domingo, 19 de setembro de 2021

JOSÉ-AUGUSTO FRANÇA

 

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José-Augusto França morreu.Olhemos para a Biografia do «historiador e crítico de arte, ficcionista». E neste momento de eleições, em jeito de homenagem, elegemos os livros acima. Em particular, atentemos nisto:
“Lisboa, História Física e Moral” é um livro de enorme fôlego que traça o perfil vivo e o carácter de uma cidade contínua no tempo. A esperada obra do historiador e crítico de arte José-Augusto França unifica as visões fragmentárias sobre Lisboa a partir do comportamento, vaidades e devoções dos lisboetas, tecendo uma história humanizada, vibrante e coerente. São 850 páginas de informação rigorosa e fascinante, que nos levam do Paleolítico à Expo 98, unindo o urbanismo e a economia à política e à cultura. «Intitula-se “História Física e Moral” esta História de Lisboa – e assim crê o autor que devem ser as histórias de todas as cidades, feitas de ruas e casas, tanto quanto de gentes que as percorrem e habitam. As pedras mortas, que se acumulam por protecção e as vivas (“ce sont hommes”, Pascal), que lhes dão sentido e necessidade, devem ser correlativas, para que a cidade exista em sua coerência. No tempo que a atravessa, os homens afeiçoam-se em engenhos e intrigas, procuram a felicidade possível, comportam-se, em suma, como seres humanos, bons e maus, ou nem isso, em seus costumes que os séculos mudam em morais e modas. E constroem por comodidade e lucro, por vaidade também, e devoção, quando foi caso disso; por necessidade de criação, nos mais nobres casos». É deste modo que abre o livro de José-Augusto França, abrindo também as portas a uma reflexão que o autor propõe: «A civilização tem origem na cidade-civitas e por isso deve sempre pôr-se em questão a própria cidade – como o é, para que o é. E se o é. Antes de contar a história de Lisboa, fica bem perguntá-lo, como o autor, aliás, já fez, em título de um primeiro curso universitário que fundou, há exactamente trinta anos». Nesta cidade, segundo o autor, «Em oito séculos e meio de história” os lisboetas foram e vão vivendo a sua mansa continuidade, com benefício do clima – e do Tejo da sua necessidade de transporte e de recuperada ecologia, se o for, numa sociedade de consumo, mais físico e financeiro que moral». E desengane-se quem supuser que «por ir tendo, desde o século XIX, mais factos e dados registados, na abundância de informação disponível, a Lisboa de 2000 é mais importante do que a de 1500 (…). A todo o momento da leitura isso deve estar presente no espírito – como o esteve à responsabilidade do historiador», afirma José-Augusto França no prefácio da obra. Lisboa, História Física e Moral cobre a existência contínua da cidade de Lisboa, abordando inicialmente o sítio geográfico e os seus primeiros habitantes, e depois as cidades romana, visigótica, muçulmana e depois cristã até ao século XXI. Sete capítulos tratam dos períodos culturais das Lisboas sucessivamente “Medieval”, “Manuelina”, “Maneirista”, “Filipina”, “Barroca”, “Joanina”, “Pombalina” e “Oitocentista” e “Novecentista”. Os dois séculos finais são designados mais directamente pela sua situação cronológica, dada a variedade e variação dos seus conteúdos culturais e orgânicos. O discurso histórico é conduzido sempre num plano geral, atento ao urbanismo e à arquitectura, com o inventário necessário, e às práticas políticas, sociais e culturais. As partes “física” e “moral” da cidade, no seu todo. Vinte e três subcapítulos, inseridos cronologicamente, tratam com maior pormenor de factos históricos e políticos, ou de criações e eventos culturais de especial significado – até à exposição mundial de 1998. Ainda:

 

 

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sexta-feira, 17 de setembro de 2021

«La innovación en la gestión de la cultura/Reflexiones y experiencias»

 

 


JORGE DE SENA | «Uma Pequenina Luz»

 

Foi o poema escolhido para as cerimónias fúnebres  do Presidente Jorge Sampaio dito por Maria do Céu Guerra:

 

 

BIENAL DE ARQUTETURA DE VENEZA | «A exposição Radar Veneza — Arquitectos Portugueses na Bienal 1975-2021 propõe uma reflexão sobre a participação e representação portuguesa na Bienal de Arquitectura de Veneza desde 1975 até hoje»

 

Sobre a Exposição  no Público/Ípsilon de hoje:


que pode ler aqui.

De lá:

«(...) A exposição Radar Veneza é inédita e surpreendente. Pela primeira vez, foi realizado um estudo exaustivo sobre os vários momentos em que Portugal esteve representado em Veneza. Nunca antes tinha existido a oportunidade de colocar no mesmo plano um trabalho que vem sendo desenvolvido ao longo de várias décadas. A exposição apresenta testemunhos de vários protagonistas, maioritariamente arquitectos, que assumiram responsabilidades na curadoria e na produção das exposições, ou ainda na sua divulgação e recepção crítica. É fascinante acompanhar estes vídeos e ouvir na primeira pessoa as várias vozes, sentir os vários posicionamentos, percebendo as opções tomadas, os contextos específicos, as condicionantes e as expectativas assumidas, segundo uma linha cronológica traçada desde 1975 até hoje.

Existe uma ideia forte que ressoa de imediato no título da exposição — a ideia de radar. Esta metáfora é feliz no alcance da sua operatividade enquanto instrumento de análise que traduz, desde logo, de uma forma franca e precisa, uma ideia de aproximação ao objecto de estudo por via indirecta. Segundo os curadores, o radar “permite imaginar novos reflexos e novas perspectivas”. A aproximação aos objectos de estudo é assim realizada através de ressonâncias que vão conformando uma imagem possível e passível de interpretação, permitindo explorar a hipótese de uma leitura de fragmentos dispersos, no tempo e no espaço, com escalas e posicionamentos variáveis.

A opção dos curadores ao convocar este instrumento de visão não é inocente. E é interessante perceber como este dispositivo curatorial nos transporta e coloca num campo de batalha tenso e silencioso: “O radar obriga os objectos invisíveis a transmitir a sua posição. Capta em eco as posições relativas de actores que talvez preferissem permanecer em silêncio.” Percebe-se então a intenção de forçar um diálogo. Há algo de violento neste exercício, como se pode confirmar na linguagem bélica pressentida na citação de Friedrich Kittler, que abre o texto dos curadores no livro Radar Veneza: “O radar é uma arma invisível que torna as coisas visíveis porque converte objectos ou inimigos que não querem ser vistos ou sequer medidos em transmissores involuntários e compulsivos.”

Fazer uma exposição sobre exposições não é evidente. Acaba por ser um exercício de metalinguagem, pelo facto de se utilizar a própria linguagem expositiva para analisar o que já foi exposto. A vantagem, neste caso, é possibilitar agora um olhar crítico, uma leitura distanciada que permite o estabelecer de relações numa avaliação mais assertiva e informada. Uma das mais valias desta exposição foi a possibilidade de realizar uma investigação iconográfica, da autoria de Ivo

Poças Martins, sobre os espaços que acolheram as representações nacionais em Veneza e os objectos neles expostos. A investigação assume um destaque singular no espaço central da grande sala da Casa da Arquitectura, numa paisagem intitulada Bairro Veneza — um “campo de desenhos levantados das arquitecturas que se sucederam em Veneza.”

Com projecto expositivo de Barbas Lopes Arquitectos, os desenhos surgem impressos em papel branco e estendidos numas finas peças metálicas vermelhas, dobradas e poisadas no pavimento, numa sucessão cronológica impactante de vários registos. Os desenhos são todos realizados com a mesma escala, em plantas e alçados pormenorizados, permitindo uma compreensão espacial dos diferentes momentos expositivos. Percebemos assim melhor a escala da cápsula do Body in Transit que Didier Fiúza Faustino apresentou em Veneza no ano

2000, a capela que Eduardo Souto Moura projectou em 2018 para a representação do Vaticano, ou os detalhes da fachada e os pormenores da obra de Alberto Carneiro na representação de 1976, num “momento de solidariedade revolucionária, em que a Finlândia emprestou o recém-restaurado pavilhão projectado por Alvar Aalto à representação portuguesa.”

O exercício metalinguístico desta exposição fica ainda mais complexo quando sabemos que um dos curadores da exposição, Joaquim Moreno, assumiu também o papel de curador na representação portuguesa em Veneza de 2008 com o filósofo José Gil, com o título Cá Fora: Arquitectura Desassossegada, marcada pela memorável instalação de Ângelo de Sousa e Eduardo Souto Moura com um grande espelho virado para o Grande Canal. Esta coincidência não terá acontecido por acaso. Como recorda Moreno, numa entrevista publicada no livro Radar Veneza a propósito da exposição Cá Fora, “tratou-se não de uma exposição, mas de um laboratório de experimentação.”

Quem quiser perceber por que razão vamos à Bienal de Arquitectura de Veneza, tem na representação Cá Fora um bom exemplo dos esforços necessários para responder ao desafio logístico que Veneza implica, desde a constituição de equipas capazes na produção das exposições até à partilha e construção de um pensamento. As 140 toneladas necessárias como contrapeso para sustentar os 200 metros quadrados de um espelho erguido sobre o Grande Canal constituem uma boa imagem do esforço necessário para representar os arquitectos portugueses na Bienal. (...)».

 

 

 

quinta-feira, 16 de setembro de 2021

EXPOSIÇÃO | «Alberto Carneiro /Os caminhos do corpo» | 16.09.21 - 30.10.21

 

 

«A 3+1 Arte Contemporânea tem o prazer de apresentar Os caminhos do corpo, uma exposição individual de Alberto Carneiro. Alberto Carneiro (Trofa, 1937–2017) foi um dos mais importantes escultores portugueses, tendo participado em certames artísticos notáveis como a Bienal de Veneza de 1976, a Bienal de São Paulo de 1977 e a exposição Alternativa Zero, organizada por Ernesto de Sousa em Portugal, em 1977. A sua vida e obra foi amplamente influenciada pela atividade agrícola e a proximidade com a terra, abordando temas como a natureza e o corpo em territórios próximos do conceptualismo, minimalismo e de land art. Penelope Curtis, ex-diretora do Museu Gulbenkian, escreve: “O modo como Carneiro combina a prática artística de vanguarda com as aparentemente infindáveis rotinas do campo é verdadeiramente singular. A sua breve fixação de estados agrícolas, que de outro modo seriam transitórios, através de um processo longo, revela também uma aguda atenção. A sua própria formação artesanal nas oficinas de santeiro, a sua proximidade com os materiais e o seu enraizamento na sua cultura de origem, dotaram-no de um arsenal com o qual trabalhar e produzir novos “calendários” de produção manual. Tudo o que fez parece ser informado pela destreza manual – particularmente evidente no ritmo e espaçamento dos seus desenhos – e as suas mãos tanto eram tema como ferramenta.” A exposição Os caminhos do corpo reúne uma seleção de trabalhos seminais – obras em papel, fotografia e escultura – destacando períodos distintos na carreira do artista». Saiba mais.

  

 Alberto Carneiro, Murmúrios da floresta, 2004, Walnut, 50 x 260 x 50 cm. Photo: Jorge Coelho

 

«The 100-Year Cycle Of Change In Democratic Institutions | In the U.S., innovation comes from the states»

 

Disponível aqui

 

 

quarta-feira, 15 de setembro de 2021

«1ª Bienal de Joalharia Contemporânea 2021- Cold Sweat»

 

 

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«1ª Bienal de Joalharia Contemporânea 2021- Cold Sweat

EXPOSIÇÃO ESCOLAS NO ARCO

Inauguração 17 de setembro, sexta feira das 10h–17h no Ar.Co - Xabregas

No âmbito da 1ª Bienal de Joalharia Contemporânea de Lisboa surgiu a ideia de organizar uma exposição internacional de escolas a realizar nas instalações de Xabregas do Ar.Co – Centro de Arte e Comunicação Visual. O desafio foi lançado a oito escolas europeias com distintas abordagens à joalharia contemporânea. Foi proposto aos alunos que trabalhassem livremente sob o título “Suor frio”, a temática deste evento, possibilitando a criação de diálogos inéditos entre os jovens participantes. A selecção dos trabalhos será apresentada em estreia no dia 17 de setembro, data do encontro no Ar.Co entre os alunos e professores destas oitos instituições. Numa perspetiva global, a mostra documentará o eclectismo e originalidade que compõem a disciplina da Joalharia Contemporânea.

Em simultâneo, são apresentados os resultados das Masterclases "Medo" com Christoph Zellweger e "Protecção" com Caroline Broadhead integrantes da Bienal». 

Curadoria de Catarina Silva