terça-feira, 22 de julho de 2025

OUTRA VEZ O «MECENATO CULTURAL» !

 

no JN 

Há dias assim, começam de forma leve,  bem dispostos, mas de imediato assunto «sério» que já nos «irrita»: ao abrir-se o computador e-mail de pessoa leitora do Elitário  Para Todos,  e amiga, a dar-nos conta da notícia com que iniciamos este post. A primeira reação é de satisfação, depois bem percebemos o lado de «gozo». É verdade, já não podemos ouvir falar de «mecenato cultural» e muito menos quando pensam que vai ser a «salvação» do financiamento às artes. Uma vez mais, não, não vão por aí... Todavia, o mecenato, como tudo, merece ser refletido. E assim querendo ajudar-se a Senhora Ministra da Cultura,   Juventude, e Desporto (e Igualdade, acrescentamos nós) sugerimos que procure  o que existe pelos serviços - e por estes caminhos lembramos a questão da «memória», e pegando no que se ouviu recentemente na Assembleia da República que nos sirva de conceito: «Somos a memória que temos e a responsabilidade que assumimos. Sem memória não existimos, sem responsabilidade talvez não mereçamos existir». José Saramago. Senhora Governante, NÃO ESQUEÇA A ORGANIZAÇÃO DA MEMÓRIA DA «CULTURA» DO SEU MINISTÉRIO nomeadamente das artes da DGARTES.  
 Voltando à noticia, talvez não seja tempo perdido procurar o trabalho a que se refere a imagem acima - é de 2007 mas estamos em crer que ainda é capaz de ser útil. Que se saiba, entretanto, nada de «estruturante» aconteceu neste domínio. Olhemos para a Apresentação:
 
 «Apresentação

Este documento aparece como desenvolvimento natural de propostas anteriores que nos últimos anos se têm vindo a realizar no IA, hoje DGARTES, com vista à melhoria do sistema do Mecenato Cultural,  em particular no que às artes do espectáculo  diz respeito, e, depois, também à designada arte contemporânea.

 O trabalho aqui apresentado que, do nosso ponto de vista, se justificaria em qualquer situação, parece-nos ser ainda mais oportuno a partir do momento em que no Programa do Governo está consagrado «rever e regulamentar a Lei do Mecenato de modo a tornar-se mais amiga dos projectos culturais de pequena e média dimensão». E, por maior força de razão, por ser neste campo em que a experiência acumulada na DGARTES  é mais fecunda.

 Por outro lado,  seguindo-se com atenção o estipulado na Lei do Orçamento do Estado para 2007 na esfera da Política Fiscal, sobre a actualização e inserção no Estatuto dos Benefícios Fiscais dos incentivos, entre outros, ao mecenato, vêem-se as alterações efectivadas, como fazendo parte de mudança mais vasta ao que se vem designando por Estatuto do Mecenato Cultural, na linha do preconizado pelo Governo. Mas, ainda que as modificações concretizadas incidam sobre pontos que há muito tínhamos identificado, e que, objectivamente, têm repercussões  positivas, detectamos contudo, para o campo das artes, salvo melhor opinião, que beneficiariam  em  ser ajustadas, complementadas com outras mudanças, sob pena de contrariarem outras medidas ou para não virem a engrossar aspectos burocráticos. De facto, e em síntese, a  leitura  seguinte  do aprovado em sede Benefícios Fiscais, com efeitos nas artes:

 - As entidades beneficiárias,  contrariamente ao que acontecia, passam a ter que ser, de uma forma genérica,  «sem fins lucrativos». Ora, entidades apoiadas pela DGARTES, por exemplo, a Cornucópia, são empresas;

- O estatuto de «Utilidade Pública» já não isenta do pedido de interesse cultural ao Ministério da Cultura, o que significa que vamos ter mais  processos para dar parecer, e em muitos dos casos serão projectos que já foram avaliados no âmbito desta direcção geral;

-  Ao desaparecer o «superior interesse cultural» que, bem vistas as coisas, nunca nestes serviços soubemos aplicar, é capaz de vir na linha da padronização dos projectos, direcção contrária à diversidade  que  defendemos; 

 - Desapareceu o Despacho Conjunto Ministério da Cultura e do Ministério das Finanças que é um bom repto para outras simplificações;

ilustram o que pretendíamos dizer e evidenciam, pensamos nós, que é necessário trabalhar esta situação. Em quase todas elas há  verso e o reverso, na nossa óptica.
Mas, uma análise cuidada mostra que estes são aspectos parcelares de uma realidade muito mais ampla, rica, e complexa, e, neste quadro, depois de uma caracterização e diagnóstico alargados, a partir da  DGARTES, somos levados a concluir que  o que se encontra em vigor neste século XXI, na essência, está esgotado, precisa de uma nova dinâmica em termos estratégicos, e a nível operacional tem de ser reinventado seguindo-se o PRACE, o SIMPLEX, o Plano Tecnológico.
 Em termos estruturais, sistematizemos aqui, de entre outros, elementos  que  temos por significativos da e para a mudança:
-   Assunção ao mais alto nível de que é necessária uma nova dinâmica, um novo élan, enfim, um novo modelo;
 -   Sem minimizar os benefícios fiscais, deslocar o centro para o retorno garantido através da Responsabilidade Social/Desenvolvimento Sustentável  das organizações;
 -  A DGARTES deve focar-se na divulgação dos projectos cada vez mais bem elaborados, na sedução e valorização dos mecenas, e em provocar encontros entre os intervenientes;
 -   Transparência e prestação de contas perante a Sociedade
 -    Abolição do papel, tudo a passar-se online, através de reengenharia que leve a processo técnico-administrativo de excelência, partilhável 
-    Diploma específico para o Mecenato Cultural,
-    Outros
(...)».
 
Ainda, por conhecimento direto, de gente cá da casa, sabe-se que há estudos académicos que,  como dizer, esta fonte faz parte do ponto de partida do seu trabalho.
 
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Para facilitar a vida a quem quiser saber mais: 
 

 
 
A nosso ver, com o devido respeito, tudo «muito poucochinho» ...

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E para terminar, quem sabe «seduzir», terminemos com as capas de publicações passadas 
 
 



 
 

domingo, 20 de julho de 2025

SABER MAIS | sobre David Hockney | NÃO RESISTIMOS A PARTILHAR O QUE NOS CHEGOU À CAIXA DO CORREIO | E COM PRAZER VOLTAMOS AO BLOGUE DE ALEXANDRE POMAR | TANTA INFORMAÇÃO E CONHECIMENTO AO NOSSO DISPOR ! | A FAVOR DE QUALIDADE DE VIDA HAJA TEMPO PARA O USUFRUIR

 



«To mark his major retrospective in Paris, we revisit the career of a British dandy whose boundless curiosity revolutionized painting
Through the end of August, the Fondation Louis Vuitton in Paris dedicates all 11 of its galleries to an icon: David Hockney. The British artist, born in 1937, presents his largest retrospective to date, featuring 400 works created between 1955 and 2025. The exhibition provides an opportunity to revisit lesser-known aspects of his career». Veja aqui. Lá, bálsamo para os olhos, por exemplo:




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Ainda, sobre David Hockney 

Hockney em Paris - em 1999

 
A dado momento podemos ler: «David Hockney não pretende ser um teórico, mas na sua obra aparentemente fácil reflecte-se a consideração talvez mais atenta dos grandes problemas que se colocam à pintura nas últimas décadas do século XX: o diálogo com a obra de Picasso, a reflexão sobre a fotografia e a investigação das possibilidades abertas pelas novas tecnologias da imagem.
Como nenhum outro artista contemporâneo, Hockney consegue aliar a comunicabilidade imediatamente sensorial da sua pintura, com que conquistou uma imensa popularidade, em especial no mundo anglo-saxónico, a uma curiosidade intelectual inesgotável, demonstrada pela incessante experiência de diferentes processos da representação e da reprodução, e, em geral, por uma procura insaciável da inovação, que o faz abandonar todos os estilos quando sente que eles se tornaram já previsíveis».



sábado, 19 de julho de 2025

NA REVISTA «UMBIGO» |«Anualmente, durante uma semana, em meados de junho a cidade de Basileia, na Suíça, torna-se no centro artístico internacional para galerias, colecionadores e artistas contemporâneos. Digo isto numa visão de mercado, porque raramente encontramos este mundo - o nosso - lá representado. Também o digo sabendo que não tem de ser esse o papel da arte, o da formulação de uma linguagem de comunalidade, ou da denúncia da contemporaneidade, mas digo-o compreendendo que, hoje, esse papel se prefigura em grande parte reduzido à representação da individualidade. Das inquietações pessoais, em lugar das societais»| CHAMOU-NOS A ATENÇÃO «A VISÃO DE MERCADO» QUE A NOSSO VER DEVE SER CONSIDERADA EM PARALELO COM O «SERVIÇO PÚBLICO» E NÃO RESISTIMOS EM TRAZER PARA AQUI O LONGO ARTIGO

 

 
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e ampliemos: 
 
 
De lá:
 
Nadia Ayari's work, presented by Selma Feriani Gallery at Art Basel 2025.


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e terminemos com a UMBIGO 93 «toda»
 


«A Umbigo #93 olha para o futuro sob o signo da esperança, encontrando nos processos regenerativos uma oportunidade para recuperar um equilíbrio não só entre as diversas esferas da Natureza, mas também entre as comunidades.
Ao invés da habitual exposição, o novo número apresenta um dossiê com vários casos de estudo nos quais a arte serve de catalisador para explorarmos medidas práticas e concretas, todas elas locais, mas de potencial alcance global, em que uma nova abordagem inclusiva e ecológica é possível. Do banco de sementes de Svalbard à agroflorestal da Quinta Rego Água, dos Guardiões do Mira ao coletivo Guarda Rios, vários são os exemplos em que a comunidade ou sociedade civil toma as rédeas das práticas ecológicas e as põe em marcha. Contemplados ainda neste dossiê, a obra de Amar Kanwar, as bienais Walk&Talk e MOMENTUM, e a organização Green Art Lab Alliance. (...)». Continue.
 
 

sexta-feira, 18 de julho de 2025

PRESIDENTE DA REPÚBLICA | o que nos diz o candidato às próximas eleições António Filipe | NA SUA DECLARAÇÃO A CULTURA «INTEIRA»

 

 
Só pela DECLARAÇÃO DE CANDIDATURA já está justificado que ANTÓNIO FILIPE se apresente à ELEIÇÃO DE PRESIDENTE DA REPÚBLICA. Avalie por si. Chegamos ao fim e a grande sobra: um texto inteiro que nos enche, onde nada se atropela, que nos faz o retrato do que temos e do que temos direito a ambicionar. De forma inteligente, e atrevemo-nos a dizer com momentos de manifesta beleza. E disso precisamos.   Os grandes problemas que nos rodeiam, as aspirações que nos movem ou devem ser horizonte, ali estão ... E a CULTURA como parte do todo com espaço digno abordada em diferentes valências e não como adorno. Passagens (os destaques são nossos): 
 
«(...) Não é por acaso que o primeiro ato público desta candidatura ocorre nesta bonita sala da Voz do Operário, nesta coletividade centenária de que sou sócio há mais de 30 anos, construída pelo movimento operário no século XIX, mantida em atividade apesar das perseguições policiais nos 48 anos da ditadura fascista, realidade viva e vibrante do movimento associativo da cidade de Lisboa neste século XXI, e que mantém orgulhosamente neste salão a nobre consigna “trabalhadores uni-vos”. 
A Voz do Operário é a nossa voz e esta candidatura será a voz dos anseios de todos os trabalhadores, a voz de todos os que criam a riqueza e não usufruem dela, a voz de todos os que nunca desistem de lutar pela sociedade livre, justa e solidária a que alude o artigo 1.º da Constituição da República. (...)
 
A direita controla hoje todos os órgãos de soberania.
 
Dispõe de uma ampla maioria na Assembleia da República que dá suporte a um Governo apostado em levar por diante uma agenda reacionária de afronta à Constituição, de ataque aos direitos dos trabalhadores, de privatização dos serviços públicos e do que resta do setor empresarial público, de degradação do Serviço Nacional de Saúde e da escola pública, de privatização e assalto aos recursos da Segurança Social, de desprezo pela cultura e pelo associativismo. (...).
 
 A defesa da democracia contra o fascismo faz-se com políticas que venham de encontro às justas aspirações das populações, que promovam a justiça social contra as iniquidades, que promovam os justos salários contra os lucros injustificados, que promovam as liberdades contra o autoritarismo, que promovam a educação pública contra a desinformação, que promovam a cultura contra a boçalidade, que promovam a ciência contra o obscurantismo. (...).
 
É a candidatura que defende firmemente os direitos de todos os trabalhadores, os nacionais e os imigrantes, a justa repartição da riqueza, a melhoria dos serviços públicos, a promoção da ciência e da cultura, a preservação dos recursos naturais e ambientais e o desenvolvimento do País. (...)
 
É a candidatura que está com os criadores culturais e com os trabalhadores das artes do espetáculo, na luta contra a precariedade, pela valorização das suas profissões e por um investimento decente do Estado na cultura. (...)».
 
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Sobre esta Candidatura  reparamos neste post do blogue MANIFESTO 74 com que no essencial nos sentimos alinhados


«(...) Quem se considera de esquerda e democrata, seja comunista ou não comunista, passou a ter, desde anteontem, um “alívio” no que toca às próximas presidenciais. É este mesmo o sentimento já manifestado e partilhado por muita gente que se enquadra precisamente no lado político e social a que aludimos. A falência de uns e/ou a incapacidade de outros, deixara muita gente órfã perante perigos de diversa ordem, também no que toca à escolha para próximo Presidente da República. Mas felizmente, como dissemos, ganhou-se, a partir de anteontem, um caminho aberto, coerente, determinado e firme, como a situação exige, no que toca ao desafio que se nos colocará no início do próximo ano: apoiar e votar na candidatura do António Filipe à Presidência da República.

O António não necessita de especial reconhecimento em lado nenhum. Muito menos nas habituais colunas de jornal ou nos espaços de comentário político. Aliás, o pior que lhe pode acontecer nesta altura é vir a ser elogiado pelo regimento de comentadores de direita cujos princípios, manhas e cartilhas ele sempre denunciou e combateu. Mas o que sucede é que, ainda assim, o António está sujeito a que isso mesmo lhe aconteça. Há quadros partidários que não precisam de medalhas, porque o trabalho em si mesmo é a grande medalha. Não só não está ao alcance de qualquer um atingir tal grau de prestígio dentro e fora do seu próprio partido, dentro ou fora da sua área política e ideológica, como também, nos tempos que correm, tal façanha é mais rara do que alguma vez foi. Nem tudo na política actual é grunhido e o António Filipe é a melhor prova disso. (...). Leia na integra.

 

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 E na parte final da Declaração de Candidatura de ANTÓNIO FILIPE:
« É a candidatura que transporta uma ideia para Portugal: a de que é possível um País justo, culto e solidário». ||| «É a candidatura “da esperança que não fica à espera”».
 

quinta-feira, 17 de julho de 2025

HOJE | DEBATE | 17 JUL | 18:00 | CARNIDE | LISBOA |«Do Centro à Periferia: onde fica o direito à cultura numa cidade para todos?»|A NÃO PERDER | DE FACTO A REFLEXÃO COLECTIVA É ESSENCIAL

 


A Lisboa desejada em debate  

 A Página a Página promove «um conjunto de debates a partir do livro Lisboa, Horizontes de Transformação – Uma Cidade para Todos, com a coordenação de João Ferreira. Estes debates procuram expandir os discursos em torno da cultura, do urbanismo e da participação democrática da cidade. A cidade é um espaço para todos. A reflexão colectiva é essencial». Saiba mais.
 
 
 
 
 
  

quarta-feira, 16 de julho de 2025

«O JL não pode morrer? ...»

 



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Relacionado:  «Futuro do Jornal de Letras incerto depois de jornalistas suspenderem contrato de trabalho  _ Com uma semana de atraso, esta quarta-feira chega nova edição do JL. O futuro é uma incógnita. Sem regularização da situação salarial, jornalistas manterão suspensão do contrato de trabalho». Aqui no jornal Público.