sexta-feira, 8 de agosto de 2025

BEM ESGALHADO ! |«Lisboa, cidade da nossa vida»| E CONTINUEMOS A REFLETIR LISBOA DANDO SEGUIMENTO AO CICLO DE DEBATES EM TORNO DO LIVRO «LISBOA HORIZONTES DE TRANSFORMAÇÃO _ UMA CIDADE PARA TODOS» COORDENADO POR JOÃO FERREIRA | VALORIZEMOS O TANTO QUE FOI DITO NA MORTE DE NUNO PORTAS ADICIONANDO UMA CRÓNICA DE ANTÓNIO GUERREIRO | TERMINAMOS COM A «QUALIDADE E BELEZA INCLUÍDAS» DE ÁLVARO SIZA

 

 
O cartaz da imagem já está em ruas de Lisboa. Reparamos nisso ontem, num fim de tarde magnífico: a temperatura   agradável; o  horizonte rosado e violeta; e aquela luz que só parece existir na Capital ... Lembrámos Carlos do Carmo e a sua «lisboa menina e moça»:


 
 

Talvez não seja despropositado falar sobre a autoria da letra, - afinal tudo faz uma cidade, constrói imaginário coletivo, veja aqui: «Por detrás da icónica música que todos ouvimos pela voz de Carlos do Carmo, “Lisboa, menina e moça”, está a mão do primeiro autor que escreveu a letra: Joaquim Pessoa, ainda que Ary dos Santos e Fernando Tordo tivessem sido parceiros no processo criativo». E às urtigas alguma inibição, também sem pedir licença  fomos levados a Vinicius de Morais:«as muito  feias que me perdoem mas beleza é fundamental» - que não se esgota no que à primeira vista parece. Bom pretexto para se conhecer ou voltar à Receita de Mulher. Que podemos mudar para Homem.

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Entretanto, na morte de Nuno Portas, no meio da tristeza, fomos brindados - e outra coisa não seria de  esperar  dada a sua grandeza, para gente cá da casa quase lenda - com, a nosso ver, textos excelentes, em que nos falam do amigo, do parceiro, do cidadão, do professor, do arquiteto, ...Em especial a Habitação. Apetece-nos recomendar que todos os candidatos às próximas eleições Autárquicas não passem ao lado. O recorte seguinte faz uma boa síntese do que queremos realçar:
 
 
 
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Agora, sobre a Cidade de Lisboa, de António Guerreiro, crónica de óbvia oportunidade e direta ao problema que também nos habita. Excertos:

«(...)Evidentemente, nenhum destes diagnósticos e descrições traz dados novos ao que todos conhecemos. Mas dito por estrangeiros e publicado num jornal britânico tem mais peso, na medida em que nos faz perceber que a incomodidade cresce mesmo entre aqueles que julgamos serem os felizes beneficiários da transformação da cidade. A queda do prestígio alastra e está a tornar-se pública para além das fronteiras. Ninguém gosta de viver numa cidade Potemkin.

Esta situação, que as administrações políticas de Lisboa acolheram e promoveram com grande entusiasmo, atingiu a máxima intensidade quando outras cidades já estavam a tentar restringir as causas que provocam a catástrofe urbana do nosso tempo. Não faltam as reflexões sobre os devastadores efeitos urbanísticos, sociais e económicos sofridos por cidades como Lisboa. Mas já é mais raro encontrarmos análises do empobrecimento cultural que daí advém. Uma cidade feita de hotéis e de apartamentos com licenças de arrendamento a curto prazo (no centro histórico de Lisboa, metade das casas está por conta do Airbnb, escreve Agustín Cocola-Gant no seu artigo), uma cidade que expulsou os seus habitantes, transforma-se num deserto cultural. (...)».
 
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Em torno do livro, como divulgamos, houve um ciclo de conversas - uma delas: 
É nossa convicção, o que os  participantes nas conversas «levaram para casa» sairá enriquecido com as reflexões registadas nas fontes acima referenciadas. Em especial, este excerto tirado do texto de Álvaro Siza, cala fundo - e assim terminamos voltando à BELEZA:

 


Reparemos, reparemos, nisto: «o problema da habitação social e da arquitetura para todos - qualidade e beleza incluídas». Palavras que dão energia que nos dizem da «igualdade» inteira.
 
 
 

terça-feira, 5 de agosto de 2025

«É uma DGArtes pseudo-catedrática, presa a ideias distorcidas sobre o que é arte, programação ou comunicação contemporânea – Mas não culpando a sua mediocridade».

 

 

Comecemos por partilhar isto: sempre nos sentimos agradecidos a quem se disponibiliza para observar o que se passa no nosso SETOR CULTURA (embora não saibamos onde começa e acaba) e mais ainda se o mostra no Espaço Público gratuitamente. Independentemente de se concordar ou não com o que nos dizem. Por acaso, no que se refere à «CARTA ABERTA» da imagem de há muito que por aqui se defende que a DGARTES precisa de ser REFUNDADA. REINVENTADA. Que o SISTEMA DE «APOIO ÀS ARTES» de há muito que está esgotado. Que se deve estruturar um SERVIÇO PÚBLICO DE CULTURA onde o «apoiar» seja substituído por «garantir». Aliás, tudo isto foi prometido pelo PS em campanha eleitoral antes de iniciar os seus ciclos de Governação mais recentes. Não cumpriu. Os «Partidos do Arco da Governação» na Cultura têm feito remendos. As transformações necessárias não acontecem. E sem elas não há Desenvolvimento Sustentável, e eventualmente até o dirão para adornarem narrativas ...
Neste ambiente de Reforma de Estado/Reforma   da Administração em que nos afogam com parangonas e, pelo andar da carruagem, uma vez mais, sem uma direção estratégica global que se entenda - também «desta» tudo aponta por «gavetas» -  o que estará reservado para a CULTURA? Bem sabemos, começar com a criação do Ministério da Cultura & C.ª  não augura nada de bom. Neste quadro, em concreto, que previsibilidade para a CARTA ABERTA aqui em apreço?       
Aqui e agora, neste agosto 2025, impõe-se  curiosidade sobre qual será o acolhimento para registos - excertos da Carta Aberta - seguintes, e outros equivalentes: 

«(...) É uma DGArtes pseudo-catedrática, presa a ideias distorcidas sobre o que é arte, programação ou comunicação contemporânea – Mas não culpando a sua mediocridade. Isso deve-se em parte ao profundo desconhecimento do universo das artes a impulsionar esta ignorância, que leva a conceitos erróneos sobre quem faz bem e quem faz mal. Não participa na vida artística – não conhece a história do seu ambiente cultural, não põe os pés no terreno, e retém o pior do passado salazarista, a falta de diálogo com o universo das artes. No entanto, o pior é a falta de curiosidade pelo universo da arte contemporânea que leva a preconceitos: não ter curiosidade significa desinteresse, no que está a ser feito, e no que devia ser feito com o financiamento público. Não ter interesse, significa não investigar, não se apaixonar. Não se apaixona, não retira prazer: não aprende, não sabe inovar! Resultado: só conhece a ignorância! Assim é a Direção Geral da Artes, dirigida de forma ignorante sem conhecimento do universo das artes e da cultura.
Porque, a DGArtes precisa de uma visão muito diferente [cosmopolita]. A actual direção, nunca sequer esteve próxima de ser “razoável’ – nunca chegámos a vê-la ou a conhecer as suas ideias para as artes ou para a cultura! … E, como é frustrante, não me recordar de nenhuma visita à Plataforma Revólver da Direção Geral das Artes, em todos os anos que programo arte e cultura, física/material e digital. Não se trata do culto das amizades, de conhecer o director da DGArtes como se fosse amigo íntimo – querer uma direção das artes amada por todos, é sentirmos proximidade à direção que decide, é sabermo-nos observados e analisados (como sei que é importante sentirmo-nos observados e analisados por quem nos financia? Porque recebi na Plataforma a visita de n diretores das artes de países estrangeiros, de diferentes direções gerais que ao longo do tempo financiaram projectos de exposições pontuais realizadas na Plataforma; curiosos e apaixonados, para conhecerem as nossas actividades) — E não me fale a DGArtes das comissões de acompanhamento rigoroso e de avaliação contínua acerca do nível de cumprimento dos objectivos artísticos e culturais que presidem à atribuição dos apoios, porque na verdade essas comissões não existem na prática, é literalmente teoria; razão porque impõe à entidade beneficiária uma carga absurda de relatórios que não são + que duplicações do projecto submetido: sobrecarrega a entidade com frivolidade absurda, infindável burocracia, que nada acrescenta na realidade à boa execução do projecto, antes pelo contrário, ocupa o candidato com um processo infindável de obrigações teóricas que só contribui para lhe retirar a energia necessária para a execução do projecto. E o que faz a DGArtes para contrariar este estado cristalizado dos concursos de apoio às artes? Literalmente nada, para além de anualmente trocar a ordem de algumas das infinitas alíneas que compõem os formulários de candidatura.
Na realidade, a DGArtes finge saber o que cada uma das entidades apoiadas anda a fazer com o dinheiro dos contribuintes! Como é que sabe a DGArtes o que realmente andam as estruturas a desenvolver? Não sabe pura e simplesmente. Ignora! E deve alterar esse estado das coisas — A ignorância é uma forma activa de corrupção, não me canso de referir; depois lamentam-se que a maioria dos jovens vota diferente do passado recente. A razão? — Não se querem sentir totalmente desacompanhados. Querem acreditar num sistema social, cultural e político que defende que o sucesso e as oportunidades de cada um dependem, principalmente, dos seus próprios méritos e esforços.
Soubesse a DGArtes pensar arte e cultura com inovação e conhecimento, e não estaria o país artístico onde infelizmente se encontra, sem sucesso, sem ideias e atrasado! É um conhecimento sem ciência, sustentabilidade e futuro que a DGArtes promove. Sabemos que a DGArtes não acompanha os projectos financiados no terreno, e que o seu objectivo único é controlar a pronuncia dos candidatos não elegidos, através de uma equipa treinada nesse sentido. Os seus formulários e métodos de avaliação são os mesmos de há vinte anos, implementados na Secretaria de Estado da Cultura de Francisco Viegas, do governo de Passos Coelho.
Recordas-te Américo, qual é a história por trás da criação destes requintados formulários e métodos de avaliação e como se projectaram eles acima de todas as razões nos concursos de apoio às artes? Provavelmente estavas no terreno na época — Realizados pelo director geral das artes, da Secretaria de Estado de Francisco Viegas, para exibirem burocracia e complexidade, centraram-se na capacidade inata (presente desde o nascimento) de resistirem à contestação. Mas também celebram a ignorância da DGArtes, e o + notável de tudo, a cegueira das apreciações e classificações.
Resultado: ofereceram à direção da DGArtes uma liderança autocrática, para apreciar teoricamente o universo das artes, em oposição à prática e à realidade. Surpreendentemente, tornava-se claro que a direção Geral das Artes não precisava de ter experiência e conhecimento do sector para apreciar e classificar candidatos artísticos. De uma insana complexidade(!) erguem-se [os formulários] como uma montanha acima dos candidatos a apoios financeiros para projectos artísticos. Enormes, cobrem os candidatos com uma parede de inumeráveis questões, perigosamente burocráticos, estendendo as suas infinitas alíneas e espalhando o terror entre os candidatos. Estes frágeis candidatos não são os únicos em risco. Tão enorme são os formulários que faz parecer pequena a arte, cuja simplicidade e beleza não se pode comparar com a obsessiva convulsão de alíneas prontas a engoli-la. Atacam tudo: artistas, curadores, estruturas, até a arte. Também tomaram a DGArtes de assalto.
É uma criação antiga que copias, Américo! A actual Direção Geral das Artes segue um padrão errado, a copiar. Não está a repetir, repetir, repetir um conceito seu - a actual direção não criou nada seu, não criou nada diferente nos concursos de apoio às artes que procure aperfeiçoar repetindo, repetindo, repetindo. Repetindo. Aliás, não tem ideias! Está a copiar um pensamento velho, formulários e métodos de avaliação antigos formados numa profunda desconfiança política e desconhecimento do sector das artes, uma carroça velha que já não nos serve se é que alguma vez nos serviu. Não há beleza em copiar!
A DGArtes, está enredada nos próprios formulários e métodos de avaliação complexos e decadentes, e falsas ideias de que o universo das artes está a evoluir. O culto da complexidade, que lhe é tão familiar, não significa que os métodos de avaliação passem a ser + objectivos. A DGArtes está atrasada no tempo, distante do sector e da simplicidade da arte motivo para se continuar a servir de formulários obsessivamente complexos, relatórios obsessivos e critérios blindados do passado - tornando-se resistente a qualquer renovação dos concursos. (...)».
A nosso ver, as questões denunciadas pela ArteCapital são tão fortes - mas em que outras Organizações Culturais se reveem,  é só lembrar o «gritado» em encontros, e veio-nos à memória um havido na Assembleia da República organizado pelo PCP na sequência dos resultados de um dos famigerados concursos da DGARTES  - que não podem deixar de ter consequências. Isto não pode ser ignorado, passar em branco, mesmo nestes dias de calor. Para muitos infernais ... E também por isso os mais poupados têm obrigação de pensar a «arte».
 
 

JACINTO LUCAS PIRES |«Vento nos Olhos»

 

 
 SINOPSE
 
«O vento deita abaixo uma árvore na Ribeira Lima e isso faz começar uma história.
Xavier é um artista plástico que se põe a investigar o vento. Conhece Lydia, uma historiadora de arte interessada em escultura, e a sua vida complica-se alegremente. Maria, a ex-mulher de Xavier, é uma atriz em busca de si própria. E a filha dos dois, Luz, quer nada mais nada menos do que resolver o mundo.
Neste tempo da pós-verdade, qual o lugar da criação artística?
Num mundo cada vez mais literal, ainda há espaço para o espírito?
Mas o romance também traz o seu contrarromance. Dimas, um heterónimo do autor, entra na história à procura do famigerado sucesso. Invejoso, busca formas de sugar o ortónimo e acaba a sabotar o livro: liberta as personagens secundárias, apodera-se de referências alheias, rouba páginas para se safar, baralha os registos da narração.
Noutro plano, esta história de histórias – que vai da Ribeira Lima a Berlim, do Porto a Madrid, de Bruxelas a Heidelberg, de Lisboa a Lublin – constitui uma pergunta europeia, num tempo de divisões e guerra.
Este é um romance sobre o tempo, em diferentes sentidos. Aqui há morte e nascimento, aprendizagem e mistério, e restaurantes, autoestradas, desenhos animados, música, citações, recortes de realidade, política».
 
 
 

segunda-feira, 4 de agosto de 2025

PEDRO TADEU |«Porque sou Comunista»

 

 
 
Damos pelo livro da imagem num post do Duas ou Três Coisas: «Chapeau!». O texto é curto mas parece-nos que é de divulgar - de certa forma também é corajoso:«Não conheço Pedro Tadeu, salvo das conversas que lhe ouvi com Jaime Nogueira Pinto, na rádio. Vou comprar este seu livro porque estou muito curioso em conhecer as razões que levam a que alguém se proclame abertamente comunista nos dias de hoje, em que a popularidade da ideologia não parece estar no topo de venda de ideias. E mais: que tenha tido coragem para fazê-lo, nestes tempos de caça às bruxas e de fachos à solta. "Chapeau!"». Pela nossa parte iremos comprar o livro nomeadamente para  nos municiarmos contra as «cassetes de mal dizer» de muitos e muitas  sobre o PCP, por vezes sem um módico de qualidade. A que se pode juntar - arriscamos - falta de respeito por quem alinha com o que os comunistas portugueses e seus apoiantes defendem. Fizeram opções, em particular, respeitem a sua inteligência - é verdade, por vezes contra todas as evidências, falam daqueles portugueses/as como se fossem destituídos/as de conhecimento e de vontade própria. Artigos e comentários há que esquecem que «os comunistas» são pessoas! Já chegámos a pensar como é que convivem com o que dizem? Com a maneira como o fazem. É bem possível que não se tenha chegado «à violência» que atravessa a intervenção política dos dias que correm «do nada» ... Primeiro, visaram os comunistas e os companheiros. Depois, é o que se vê ..., embora haja quem continue a fazer do «O PARTIDO» o Bombo da Festa. Antecipamos:  jornalistas, comentadores, cidadãos  em geral, são capazes de encontrar na obra elementos para qualificarem a vossa argumentação. E aqui fica uma recomendação: jovens informem-se, pensem pela vossa cabeça, não se deixem levar pelos argumentos repetidos, e repetidos, mas nem por isso quantas das vezes sem fundamento. Frequentemente descontextualizados. Abundam posições bem trabalhadas transformadas em sound bite.  Do site da editora:
 

Porque Sou Comunista

Pedro Tadeu
Confissões de um jornalista burguês
26 razões que explicam a adesão ao ideal comunista no século XXI

A humanidade precisa da religião? A História é feita por «vilões» e «heróis»? O culto da personalidade é um perigo? Os crimes do comunismo existiram? Os crimes do capitalismo são mentiras? Derrubar estátuas combate o racismo? O feminismo de salto alto é ridículo? O «wokismo» é um absurdo? O que vale um punho erguido? Para explicar a razão por que é comunista, o jornalista Pedro Tadeu, militante do PCP, responde a estas e a muitas outras perguntas. Este lisboeta, de origem burguesa, que politicamente trai a sua classe social, tenta demonstrar neste livro que, no século XXI, o comunismo ainda faz sentido.
[Em pré-venda; data de publicação: 21 de Agosto.]
 
 


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Há por aqui quem tenha curiosidade em saber quantos haverá que tenham mudado de Programas Televisivos pela maneira como falam do PCP. Por acaso nós conhecemos, e nem sequer são militantes ... Numa altura em que se rateiam audiências a coisa não será despicienda.
 
 

sexta-feira, 1 de agosto de 2025

«ACREDITO QUE É DESTA!» | DIZ O SENHOR MINISTRO ADJUNTO E DA REFORMA DO ESTADO | Ó Senhor Governante, com o devido respeito, lembramos que as intervenções gestionárias são permanentes, continuadas e sistemáticas ... | OU SEJA , A EXPRESSÃO NÃO NOS PARECE TECNICAMENTE AJUSTADA NEM MOBILIZADORA | E PARA NOVO IMPULSO FALTA-LHE «BELEZA» ...

 

 
Há dias assim, ontem, até começar o jogo Sporting - Benfica a que pretendíamos assistir na RTP 1 nada sabíamos sobre a Reunião do Conselho de Ministros do dia, mas numa de zapping verificamos que durante o jogo ia haver uma entrevista na SIC noticias  com o Ministro Adjunto e da Reforma do Estado sobre as decisões tomadas.  O assunto interessa-nos, e lá fomos  mudando de canal até ficarmos ali a ver e ouvir o Senhor Governante. Não assistimos ao GOLO! À medida que a entrevista avançava alguma irritação ia crescendo... Mas estamos em agosto, com um calor incompatível com as condições habitacionais de muitos dos  felizardos que têm habitação ... e o que íamos ouvindo em nada contribuía  para o prazer que se busca «no verão» - no tempo dito de férias. O que não será o caso para muitos. Não há dinheiro para isso, mas tentando ter um tempo diferente talvez seja avisado «não ouvir os políticos», digamos, de turno. Ou deixar reações lá para setembro... Mas não resistimos  e não se pode ignorar o que o Governo nos diz a 31 de julho de 2025. Sem prejuízo  de se voltar à matéria mais tarde, articulando-se com o que se vem dizendo desde sempre. Assim, algumas reações soltas, afinal em linha com a lógica do(s) Governante(s) - nada de nos apresentarem um DOCUMENTO ORIENTADOR GLOBAL E INTEGRADO, e isto é inaceitável, não podendo deixar de se criticar o que nos é disponibilizado. Mas o que é aquilo!, volta Paulo Portas estás perdoado  (bom é melhor não dar ideias)...:
 
  • Desde logo, o Senhor Ministro mostrava-se muito confortável no espaço televisivo captando-se uma familiaridade entre os ali intervenientes o que para o espetador   à partida pode ser  útil. Mas foi-se detetando  que a jornalista ia percebendo, ou alguém lhe  soprava ao ouvido, que era preciso mais mas a nosso ver não chegou lá... Pensamos que é  visível no âmbito da comunicação social  défices sobre como tratar o que aqui está em causa que verdadeiramente não sabemos o que é ... Onde estão os «especialistas»? Que escolas e cursos ouvir? Que Ordens Profissionais temos ou devíamos ter que não podem/podiam ser ignoradas? Claro, as Administrações têm de ouvir os CIDADÃOS, as EMPRESAS, e as demais ORGANIZAÇÕES. Com método, obviamente, o próprio das ADMINISTRAÇÕES ABERTAS. Na circunstância o que aconteceu ?  

  •  De facto, na entrevista vem ao de cima algo fundamental de que nada nos dizem: a questão dos CONCEITOS, dos MODELOS DE TRABALHO, dos AUTORES QUE SE SEGUEM, da LITERATURA DE REFERÊNCIA, das BOAS PRÁTICAS ELEITAS PARA BENCHMARKING ... E algo que arrepia, FALTA MEMÓRIA SOBRE COMO SE CONSTRUIRAM AS ADMINISTRAÇÕES PÚBLICAS - CENTRAL E LOCAL - DEMOCRÁTICAS. E se moldou o ESTADO. Ou seja o que se edificou com o 25 de abril. Senhor Ministro as transformações devem-nos orgulhar. Homens e mulheres de todos os Partidos - governantes, dirigentes dos diversos níveis, técnicos, e demais trabalhadores ... - fizeram a «mudança original». E por aproximações sucessivas (até nos parece que é o que quer desenvolver eventualmente sem domínio das técnicas subjacentes). Muitos e muitas já não estão entre nós. Mas merecem ser recordadas/os. Merecem o nosso reconhecimento e respeito. Estamos em crer que há gente do seu Partido que não se revê no que está a fazer, no modo com que está a atuar,  até porque dá ideia que não é uma questão de estilo ...
 
  • E sim, ao longo dos 50 anos de abril   houve muito de que não nos podemos orgulhar, foi-se escangalhando o Aparelho Estatal: extinções e fusões cegas; reformas antecipadas sem transferirem o conhecimento; políticos com desejo de apresentarem serviço a criarem estruturas ao lado; confusão entre o que é dos «gabinetes» e dos «serviços»; concursos faz de conta - ai! aqueles em regime de substituição; o movimento perpétuo de estar sempre a começar do zero; a falta de memória organizada; e apregoa-se sem fundamento cientifico, aliás,  com a realidade a mostrar o contrário,  que o Estado tem de ser governado como uma Empresa ... Mas ao mesmo tempo, depois de se ter introduzido A GESTÃO (a GESTÃO PÚBLICA necessariamente) nas ADMINISTRAÇÕES, a GESTÃO LEGALISTA a retornar, nada acontece que não passe por um diploma - tipo «manuais» ..., e assim sendo «escolas de gestão pública», para que vos quero?  E de quem é a responsabilidade, de quem é? 
 
  •  Senhor Ministro, pare um pouco, para nos dizer se a seu ver, e mais importante de todo o Governo,   REFORMA DO ESTADO e REFORMA DA ADMINISTRAÇÃO é a mesma coisa. Em termos operacionais, se PROCEDIMENTO e PROCESSO na esfera da Gestão Pública tecnicamente não tem diferenças. Quem sabe, ao jeito dos tempos, e atendendo a que não haverá espaço temporal para ler o que se devia  estudar, e frequentar os cursos (do nosso ponto de vista a (re)criar na esfera da GESTÃO ESTRATÉGICA e da GESTÃO OPERACIONAL agora tendo em conta a GOVERNANÇA do PARADIGMA DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVL ) fazer pelo menos um «glossário» ... 
 
  • Reparamos em expressões (ou serão apenas termos, quem sabe não mais que palavras) que o Senhor Ministro utilizou e ornamentou a sua narrativa, que até nos levaram a esboçar um sorriso. Comecemos pelo NOVO IMPULSO, saberá o Senhor Governante que já foi elemento  organizador de um outro Partido?  E até recordamos titulo de artigo a propósito, «UM NOVO IMPULSO, NA DIREÇÃO CERTA». (Não temos tempo para ir procurar), mas parece que o problema e pelo que já se ouviu hoje nas reações ao anunciado a questão é mesmo essa, «a direção».  Depois aquela de ir concebendo à medida que vão pensando a coisa de que nos irão informando a conta gotas - e quem é que vai atuar?, os novos dirigentes, ou vai haver uma Equipa para isso? - fez-nos lembrar, mas faltando-lhe a grandeza e poesia, o verso «O CAMINHO FAZ-SE CAMINHANDO», podemos dizer farol de muitos e muitas ... Por acaso também reparámos na introdução da «AGÊNCIA», e desconfiados que estamos talvez traga «água no bico» - será que à «socapa» são passos para privatizações da Administração? Ou será que devíamos dizer Estado?

  • Não sigamos nesta sequência, fica para «depois das férias» . Estamos mais apaziguados ... 
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