domingo, 15 de janeiro de 2023

CUSTA OUVIR O SENHOR MINISTRO DA CULTURA, MAS TEM DE SER

 

 
 
Excerto:«Em declarações aos jornalistas, o Ministro da Cultura rejeitou as críticas, assegurando que "o concurso duplicou a sua dotação" com "51 mlhões de euros de apoio ao teatro", e sugeriu que a reflexão deve ser feita pelas companhias que têm visto os apoios negados».

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Diz também o Senhor Ministro que é mais fácil ser COMENTADOR do que MINISTRO, e pelo que se observa, deve ser por isso que, de facto, parece continuar a ser comentador... Perante o que disse em Baião, apenas: mas o que é aquilo de sugerir REFLEXÃO?, tipo repreender os Agentes Culturais. Do género, vá lá, ajustem-se - uns contra os outros - ao que há na «AJUDA DO ESTADO» e deixem-se de reclamações.  Só nos faltava esta!, não nos lembramos de  governante que tenha ido tão longe ...  Em vez disso, Senhor Ministro, converse, não desconverse, e esclareça, por exemplo, aquela de aumentar a verba a meio do concurso apenas para «uma modalidade». O senhor ministro que também sabe de «bola», e recorrendo à justiça natural das pessoas, sabe que isso não se faz ... Mas há a justiça do DIREITO. Para impedir que os Agentes Culturais além dos esforços que fazem para - cada um ao seu jeito -, na circunstância, nos darem o TEATRO que temos, ainda terem  de ir para os tribunais ..., diga-lhes para pararem, que vai refletir, e que nomeadamente vai pedir PARECERES independentes sobre as suas decisões. Sobre aquela, atrás mencionada, mas há outras ... Porventura, peça pareceres independentes, na ótica da gestão pública (que envolve diversas áreas do saber - gestão, direito, ciência política, a sua sociologia, ...) sobre todo o processo. Reconhecendo que apanhou um comboio em andamento... e não teve tempo de mudar a agulha.

Para começar, e   pegando nas palavras do Senhor Ministro proferidas em Baião: o conhecimento disponível diz-nos que qualquer ORGANIZAÇÃO É (DEVE SER) ÚNICA. Seja ela com ou sem fins lucrativos. E também há uma divisa eloquente: TODAS IGUAIS, TODAS DIFERENTES.Trabalhar para que cada PROJETO CULTURAL seja «único» deve ser também um dos propósitos do Governo. Também por aqui a razão por que o MODELO DOS APOIOS (AJUDAS) ÀS ARTES está ESGOTADO. Senhor Ministro, não estamos a dar opiniões fortuitas, tudo isto se aprende na Escola, e há as Práticas de Referências. E bem vistas as coisas, muito disto está institucionalizado no emaranhado das leis que nos governam ... Já agora, atente no que o pai da gestão, Peter Drucker, recomendava: aprender com as organizações sem fins lucrativos. Acredite, as nossas organizações sem fins lucrativos no âmbito da cultura e das artes têm muito para nos ensinar ... Assim nós queiramos aprender.



sábado, 14 de janeiro de 2023

PROTESTO PELAS ARTES | a sabedoria em volta, senhores governantes ...

 

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Talvez possamos relacionar este post com o imediatamente anterior - PROTESTO PELAS ARTES | «Discordo» diz o Ministro da Cultura | E FOI ASSIM QUE NOS LEMBRAMOS DO LIVRO «A SABEDORIA DAS MULTIDÕES». Pensamos que sim, olhando para a «multidão» que mostra o erro que está a ser cometido relativamente à SEIVA TRUPE (mas que serve de ilustração para outras situações, veja-se, por exemplo, a ACTA no Algarve, ou a A BARRACA em Lisboa). Saibamos do que estamos a falar com estes recortes:  

 «(...) Para além de Pinto da Costa, a icónica Companhia Teatral do Porto tem recebido vários apoios em forma de depoimento escrito ou em vídeo: desde Guillermo Heras, Presidente da Associação de Encenadores de Espanha, António Sampaio da Nóvoa, Embaixador na UNESCO, ex-candidato presidencial e ex-Reitor da Universidade de Lisboa, o investigador Manuel Sobrinho Simões, Isabel Pires de Lima, ex-Ministra da Cultura, o Professor e Físico Carlos Fiolhais, o Bispo do Porto, Dom Manuel Linda, Carlos Avilez, diretor do teatro Experimental de Cascais e ex-diretor do Teatro Nacional D. Maria II, Maria do Céu Guerra, atriz, o músico Rui Reininho, entre muitos outros.

São várias as iniciativas que têm estado a decorrer desde o final do ano passado, entre elas a petição “Não deixaremos morrer a Seiva Trupe”, organizada por cidadãos da sociedade civil e que já ultrapassou as 4400 assinaturas.

Em breve a Seiva Trupe vai entregar um Requerimento Hierárquico e continuará as várias iniciativas de protesto pela sobrevivência da Companhia Teatral».

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De lá:  «(...)  As companhias que decidiram concorrer a um apoio quadrienal “tiveram uma subida bastante significativa do montante global, enquanto os outros ficaram com um montante muito baixo”, disse. “Isso é que é inadmissível porque as pessoas têm o direito de concorrer a um subsídio bienal e não serem discriminados por isso”, frisou a cofundadora d’A Barraca, companhia que leva quase 50 anos de existência. Houve “alguns problemas” que levaram A Barraca a concorrer aos bienais e não aos quadrienais, o que fez com que passassem a ser “sacrificados a um número mais pequeno, e, portanto, prejudicados”. (...)»

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Algumas observações mais gerais que talvez no micro MINISTÉRIO DA CULTURA possam ser lidas - até porque refletem o que muitos dizem por aí, nomeadamente na audição recente no Parlamento organizada pelo PCP -, há que equacionar a questão  das diferentes GERAÇÕES que coexistem no SETOR DA CULTURA E DAS ARTES. Por um lado é bom ver como  mais VELHOS continuam a trabalhar e assim constatar como acompanham o ENVELHECIMENTO ATIVO que enche a boca de governantes nacionais  e dão corpo a políticas mundiais e europeias. Contudo, alguns trabalham porque têm REFORMAS DE MISÉRIA. Não será por acaso que existe esta «esmola». Mas por outro lado, as NOVAS GERAÇÕES têm de ocupar o lugar a que têm direito. Se um MODELO DE «APOIO» não equaciona esta realidade - e é isso que os RESULTADOS DOS CONCURSOS nos mostram -, ESTÁ ERRADO, e têm de se tomar MEDIDAS EXTRAORDINÁRIAS. Institucionalmente, onde está a dúvida? E se isto não se resolve, os mais novos chegarão mais rapidamente às tais reformas de miséria, e a situações dramáticas que nos deviam envergonhar a todos.

 

sexta-feira, 13 de janeiro de 2023

PROTESTO PELAS ARTES | «Discordo» diz o Ministro da Cultura | E FOI ASSIM QUE NOS LEMBRAMOS DO LIVRO «A SABEDORIA DAS MULTIDÕES»

 

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No «Elitário Para Todos» há quem seguisse o agora Ministro da Cultura enquanto comentador - naturalmente,  não em todos os sítios em que colaborava - e havia um aspeto em que se estava bem alinhado com o que defendia: são necessários estudos que suportem as decisões políticas. Ora, aqueles Power Points  que o Senhor Ministro não para de nos apresentar para justificar os resultados dos concursos  através da DGARTES não chegam. E o seu «discordo» não se adequa à função. Precisamos de saber em que funda as suas decisões devidamente contextualizadas. De facto, se os resultados dos concursos (venham eles de júris ou de outros) provocam o que estão a provocar há que encontrar alternativa. Sim senhor, é de procurar ALTERNATIVAS - diz a literatura (e a vida) que se deve procurar mais do que uma ... E o Senhor Ministro até diz que as encontrava mas ... não quer.

Bem, mas o que  neste momento para aqui queremos trazer é o livro da imagem que nos veio à memória em todo este ambiente de PROTESTO PELAS ARTES, ousando-se recomendar ao Senhor Ministro e também, já que já entrou «na roda», ao Senhor Primeiro Ministro (ai! aquelas palavras no Parlamento em que se compara eleições legislativas com os resultados de júris de concursos, confessamos que arrepiam ...)  «A Sabedoria das Multidões» com o RESUMO abaixo. E atente-se, desde já, nisto: 

«Uma leitura intrigante – e um conceito com enorme potencial tanto para CEO’s como para políticos. Newsweek».

 

 «O livro de culto dos gestores de todo o mundo.

«Antes de ler este livro, encha um frasco com feijões e conte-os. A seguir junte um grupo heterogéneo de amigos e peça que adivinhem o número correcto de feijões. Aponte os palpites. Chegará então a duas conclusões: todos os seus amigos se enganaram e o palpite mais correcto é a média de todos os palpites individuais.

Bem-vindo ao fascinante universo de "A Sabedoria das Multidões", o livro de culto de Silicon Valley que se tornou num best-seller da BusinessWeek. James Surowiecki – responsável pela página de economia da New Yorker – descobriu que os grupos revelam quase sempre uma inteligência superior à dos peritos. Nas circunstâncias certas, são melhores a resolver problemas, a tomar decisões ou mesmo a prever o futuro. Lembram-se do concurso Quem Quer Ser Milionário? As respostas certas nunca eram do amigo especialista, mas sim do público em estúdio. Recordam-se da explosão do Columbia? Muito antes da NASA, os corretores da bolsa descobriram qual das companhias envolvidas na construção do space shutlle tinha falhado.

Surowiecki, talvez o mais importante pensador contemporâneo da Web 2.0, defende a sua tese apoiado no comportamento dos mercados, na psicologia, na biologia e até na história militar. Explica como e quando as multidões erram e como e quando acertam em cheio. E oferece uma ferramenta de valor incalculável para empresas, governantes ou para nós mesmos.

«Fabuloso… O mais brilhante livro sobre gestão, sociedade e vida quotidiana que li nos últimos anos.»
Malcolm Gladwell, autor de Blink

«Uma leitura intrigante – e um conceito com enorme potencial tanto para CEO’s como para políticos.»
Newsweek»

Saiba mais

 

quinta-feira, 12 de janeiro de 2023

A GRANDE SOBRA: IMPRESSIONA A MANEIRA COMO O MINISTRO DA CULTURA FALA DOS PROBLEMAS QUE VIERAM À TONA COM OS RESULTADOS DOS CONCURSOS NA ESFERA DAS ARTES E TAMBÉM A MANEIRA COMO O PRIMEIRO MINISTRO ABORDA O ASSUNTO ESTANDO-SE EM CRER QUE O FAZ PARA ESTAR EM LINHA COM O SEU GOVERNANTE | para um e para outro aconselha-se que leiam o recente comunicado do Sindicato CENA-STE | SENHORES GOVERNANTES O PROBLEMA DOS RESULTADOS É UMA QUESTÃO DE EMERGÊNCIA! | QUE EVIDENCIAM A INCAPACIDADE DO «MICRO MINISTÉRIO DA CULTURA» COMO ALGUÉM JÁ O DESIGNOU | ESPEREMOS QUE O PARLAMENTO TENHA O BOM SENSO QUE FALTA AO GOVERNO E SALVE A SITUAÇÃO

 

Ao voltarmos ao muito que foi dito sobre os Resultados dos Concursos através da DGARTES e que nos chega através da Comunicação Social nomeadamente com os Alertas Google, a grande sobra: O MINISTRO DA CULTURA ENCONTROU UMA FORMA DE ABORDAR O PROBLEMA E DELA NÃO SAI. Começa a ser consistente o que se vai ouvindo: O MINISTRO NÃO CONHECE O SETOR E AINDA NÃO PERCEBEU (OU NÃO QUER PERCEBER) O QUE ESTÁ EM CAUSA DE IMEDIATO E QUAIS SÃO OS PROBLEMAS DE FUNDO. Ou tudo isto é também manifestação da incapacidade do Ministério da Cultura que verdadeiramente não existe - será problema que o Ministro ainda não viu?, ou sobre o que ainda não tem «discurso», e dai que se afaste do assunto. Veja-se o que Ministro tem para oferecer  em títulos de jornais como este:

 

 

 e certamente subjacente  ao que o Primeiro Ministro disse no Parlamento:


Temos de acreditar que não é isso que querem, mas o discurso (e mesmo palavras isoladas, elas importam, têm a sua força) são uma atentado à inteligência. Afinal, bem vistas as coisas, todas as narrativas com o que o Poder Central nos brinda estão longe do DIÁLOGO que a situação exige. ELES É QUE ESTÃO CERTOS - a realidade é que ainda não o viu, pensarão - e tudo O RESTO ESTÁ ERRADO. O futuro, e já o presente, (estamos convictos) os julgarão ... E evidenciarão o erro em que estão afogados.

O Ministro deve querer mostrar uma posição de força, dar imagem que sabe do que está a tratar. Com o devido respeito: LIBERTE-SE DA HERANÇA QUE RECEBEU! Reflita tudo, e o todo, e reconheça que os CONCURSOS  apenas mostram  a FERIDA MAIOR que atravessa o Setor. Assuma (nem que seja só para si, por agora) que estes resultados estão a aumentar FRAGILIDADE à FRAGILIDADE que a PANDEMIA pôs a nu. E acabe com os números, e as percentagens, que começam a poluir em vez de darem claridade. Estamos a falar de PESSOAS, de POPULAÇÕES que ficam sem oferta, de REGIÕES onde criadores, artistas, e demais profissionais ficam sem emprego ... De investimentos feitos pelo Estado - que não ajuda, deve garantir - e que se vão desbaratar.    E perante isto, o Ministro da Cultura acena-nos com a disponibilidade para rever o Modelo ... Que está esgotado, de há muito! O Senhor Ministro já o sabia (ou devia saber) quando aceitou o cargo ... E devia agir sem esperar pela CONTESTAÇÃO DOS PROFISSIONAIS DO SETOR. É para isso que existe GOVERNO e SERVIÇOS PÚBLICOS. 

E neste ambiente, voltemos ao início deste post: ao comunicado do CENA-STE que institucionalmente, a nosso ver, equaciona com qualidade os tempos que passam ... A fúria que tantos atravessa.

 

 

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Bom,terminemos lembrando que a DEMOCRACIA assenta em poderes vários. E os RESULTADOS DOS CONCURSOS podem ser «retificados» e o Senhor Ministro da Cultura e o Senhor Primeiro Ministro terão de cumprir o que outros poderes decidirem dentro das suas competências. Nomeadamente, há a via jurídica, que implicados já disseram iriam acionar. Entretanto, espera-se a POSIÇÃO DO PARLAMENTO, desejando-se que Deputados do PS tenham a clarividência que a situação recomenda: de imediato votar pelo reforço de verbas. Depois, recomendar a REFUNDAÇÃO DO MINISTÉRIO DA CULTURA que leve a um SERVIÇO PÚBLICO DE CULTURA E ARTES.  Sem ninguém «perder a face»! É a DEMOCRACIA A FUNCIONAR da qual a CULTURA É PILAR
 
 

IMAGEM DO DIA | 11 JAN 2023 | no AbrilAbril |«Centenas de pessoas marcam presença no «Protesto pelas Artes», em frente à Assembleia da República»