! | não são para cumprir
ISTO É UMA FALTA DE RESPEITO! Esta é a expressão com que um leitor deste blogue desabafa ao ver o que se passa na ÁREA DA CULTURA da PRESIDÊNCIA DO CONSELHO DE MINISTROS quanto a prazos que não se cumprem, quanto ao deixa andar, género isto não é para se fazer, é para se ir fazendo, num ambiente de impunidade nunca antes visto. É bom lembrar, não há Ministério da Cultura, não há Secretaria de Estado da Cultura, há uma ÁREA perdida na Presidência do Conselho de Ministros, que deu o tom quanto à importância que este Governo atribui à CULTURA e às ARTES. E há um Secretário de Estado da Cultura para a área. E a maioria que apoia esta solução adiantava como vantagem o facto de se estar mais perto do PRIMEIRO MINISTRO. Até pegando nesta ideia, como o SECRETÁRIO DE ESTADO DA CULTURA não dá conta do recado encaminhe-se o problema para a sua sede institucional: Presidência do Conselho de Ministros, Primeiro Ministro. Ou seja, ao GOVERNO no seu todo. E os problemas, entre muitos outros, relacionados com o tempo que não se respeita, na«ordem do dia»:
- Concursos para Dirigentes que se eternizam.
- Protocolos de apoios atribuídos cujo processo de renovação parece não ter fim.
- Resultados dos Concursos Pontuais 2014 em curso que uma vez mais não cumprem os prazos.
Já vamos a isto, mas antes compreendamos melhor a CULTURA NA PRESIDÊNCIA DO CONSELHO DE MINISTROS. Fizemos uma sistematização de excertos do Diploma. O inicio:
e dos serviços concretos:
Mas saiba mais sobre a cultura na
Presidência do Conselho de Ministros
onde pode ler a sistematização
dos excertos feita.
DL 126-A/2011 na integra
Agora vejamos sobre os casos anteriormente assinalados:
CONCURSOS PARA
DIRIGENTES NA CULTURA
Neste blogue a questão dos Concursos para dirigentes na Cultura já tem estatuto de telenovela, daquelas que se prolongam, em que não vemos fim à vista. Assim, o melhor é começarmos por remeter para posts anteriores sobre a coisa:
Agora, aprofundemos, por exemplo, com esta situação:
Para a DGARTES, a CRESAP apresentou em 20 de maio de 2014 uma proposta de três nomes para Diretor-Geral (recorde-se que o concurso teve de ser repetido). Por conseguinte há um mês, e nada. E para Subdiretor-Geral essa proposta aconteceu a 18 de dezembro de 2013. E até agora, nada. Mas lembremos que a questão dos concursos para dirigentes é extensiva a outros organismos da cultura. Conclusão, a questão TEMPO não existe na área CULTURA da PRESIDÊNCIA DO CONSELHO DE MINISTROS no que se refere à substituição de dirigentes. Há quem ironize e diga que o Secretário de Estado da Cultura ainda vai encomendar um estudo que o ajude nas decisões sobre os concursos de dirigentes em falta.
OS PROTOCOLOS
Recorramos ao que recentemente
disse João Brites
OS PONTUAIS 2014
A pergunta ao Governo
do deputado
Miguel Tiago do PCP
quarta-feira, 18 de junho de 2014
ENTREVISTA DE FERNANDO MORA RAMOS À «HAMLET NEWS» | «Vicente é a mesma praia, é o nosso Shakespeare»
A Comédia de Rubena
Exercício-Espectáculo dos alunos do Curso Profissional de Interpretação
do Colégio Rainha D. Leonor
SALA ESTÚDIO DO TEATRO DA RAINHA
24 e 25 de Junho | 21h30 (Sessões reservadas para familiares e escola)
24 e 25 de Junho | 21h30 (Sessões reservadas para familiares e escola)
26 e 27 de Junho | 21h30(Público em geral)
A Propósito deste trabalho, entrevista do Encenador
Fernando Mora Ramos
para a Hamlet
News
Quando tanto se fala do trabalho com as Escolas, uma entrevista que nos mostra como acontece no terreno. A nosso ver, um caso, com que se pode aprender. E dupla satisfação, sou amiga dos «protagonistas».
Hamlet News – A trabalhar com adolescentes,
como é que se sente, como é que as coisas acontecem?
Fernando
Mora – É extraordinário, uma revelação. A novidade constante da escolha
sensível, a inteligência das situações, uma concentração que nalguns dos alunos
e alunas interpretes é fogo pela intensidade do foco. É um grupo excelente e
são idades de grande disponibilidade, já não são crianças e têm tudo pela
frente como aprendizagem do mundo e como modos de olhar o que acontece no
dia-a-dia, ao mesmo tempo que se sente no ar uma pulsão vital muito forte,
essencial para o teatro, essa vida revisitada e reinventada, criação. É um
encontro curioso, o destes dois tempos, o tempo dos jovens e o do tempo da
peça. Estamos numa permanente viagem e eu gosto muito de verificar no presente
a força do passado, não como algo que puxa para trás mas como algo que
propulsiona para a frente. É uma dinâmica muito viva, não só pela energia que
surge de uma atenção expectante, o famoso círculo da atenção de que
Stanislavski falava, mas também pela generosidade que surge espontaneamente
logo que vencidas as barreiras de um certo pudor. Pudor essencial a uma
verdadeira tensão em cena, uma tensão que seja encaminhada para uma direcção justa,
aquela que é fruto da compreensão do trabalho do sentido em cena. O grupo
trabalhou a peça com a Isabel Lopes e teve portanto a oportunidade de conhecer
bem o texto, de se apropriar dele. Ao longo dos ensaios vamos verificando os
modos dessa apropriação, como o sentido pesquisado no trabalho de mesa se transforma
num sentido do trabalho dos corpos inteligentes em cena. E o trabalho com o
Carlos Borges, de abertura das disponibilidades do corpo/voz, sobre a elocução
e a liberdade do corpo, do corpo não mecânico, é também essencial. Se juntarmos
esses dois fundamentos do trabalho de criação a uma aprendizagem do que se deve
fazer num espaço de ensaios, com tudo os que as técnicas, a luz, o som e
guarda-roupa exigem, com a organização do trabalho dos bastidores que a Ana
Pereira tem cuidado e com tudo o que a Carina e o Filipe têm estruturado no
âmbito técnico e técnico-artístico, temos um quadro pleno do que para nós,
Teatro da Rainha, será enquadrar um estágio curricular. Mesmo o trabalho
promocional está a encontrar caminhos próprios com a intervenção da Vera Marques
e esperamos vir a ter gente diferente nas salas, mais gente nova a ver o
exercício, os seus colegas de idade e novas famílias a aderir ao teatro.
É uma
experiência única e devo dizer que, com o abandono de um encontro real com este
tipo de matérias-primas literárias, verdadeiros tesouros, promovido pelos
vários ministérios - supostamente preocupados com um ensino para o emprego que
despreza as humanidades, sem que se perceba porquê, mas não inventando novos
empregos – esse encontro com os nossos clássicos feitos de um modo nada menorizado
( adaptado, resumido, nem convertidos em banda-desenhada, nem sujeitos a
nenhuma adaptação vídeo-(in)criativa, nem tão pouco a nenhuma tradução
estupidamente plástica do tipo de fazer um Auto
da Índia sem palavras) é essencial para que descubramos como estar na
Europa sem sermos servilmente anglófilos, anónimos falantes da nossa própria
língua já desnaturada, sempre pendurados numa outra que nos escapa – a este
propósito deveria desenvolver-se a consciência que comunicar e ser, ser alguém,
ser sujeito de uma cultura, são coisas diferentes e que saber dizer Hello good-bye não é ler Shakespeare, esse inglês que vai fundo como o
português que Vicente cria, renova e inventa a caminho de uma língua
estabilizada. O que nos diferencia é a língua e qualquer domínio que tenhamos
das outras é tão mais completo quanto seja mais profundo o nosso português. E
não é uma questão de pormenor, é essencial, estruturante da nossa identidade e
segredo da qualidade distintiva da nossa integração na Europa que nos acenou
com dinheiro fácil e que agora nos castiga.
Trabalhar
com estes jovens, detentores aliás de uma cultura “global” e de muita variedade
de experiências, é como que ter a percepção de que o mundo que aí vem é melhor
do que aquele que todos os dias temos de “comer” via média.
Está a ser
muito interessante trabalhar com a Cibele, a Marta, a Duda, o Davide e o David,
a Rita, a Neuza, a Daniela Pais e a Daniela Marques, o Ricardo, a Mónica, a
Carina, a Beatriz, a Ana e a Mihaella.
Hamlet News – Porquê Gil Vicente?
Fernando Mora – Porque é que a vossa revista
se chama Hamlet?
H. N. – Shakespeare…
Fernando
Mora – Vicente é a mesma praia, é o nosso Shakespeare e se os ingleses o
conhecessem, e isso seria estarmos na Europa cultural, diriam que o Shakespeare
é o Vicente deles. É o mesmo mundo um pouco antes no tempo, o mesmo génio
criador. O imaginário greco-latino, a fantasia cénica, o ser um teatro dos
corpos – mesmo o Auto da Alma, já que
forma religiosa, moralidade, a cena sempre a converte em bem profano, prazeres
do corpo e da mente – a língua bilingue, o português ainda em fase de fixação e
a dimensão cultural, isto é, a revelação de um mundo fortemente ligado a ritos
ancestrais, cósmicos e campestres, também a uma atualidade urbana emergente –
como no Auto da Índia, mas também
esta Rubena, pelo lado dos poderes de facto, do pai autoritário, da tragédia da
gravidez adolescente – é essencial para compreender no hoje o que o urdiu. Não
sendo assim estamos sempre no exterior do que possamos ser, espuma mais que
corrente profunda, maquilhagem mais que rosto enquanto expressão de um dentro.
H. N. – Porque é que diz isso? - CONTINUE A LER.
terça-feira, 17 de junho de 2014
«O TEATRO A QUE VALE A PENA CHAMAR TEATRO É SEMPRE UM ESPAÇO ÉTICO DE LIBERDADE»
Vi o ÍON na sala do Teatro da Cornucópia. É onde mais gosto de ver o trabalho da Companhia. E foi como que comemorar Abril em Junho duma forma única - não só porque única é cada representação de um espectáculo, mas porque nos da Cornucópia isso sente-se de forma intensa. E acontece aquela sensação de privilégio de que se quer contar. Neste caso sentiu-se o 25 de abril havido e o por acontecer. O efémero e o perene. E o eterno.
Com a Cornucópia para além do que vemos em Palco há sempre o PROGRAMA (não gosto muito de lhe chamar programa porque, a meu ver, está muito para além disso). Para mim aqueles textos rapidamente se transformam em pequenos tesouros, dignos prolongamentos do que nos espantou, emocionou, em sala. E não tenho memória de que isto não tenha acontecido alguma vez. Por caminhos diferentes, e com momentos de excepção! que certamente vamos continuar a viver lá, na Cornucópia. Vou sempre muito cedo, a tempo da primeira leitura dos textos, antes de o espectáculo começar, e andar por ali. (Gosto de ver os actores a chegar). Ou seja, ver um espectáculo não é a mesma coisa que ir ao Teatro. E leio depois, mais uma vez e outra vez ... e em regra partilho. É o que faço agora aqui com alguns excertos. No início o pequeno texto de José Luís Ferreira, porta aberta para continuar. Presentes, ao nosso olhar, a admiração e o agradecimento, aliás explicito. E quem, dos que acompanham o trabalho da Cornucópia, não sentirá isso mesmo? Que alguém o capte, e o diga institucionalmente, como que em nome de muitos mais, é de assinalar. E, de imediato, a razão de ser deste post, passagens do vivido e reflectido por Luís Miguel Cintra. Pensando bem, já não é «apenas» o encenador e ator de excelência. É cidadania plena. Para melhor leitura neste endereço.
Ainda: talvez no FESTIVAL DE ALMADA consigamos ver o ÍON. E será também muito bom, há aquela atmosfera especial. E quem sabe poderemos ter o «PROGRAMA» para ler na integra. A propósito, a programação do Festival é apresentada já na próxima sexta-feira, dia 20.
segunda-feira, 16 de junho de 2014
terça-feira, 10 de junho de 2014
JORGE DE SENA num outro 10 de Junho, na Guarda
E sejam quais forem as nossas ideias e as nossas situações políticas, nenhum de vós que me escutais ou não, pode viver sem uma ideia que, genericamente, é inerente à própria condição humana: o resistir a tudo o que pretende diminuir-nos ou confinar-nos. Camões não tem também culpa de ter sido transformado em símbolo dos orgulhos nacionais, em diversos momentos da nossa história em que esse orgulho se viu deprimido e abatido. Claro que esse aproveitamento não teria sido possível se ele não tivesse escrito Os Lusíadas. Mas o restituir a quem o podia ler e o podia sentir mais fundamente um pouco de confiança em horas difíceis, é um acto de caridade, essa virtude que não é só cristã porque é, desde antes do cristianismo, a própria essência da civilização: a solidariedade humana quando a dor nos fere. E o ter sido usado, manipulado e treslido como Camões o foi, ou denegrido como também foi desde a publicação do seu poema, é um dos preços que a grandeza paga neste mundo. Camões e a sua obra têm pago esse preço como todos os outros. Deixem-me todavia recordar-vos que o grande aproveitacionismo de Camões para oportunismos de politicagem moderna não foi iniciado pela reacção. Esta, na verdade, e desde sempre, mesmo quando brandindo Camões, sentia que as mãos lhe ardiam. Aqueles oportunismos foram iniciados com o liberalismo romântico e com o positivismo republicano. E se o Estado Novo tentou apoderar-se de Camões, devemos reconhecer que ele era o herdeiro do nacionalismo político e burguês, inventado e desenvolvido por aquele liberalismo e aquele positivismo naquelas confusões ideológicas que os caracterizavam e de que Camões não tem culpa: tê-la-iam por exemplo dois homens que merecem o nosso respeito: Almeida Garrett e Teófilo Braga. E quanto à reacção mais recente em face de Camões, eu lembro apenas dois pequenos exemplos em que a censura o proibiu, se não estou em erro: o caso do jornal de Vila do Conde, em que um tio de José Régio usava publicar os clássicos, citando-os convenientemente, e o da revista Vértice, de Coimbra, que fazia o mesmo. E isto para não falarmos de crimes literários e socio-morais de mais largo alcance, de que Camões era vítima nas escolas, parecendo até que nós éramos as vítimas dele. Porque, para além de encher-se a boca com a Fé e o Império, que nem uma nem outro eram para Camões o que eram para o Dr. Salazar, o poeta não servia para mais nada senão para exercícios de gramática estúpida: o que, tudo junto, chega para gerações lhe terem ganho alguma raiva e perdido o gosto de o ler. E há mais e pior: quando, no liceu, líamos Os Lusíadas, éramos proibidos de ler (e não estudávamos) as passagens consideradas mais chocantes pela pudicícia hipócrita desta nossa sociedade de sujeitos felizmente desavergonhados que fingem lamentavelmente possuir a virtude que não têm, e vivem a perseguir ou reprimir os pecados alheios. Claro que nós todos íamos logo ler as passagens “proibidas” e lendo-as assim, com olhos libidinosos, perdíamos a grandeza delas: a majestade do sexo e do amor, a magnitude da liberdade e da tolerância, a inocência magnífica do prazer físico e da paixão erótica, que, acima de tudo, Camões cantava e celebrava nessas passagens com uma abertura de espírito e uma audácia espantosas. Será possível que os frades o tenham feito alterar algumas coisas antes de publicar Os Lusíadas. Mas, em face de algumas daquelas que lá ficaram, temos de reconhecer que, mais do que aquilo, só um poema francamente pornográfico, inco mpatível com a dignidade e o decoro da grande epopeia que Camões desejou escrever e escreveu. (...). LEIA NA INTEGRA AQUI, o «Discurso proferido na cidade da Guarda, durante as comemorações do “Dia de Camões e das Comunidades Portuguesas”, no dia 10 de junho de 1977 — o primeiro depois da “Revolução dos Cravos”. Além de Jorge de Sena, foi orador Vergílio Ferreira, na presença do Presidente Ramalho Eanes, de altas autoridades e de enorme platéia».
Subscrever:
Mensagens (Atom)














